domingo, 3 de março de 2013

A Flor de maracujá e o Calvário



A Flor de maracujá e o Calvário

Tempo em que se aproxima mais uma páscoa e é o tempo que sou convidado pela necessidade em escrever, faço algo a respeito.

Há algumas semanas estávamos em conversa na família, e eu não sei porque, chegamos ao assunto maracujá, pois é, daí lembrei da flor que origina a fruta e começamos a tecer comentários a respeito.
Nesse caso, achei bem bacana um poema de Rolando Boldrim:

A pois intonce eu lhes conto,
A história que eu vim contar,
Pruque razão nasce roxa, a flor do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe jurar,
Mais branco do que a Paiaba,
Mais branco do que o luar.
Quando as fror brotava nele,
Lá pras banda do sertão,
Maracujá parecia, 
Um ninho de algodão.
Mas um dia, há muito tempo,
Num mês que inté não me alembro se foi Maio, se foi
Junho, se foi Janeiro se foi Dezembro,
Nosso Senhor Jesus Cristo foi condenado a morrer,
Numa cruz cruchificado,
Longe daqui, como o que,
E havia junto da cruz, aos pé de Nosso Senhor,
Um pé de maracujá,
carregadinho de frô.
Pregaram Cristo a martelo,
E ao ver tamanha crueza,
A natureza inteira,
Pôs se a chorar de tristeza.
Chorava o vento dos campo,
chorava as folha das rebera,
Sabiá tombém chorava, saluçava nu gaio da larangêra.
E o sangue de Jesus Cristo,
Sangue pisado de dor,
Nu pé de maracujá,
Tingia todas as fror.
E as frorzinha aos pé da cruz,
Ficavam roxa também,
Como o sangue de Jesus,
A pois foi essa história,
Que um dia eu vim contar,
Pru quê razão nasce roxa,
A flor do maracujá.

O maracujazeiro é uma trepadeira de origem americana, em especial dos trópicos, sendo que no Brasil existem pelo menos 150 variações. O fruto é conhecido como maracujá na terra tupiniquim, que não por coincidência, recebe o nome indígena pelo seu formato (oval / oco) “alimento em cuia”.

Com a chegada dos europeus na América, foram verificados as primeiras trepadeiras e seus frutos, mas a surpresa foi imensa quando se depararam com as flores, tão belas e exóticas que traziam em si um significado tremendo segundo esses mesmos descobridores.

A primeira vez que ouvi essa história, quando tinha apenas 9 anos, foi com um missionário americano na casa de meus pais que, inclusive explicou a origem do nome em inglês (passion fruit) e a história que se segue.

No ano de 1581, o primeiro a descrever a fruta e suas flores foi o historiador e conquistador Daniel Soares de Souza em seu “Tratado Descritivo do Brasil”. Nos idos de 1600, o Papa Paulo V foi presenteado com um exemplar da planta e teve também um memorial descritivo dos jesuítas a respeito da flor, nesse caso, mandou cultivar a planta em solo romano e pregar que tratava-se de uma revelação do amor de Cristo. A partir daí a planta que foi apelidada pelos jesuítas de Flor da Paixão (do latim passio flos oris), nome que ficou para muitas nações a posteriori. A explicação para o nome é bem intrigante quando se para pra pensar na imagem e semelhança com os elementos do calvário.

As pétalas
São normalmente brancas manchadas de vermelho ou seus tons, simbolizando assim a pureza de Jesus e o seu sangue derramado por nós;

Coroa Floral
Simboliza a coroa de espinhos, inclusive m algumas dessas flores essa coroa tem o aspecto pontiagudo e desuniforme.

Estigmas
A flor tem três estigmas, que são pendões que carregam de polem a flor, nesse caso, são muito semelhantes a cravos, isso mesmo, cravos que perfuraram as mãos e pés de Jesus na cruz.

Antenas
A flor possui cinco antenas, que simbolizam as cinco chagas de Jesus, ou seja, as duas mãos, os dois pés e o coração (transpassado por uma lança – Jo 19.34).

Gavinhas
Gavinhas são aquelas partes da planta que se assemelham a molas e prendem os pendões nas árvores, paredes e etc. Essas gavinhas foram vistas pelos primeiros observadores e interpretadas como os açoites que foram utilizados para martirizar Jesus.

Os frutos
De forma oval ou arredondada, simbolizam a Terra salva por Jesus através do seu sacrifício por todos nós.

Passiflora
A passiflora é o componente de toda a planta que é estudada por muitos fitoterapeutas, botânicos e até a industria farmoquímica como um poderoso antidepressivo, calmante e relaxante. Nesse ponto, vemos a atuação do Espírito Santo, derramado por Jesus na Igreja para consolar, libertar e acompanhá-la até a sua vinda.
A passiflora espiritual vai muito além de curar as feridas da alma, mas reveste quele que crê de toda a certeza de que um dia nos reencontraremos com o Salvador.