segunda-feira, 23 de maio de 2016

Encontros, Desencontros e Encontro Final

Encontros Com Deus
Encontros, Desencontros e Encontro Final

Texto: Isaías 65.1

"Eu me pus a disposição dos que não se importavam em perguntar. Ali estava, pronto para ser achado por aqueles que nem se deram o trabalho de me procurar. Eu continuei dizendo: “Aqui estou, bem aqui!” a uma nação que me ignorou." (A Mensagem)
                                    
Introdução

A história que contamos até aqui na série de mensagens Encontro com Deus vimos alguns homens que se encontraram com Deus, e nesse universo, vimos os mesmos homens do início da galeria da fé de Hebreus capítulo 11. A galeria continua, mas vamos interromper a história cronológica da nação de Israel para falar da vida de Israel durante muitos séculos e que de certa forma, representa a vida da Igreja de Cristo ao longo dos séculos também.

Israel é liberta por Deus através de Moisés, e entra na terra prometida após 38 anos, com a liderança de Josué, discípulo de Moisés. Após a entrada do povo na terra de Israel, houveram vários homens e mulheres que se encontraram com Deus, e não podemos ficar somente nesta série para falar de todos, mas interessante pensar que Deus se manifestava de forma distinta do que vivemos hoje. Somente algumas pessoas tinham o privilégio de ter um encontro real com Deus, era uma exclusividade de pessoas escolhidas pelo Senhor.

Na primeira etapa do povo na terra de Israel, o povo foi governado por juízes, como Josué (Jz 2.8-19). Os Juízes eram levantados por Deus para libertar o povo e conduzi-los nos caminhos do Senhor, mas sempre se desviavam após a morte do juiz e Deus começava tudo novamente. Isso parece um tanto quanto estranho e as vezes julgamos e criticamos o povo de Israel, mas agimos da mesma forma. Quando estamos bem, esquecemo-nos de Deus e em seguida, quando Ele permite que tudo vá mal, então corremos para Ele. Interessante essa relação, pois como pastor, muitas vezes observo isso, pois algumas pessoas pedem, clamam e recebem o alívio vindo do Senhor, mas logo que alcançam a graça, deixam os caminhos do Senhor tão rápido quanto receberam a ação de Deus.

Israel foi governada por juízes desde a morte de Josué até que pediram um rei a um juiz chamado Samuel, um profeta e sacerdote, cerca de 350 anos depois. Interessante lembrar do Encontro de Samuel com Deus. Ele ainda era um menino pequeno quando ouve alguém o chamar pelo nome nos arredores do tabernáculo, uma espécie de templo móvel com a finalidade de receber a presença de Deus e também de todos os israelitas através dos sacerdotes. Samuel vai até Eli, o Sumo Sacerdote para ver se era ele chamando, mas na terceira vez que Samuel ouve a voz, Eli o recomenda: diga Eis-me aqui, Senhor. Foi o que aconteceu e Samuel recebeu a partir dali as recomendações de Deus (1Sm 3.1-21).

Samuel ouve a interpelação do povo quando este lhe pediu um rei, Samuel já estava idoso e o povo não acreditava mais em sua força, nem que Deus levantaria mais juízes, e então o Senhor atendeu ao pedido e mostrou seu primeiro rei, Saul. Saul era um homem forte, alto e governou Israel muito bem, até que um dia passa por cima das leis do Encontro, Deus somente recebia adoração e ofertas de homens escolhidos para isso, Saul não era sacerdote, apenas rei (1Sm 15), então passou a ser recusado por Deus até no seu reinado, não somente isso, mas continuou a desagradar a Deus em tudo o que fazia.

Neste momento, Deus levanta um novo rei a Israel, um homem segundo o seu coração, Davi, o grande salmista da Bíblia, conquistador dos territórios de Israel e principalmente, um rei que ocupava por eleição divina a posição de Rei, Sacerdote e Profeta. Davi sim, poderia oferecer sacrifício ao Senhor, poderia anunciar a voz de Deus pois Ele mesmo falava com o seu servo. Mas Davi também pecou, a grande diferença é que ele reconheceu, se arrependeu e Deus o perdoou.

