IGREJA,
LUGAR DE MILAGRES
IGREJA,
SEJA PURIFICADA
TEXTO: Lucas
17.11-19
11Jesus
continuava viajando para Jerusalém e passou entre as regiões da Samaria e da
Galileia. 12Quando estava entrando num povoado, dez leprosos foram se encontrar
com ele. Eles pararam de
longe 13e gritaram:
—
Jesus, Mestre, tenha pena de nós!
14Jesus
os viu e disse:
—
Vão e peçam aos sacerdotes que examinem vocês.
Quando
iam pelo caminho, eles foram curados. 15E, quando um deles, que era samaritano,
viu que estava curado, voltou louvando a Deus em voz alta. 16Ajoelhou-se aos
pés de Jesus e lhe agradeceu. 17Jesus disse:
—
Os homens que foram curados eram dez. Onde estão os outros nove? 18Por que
somente este estrangeiro voltou para louvar a Deus?
19E
Jesus disse a ele:
—
Levante-se e vá. Você está curado porque teve fé.
Jesus
era sensível aos clamores dos doentes, aflitos e oprimidos. Algo que muitos
esquecem é que Ele continua tendo a mesma misericórdia, a mesma sensibilidade e
o mesmo amor das páginas do Novo Testamento. Há algumas semanas temos falado da
parte de Deus a mensagem de cura que a Igreja brasileira precisa hoje. Não são
curas naturais, embora Deus também possa apresentar este tipo de cura ainda
hoje, mas trata-se de uma cura espiritual no caráter, nas emoções e vida da
Igreja que está realmente enferma.
Vimos
ao longo da série de mensagens “Igreja, Lugar de milagres” que Cristo deseja
tornar a Igreja brasileira um potencial de audição da sua voz, mas não somente
isso, que sejamos curados da mudez que tem nos calado. Outra cura que já vimos
é o que tange ás pernas da Igreja, pois ela não tem ido onde deveria, já não se
importa mais com os perdidos e nisto tem a paralisia completa de seu corpo. A
terceira cura que ouvimos e que Deus quer realizar em nosso meio, é as das mãos
atrofiadas, que precisam ser estendidas na direção dos pecadores, daqueles que
sofrem e etc. Na mensagem anterior, Deus nos mostrou que estamos tão cegos como
o cego de Betsaida, estamos tão cegos como Paulo a caminhos de Damasco e
precisamos ter nossos olhos espirituais abertos para que enxerguemos a nossa
missão e nosso alvo como Igreja de Cristo sobre a face da Terra.
Deus
quer nos curar por completo, e na mensagem de hoje Ele nos mostrará mais uma
condição que nos encontramos. Assim como os dez leprosos, estamos com uma
doença terrível que nos afeta por todos os lados e trabalharemos em três dimensões
aqui, a IMPUREZA, o ISOLAMENTO e a SENSIBILIDADE com todas as bênçãos que ele
produz.
Hoje
Deus quer nos revelar nossa condição, seja em relação à santidade ou ao tato,
sentimento na alma.
DESENVOLVIMENTO
Algumas
coisas nas atitudes de Jesus passam desapercebidas por falta do conhecimento
bíblico e histórico. Quando se trata das curas e milagres, mais do que nunca
precisamos conhecer essas dimensões. A primeira observação que temos feito
sempre ao longo destas mensagens é o fato da religiosidade que os judeus
tinham, pois para eles todos os que estavam acometidos de doenças, sejam quais
fossem, era uma severa repreensão do criador por causa dos pecados, mas Jesus
insiste sempre em dizer que não é isso o que acontece, mas que a doença sempre
serve para glorificar a Deus, visto que Ele mesmo tem poder sobre tudo e todos,
neste caso Ele mesmo pode curar.
Mas
tem um agravante no caso de leprosos, eles eram mais do que pecadores, eram
pessoas impuras em dois sentidos principais. O primeiro motivo é a impureza
cerimonial, ou seja, um leproso não poderia cultuar a Deus de nenhuma forma, e
sobre isso encontramos respaldo na Lei cerimonial de Moisés (Levítico 13,14).
Além disso, os leprosos deveriam manter uma distância de pelo menos 15 a 60 metros
das outras pessoas conforme alguns estudiosos, bem como utilizavam sinos em
suas roupas e batiam os sinos e gritavam “Leproso!” ao adentrar uma cidade ou
aldeia.
Levítico 13, 45,46:
45Uma pessoa que sofrer de uma doença contagiosa da
pele deverá vestir roupas rasgadas, deixar os cabelos sem pentear, cobrir o
rosto da boca para baixo e gritar: “Impuro, impuro!” 46Enquanto sofrer de uma
doença contagiosa, a pessoa continuará impura e precisará morar sozinha, fora
do acampamento.
Sabendo
disso, entendemos o porque a Palavra de Deus diz que os Dez “pararam de longe”
(v.12). Mas certamente isso quer dizer algumas coisas para nós hoje.
