Vencendo o Deserto
Texto Base: Deuteronômio 29.2-9
2 Moisés
convocou todos os israelitas e lhes disse: Os seus olhos viram tudo o que o
Senhor fez no Egito ao faraó, a todos os seus oficiais e a toda a sua terra.
3 Com os
seus próprios olhos vocês viram aquelas grandes provas, aqueles sinais e
grandes maravilhas.
4 Mas até
hoje o Senhor não lhes deu mente que entenda, olhos que vejam, e ouvidos que
ouçam.
5
"Durante os quarenta anos que os conduzi pelo deserto", disse ele,
"nem as suas roupas, nem as sandálias dos seus pés se gastaram.
6 Vocês não
comeram pão, nem beberam vinho, nem qualquer outra bebida fermentada. Fiz isso
para que vocês soubessem que eu sou o Senhor, o seu Deus. "
7 Quando
vocês chegaram a este lugar, Seom, rei de Hesbom, e Ogue, rei de Basã,
atacou-os, mas nós os derrotamos.
8
Conquistamos a terra deles e a demos por herança as tribos de Rúben e de Gade e
à metade da tribo de Manassés.
9 Sigam
fielmente os termos desta aliança, para que vocês prosperem em tudo o que
fizerem.
Israel chegou ao
Egito na época de José, por livre e espontânea vontade, não que eles não
tivessem sido empurrados pelas dificuldades, mas certamente tiveram uma
escolha. Permanecer no Egito durante 400 anos, da mesma forma, foi uma escolha
que fizeram, mas dessa vez, certamente eles contaram com o comodismo e talvez
um pouco de preguiça. Neste ponto, muitos irão dizer: Mas pastor, A Bíblia fala
em Genesis 15. 13,14 que Deus predisse a Abraão que os seus descendentes
passariam por tudo isso. Ao que respondo: Sim, mas de qualquer forma eles
tiveram escolhas.
Na
antiguidade, muitas nações conviviam pacificamente quando dividindo o mesmo
território, e certamente foi o que aconteceu com a nação de Israel quando ficou
em território egípcio. Mas ao passar do tempo, Israel passou a fortalecer-se e
próximo dos 400 anos de estadia na terra do Egito, estavam tão poderosos em
número quanto os donos da terra, dessa forma, a nação egípcia acaba subjugando
Israel e submetendo os israelitas a trabalhos forçados.
Israel
passa de convidado a escravo, como dito acima, Deus havia prometido que os
tiraria da terra estrangeira e os levaria à Terra Prometida. Deus então levanta
um líder para seu povo (Moisés) e cumpre parte de sua promessa, ou seja,
liberta o povo, mas para chegar a “Terra Prometida”, sua terra natal, os
israelitas deveriam passar por um percurso dificultoso e árduo, o deserto.
O
primeiro motivo para os Israelitas entrarem no deserto foi a promessa de Deus
propriamente dita, pois em Genesis 15. 13,14 Deus diz que os descendentes de
Abraão deveriam ser aperfeiçoados, nesse caso, não há melhor lugar para
treinamento de sobrevivência do que o deserto. Além disso, Havia um outro
problema, os filisteus estavam em guerra conforme Êxodo 13.17, e o território filisteu
estava no caminho de Canaã (a Terra Prometida). O terceiro motivo para que o
percurso fosse mais longo era justamente a vontade de Deus em provar a sua
soberania e fidelidade, forjando assim não somente um povo forte, corajoso e
guerreiro, mas forjando também o caráter e espírito desse povo escolhido por
Deus.
Sejamos então
forjados por Deus nos desertos que devemos passar ainda nessa vida.
Quando
estamos no deserto, as vezes não percebemos(V.4)
Israel
não percebeu, a princípio que, o caminho para Canaã estava mais comprido do que
deveria. Além de ter um guia pessoal – Nesse
caso Moisés – Ainda tinha uma coluna de fogo durante a Noite e uma nuvem
de fumaça durante o dia, para não somente proteger do frio ou do sol
escaldante, mas para apontar o caminho em que deviam andar (Ex 13.21).
