terça-feira, 26 de maio de 2020

Apocalipse em Gotas Episódio #03 - Acho melhor, primeiro contar história.


Hoje e nos próximos episódios, vamos esboçar um panorama Histórico / Bíblico para facilitar a compressão do que vamos falar mais à frente. Dividi em três partes para entendermos como se dá a história da humanidade que, não por acaso, se divide em antes e depois de Cristo.
Antes de falar do fim do mundo, precisamos conhecer o começo e o meio da história, caso contrário nada faz sentido. Sei que muitas pessoas não gostam de história, mas não podemos entender os rumos da humanidade, sem conhece-la. Além disso, para entender a Bíblia e interpretá-la de maneira adequada, precisamos conhecer o contexto em que ela foi escrita. Ah, e isso é muito importante aqui, mas muita atenção!!! Não podemos interpretar a Bíblia à Luz da história, mas olhar para a história à Luz da Bíblia.
Gosto de pensar na Bíblia como um manual do fabricante.
Pense comigo: Quando compramos um equipamento tecnológico que não é tão plug and play, como um computador ou celular, por exemplo, não dá um certo medo de estragar se não ler o manual? Sei que algumas pessoas, homens, em especial, têm dificuldade em aceitar que não sabem de todas as coisas, aliás, nós nos perdemos por não saber nem pedir uma informação quando estamos rumo ao desconhecido.
Bem, se lemos manual de instrução, quando não conseguimos mais operar um equipamento, pense se não deveríamos ler a Bíblia se não sabemos como viver adequadamente.
É por isso que digo que não temos como interpretar o Apocalipse, se não conhecemos toda a Palavra de Deus. Não que tenhamos que dominar todo o conteúdo da Escritura para isso, mas pelo menos, devemos ter noção de como evoluiu a história até nossos dias. Sem contar, que não temos como saber o quando está próximo do desfecho de uma história, se não conhecemos ela toda.
Ok. Creio que já entendeu que não quero enrolar, mas seguir um cronograma para entendermos bem do que estamos falando, aliás, do que Deus está falando conosco nesse tempo.
Primeiro, precisamos entender que temos algumas dificuldades quando falamos de história, porque:
a)   a Bíblia não é um livro de história, embora contenha muito dela;
b)   a Bíblia parte do pressuposto que Deus é o criador de todas as coisas, inclusive da própria história;
c)   a Bíblia não é organizada de forma cronológica, o que dificulta o acompanhamento da história geral da humanidade.
Agora, com relação a história científica, temos um único problema: A ciência parte do pressuposto que não há Deus. Nesse sentido, há que se tomar uma decisão entre as duas possibilidades:
a)   Crer no que a história contada pelos homens diz,
b)   Crer no Deus que controla a história dos homens.
Não estou dizendo com isso, que a ciência é desnecessária, nem que a história dos livros está errada, mas que a perspectiva é distinta e houve um movimento muito intenso para descontruir a ideia de que Deus é criador de todas as coisas, nesse sentido, a ciência é partidária, tendenciosa e mais do que tudo, controlada por homens ímpios no que se refere a sua transmissão.
Pensando nisso, vamos ao esboço da história do homem segundo à Bíblia Sagrada:
Em Genesis 1, 2 e 3, vemos a criação do mundo, a formação do homem e da mulher e a entrada do pecado no mundo. Também no capítulo 3.
Gênesis significa começo, daí o nome do livro, tudo começa nele. Precisamos entender que a Bíblia não narra a trajetória da humanidade, mas de um povo específico, que representa a humanidade como um todo: Israel.
Nos capítulos posteriores de Genesis, vemos como Israel se tornou um povo e a sua evolução, desde o ser humano primitivo, até passar a viver nas cidades. Claro que temos muitos textos que conseguimos ver a trajetória histórica, economia e política de Israel e oriente médio nos textos de Gênesis, mas não temos tempo para entrar nos pormenores aqui.
Falando em Gênesis, vamos para uma pausa em direção ao Apocalipse. Em Genesis, temos um texto poético muito lindo, que alguns interpretam como a primeira profecia a respeito da volta de Jesus. O capítulo 24 de Gênesis nos conta a história do casamento de Isaque, um arquétipo de Jesus (arquétipo é um símbolo, como uma imagem que reflete a realidade). Viu, tem escatologia na Bíblia toda, isso, que selecionei apenas um fragmento. Claro, que essa é uma figura, que nem todos entendem dessa forma.  
A Partir de Êxodo, as coisas começam a mudar, então, há que se estudar entendendo o contexto, pois trata-se de narrativa judaica, própria para o ensino daquele povo, ou seja, os escritores Bíblicos usam a linguagem que o povo daquela época podia compreender, bem diferente da sociedade moderna que é muito linear. O pleonasmo literário é a figura de linguagem mais utilizada na Bíblia, pois os judeus entendiam que de muito repetir, as pessoas gravavam. Tanto é assim, que até a poesia judaica não tem rimas, mas tem o que os linguistas chamam de paralelismo, ou seja, rima de ideias ao invés de rimas de palavras.
