Hoje e
nos próximos episódios, vamos esboçar um panorama Histórico / Bíblico para
facilitar a compressão do que vamos falar mais à frente. Dividi em três partes
para entendermos como se dá a história da humanidade que, não por acaso, se
divide em antes e depois de Cristo.
Antes
de falar do fim do mundo, precisamos conhecer o começo e o meio da história,
caso contrário nada faz sentido. Sei que muitas pessoas não gostam de história,
mas não podemos entender os rumos da humanidade, sem conhece-la. Além disso,
para entender a Bíblia e interpretá-la de maneira adequada, precisamos conhecer
o contexto em que ela foi escrita. Ah, e isso é muito importante aqui, mas
muita atenção!!! Não podemos interpretar a Bíblia à Luz da história, mas olhar
para a história à Luz da Bíblia.
Gosto
de pensar na Bíblia como um manual do fabricante.
Pense
comigo: Quando compramos um equipamento tecnológico que não é tão plug and
play, como um computador ou celular, por exemplo, não dá um certo medo de
estragar se não ler o manual? Sei que algumas pessoas, homens, em especial, têm
dificuldade em aceitar que não sabem de todas as coisas, aliás, nós nos
perdemos por não saber nem pedir uma informação quando estamos rumo ao
desconhecido.
Bem,
se lemos manual de instrução, quando não conseguimos mais operar um
equipamento, pense se não deveríamos ler a Bíblia se não sabemos como viver
adequadamente.
É por
isso que digo que não temos como interpretar o Apocalipse, se não conhecemos
toda a Palavra de Deus. Não que tenhamos que dominar todo o conteúdo da
Escritura para isso, mas pelo menos, devemos ter noção de como evoluiu a
história até nossos dias. Sem contar, que não temos como saber o quando está
próximo do desfecho de uma história, se não conhecemos ela toda.
Ok.
Creio que já entendeu que não quero enrolar, mas seguir um cronograma para
entendermos bem do que estamos falando, aliás, do que Deus está falando conosco
nesse tempo.
Primeiro,
precisamos entender que temos algumas dificuldades quando falamos de história,
porque:
a) a
Bíblia não é um livro de história, embora contenha muito dela;
b) a
Bíblia parte do pressuposto que Deus é o criador de todas as coisas, inclusive
da própria história;
c) a
Bíblia não é organizada de forma cronológica, o que dificulta o acompanhamento
da história geral da humanidade.
Agora,
com relação a história científica, temos um único problema: A ciência parte
do pressuposto que não há Deus. Nesse sentido, há que se tomar uma decisão
entre as duas possibilidades:
a) Crer
no que a história contada pelos homens diz,
b) Crer
no Deus que controla a história dos homens.
Não
estou dizendo com isso, que a ciência é desnecessária, nem que a história dos
livros está errada, mas que a perspectiva é distinta e houve um movimento muito
intenso para descontruir a ideia de que Deus é criador de todas as coisas,
nesse sentido, a ciência é partidária, tendenciosa e mais do que tudo,
controlada por homens ímpios no que se refere a sua transmissão.
Pensando
nisso, vamos ao esboço da história do homem segundo à Bíblia Sagrada:
Em
Genesis 1, 2 e 3, vemos a criação do mundo, a formação do homem e da mulher e a
entrada do pecado no mundo. Também no capítulo 3.
Gênesis
significa começo, daí o nome do livro, tudo começa nele. Precisamos entender
que a Bíblia não narra a trajetória da humanidade, mas de um povo específico,
que representa a humanidade como um todo: Israel.
Nos
capítulos posteriores de Genesis, vemos como Israel se tornou um povo e a sua
evolução, desde o ser humano primitivo, até passar a viver nas cidades. Claro
que temos muitos textos que conseguimos ver a trajetória histórica, economia e
política de Israel e oriente médio nos textos de Gênesis, mas não temos tempo
para entrar nos pormenores aqui.
Falando
em Gênesis, vamos para uma pausa em direção ao Apocalipse. Em Genesis, temos um
texto poético muito lindo, que alguns interpretam como a primeira profecia a
respeito da volta de Jesus. O capítulo 24 de Gênesis nos conta a história do
casamento de Isaque, um arquétipo de Jesus (arquétipo é um símbolo, como uma
imagem que reflete a realidade). Viu, tem escatologia na Bíblia toda, isso, que
selecionei apenas um fragmento. Claro, que essa é uma figura, que nem todos
entendem dessa forma.
A
Partir de Êxodo, as coisas começam a mudar, então, há que se estudar entendendo
o contexto, pois trata-se de narrativa judaica, própria para o ensino daquele
povo, ou seja, os escritores Bíblicos usam a linguagem que o povo daquela época
podia compreender, bem diferente da sociedade moderna que é muito linear. O
pleonasmo literário é a figura de linguagem mais utilizada na Bíblia, pois os
judeus entendiam que de muito repetir, as pessoas gravavam. Tanto é assim, que
até a poesia judaica não tem rimas, mas tem o que os linguistas chamam de
paralelismo, ou seja, rima de ideias ao invés de rimas de palavras.