Durante
o dia o Senhor ia adiante deles, numa coluna de nuvem, para guiá-los no
caminho, e de noite, numa coluna de fogo, para iluminá-los, e assim podiam
caminhar de dia e de noite.
Êxodo 13:21
Êxodo 13:21
Os
Israelitas reclamavam o tempo todo, mas jamais perceberam que estavam sendo
aprimorados por Deus, ou ao menos que estavam sendo protegidos por Ele. No caso,
a proteção era justamente contra a guerra no meio do caminho.
Nos
nossos dias, passamos certamente por desertos, as vezes nem ao menos
percebemos, pois as lutas são tantas, que pensamos que foi satanás quem deixou
uma pedra no caminho, quando na verdade, foi o Senhor Deus quem nos impeliu para
lá, seja para aprimorar-nos ou simplesmente para nos livrar.
O
livramento de Deus não contempla somente aquilo que vemos, mas principalmente
aquilo que jamais imaginamos. Aí ficamos com a pergunta sempre latente: -
Porque estou passando por isso? Para que fui forçado a aquilo?
A
resposta parece ser dura e controversa, mas na verdade não é: Deus planejou
esse deserto, simplesmente porque Ele quer nos forjar, nos proteger e nos levar
a um lugar de descanso e gozo. No caso de Israel, era a Terra prometida, uma
terra que manava leite e mel (Ex 3.8). Mas e para você, qual a promessa? Se
ainda não percebeu a promessa pessoal de Deus para a sua vida, está na hora de
perguntar a Ele, pois assim fica mais fácil de entender o propósito do deserto,
os planos de Deus no caminho e também na chegada, assim como podemos ver em
Deuteronômio 29.4.
Por
isso desci para livrá-lo das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra
boa e vasta, onde manam leite e mel: a terra dos cananeus, dos hititas, dos
amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.(Exodo 3.8)
Quando estamos no deserto, Deus nos
sustenta (V.5)
Mesmo
que o povo de Israel estivesse sob sol escaldante ou frio insuportável, que é
justamente o cenário de um deserto, jamais o Senhor Deus permitiu que o seu
povo passasse por frio ou calor excessivo. Parece uma controvérsia, mas não é,
pois Deus cuidava de cada detalhe da saúde e preservação dos israelitas.
A
coluna de fogo durante a noite, além de iluminar o caminho para caminhassem o
máximo possível, produzia calor para protegê-los do frio da noite. Assim também
acontecia com a nuvem de fumaça, que os guardava do sol, pois as temperaturas
no deserto do Sinai variam de -9ºC durante a noite a 47ºC durante o dia. Se nesse
clima insuportável de Curitiba atualmente sofremos com as quatro estações num
dia só, quanto mais num deserto como esse.
Deus
protegia os Israelitas, mas como podemos perceber no versículo 5 do texto
inicial, o povo escolhido de Deus nem percebia isso, e olha que para não
perceber que a roupa e calçado não estragam tem que estar muito desatento.
A propósito, Homens,
percebem que gastam dinheiro de mais comprando roupas durante o ano e dizem: -
Mas já está na hora de comprar um sapato novo? Isso porque sente o dedão do pé
numa pedra no asfalto.
Já as mulheres,
dizem: Olha como essa roupa está batida, todos já me vêm de longe quando estou
chegando a Igreja, preciso comprar roupas novas. Detalhe, só faz um mês que
comprou o último conjunto.
Isso, pra não falar
em sapatos, que trata de uma discussão ainda maior. Mas e quanto aos
Israelitas, Deus cuidou de cada detalhe, assim também cuidará de você durante
sua estadia ou percurso no deserto. Digo estadia, porque haverá momentos em que
nem caminhar mais você poderá, seja porque não há para onde ir, ou porque a
coluna de fogo ou nuvem de fumaça não se movem.
Acima de tudo, creia
que Deus pode guarda-lo durante a caminhada e isso digo em todos os sentidos.
Seja na provisão ou proteção, Deus vai lhe dar tudo quanto você precisa.