Simplificando Gênesis, Israel sai de uma comunidade nômade e pequena no sul do atual Iraque, com o Patriarca Abraão e sua esposa Sarah e vai para o centro da Palestina, naquela época conhecida como Canaã. Todo o enredo do Antigo Testamento se dá entre ao norte a Turquia (antiga Ásia Menor), a oeste o Egito ao sul deserto da Arábia Saudita e Iraque.  
A divisão sociopolítica de Israel desde quando eram um povo pequeno, as 12 tribos que eram representadas pelos nomes de cada patriarca, filho de Jacó. 12 eram os filhos de Jacó o patriarca, que era neto de Abraão.  Ah! Importante lembrar que Israel é o nome que Deus deu a Jacó quando este teve um encontro com o Todo poderoso no capítulo 32 de Gênesis.
Quando os Israelitas saem do Egito, aproximadamente no ano 1.600 a.C., são uma população de mais de 2 milhões de pessoas, distribuída em 12 tribos, e isso é muito importante, esse número quer dizer muita coisa na tradição Bíblica.
Israel cresce a ponto de não ser mais um povo nômade, mas agora, toma a Terra prometida por Deus em Canaã, lugar em que o Patriarca Abraão se estabeleceu 400 anos antes. Mas não foi apenas chegar e tomar posse da terra, teve que lutar várias guerras para isso. Nesse ponto é interessante notar que a nação de Israel que conhecemos hoje dos telejornais, sempre foi uma nação guerreira, algo que não vai mudar até que o reino milenar de Cristo seja plenamente estabelecido.
Israel vive, da saída do Egito em 1.600 a.C., até aproximadamente o ano 1100 a.C. numa teocracia dirigida pelos Juíses, ou seja, homens e mulheres que julgavam e lideravam o povo na conquista de Canaã.
No ano de 1046 a.C., o primeiro Rei de Israel subiu ao trono, comandando as 12 tribos em guerra constante com o principal inimigo: os Filisteus, uma das maiores etnias que ocupavam a terra de Canaã. Num momento em que Saul deixou de cumprir os planos de Deus e se voltou contra o Senhor, Davi, um pastor simples da tribo de Judá é coroado Rei de todo o Israel no ano de 1003. a.C. 
Esse momento é muito importante para conhecermos a história do povo hebreu e também das Escrituras, pois nesse tempo, Israel se estabelece não apenas como nação, mas como reino e país.
Aqui é muito importante frisarmos que Davi é mais um arquétipo de Cristo. Nesse caso, em toda a profecia Bíblica, o Messias era descendente de Davi, pois segundo o que lemos em 2 Samuel 7.16, O reinado de Davi seria perene sob o domínio dos seus descendentes. Além disso, é muito comum observar nas Escrituras o termo “Filho de Davi” ao se referir a Jesus, dando a entender que Ele é o Rei dos Reis.
Com a velhice de Davi, Israel já é um país forte e caminha para um período de paz. Davi morre e deixa seu filho caçula Salomão para governar em seu lugar. Salomão é o rei que não apenas conserva a paz, como é o primeiro a desenvolver políticas diplomáticas com as outras nações do mundo, a ponto de realizar centenas de casamentos, com princesas de reinos próximos, sem ao menos conhecer a maioria dessas mulheres.
O território de Israel passou a mais do que o dobro do território entre os reinos de Davi e Salomão, apenas maior no próximo reiono, porque o sucessor de Salomão, seu filho Roboão, perdeu uma disputa política por causa de sua arrogância e pecado, ao que o reino foi dividido, sendo 2 tribos para o reino de Judá, que tinha como capital Jerusalém e 10 tribos para o reino de Israel.
A História desse ponto em diante é narrada de forma muito fragmentada na Bíblia nos livros de 2Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, bem como no trecho que compreende o livro de Isaías e Malaquias, ou seja, os escritos dos profetas.
A História dos reinos de Judá e Israel é marcada por desobediência do povo e de seus líderes, ao que Deus tinha ordenado no livro da Lei, ao que os profetas começaram a anunciar uma mensagem de castigo para o arrependimento, mas não adiantou, a ruína já estava marcada nas próprias páginas das Escrituras, no livro de Deuteronômio capítulo 28, que previa que Israel não obedeceria.
Aqui precisamos fazer uma pausa, não apenas para respirar, mas para meditar nesses fatos. Deus conhece toda a história e frequentemente apresenta, através de seus profetas, mensagem de esperança e amor, mas também de juízo, por isso, precisamos estar atentos ao que as Escrituras nos dizem a respeito dos tempos que surgem, pois tudo se cumpre, nada passa desapercebido aos olhos de Deus.