A partir de então, todos os reis que vieram depois foram representantes de Israel na sua maldade e estilo de vida, pois foram poucos os reis que permaneceram nos caminhos do Senhor e fizeram com que o povo seguisse os conselhos de Deus. Interessante que apenas 8 reis foram obedientes, enquanto que os outros 32 foram rebeldes, até que Deus se revelou por meio dos profetas que acabaria com aquele povo que era obstinado e levantaria uma nova nação pronta para servi-lo de verdade e isso não vou citar textos, mas todos os livros dos profetas, exceto Jonas, que foi falar aos ninivitas.

Após o juízo divino ter sido executado sobre Israel, e todas as maldições descritas em Deuteronômio 28.15-68 recaírem sobre eles, inclusive culminando com o exílio para a Babilônia. Os profetas anunciaram e de fato aconteceu.

No exílio, o povo de Israel viveu momentos de grande terror e se contaminou ainda mais, com poucas pessoas fieis as palavras do Senhor. Por fim, Depois de 70 anos de castigo, Israel foi novamente para seu território e infelizmente sempre com seus altos e baixos, até que Jesus nasce e tudo começa a mudar no cenário, não de Israel, mas para todos os que creem Nele.

Jesus morre para nos limpar do pecado, mas o melhor, Ele nos liga diretamente com o Pai, ou seja, a partir da morte de Jesus, não precisamos mais de intermediários, pois somente um homem é capaz de nos reconciliar com Deus, Jesus Cristo, o seu filho amado (1Tm 2.5).

Essa trajetória de encontros e desencontros nos mostra que devemos ser cumpridores da vontade de Deus para nos encontrarmos definitivamente com Ele.

DESENVOLVIMENTO

Aqui estou, Bem aqui!

O texto mostra que Israel não obedeceu a Deus, e pior do que isso, não teve a mínima intenção de se reconciliar, se aproximar, ou ao menos ver a face de Deus, isso nos mostra que nossa postura deve ser exatamente a contrária, pois vemos o Senhor praticamente implorando pela nossa atenção, pois ele está sempre a nossa disposição.

Sim, a Palavra de Deus diz que Ele tem amor sobrenatural por nós e inclusive tem ciúmes (Na 1.2). Devemos entender algo maravilhoso e ao mesmo tempo assustador: Deus tem todas as coisas em suas mãos, possui tudo, menos o que Ele deseja: Nossa Adoração.

Precisamos entender que Adoração deve ser voluntária e partir do desejo íntimo do ser humano em agradar e viver para Deus. Nossa adoração deve chegar a Deus como um presente que somente nós podemos entregar, Ele não pode tomar de nós, jamais. E mais do que isso, Ele está ansioso por isso, e como lemos no texto e procura por isso, conforme João 4.23b “...são estes que o Pai procura...”. Deus está sempre à disposição e procurando verdadeiros adoradores, mas um dia isso acaba, só temos uma vida para fazer, se não aproveitamos, perdemos a oportunidade e jamais podemos fazer novamente, aliás, isso é o inferno.

O inferno é um lugar, mas na verdade é também um estado em que a presença de Deus não se fará presente, onde o Encontro não poderá mais acontecer e o castigo é eterno, pois aqui temos a oportunidade, lá, não haverá mais.

Vou poupar...
Vejamos o texto de Isaías 65.9:

“Portanto, vou poupar em Israel os que me obedecem. Não vou destruir a nação inteira. Vou tirar meus filhos legítimos de Jacó e os herdeiros dos montes de Judá. Meus escolhidos herdarão a terra, meus servos irão habita-la.” (Is 65.9) - A Mensagem

Deus tem sempre uma saída para os seus filhos, isso se chama de misericórdia, por tanto, aproveitemos a misericórdia de nosso Deus e nos voltemos para Ele, pois como lemos, está sempre a nossa disposição, mas se não o buscarmos, Ele não faz nada em nosso favor. Precisamos ser a nação, a geração que busca a Deus. Não porque queremos simplesmente escapar do juízo, mas porque queremos adorar a Deus. O Senhor não quer que obedeçamos por medo, porque nossos pais fizeram ou qualquer outra coisa, mas por causa de nosso coração, por tanto, vamos todos aos pés do Senhor para nos encontrarmos com Ele.

Três coisas...

Precisamos de três coisas para nos encontrarmos com Deus:

Obediência – Sem obedecer aos mandamentos de Deus jamais teremos sua face. Isso não quer dizer que tenhamos que estar limpos para buscar, mas nossa busca reflete em obediência e por consequência, santificação (1Jo 5).