O texto continua
dizendo que eles não puderam esbanjar ou até mesmo ter a melhor comida ou
bebida, mas certamente Deus proveu o que precisavam. Nesse ponto os israelitas
tiveram saudades da fartura (Nm 11.5), mas esqueceram-se que Deus lhes deu o
maná no lugar de pão, codornizes ao invés de carne e água ao invés de cevada e
vinho. Não que seja uma delícia a dieta do deserto, mas certamente ela nos dá
algumas lições importantes.
Nós nos
lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito, e também dos pepinos, das
melancias, dos alhos porós, das cebolas e dos alhos.
Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná! " Números 11:5-6
Mas agora perdemos o apetite; nunca vemos nada, a não ser este maná! " Números 11:5-6
A primeira lição da
dieta que podemos provar no deserto é que não importa a abundância com a qual
convivemos, pois ela é sem dúvida, muito menor do que a promessa. Os israelitas
comiam daquilo que tinham que pagar com o mais árduo trabalho escravo. Já na
terra que Deus os prometeu, teriam que suar é para carregar o que a terra
produzia por si só em fartura (Nm 13.23).
Depois
chegaram ao vale de Escol e ali cortaram um galho de uma parreira com um cacho
de uvas, que dois homens carregaram pendurado numa vara. Eles pegaram também
romãs e figos. Números 13.23
A segunda lição que
podemos ter com a dieta do deserto, é que ela reflete o cuidado de Deus até
mesmo com a nossa saúde. Nesse caso, podemos lembrar-nos dos israelitas
saudáveis com uma dieta balanceada e apropriada para a caminhada, além disso,
jamais perderiam a consciência por causa do vinho ou qualquer outra bebida
fermentada. A princípio, ao menor cochilo do povo de Deus, os inimigos poderiam
dizimar a nação.
Quando estamos com a
fartura, nos esquecemos de que somos frágeis e nos entregamos não somente ao
descanso por causa da preguiça, mas também deixamos de trabalhar para
conquistar ainda mais. Precisamos de mobilidade e desapego no deserto, caso
contrário, pararemos para um cochilo e jamais sairemos de lá, ou pior, os
nossos inimigos nos levam à morte por causa da letargia.
Não digo que todos os
desertos que passamos são de privação financeira, necessidades ou fome. Não,
nossas tribulações as vezes envolvem doenças, desemprego, lutas familiares e
etc, mas devemos estar atentos ao cuidado e provisão de Deus.
Quem sabe o seu
deserto seja a luta para manter o seu casamento. Essa é uma longa jornada, mas
devemos lembrar sempre que Deus pode prover o amor, pois caso contrário vocês
já haveriam se separado. Ou talvez o seu deserto seja a doença de um familiar.
Saiba que se for esse o seu caso, Deus tem levantado médicos, hospitais e
pessoas bem intencionadas para te sustenta. No deserto de desemprego, Deus
levanta familiares, amigos e as vezes até mesmo desconhecidos para prover o
alimento e suprir as suas necessidades.
Lembro que no meu
segundo mês de casado sofri um acidente no trabalho e levei pelo menos três
meses até a perícia da Previdência Social. Só pelos primeiros meses de casado
já me renderiam boas dificuldades financeiras, pois todos passam por isso, mas
nesse caso, não tínhamos nem como pagar as contas da casa, a situação estava
tão desesperadora que nem dinheiro para irmos a igreja tínhamos, mas veja como
Deus não nos deixa sem socorro.
Meus pais iam me
visitar e enquanto conversávamos com meu pai na sala, minha mãe via as
despensas... Ao final da visita, voltavam com as compras do mês. Além disso,
pessoas vinham e sempre traziam alguma coisa. Não suficiente, Deus mandava
alguém com dinheiro para passagens para ir a igreja, já que não tínhamos carro
e até a igreja que congregávamos precisávamos de três a quatro ônibus. Deus
supriu todas as nossa necessidades e não somente isso, mas nos mostrou o seu
amor o tempo todo. Ele pode fazer o mesmo com você no seu deserto!
