Quero aproveitar o mês que se fala em suicídio (setembro amarelo) para compartilhar uma experiência contigo!
Talvez te assuste, mas eu luto com a depressão, embora esteja há 4 anos limpo dela, um dia de cada vez... Pode te causar mais espanto, mas há 5 anos cogitei o que vou contar agora...
"Uma noite qualquer
de dezembro de 2018. Estava calor, o dia tinha sido corrido, como todo os
outros daquele ano. Já tínhamos colocado as crianças na cama, nos deitamos
também e uma pergunta amarga que jamais tinha ouvido nos 16 anos passados: -
Você não me ama mais?
Aquela pergunta
vinha carregada de sentidos ocultos que todo casal sabe o que quer dizer. Era
uma provocação ao amor, um soluço de uma alma cansada da indiferença em várias
áreas do casamento.
Mas como? O que
aconteceu para chegar neste estado? Uma família tão linda e um casal que
demonstrava tanto amor, como acaba o amor?
Não era isso, o que
estava soterrado não era o amor, mas um desejo mais do que ardente que deveria
ser escondido, jamais vir à tona até que se concretizasse de forma trágica e
expusesse de vez o que oculto estava.
Tentei dizer que
amava sim, mas mulher que é mulher, não retrocede jamais na “DR” derradeira do dia,
até que se tenha mexido na questão e respostas brotem, sejam faladas ou
silenciosas. Foi o que aconteceu, após muita insistência, disse que não podia
falar o que estava acontecendo, porque ela se magoaria demais, mas logo
saberia.
Nesse ponto, com
certeza você chega a mesma conclusão que ela chegara naquele momento: Ah, é
traição, mas quem é a vadia??? Triste realidade de muitos casais, mas não era o
nosso caso. Eu tentei dissuadi-la de pensar nisso e também de prosseguir naquela
conversa, mas como disse, uma “DR” comprada, não acaba sem respostas!
Disse que a amava
demais, e não era nada relacionado a outra pessoa, mas que não poderia falar do
que se tratava por amor a ela e as crianças. O clima ficou ainda mais tenso, e
finamente gritei aos prantos: - Eu não quero mais viver! É isso!!!
Não havia entendimento muito bem da gravidade da situação, mas quando não aguentei mais a pressão,
ela teve que ouvir o que não queria, ou deveria. Ou pensando melhor, deveria ser a primeira a saber! Sim, planejei tudo e comecei
a falar.
Naquela semana
procurei todos os documentos de seguro que possuía, fiz mais um empréstimo para
colocá-los todos em dia. Paguei a prestação da casa, deixei todos os documentos
juntos, e aquela era a última noite. Tracei alguns planos, que não vou
descrever aqui, mas naquela noite contei todos a ela, com todas as variáveis
possíveis e riqueza de detalhes. Caso não desse certo de um jeito, conseguiria
do outro. Mas o final era certo, não iria falhar no plano completo, pelo menos
era o que eu pensava.
Ela entendeu e ouviu
atentamente meus planos de pôr fim ao sofrimento que ninguém via. Era algo
escondido atrás do meu bom humor no trabalho, igreja, festas de família e muito
mais. Quem me conhece, sabe que nos momentos mais difíceis da vida, as piadas não
faltavam, a palhaçada estava sempre garantida. Em reuniões familiares,
dificilmente se entrava no assunto, exceto uma vez, em que nos sentimos
julgados ao invés de cuidados e amados, embora provavelmente não tenha sido
esta a intenção. E aproveito para dizer, o que falta é conscientização e
treinamento para lidar com o mal que tem afetado TODAS, sim, repito: Todas as
Famílias de alguma forma ou em algum nível.
O resumo era: "Nada
do que fiz até hoje deu certo, inclusive, ficar com a família neste momento é
atravancar o sucesso de vocês." Esse era o
pensamento que não sei ao certo como veio
parar em minha mente. Alguns certamente dirão que é uma ação demoníaca e que
dei lugar ao diabo. Outros, dirão que é um somatório de coisas que não deram
certo, então a frustração culmina na depressão. Outros dirão que é uma
disfunção hormonal. O certo é que, sofri um desafortunado mal que chamam de
depressão, mas graças ao Bom Deus, tenho um alguém que não me deixa jamais,
além do Espírito Santo, é claro. Minha Rainha, minha Linda mais linda do meu
mundo, e do mundo todo. O pescoço embaixo da cabeça, a melhor parte de mim.
Usada pelo Espírito
Santo, naquele mesmo instante disse: - Pare! Nem continue! Agora chegou o
momento de orarmos! Imediatamente clamou pelo nome de Jesus, e aos prantos,
clamamos pelo socorro, que pasmem, não veio como esperávamos, mas o Deus a quem
clamamos ouviu atentamente aquela súplica. Ao final, fui desafiado por ela a
manter a calma e que passaríamos por mais essa barra, como todas as outras: JUNTOS.
Lutamos, e estou aqui, não somente para contar história, mas
para te ajudar a dar a volta por cima, ou mostrar como ajudar alguém que passa
por esse dilema.
Naquela noite, não dormi, ela também não, embora somente me
espiasse para ver minha atitude e se teria alguma
reação. A cura veio, mas queria lhe contar depois. Agora, vou fazer
como naqueles filmes de história real em que é necessário garantir o público e
também a emoção da história, então vamos lá...
Aponto numa série de memsagens neste blog, as minhas armas pata sair dessa, então, sugiro a leitura dos 8 minutos para saúde mental!
Tudo começou.... Não, isso é muito piegas...
Era uma vez.... Conto infantil demais....
Ah, quer saber, nem vou começar desde o começo, porque
levaria muito tempo e posso escrever outro livro para isso, vamos direto ao
começo do fim, então."
Em breve mais crônicas....