Sinceridade – A palavra sinceridade quer dizer sem cera, ou seja, sem máscara, como somos e finalmente, de todo o coração. Deus deseja adoração sincera, isso é verdadeira adoração, em espírito e em verdade é justamente entrega total (Jo 4.24)

Sensibilidade – Ouvir a sua voz, parece que trata um reforço da ideia da obediência, mas não é, pois quando estamos distraídos com as coisas do dia a dia, esquecemos de ouvir as recomendações, não apenas as leis de Deus. Deus tem leis, como a principal e determinante do Amor (amar a Deus e o próximo), mas também nos oferece o caminho para encontro, não faça, ou faça, Ele sempre nos recomenda por onde ir e o que fazer, sejamos sensíveis a sua voz, assim como todos os homens que vimos na série Encontros com Deus.

Tudo Novo...

Quando temos Encontro com Deus, tudo se faz novo, ou seja, os relacionamentos não serão mais os mesmos, as práticas também não serão iguais, inclusive o vocabulário é mudado, tudo é restaurado ou recriado após nosso Encontro com Deus.

Muitos se assustam porque pensam que Encontro com Deus é algo ruim, pois causa dor, como foi o caso de Jacó, ou devemos deixar os vícios, como muitas pessoas que conhecemos, ou então passaremos a ser pessoas que carregam a Bíblia debaixo do braço e carregam um semblante triste no rosto. Muito pelo contrário, quando nos encontramos com Deus, nossas vidas são mudadas por Ele, não precisamos fazer força, aliás, Ele mesmo diz: “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos”
(Zc 4:6).

O nosso foco não deve estar na mudança que Deus quer fazer em nossa vida no ou após o Encontro, mas o que Ele quer nos proporcionar e aqui, vamos ficar com duas reflexões finais:

Novos céus e nova Terra...
Vamos continuar e Isaías 65, mas um pouco mais a frente do 17 ao 25:

17“Pois vejam!
Criarei novos céus e nova terra,
e as coisas passadas não serão lembradas.
Jamais virão à mente!
18Alegrem-se, porém, e regozijem-se
para sempre no que vou criar,
porque vou criar Jerusalém para regozijo
e seu povo para alegria.
19Por Jerusalém me regozijarei
e em meu povo terei prazer;
nunca mais se ouvirão nela
voz de pranto e choro de tristeza.
20“Nunca mais haverá nela
uma criança que viva poucos dias,
e um idoso que não complete
os seus anos de idade;
quem morrer aos cem anos
ainda será jovem,
e quem não chegar aos cem será maldito.
21Construirão casas e nelas habitarão;
plantarão vinhas e comerão do seu fruto.
22Já não construirão casas para outros ocuparem,
nem plantarão para outros comerem.
Pois o meu povo terá vida longa
como as árvores;
os meus escolhidos esbanjarão
o fruto do seu trabalho.
23Não labutarão inutilmente,
nem gerarão filhos para a infelicidade;
pois serão um povo abençoado pelo Senhor,
eles e os seus descendentes.
24Antes de clamarem, eu responderei;
ainda não estarão falando, e eu os ouvirei.
25O lobo e o cordeiro comerão juntos,
e o leão comerá feno, como o boi,
mas o pó será a comida da serpente.
Ninguém fará nem mal nem destruição
em todo o meu santo monte”,
diz o Senhor.

Esta Promessa se cumpre em duas etapas, não somente no fim, como muita gente afirma. A primeira etapa é o aqui e agora. Vivemos o Reino de Deus, mas este Reino é do já e ainda não. Reino do já, é o estabelecido por Jesus na terra, ao que chamamos de Igreja, mas a igreja não comporta o esplendor desta visão, pois é muito maior.

O “Reino do já” compreende a vida plena que Jesus prometeu em João 10.10. Viver no novo céu e nova terra aqui e agora é desfrutar das coisas maravilhosas que Jesus faz por nós, não que deixemos de passar por aflições, mas Ele nos dá certeza de que está conosco e nos livra das dores grandiosas.

Quando Isaías nos entrega essa profecia, ele nos transmite o seguinte recado de Deus em primeira leitura: Vocês estarão comigo o tempo todo! Sim, Jesus também é conhecido por Emanuel, ou seja, Deus conosco, por tanto, se nos entregamos a Jesus, para termos a vida controlada por Ele, então já estamos no céu.