Você está atento ao que a palavra de Deus diz? Está obedecendo aos seus mandamentos? Olha o que diz Apocalipse 14.12:
“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Ap 14.12
Esse trecho, no contexto que está, aborda que os fiéis a Deus, permanecem firmes no caminho que Jesus apresentou, mesmo em meio ao caos.”
Voltando à história, Israel não reconhece seu Deus, suas mensagens muito menos seus profetas, por isso é sentenciada a reclusão na Babilônia. O Reino de Israel que já estava a muito tempo desfigurado do ponto de vista ético, moral e piedoso, já havia sido arrasado por guerras e invasões. O reino de Judá permaneceu por mais tempo cercado, mas no ano de 598 a.C. não resistiu e seu rei, Zedequias, foi levado escravo, seus filhos mortos na sua frente e logo em seguida, seus olhos furados. Jerusalém foi invadida e toda despojada. Os nobres mais influentes, bem como a população de Judá, foi levada cativa para a Babilônia.
O tempo de exílio na Babilônia foi de 70 anos, conforme os profetas haviam anunciado. Daniel é um profeta que viveu esse tempo, pois foi levado ainda jovem para o palácio de Nabucodonosor, imperador da Babilônia. Daniel é o profeta mais apocalíptico do Antigo testamento, pois não apenas profetiza e influencia o povo durante o cativeiro, mas declara quanto tempo duraria, quantos reis perpassariam nesse período e o mais interessante, escreve suas experiências e visões para os tempos do fim. As profecias de Daniel são tão interessantes e intensas, que devem ser estudadas junto com o Livro do Apocalipse.
Bem, a história continua, Judá volta do cativeiro e esse trecho é narrado em Esdras e Neemias, com a reconstrução da cidade e o templo de Jerusalém. A partir daí, há uma interrupção na narrativa Bíblica, sendo o último livro, o do profeta Malaquias em 433 a.C.
Nesse período, conhecido como interbíblico, Israel foi dominada pelos Gregos entre 333 e 160 a.C.
No ano de 160 a.C., sob liderança de Judas Mababeu e auxílio dos Romanos, Israel consegue uma certa liberdade, mas em 63 a.C. Roma invade a Palestina e domina a região para controlar o comércio e expandir o império. 
Em 34 a.C., Herodes é indicado como rei de Israel pelo império romano, mas na verdade, é apenas uma marionete nas mãos deles, pois além de não ser um descendente de Davi, como profetizado em toda a Escritura, não conseguiu libertar Israel do domínio estrangeiro.
Em 19 a.C se inicia a construção do segundo Templo de Jesrusalém, com a adoração judaica recomposta, mas sem os descendentes de Levi no comando, conforme era previsto na Lei, mas com cargos políticos, indicados pelo Império e também por Herodes.
No ano 5 a.C, Jesus nasce. Isso parece controverso, mas segundo pesquisas de estudiosos, o calendário que seguimos, criado a mando do Papa Gregório em 1582, teve um erro de 5 a 8 anos de imprecisão.
O silêncio de Deus apenas é cessado com João Batista, primo de Jesus em 2º grau, que anunciou, conforme previsto 760 anos a.C. pelo profeta Isaías em Isaías 40, a chegada do Messias Jesus.
Jesus chega em Israel num dos momentos mais críticos da história, pois desde a morte de Júlio Cesar em 44 a.C, os judeus tiveram inúmeros levantes contra o império, surgindo, inclusive, inúmeros falsos Cristos. Quando lemos Atos 5.36, vemos os líderes dos judeus falando sobre um desses fatos, com um homem chamado Teudas. Muitos eram os grupos e partidos que se levantavam contra o império romano naquele tempo, como os Zelotes, Escariótes e os Essênios, por exemplo.
Jesus nesse contexto não se apresenta como o Messias libertador que Israel queria, mas como o ungido que veio libertar o povo da Escravidão do pecado, não da política. Jesus cumpre todos as prerrogativas do Messias das Escrituras, exceto 1, o de ser coroado Rei de Israel e quebrar o domínio dos impérios terrenos opressores de Israel.
Puxa, aí é que mora a incredulidade dos judeus em Jesus, mas o que eles não entenderam é que Jesus viria da primeira vez como homem sofredor e em uma segunda vinda, como o Rei Exaltado nessa terra. Embora seja o Rei exaltado sobre todos no mundo espiritual, de fato, Jesus ainda não senta num trono e julga como um rei que o mundo espera.
Mas será que isso invalida seu governo eterno? O reino de Jesus, profetizado nas Escrituras, era, de fato, para ser nesse mundo?
Ufa, falamos do tempo Antes de Cristo num tempo recorde.
Gostaria de falar muito mais, mas ficaria ainda mais exaustivo e cada detalhe abre um portal para se falar sobre muitas outras coisas.
Vamos ter que continuar na semana que vem, pois temos que falar um pouco mais sobre o reino eterno de Jesus, não apenas enquanto estava aqui, mas a continuidade dele com seus discípulos.
Te aguardo lá!!!

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