Simplificando
Gênesis, Israel sai de uma comunidade nômade e pequena no sul do atual Iraque,
com o Patriarca Abraão e sua esposa Sarah e vai para o centro da Palestina,
naquela época conhecida como Canaã. Todo o enredo do Antigo Testamento se dá
entre ao norte a Turquia (antiga Ásia Menor), a oeste o Egito ao sul deserto da
Arábia Saudita e Iraque.
A
divisão sociopolítica de Israel desde quando eram um povo pequeno, as 12 tribos
que eram representadas pelos nomes de cada patriarca, filho de Jacó. 12 eram os
filhos de Jacó o patriarca, que era neto de Abraão. Ah! Importante lembrar que Israel é o nome
que Deus deu a Jacó quando este teve um encontro com o Todo poderoso no
capítulo 32 de Gênesis.
Quando
os Israelitas saem do Egito, aproximadamente no ano 1.600 a.C., são uma
população de mais de 2 milhões de pessoas, distribuída em 12 tribos, e isso é
muito importante, esse número quer dizer muita coisa na tradição Bíblica.
Israel
cresce a ponto de não ser mais um povo nômade, mas agora, toma a Terra
prometida por Deus em Canaã, lugar em que o Patriarca Abraão se estabeleceu 400
anos antes. Mas não foi apenas chegar e tomar posse da terra, teve que lutar
várias guerras para isso. Nesse ponto é interessante notar que a nação de
Israel que conhecemos hoje dos telejornais, sempre foi uma nação guerreira,
algo que não vai mudar até que o reino milenar de Cristo seja plenamente
estabelecido.
Israel
vive, da saída do Egito em 1.600 a.C., até aproximadamente o ano 1100 a.C. numa
teocracia dirigida pelos Juíses, ou seja, homens e mulheres que julgavam e
lideravam o povo na conquista de Canaã.
No ano
de 1046 a.C., o primeiro Rei de Israel subiu ao trono, comandando as 12 tribos
em guerra constante com o principal inimigo: os Filisteus, uma das maiores
etnias que ocupavam a terra de Canaã. Num momento em que Saul deixou de cumprir
os planos de Deus e se voltou contra o Senhor, Davi, um pastor simples da tribo
de Judá é coroado Rei de todo o Israel no ano de 1003. a.C.
Esse
momento é muito importante para conhecermos a história do povo hebreu e também
das Escrituras, pois nesse tempo, Israel se estabelece não apenas como nação,
mas como reino e país.
Aqui é
muito importante frisarmos que Davi é mais um arquétipo de Cristo. Nesse caso,
em toda a profecia Bíblica, o Messias era descendente de Davi, pois segundo o
que lemos em 2 Samuel 7.16, O reinado de Davi seria perene sob o domínio dos
seus descendentes. Além disso, é muito comum observar nas Escrituras o termo
“Filho de Davi” ao se referir a Jesus, dando a entender que Ele é o Rei dos
Reis.
Com a
velhice de Davi, Israel já é um país forte e caminha para um período de paz.
Davi morre e deixa seu filho caçula Salomão para governar em seu lugar. Salomão
é o rei que não apenas conserva a paz, como é o primeiro a desenvolver
políticas diplomáticas com as outras nações do mundo, a ponto de realizar
centenas de casamentos, com princesas de reinos próximos, sem ao menos conhecer
a maioria dessas mulheres.
O
território de Israel passou a mais do que o dobro do território entre os reinos
de Davi e Salomão, apenas maior no próximo reiono, porque o sucessor de
Salomão, seu filho Roboão, perdeu uma disputa política por causa de sua
arrogância e pecado, ao que o reino foi dividido, sendo 2 tribos para o reino
de Judá, que tinha como capital Jerusalém e 10 tribos para o reino de Israel.
A
História desse ponto em diante é narrada de forma muito fragmentada na Bíblia
nos livros de 2Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, bem como no trecho que
compreende o livro de Isaías e Malaquias, ou seja, os escritos dos profetas.
A
História dos reinos de Judá e Israel é marcada por desobediência do povo e de
seus líderes, ao que Deus tinha ordenado no livro da Lei, ao que os profetas
começaram a anunciar uma mensagem de castigo para o arrependimento, mas não
adiantou, a ruína já estava marcada nas próprias páginas das Escrituras, no
livro de Deuteronômio capítulo 28, que previa que Israel não obedeceria.
Aqui precisamos fazer uma pausa, não
apenas para respirar, mas para meditar nesses fatos. Deus
conhece toda a história e frequentemente apresenta, através de seus profetas,
mensagem de esperança e amor, mas também de juízo, por isso, precisamos estar
atentos ao que as Escrituras nos dizem a respeito dos tempos que surgem, pois
tudo se cumpre, nada passa desapercebido aos olhos de Deus.
Você
está atento ao que a palavra de Deus diz? Está obedecendo aos seus mandamentos?