Uma música muito poderosa é a seguinte:

O Céu é Jesus

O céu é aqui, se eu tomo tempo pra louvar
O céu é aqui, se eu me ajoelho para orar
O céu é aqui, se eu aprendi a perdoar
O céu é Jesus, e, onde Ele estiver, o céu será ali

Pois não existe céu sem Jesus
E não existe paz sem Jesus
Sem Ele a riqueza do universo é sem valor
Pra que mar de cristal, sem Jesus?
E flores que não murcham, sem Jesus?
Pra que viver pra sempre, sem ter a companhia de Jesus?
Eu volto a afirmar, o céu é aqui se aqui Jesus está

Mas enquanto estamos neste céu daqui estamos suscetíveis a mudanças, estamos sujeitos a falhas e novamente entristecer o Salvador. Lembrei de uma história contada por um pastor amigo meu:

Num certo domingo, na saída do culto uma criança de 4 anos perguntou ao amigo pastor:
- Pastor, posso pregar domingo que vem?

O pastor respondeu: Claro, mas qual será o tema?

-Pastor, o tema será: Jesus chorou e não faça Ele chorar de novo. O menino falou convicto.

Enquanto estamos no reino do já, infelizmente estamos sujeitos ao choro, não somente ao nosso, mas também do nosso Senhor, mas vem o tempo em que não haverá mais lágrima, pois Ele (Jesus), enxugará do rosto toda a lágrima (Ap 21.4).

O dia vem....

Os profetas diziam: Logo vem o dia do Senhor!!!

Sim, cada dia mais se mostra o dia em que Cristo virá entre as nuvem com poder e grande Glória, assim como vemos em Mateus 23, 24 e 25, mas muitas pessoas tem esse dia como um dia festivo, ao que tenho que alertar que, a Palavra de Deus garante que será um dia assustador e de trevas, pois nem todos vão se alegrar (Jl 2.11; Am 5.20). Claro, que os que aguardam esse dia não serão pegos de surpresa, como diz uma outra Canção:

Ele virá

Agora é o momento em que tenho que decidir
Se ao Deus verdadeiro ou à imagem que dEle criei
Eu quero servir
Preciso buscar Deus na Bíblia
Testemunhar e orar
Pois Cristo virá de assalto
Apenas pra aquele que não vigiar
E Ele virá, Ele virá,
Ele virá...

Mas o desfecho para os que o obedecem e já tiveram o Encontro transformador com Ele aqui, será muito melhor, será maravilhoso, pois cremos que o dia em que Jesus voltar será o início da eternidade com Deus, onde as promessas de Isaías e outros profetas se cumprir em sua plenitude e não choraremos mais, não haverá luto nem dor.

Deus nos oferece um futuro eterno com Encontro que promete ser maravilhoso, não apenas sem lutas, mas também sem dor e o melhor, não precisar mais passar por desertos inteiros apenas por um momento com Deus, pois o deserto já ficou para trás. Para nos encontrarmos com Deus, seja aqui ou por toda a eternidade, basta apenas uma decisão, então, não perca mais tempo e entregue-se a Jesus!

Conclusão


Quer participar deste momento? Aqui? Na eternidade? Então entregue-se a Jesus e tenha um Encontro com Ele. Basta chamar por Ele e entregar a sua vida nas mãos dele e não se preocupe com o que falar, como se portar, pois o que Ele quer é apenas obediência ao seu chamado, sinceridade na decisão e sensibilidade para ouvir a Sua voz. 

Encontros Com Deus – Encontro Novo Todo Dia

Encontros Com Deus – Encontro Novo Todo Dia

 Texto: Êxodo 33.7-11


7Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento; ele a chamava Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar o Senhor ia à tenda, fora do acampamento. 8Sempre que Moisés ia até lá, todo o povo se levantava e ficava em pé à entrada de suas tendas, observando-o, até que ele entrasse na tenda. 9Assim que Moisés entrava, a coluna de nuvem descia e ficava à entrada da tenda, enquanto o Senhor falava com Moisés. 10Quando o povo via a coluna de nuvem parada à entrada da tenda, todos prestavam adoração em pé, cada qual na entrada de sua própria tenda. 11O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. Depois Moisés voltava ao acampamento; mas Josué, filho de Num, que lhe servia como auxiliar, não se afastava da tenda.

