segunda-feira, 3 de agosto de 2015

IGREJA, VOLTA A OUVIR!

IGREJA, VOLTA A OUVIR!

Marcos 7.31-37

31A seguir Jesus saiu dos arredores de Tiro e atravessou Sidom, até o mar da Galileia e a região de Decápolis. 32Ali algumas pessoas lhe trouxeram um homem que era surdo e mal podia falar, suplicando que lhe impusesse as mãos.
33Depois de levá-lo à parte, longe da multidão, Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele. Em seguida, cuspiu e tocou na língua do homem. 34Então voltou os olhos para o céu e, com um profundo suspiro, disse-lhe: “Efatá!”, que significa “abra-se!” 35Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente.

36Jesus ordenou-lhes que não o contassem a ninguém. Contudo, quanto mais ele os proibia, mais eles falavam. 37O povo ficava simplesmente maravilhado e dizia: “Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar”.

Introdução

Que Jesus fazia milagres, todos sabem, uns aceitam que foram realmente milagres, outros não. O fato é que Jesus viveu entre nós e o maior milagre que poderia fazer, realmente o fez, que é a sua morte e ressurreição por toda a humanidade.

João afirma em seu Evangelho que se todos os feitos maravilhosos de Jesus fossem escritos, a Terra não poderia suportar, não caberia em toda a sua superfície (Jo 21.25). Vejamos, Jesus continua a fazer milagres ainda hoje. Neste caso, o universo mesmo é a Escritura que registra as obras de Deus através de seu Filho, já que o mesmo apóstolo João, além de outros, afirma que Jesus é o princípio de todas as coisas e por meio Dele, que é Deus, tudo foi gerado (Jo 1).

Interessante pensar que Cristo fez e continua a fazer milagres, mas apenas 44 destes foram registrados nos evangelhos. Jesus quer nestes dias fazer milagres, curar pessoas, transformar o lamento em alegria, mas e Ele mesmo descerá para fazer? Não, Na verdade Jesus deixou o Espírito Santo, mas o instrumento que Ele quer usar é a sua igreja.

Como Corpo de Cristo, a Igreja é a extensão de seus braços, é também a sua voz. Mas mesmo assim temos um problema, a própria igreja de Cristo está doente. Muitas são as limitações da Igreja e a partir de hoje vamos estudar à luz da Palavra de Deus quais são as doenças, deficiências e ausências que possuímos.


TRANSIÇÃO

Hoje nos será revelada duas das mais perigosas deficiências do corpo que é a Igreja, a surdez e o impedimento de falar. 

Desenvolvimento

1 – Cura física

Dos quatro Evangelhos, somente no de Mateus o milagre de cura que lemos é relatada. E como de costume, alguns aspectos desta cura nos causa estranheza, sendo o principal o cuspe, mas também o fato de ter colocado os dedos no ouvido para promover a cura. Uma explicação, que talvez se faça necessário, é que a saliva era tida com poderes curativos e o barro feito com essa mistura pudesse curar de males. Mas quero entender que Jesus nos queria ensinar a simplicidade, somente isso.

Agora, vamos nos dedicar ao milagre em si. Jesus curou a surdez e a mudez. Algo que Deus tem colocado em meu coração ultimamente é que há pessoas doentes na igreja e não temos mais visto os milagres da Bíblia em nossos dias, exceto nas igrejas em que se potencializam esses fenômenos, sendo que alguns são claramente farsas de falsos profetas, alguns no entanto representam a fé daqueles que buscam milagres, outros ainda, não representam milagre algum, pelo fato de ser cura natural.

O que caracteriza um milagre de cura é a resolução inexplicada de um problema de saúde congênito, agudo ou crônico, ou seja, aqueles que são curados sem explicação médica. Casos em que acontecem curas de dores que um simples analgésico poderia dar cabo não são milagres. Casos em que o paciente foi submetido a uma cirurgia e sem complicações saiu do centro cirúrgico, não se trata de milagre, mas competência de um profissional.

Deus nos deixou médicos para tratamento, nos deixou medicamentos para nos livrar de efeitos das doenças, mas aquilo que é impossível Ele reservou a si mesmo para a solução.

Creio que um dos problemas para que os milagres não aconteçam em nossos dias o fato da nossa incredulidade, assim como aconteceu em Mateus 13.58, onde Jesus pregou em Nazaré. Neste caso, precisamos crer na operação divina na atualidade.

2 – Cura Espiritual

Há que se mencionar que Deus deseja curar-nos, a cada um de suas doenças, mas também deseja mudar nosso caráter, ao que Deus nos mostra hoje quais são as nossas limitações emocionais e espirituais. Aquele surdo de Mateus tinha uma deficiência física e obteve a sua cura porque foi capaz de aceitar a cura que Jesus poderia dar. Assumiu a sua posição e contou com o amor e piedade de seus amigos.

Quantos de nós não assumimos que sofremos de males que nos impede de crescermos espiritualmente ou de ter uma vida plena na presença de Deus?

Reconhecer que somos deficientes em algumas áreas nos garante o que o Senhor prometeu em Mateus 5.3:

                           “Bem-aventurados os que reconhecem que são espiritualmente pobres,                                   pois deles é o Reino de Deus.”

O fato de reconhecermos nos dá a garantia de recebermos a cura, além disso, fazer parte do Reino de Deus.