Olha o que diz Apocalipse 14.12:
“Aqui
está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em
Jesus. Ap 14.12
Esse
trecho, no contexto que está, aborda que os fiéis a Deus, permanecem firmes no
caminho que Jesus apresentou, mesmo em meio ao caos.”
Voltando à história, Israel não
reconhece seu Deus, suas mensagens muito menos seus profetas, por isso é
sentenciada a reclusão na Babilônia. O Reino de Israel que já estava a muito
tempo desfigurado do ponto de vista ético, moral e piedoso, já havia sido
arrasado por guerras e invasões. O reino de Judá permaneceu por mais tempo
cercado, mas no ano de 598 a.C. não resistiu e seu rei, Zedequias, foi levado
escravo, seus filhos mortos na sua frente e logo em seguida, seus olhos
furados. Jerusalém foi invadida e toda despojada. Os nobres mais influentes,
bem como a população de Judá, foi levada cativa para a Babilônia.
O
tempo de exílio na Babilônia foi de 70 anos, conforme os profetas haviam
anunciado. Daniel é um profeta que viveu esse tempo, pois foi levado ainda
jovem para o palácio de Nabucodonosor, imperador da Babilônia. Daniel é o
profeta mais apocalíptico do Antigo testamento, pois não apenas profetiza e
influencia o povo durante o cativeiro, mas declara quanto tempo duraria,
quantos reis perpassariam nesse período e o mais interessante, escreve suas
experiências e visões para os tempos do fim. As profecias de Daniel são tão interessantes
e intensas, que devem ser estudadas junto com o Livro do Apocalipse.
Bem, a
história continua, Judá volta do cativeiro e esse trecho é narrado em Esdras e
Neemias, com a reconstrução da cidade e o templo de Jerusalém. A partir daí, há
uma interrupção na narrativa Bíblica, sendo o último livro, o do profeta
Malaquias em 433 a.C.
Nesse
período, conhecido como interbíblico, Israel foi dominada pelos Gregos entre
333 e 160 a.C.
No ano
de 160 a.C., sob liderança de Judas Mababeu e auxílio dos Romanos, Israel
consegue uma certa liberdade, mas em 63 a.C. Roma invade a Palestina e domina a
região para controlar o comércio e expandir o império.
Em 34
a.C., Herodes é indicado como rei de Israel pelo império romano, mas na
verdade, é apenas uma marionete nas mãos deles, pois além de não ser um
descendente de Davi, como profetizado em toda a Escritura, não conseguiu
libertar Israel do domínio estrangeiro.
Em 19
a.C se inicia a construção do segundo Templo de Jesrusalém, com a adoração
judaica recomposta, mas sem os descendentes de Levi no comando, conforme era
previsto na Lei, mas com cargos políticos, indicados pelo Império e também por
Herodes.
No ano
5 a.C, Jesus nasce. Isso parece controverso, mas segundo pesquisas de
estudiosos, o calendário que seguimos, criado a mando do Papa Gregório em 1582,
teve um erro de 5 a 8 anos de imprecisão.
O
silêncio de Deus apenas é cessado com João Batista, primo de Jesus em 2º grau,
que anunciou, conforme previsto 760 anos a.C. pelo profeta Isaías em Isaías 40,
a chegada do Messias Jesus.
Jesus
chega em Israel num dos momentos mais críticos da história, pois desde a morte
de Júlio Cesar em 44 a.C, os judeus tiveram inúmeros levantes contra o império,
surgindo, inclusive, inúmeros falsos Cristos. Quando lemos Atos 5.36, vemos os
líderes dos judeus falando sobre um desses fatos, com um homem chamado Teudas.
Muitos eram os grupos e partidos que se levantavam contra o império romano
naquele tempo, como os Zelotes, Escariótes e os Essênios, por exemplo.
Jesus
nesse contexto não se apresenta como o Messias libertador que Israel queria,
mas como o ungido que veio libertar o povo da Escravidão do pecado, não da
política. Jesus cumpre todos as prerrogativas do Messias das Escrituras, exceto
1, o de ser coroado Rei de Israel e quebrar o domínio dos impérios terrenos
opressores de Israel.
Puxa,
aí é que mora a incredulidade dos judeus em Jesus, mas o que eles não
entenderam é que Jesus viria da primeira vez como homem sofredor e em uma
segunda vinda, como o Rei Exaltado nessa terra. Embora seja o Rei exaltado
sobre todos no mundo espiritual, de fato, Jesus ainda não senta num trono e
julga como um rei que o mundo espera.
Mas
será que isso invalida seu governo eterno? O reino de Jesus, profetizado nas
Escrituras, era, de fato, para ser nesse mundo?
Ufa,
falamos do tempo Antes de Cristo num tempo recorde.
Gostaria
de falar muito mais, mas ficaria ainda mais exaustivo e cada detalhe abre um
portal para se falar sobre muitas outras coisas.
Vamos
ter que continuar na semana que vem, pois temos que falar um pouco mais sobre o
reino eterno de Jesus, não apenas enquanto estava aqui, mas a continuidade dele
com seus discípulos.
Te
aguardo lá!!!