Introdução

A vida de Moisés é muito intrigante e rende muitos temas de mensagens, creio que muito mais do que imaginamos, e se contabilizarmos as suas palavras, então não poderíamos estudar todas as implicações durante uma vida toda, pois uma só seria pouco.

Moisés nasce num tempo conturbado, em que os israelitas já estavam 400 anos no território do Egito e há alguns anos como escravos, pois os povos antigos agiam dessa forma, se uma nação se estabelecesse em seu território, ou em lugar próximo, deveria render serviços obrigatórios e não remunerados. Neste tempo, o Faraó quer controlar a natalidade dos escravos, para conter uma possível revolta, algo bastante praticado ao longo da história humana também. Nesse momento, os bebês de até 2 anos de idade eram mortos pelos capatazes egípcios, mas Moisés é poupado pela estratégia de sua mãe e irmã, a de colocarem o menino num cesto e leva-lo ao rio (Ex 2.1-4). Logo, Moisés é adotado pela princesa egípcia e faz parte da corte de faraó, ali crescendo e sendo instruído em toda a sabedoria e cultura egípcia.

Moisés jamais seria rei do Egito, como afirmam alguns, pois não era filho legítimo, mas adotado e os egípcios levavam a sério demais as hereditariedades, em especial no trono, já que o Faraó era tido como o deus Hórus na Terra.

Moisés passa 40 anos como nobre no Egito, mas provavelmente sabia de sua origem, até porque, foi criado pela sua própria mãe (Ex 2.7-10). Moisés sabia de história, cultura, geografia e etc., daí a estratégia do Criador, nada do que Deus faz é por acaso, mas Ele tem plano em tudo. Se Moisés crescesse em meio aos escravos, qual seria seu nível de instrução? Como ele escreveria no futuro os 5 primeiros livros da Bíblia? Como seria um articulador militar, se não tivesse visto isto no Egito?

Bem verdade é, que Deus poderia ter enchido a Moisés com o Espírito Santo, como de fato ocorreu, e ter dado a ele toda a sabedoria que precisava, mas vejo algo mais aí, vejo que Deus sempre usa os meios naturais quando necessário e em poucos casos, usa a maravilhosa experiência sobrenatural, por isso, se prepare e deixe Deus usar as circunstâncias para te moldar, te treinar.

Lembro das coisas que passei nesta vida com muita alegria e gratidão, pois em tudo isso, fui treinado pelo Senhor para chegar onde estou hoje, e creio que Deus me levará a lugares ainda mais altos, momentos em que as minhas experiências ainda serão mais úteis para o louvor de Sua Glória.

Moisés passou por momentos complicados ao longo de sua vida até os 40 anos de idade, mas com abastança, com alegrias e muitas regalias. Isso nos mostra que quando o indivíduo é chamado por Deus, ele não tem seu chamado como a última opção, como se não tivesse mais nada para fazer, daí entra para o ministério.

Durante 40 anos, Moisés “foi quem ele não era”. Viveu como um nobre, embora fosse escravo, viveu como um intelectual, embora fosse um profeta, viveu como um coadjuvante, embora Deus quisesse que ele fosse um personagem principal e relevante, não apenas para sua família, sua esfera próxima, mas para todas as nações do mundo até hoje. O que você é hoje? É o que você é de fato? É o que Deus quer que você seja?

Todos somos barro nas mãos do oleiro que é o Senhor e se entendemos que nosso futuro está em suas mãos, assim como entendermos que não adianta lutarmos contra a vontade de Deus, nossa vida se torna mais fácil e menos truculenta, por isso, saiba quem você é e a que veio a este mundo.

Moisés continua sua vida, e aos 40 anos tem uma ideia, a de cumprir sua missão, mesmo que não soubesse que isso seria sua missão, a de libertar o seu povo da escravidão, mas ele faz do jeito errado, com as suas próprias forças, com sua estrutura sem mudança e é aí que encontramos nossos problemas, quando buscamos resolver as coisas pelo nosso próprio esforço, do nosso jeito, com nossa cultura e sabedoria.