Quando estamos no deserto, Deus nos
promete chegar em casa (Vs.7,8)
Deus já havia prometido a Abrão que
traria os seus descendentes de volta a casa. Não somente isso, mas prometeu que
a terra que Abraão estava seria toda dos seus descendentes. Daí a saída do
deserto seria fácil se todos estivessem com disposição para enfrentar o deserto
com fé e esperança.
O grande problema de Israel era a
inconstância, pois mesmo com uma promessa, desistiam de lutar. Mesmo com o exagero de provas de amor e cuidado que
Deus dava a cada dia, deixavam o Senhor e os seus planos para se entregar a
idolatria (Ex 32.4), murmuravam o tempo todo (Nm 11. 10-15) e quando se viam
desesperados corriam para Deus e seus estatutos (Nm 11.10).
Moisés ouviu gente de todas as famílias se
queixando, cada uma à entrada de sua tenda. Então acendeu-se a ira do Senhor, e
isso pareceu mal a Moisés.
E ele perguntou ao Senhor: "Por que trouxeste este mal sobre o teu servo? Foi por não te agradares de mim, que colocaste sobre os meus ombros a responsabilidade de todo esse povo?
Números 11:10-11
E ele perguntou ao Senhor: "Por que trouxeste este mal sobre o teu servo? Foi por não te agradares de mim, que colocaste sobre os meus ombros a responsabilidade de todo esse povo?
Números 11:10-11
Devemos nos firmar na nossa fé e crer que Deus é capaz de cumprir as suas
promessas sempre, pois Ele prometeu que jamais voltaria atrás (Mt 24.35). Deus
tem registrado em sua Palavra, pelo
menos 8 mil promessas e todas elas foram ou serão cumpridas em Jesus. Não digo
que tudo o que queremos receberemos de Deus, pois estaria sendo leviano e
mentiroso, mas o que digo é que certamente Deus nos sustenta e nos dá aquilo
que precisamos.
O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras
jamais passarão".
Mateus 24:35
Mateus 24:35
Se Deus prometeu que você sairá desse deserto, quero te dizer que isso
vai se cumprir, agora se Deus ainda não lhe falou, creia, pois Ele te diz nesse
dia: “— Meu (Povo)
filho, eu, o Senhor, sou o seu
Deus. Eu o tirei do Egito, a terra onde você era escravo.” (Ex 20.2)
Quando passamos pelo deserto, devemos
ser fiéis a Deus em tudo (V.9).
Deus nos convida à fidelidade ao longo
das Escrituras, mas no caso de Israel nessa passagem, Deus fala que as benção
estão atreladas ao cumprimento da aliança por parte de Israel.
As vezes pensamos que Deus cumpre
sempre as suas promessas, mesmo quando deixamos de fazer a nossa parte. Isso é
pura enganação, pois Deus quer que sejamos fiéis a Ele e as promessas que
fizemos.
Nos nossos dias, as Igrejas cristãs
estão formando descumpridores de promessas e filhos mimados de Deus. Nesse
caso, a menor pirraça de um cristão imaturo, Deus mudará até mesmo as palavras
da Bíblia, ou seja, muitos estão ensinando que você deve exigir algo de Deus,
ou até mesmo que você não precisa ser tão santo assim para conseguir o que quer
ou precisa, pois Deus é fiel.
Felizmente Deus não é fiel a mim ou
você. Deus é fiel sim, mas, a sua Palavra (Sl 33.4), por tanto, seja fiel a seu
compromisso com Ele, dessa forma ele cumprirá a sua promessa e o tirará desse
deserto.
Pois a palavra do Senhor é verdadeira; ele é fiel em
tudo o que faz.
Salmos 33:4
Salmos 33:4
Nossa conduta não apressará os planos
de Deus, mas certamente fará com que nossa passagem pelo deserto seja a mais
branda possível .
Por fim, sejamos obedientes a Deus, cumpridores da aliança que fizemos e
acima de tudo, tenhamos paciência e nos firmemos na promessa que o deserto é
somente o caminho que nos leva às promessas de Deus.