3 – Cura Da Igreja

Além de Deus querer nos curar individualmente, o Senhor quer nos curar como povo seu. A Igreja de Cristo também precisa ser curada de algumas doenças, ao que somente um milagre de Jesus poderia fazer. A cura que necessitamos precisa começar de alguma forma e o que Deus quer nos mostrar em primeiro lugar é a necessidade de ouvir.

A audição é tão importante que a Palavra de Deus fala que é o princípio da fé (Rm 10.17; Gl 3.2; 3.5). A fé verdadeira e genuína somente pode aparecer em nossa vida se damos ouvidos àquilo que Deus nos fala a respeito da palavra.

Existem vário tipos de deficiência auditiva. Uma é a ausência completa de audição, quando o indivíduo não percebe som algum, neste caso, a o problema é neurológico ou comprometimento de algum elemento do sistema auditivo. Outro tipo de surdez, é aquela que o indivíduo percebe apenas alguns sons dependendo da frequência, e é o caso da perda auditiva por trauma ou idade. Mas a pior deficiência auditiva é a audição seletiva, essa, a pessoa não tem problema algum de audição, mas simplesmente escolhe o que quer ou não quer ouvir.

Muitas pessoas jamais ouviram que precisam de Jesus, aliás, nunca ouviram de Jesus, neste caso, tem deficiência auditiva espiritual completa, pois há um impedimento total.

Há pessoas que ouvem somente parte do Evangelho, pois são enganadas por falsos profetas, e de alguma forma, tem a vida espiritual freada por fazer de forma parcial também a vontade de Deus. Querem a Graça, mas não querem o compromisso. Ouvem a respoeito da prosperidade, mas nunca ouviram a respeito da cruz que devemos carregar, ou da morte do ego e carne. 

Outras pessoas acabam ouvindo somente o que querem do Evangelho, somente a parte que os beneficia. Não há problema com o locutor ou meio de comunicação, mas somente com a vontade do ouvinte.

Na Igreja brasileira, atualmente, o maior problema é a audição eletiva, pois o Evangelho jamais foi tão difundido como hoje em dia. Há uma prática horrenda em que crentes não se satisfazem com a mensagem, pois o pastor é duro, ou o pregador fala calmo, ou ele fala baixo, ou ele fala alto e etc. A audição seletiva tem sido cada vez mais frequente na igreja brasileira e por causa disso algumas igrejas não crescem, pois só se pensa em si mesmo. Jesus quer curar isso em sua igreja.

Igreja que não ouve também não fala. Pessoas são mudas, na grande maioria dos casos, é porque nunca ouviram. Daí vem a expressão “surdo mudo”. O homem da leitura bíblica de hoje era surdo e tinha dificuldades para falar, talvez gago, como sugere algumas versões, ou com a língua presa,  ou simplesmente mudo. Muito provavelmente tinha dificuldades com a fala pelo fato de não ouvir.

Como haverá crescimento na igreja se não há quem fale? E porque não se fala?

A Resposta a primeira pergunta está na segunda, pois como disse o apostolo Paulo: “Como ouvirão se não há quem pregue?” (Rm 10.14,15)

Sejamos como Isaías (Is 6.8), reconheçamos nossa fraqueza e nos coloquemos a disposição do Senhor, pois Ele quer nos curar e quer nos enviar, neste caso, curará tanto a nossa surdez como nossa mudez.

As pessoas do mundo afora estão surdos pela atuação do próprio meio e por causa da ação dos dominadores do mundo (Ef 6). Nossa posição deve ser a de amigos, assim como aquelas pessoas que levaram o surdo a Jesus. Nossa missão começa com a cura de nossa surdez, cura de nossa mudez e nos tornarmos como amigos do surdo (aquele que não conhece a Jesus).

Algo interessante nas curas de Jesus, e essa não foge à regra, é o fato do Mestre proibir a propagação do que aconteceu e a forma de realização do milagre, que era fora do alcance da multidão, MAS MESMO ASSIM NÃO FUNCIONA, O POVO SAI FALANDO (vs. 33,36). Agora, nos coloquemos no lugar de alguém que tenha perdido a audição (provavelmente o caso), será que ficaríamos calados quando fossemos curados? Obviamente que sairíamos proclamando a todos as maravilhas que Jesus fez.

Que a igreja de Cristo seja curada da sua surdez e dificuldades de fala, assim crescerá como nunca.

A igreja do primeiro século era muito falante, tanto que no dia de pentecostes no ano em que Cristo subiu aos Céus, os discípulos de Jesus começaram a falar em outras línguas que não conheciam e anunciaram desta forma o Evangelho a muitas pessoas de diversas nações. O resultado de uma igreja sem doenças, saudável, não pode ser outra, o caso rendeu em um só dia a salvação de mais de 3 mil almas. Que tenhamos na Igreja brasileira hoje a mesma vida daqueles cristãos do primeiro século.

Conclusão

Jesus quer curar sua Igreja da surdez e mudez, pois assim muitas outras pessoas se chegarão a Ele, e a partir destas, outras mais e assim sucessivamente. Sejamos tocados pelo Espírito de Deus e deixemos que Ele nos cure.

A cura do Mestre envolve não somente nossa transformação como indivíduos, mas impacta diretamente o Reino de Deus, portanto, busque a cura da sua alma e ela ficará saudável e deixará de sofrer muitos de seus problemas, mas não somente isso, mas a frutificação promove louvor e adoração ao nosso Deus, o que nos garante maravilhosa recompensa (Jo 15. 8,16).

Mensagem pregada na 1ª Igreja Batista no Bairro Novo em 02/08/2015 

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