O homem nobre deixa o palácio e vai ao chão de fábrica literalmente, onde eram produzidos os tijolos e construções de todo o império. Escravos eram utilizados e na mente do povo, assim como pensavam no palácio, o escravo trabalhava romanticamente forçado, mas na realidade, a escravidão não era assim. Os escravos eram forçados a trabalhos pesados e se não cumprissem, eram torturados.  Moisés acaba intervindo numa dessas torturas e tenta impedir que um capataz machuque um escravo, mas dá errado e o príncipe acaba matando um capataz e escondendo o corpo. Logo em seguida, Moisés tenta ser o juiz do seu povo intermediando uma briga, mas também dá errado, pois ele não tinha o respeito de seu próprio povo como líder. E o pior acontece, aquilo que estava encoberto, passa a ser de conhecimento público. (Ex. 2.11-15).

Nas leis egípcias, assim como na maioria dos povos antigos, como os sumérios, babilônicos e etc., o homicídio era crime passível de morte. O Faraó persegue Moisés para o matar, então Moisés passa de nobre para fugitivo. Se durante 40 anos Moisés é um nobre, agora por 40 anos passará fugindo, não somente da opressão egípcia, mas principalmente de sua missão.

Muitos crentes acabam, fugindo por anos de sua missão, que por incrível que pareça, é a mesma de Moisés, a de libertar o povo da escravidão. No nosso caso, o povo está escravizado espiritualmente por vícios, falta de perdão, pecados que molestam e uma vida totalmente sem sentido. Como diz uma música da banda Resgate, eles pensam que a opção não escraviza.

Não precisamos fugir, Deus sempre nos alcança, então se Ele marcar um encontro conosco, precisamos correr o mais rápido possível para os braços Dele, caso contrário, faremos como Moisés, passaremos muito tempo sem sentido no viver. 

Moisés tenta um Encontro com sua missão, mas não com Deus aos 40 anos de idade, e na linguagem bíblica, 40 significa vida adulta, mas também geração, ou seja, passou-se uma geração inteira para Moisés buscar, mas da forma errada. Não espere demais, nem busque com suas próprias forças, pois você perde tempo demais. Nem sempre Deus se manifesta a nós muito claramente quanto a nossa missão específica, as vezes somos empurrados pelas circunstâncias, assim como foi com Moisés.

Muitas das decisões que tomei em minha vida até aqui não foram porque pensei que seria melhor, mas porque entendi de Deus que deveria agir, mas como foi isso se jamais ouvia a voz de Deus? Muitas vezes senti uma necessidade inexplicável de fazer algo, ou em meu coração senti que deveria. Se você ficar esperando como Moisés, uma voz do além, algo maravilhoso, ou de repente que o próprio Criador se apresente, talvez você passe a vida inteira esperando e fugindo, pois na maioria das vezes, Deus fala com um sussurro imperceptível, um sentimento forte no coração e nada mais, como se uma força nos puxasse para uma missão, mas não sabemos nem como começar.

Depois de viver longe dos caminhos do Senhor, ou achando que estava longe, e de ficar mais 40 anos fugindo de sua missão, Moisés finalmente se encontra com Deus, num momento curioso. Ele ouve uma voz o chamando pelo nome, e como lemos no texto, era o próprio Deus o chamando para um encontro que mudaria toda a sua vida. Moisés vai para onde a voz o chama e quando chega, percebe que era um arbusto pequeno que mesmo estando em chamas, não se consumia (Ex.3.1-22).

Deus deixa muito bem claro a Moisés a sua missão, Ele fala muito explicitamente o que Moisés deveria fazer e como faria. Ele deveria voltar ao Egito, conversar com o seu povo e leva-los a adorar a Deus. Além disso, deveria conduzi-los a liberdade, mas para isso, precisava convencer ao Faraó. Neste ponto, vemos que o convencimento propriamente dito não seria proveniente de Moisés, mas do próprio Senhor (Ex 3.19,20).

Passamos muito tempo discutindo métodos de se fazer a vontade de Deus, mas o que precisamos não é discutir, mas buscar e ouvir. Além disso. O importante é obedecer, assim como Moisés em seu primeiro Encontro com Deus (Ex 3.1-22). Quanto a obediência, sempre que nos encontramos com Deus há a produção imediata de obediência, caso contrário, não houve resultado o Encontro, pois o resultado do encontro com Deus é obediência sempre.

Algo interessante na vida de Moisés, diferente da vida de Jacó, é o fato dele ter pedido ao seu sogro, para partir. Neste ponto, vemos uma postura justa e fiel de Moisés (Ex 4.18). Quando temos um encontro com Deus, sempre deixamos claro para todos que passamos por esta experiência, inclusive mostramos o que mudou em nós. Moisés foge de Faraó há 40 anos, mas agora, depois de encontrar-se com Deus, muda de postura e passa a não fugir mais, mas corre para sua missão em obediência a Deus e inclusive pede a benção de seu sogro.

