A Flor de maracujá e o Calvário
Tempo em que se
aproxima mais uma páscoa e é o tempo que sou convidado pela
necessidade em escrever, faço algo a respeito.
Há algumas semanas
estávamos em conversa na família, e eu não sei porque, chegamos ao
assunto maracujá, pois é, daí lembrei da flor que origina a fruta
e começamos a tecer comentários a respeito.
Nesse caso, achei bem
bacana um poema de Rolando Boldrim:
A
pois intonce eu lhes conto,A história que eu vim contar,
Pruque razão nasce roxa, a flor do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe jurar,
Mais branco do que a Paiaba,
Mais branco do que o luar.
Quando as fror brotava nele,
Lá pras banda do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de algodão.
Mas um dia, há muito tempo,
Num mês que inté não me alembro se foi Maio, se foi
Junho, se foi Janeiro se foi Dezembro,
Nosso Senhor Jesus Cristo foi condenado a morrer,
Numa cruz cruchificado,
Longe daqui, como o que,
E havia junto da cruz, aos pé de Nosso Senhor,
Um pé de maracujá,
carregadinho de frô.
Pregaram Cristo a martelo,
E ao ver tamanha crueza,
A natureza inteira,
Pôs se a chorar de tristeza.
Chorava o vento dos campo,
chorava as folha das rebera,
Sabiá tombém chorava, saluçava nu gaio da larangêra.
E o sangue de Jesus Cristo,
Sangue pisado de dor,
Nu pé de maracujá,
Tingia todas as fror.
E as frorzinha aos pé da cruz,
Ficavam roxa também,
Como o sangue de Jesus,
A pois foi essa história,
Que um dia eu vim contar,
Pru quê razão nasce roxa,
A flor do maracujá.
O
maracujazeiro é uma trepadeira de origem americana, em especial dos
trópicos, sendo que no Brasil existem pelo menos 150 variações. O
fruto é conhecido como maracujá na terra tupiniquim, que não por
coincidência, recebe o nome indígena pelo seu formato (oval / oco)
“alimento em cuia”.
Com
a chegada dos europeus na América, foram verificados as primeiras
trepadeiras e seus frutos, mas a surpresa foi imensa quando se
depararam com as flores, tão belas e exóticas que traziam em si um
significado tremendo segundo esses mesmos descobridores.
A
primeira vez que ouvi essa história, quando tinha apenas 9 anos, foi
com um missionário americano na casa de meus pais que, inclusive
explicou a origem do nome em inglês (passion fruit) e a história
que se segue.
No
ano de 1581, o primeiro a descrever a fruta e suas flores foi o
historiador e conquistador Daniel Soares de Souza em seu “Tratado
Descritivo do Brasil”. Nos idos de 1600, o Papa Paulo V foi
presenteado com um exemplar da planta e teve também um memorial
descritivo dos jesuítas a respeito da flor, nesse caso, mandou
cultivar a planta em solo romano e pregar que tratava-se de uma
revelação do amor de Cristo. A
partir daí a planta que foi apelidada pelos jesuítas de Flor da
Paixão (do latim passio
flos oris),
nome que ficou para muitas nações a posteriori. A explicação para
o nome é bem intrigante quando se para pra pensar na imagem e
semelhança com os elementos do calvário.
As
pétalas
São
normalmente brancas manchadas de vermelho ou seus tons, simbolizando
assim a pureza de Jesus e o seu sangue derramado por nós;
Coroa
Floral
Simboliza
a coroa de espinhos, inclusive m algumas dessas flores essa coroa tem
o aspecto pontiagudo e desuniforme.
Estigmas
A
flor tem três estigmas, que são pendões que carregam de polem a
flor, nesse caso, são muito semelhantes a cravos, isso mesmo, cravos
que perfuraram as mãos e pés de Jesus na cruz.
Antenas
A
flor possui cinco antenas, que simbolizam as cinco chagas de Jesus, ou
seja, as duas mãos, os dois pés e o coração (transpassado por uma
lança – Jo 19.34).
Gavinhas
Gavinhas
são aquelas partes da planta que se assemelham a molas e prendem os
pendões nas árvores, paredes e etc. Essas gavinhas foram vistas
pelos primeiros observadores e interpretadas como os açoites que
foram utilizados para martirizar Jesus.
Os
frutos
De
forma oval ou arredondada, simbolizam a Terra salva por Jesus através
do seu sacrifício por todos nós.
Passiflora
A
passiflora é o componente de toda a planta que é estudada por
muitos fitoterapeutas, botânicos e até a industria farmoquímica
como um poderoso antidepressivo, calmante e relaxante. Nesse ponto,
vemos a atuação do Espírito Santo, derramado por Jesus na Igreja
para consolar, libertar e acompanhá-la até a sua vinda.
A
passiflora espiritual vai muito além de curar as feridas da alma,
mas reveste quele que crê de toda a certeza de que um dia nos
reencontraremos com o Salvador.

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