A terceira Etapa da vida de Moisés é dada no deserto, e todos nós conhecemos a história. Moisés vence todas as barreiras, prova quem Deus é a Israel e também ao Egito e Faraó e após as 10 pragas, Deus liberta o povo, não Moisés. Moisés não poderia trazer tamanha libertação, assim como nós também não podemos fazer com nossos familiares e amigos, mas Deus pode libertar e salvar.

 Dos 80 aos 120 anos, Moisés foi um homem modelo para todos nós, não somente de espiritualidade, mas também de caráter, confiança, fé e perseverança, mas principalmente de relacionamento, encontro com Deus (Dt 34.7).


1 – Encontro com Deus deve ser um momento, mas diário, pessoal e íntimo (v. 11 – falava com um amigo)

A Palavra nos afirma que Moisés tinha um hábito, o de consultar ao Senhor, sempre quando tinha uma decisão a tomar e o mais impressionante é que tinha um lugar para isso, a tenda do Encontro.

No filme Quarto de Guerra, vemos uma estratégia impressionante adotada pelos protagonistas, separar um ambiente na casa para oração, ao que eles chamam de quarto de guerra. Jesus, quando ensina o povo a orar, diz: “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará” (Mateus 6:6)

Precisamos ter um momento apropriado para nos encontrarmos com Deus, assim como um lugar próprio. Nossas casas hoje em dia são pequenas, assim como era no tempo do Senhor Jesus, então, organize seu quarto mesmo para isso. Moisés montava a Tenda do Encontro fora do acampamento (Ex 33.7), pois assim poderia estar longe das distrações, por isso, precisamos procurar nos distanciar dos barulhos, ruídos e principalmente, da loucura da vida com seus equipamentos eletrônicos e afins. Encontro com Deus é momento de encontrar-se apenas com Ele e nada e ninguém mais.

Nosso templo também carece de cuidados para termos um encontro coletivo com Deus, por isso, quero te incentivar a participar da manutenção, seja com suas ofertas em dinheiro e também com seu tempo para nossos mutirões e afins.

Mas não tenha apenas um encontro rápido, algo que seja passageiro e eventual. Tenha desejo de orar, cantar, adora e principalmente, ouvir o que Deus tem para te falar.

Moisés se recolheu em pelo menos duas oportunidades para orar durante tempo grande e receber de Deus sua voz, para isso, subiu um monte chamado Sinai e ficou por lá 40 dias e 40 noites em cada um dos períodos (Ex 24.18; 34.28). Interessante é que Deus chamava Moisés para a conversa (Ex 19.2,3; 20; 24.1,2). Deus continua chamando, desta vez, não apenas uma pessoa, mas todos os que o ouvem, por isso, corra para encontrar-se com Deus, basta chamar seu nome.

2 – Encontro com Deus deve proporcionar temor (v.8)

Muito interessante um dos encontros que Deus teve com Moisés, em que Ele diz: “Somente Moisés se aproximará do Senhor; os outros não. O povo também não subirá com ele". Quando Moisés se dirigiu ao povo e transmitiu-lhes todas as palavras e ordenanças do Senhor, eles responderam em uníssono: "Faremos tudo o que o Senhor ordenou" (Êxodo 24:2,3).

Hoje a porta da graça está aberta e todos nós podemos entrar diante de Deus, por isso, precisamos aproveitar e sempre adentrar a sua presença (Hb 4.15,16).

Algo muito importante na vida de Moisés é que sempre quando entrava na presença de Deus as pessoas percebiam, inclusive, num momento ele tem seu rosto coberto de brilho por causa de um encontro mais acentuado com Deus, pois o Senhor permitiu que ele o visse de relance, como um vulto, e isso já foi o suficiente para que a glória de Deus transformasse sua vida (Ex 33.18-34.35). Precisamos que as pessoas vejam, não somente a gente entrando na igreja, mas entrando na presença de Deus, pois, como já temos falado, ir à igreja é diferente de ter salvação ou, ser discípulo de Jesus ou até mesmo, ter relacionamento com Deus.

Precisamos que as pessoas vejam a Glória de Deus em nossa vida assim como o povo de Israel via o rosto de Moisés transfigurado, ou brilhante.

Me lembro da ordem da páscoa, em que Deus manda que se houvesse alguém estrangeiro em casa durante as comemorações, deveria participar da festa, neste caso, a nossa missão é de incluir a todos na páscoa que Cristo celebrou, a da morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Me emocionei esta semana ao ver um documentário em que vi todos os simbolismos da páscoa judaica, que aponta para a ressureição de Jesus e nesta celebração estava o ator americano (). Jesus é o cumprimento da libertação do povo do Egito (escravidão). Devemos celebrar a nossa libertação, mas de todo o povo também, por isso, precisamos incluir cada vez mais pessoas nesta festa.

3 – Encontro com Deus também requer que façamos discípulos (v.11b)

O chamado de Moisés tinha um motivo, uma causa, um princípio, o de levar o povo fora das garras da escravidão (Ex 3.10; 15-17). Moisés é chamado por Deus para ser o seu porta voz, assim Ele deseja fazer conosco hoje, não que tenhamos que ser os responsáveis pela manifestação da voz do Senhor para as pessoas por toda a vida, assim como foi com Moisés até o fim, mas para conduzir as pessoas até o Senhor e na sequência, fazê-los ter relacionamento com Deus e prosseguir em levar outras pessoas a fazer a mesma coisa.

Somos como Moisés neste mundo em que as pessoas estão presas por correntes sob serviço escravo. As pessoas não sabem nem o porquê estão no mundo, não sabem nem o porquê acordam todos os dias, pois sua vida é mecânica e sem sentido. O povo de Israel vivia uma esperança viva, a de que um dia iriam para a terra que Deus prometeu para Abrão, Isque e Jacó.  Atualmente, as pessoas vivem sem esperança nenhuma, como se nascessem para morrer, pois vivem a vida a levando com o sopro do vento, como se não tivessem rumo. Mesmo aqueles que tem alvos bem definidos, como crianças que desejam ser medicas quando crescerem e realmente se tornam, jamais terão motivo para viver.

Jesus é quem nos dá vontade de viver e nos dá um alento, uma esperança viva dentro de nós. Um dia iremos morar com Ele na eternidade, mas nossa vida não se baseia nisso, mas que teríamos vida abundante ainda nesta terra, mesmo com tribulações, pois cremos que Cristo nos libertou das correntes que nos prendiam (Jo 10.10).

Moisés conduz o povo como a voz do próprio Deus (Ex 4.16). Isso nos garante que não precisamos nos preocupar com o que falar, nem com nossa vergonha e qualquer outra coisa que usemos como desculpa para não libertar o povo da escravidão deste mundo, muito pelo contrário, pois Moisés antes do Encontro real que teve com Deus era medroso, viveu por 40 anos fugindo e inventando desculpas. Agora, quando se encontra com Deus, começa a levantar desculpas como muitas pessoas fazem: Mas eu não sei falar, sou gago, vagaroso com os lábios (Ex 4.10-17).

Deus se irritou com Moisés, pois este estava dando desculpas, mas Ele sempre nos leva a cumprir a sua vontade, seja por bem ou por mal, aí vemos aquela Expressão: “Vem ou pelo amor ou pela dor”, mas eu sempre gosto de dizer: “Pelo amor ou pelo amor”. Deus sempre nos conduz pelo seu amor e assim também foi com Moisés, mesmo quando quis acabar com a vida de Moisés, Deus agiu com amor e misericórdia (Ex 4.18-31). Interessante neste momento, em que Deus deseja matar Moisés, é que Ele o deixa (Ex 4.26). Há momentos em nossa vida, que não vemos o Senhor, nem ao menos o sentimos, mas não podemos parar, Moisés não parou, mas seguiu obedecendo.

Mesmo quando Deus parece estar longe, continue a buscar a sua vontade, pois Ele jamais nos abandona (Mt 28.20; Hb 13.5)


A nossa missão, ou seja, de quem encontrou com o Senhor é fazer discípulos, pois Moisés até o fim fazia com que todos o seguissem pelo deserto (Ex 12.35,36). E quando Moisés está acabando seu ministério, ainda há um sucessor pronto, Josué, o seu discípulo, e como vemos em Êxodo 33.11, o menino Josué, jamais deixava a tenda do Encontro, assim como Moisés jamais a deixara. Então, fazer discípulo de Jesus é fácil, basta segui-lo que as pessoas o seguirão também.