1 – JESUS
CURA A IMPUREZA
Jesus
curou muitos doentes, mas interessante perceber que Ele se importou com os
leprosos, pois como vimos, tratava-se de uma classe não apenas marginalizada,
mas tida como impura. O mais interessante, é que Jesus se importa também com os
impuros de alma, não somente com os leprosos, mas com aqueles que tem o seu
caráter muito mais podre do que a pele em decomposição.
Lepra
é uma doença contagiosa, uma das mais antigas da humanidade. Atualmente
conhecida como Hanseníase, por causa do Médico norueguês que descobriu a causa,
é uma doença crônica provocada por uma bactéria transmitida pelas gotículas de
saliva (por isso a Lei, em Levítico manda que os leprosos cobrissem a boca. Levítico
13.45). A pele afetada pela Lepra deixa de “respirar”, oxigenar, então,
literalmente, entra em decomposição. Hoje é uma doença que tem cura, quando
detectado no início, e mesmo com avanço, pode ser tratada. Nos tempos bíblicos,
aliás, até o século XIX, era tida como incurável e castigo de Deus aos
pecadores impuros.
Bem,
partindo do princípio desta impureza da pele, devemos nos ater ao que Deus quer
nos mostrar neste dia. Nosso corpo espiritual, como igreja, está muito
contaminado pelos pecados que nos tornam impuros. Estamos vivendo na época do
“nada haver”, ou “nadaver”, como diriam outros.
O
pecado não é mais encarado na atualidade como ele realmente é, mas dizemos o
tempo todo que isso não, aquilo também não. Adolescentes tem desfrutado de
sexualidade dentro da casa da pais, com o seu consentimento. Crianças e
adolescentes “ficam”, ou não sei nem mais como é o nome. Algo como uma
experiência superficial de relacionamento, onde cada um extrai do outro o que quer
e depois abandoa. Mas isso não é somente experiências de jovens e adolescentes,
mas de adultos que estão vivendo para buscar alguém que possa usar, não casar,
mas simplesmente obter vantagens. Além dos casamentos, que não passam de experiência,
não um relacionamento pautado na Palavra de Deus. Tudo passou a ser “fast”, Flex
e descartável, a começar pelo relacionamento, inclusive com Deus.
Estamos
vivendo em dias em que a televisão e a internet são ferramentas do diabo para
acabar com casamentos, mas a culpa sempre jogamos nos programadores, não aos
que assistem e tem, ou deveriam ter, o controle da situação e nas mãos. Homens
e mulheres estão se viciando em pornografia, sensualidade e etc.
As
conversas que temos não são edificantes, mas somente conseguimos falar se temos
a vida de alguém para condenar, comentar, ou seja, fofocar. Aquilo que era uma
atividade reservada às mexeriqueiras de plantão, agora é o que move as
conversas nos corredores das igrejas. Tanto podemos falar do pastor, como da
irmã do louvor ou daquela mocinha que já não tem mais jeito na vida, pois está
perdida.
Poderíamos
falar de muitas outras coisas que fazemos na atualidade na igreja brasileira e
que nos tornam impuros, mas não fará sentido se não percebermos. Um leproso
leva algum tempo para perceber que está doente, pois a Hanseníase é uma doença
muito lenta e começa com algumas manchinhas muito pequenas na pele. O pecado é
bem parecido, não percebemos que ele está entrando em nossa vida,
relacionamento, igreja e convívio, mas está promovendo uma devastação
silenciosa, que somente perceberemos quando a “coceira” severa começa.
Devemos
nos encontrar na fé e reconhecer que somos impuros, seja no que for.
Pessoalmente, precisamos fazer a reflexão: Estou sendo impuro em alguma área da
vida? Somente o Espírito Santo pode te dizer, eu não.
Outra
reflexão que devemos fazer é se como Igreja estamos sendo impuros, algo que não
preciso nem pensar muito, que respondo sem pestanejar: A Igreja de Cristo está
severamente contaminada com o pecado, infelizmente.
Mas
temos uma notícia, Jesus curou leprosos e nós podemos ser curados também.
Na
cura dos dez leprosos Jesus manda que eles tenham fé e vão até o sacerdote para
apresentar-se, como era na Lei (Lv 13,14). Mas tem outro episódio bem
interessante sobre a cura de um leproso:
Lucas 5.12,13
12Certa vez Jesus estava numa cidade onde havia um
homem que tinha o corpo todo coberto de lepra. Quando viu Jesus, o leproso se
ajoelhou diante dele, encostou o rosto no chão e pediu:
— Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser!
13Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse:
— Sim! Eu quero. Você está curado.
No mesmo instante a lepra desapareceu.
Alguns
fatos interessantes em Lucas 5.12,13. Jesus toca no leproso, algo que fere a
Lei Cerimonial de Moises, pois qualquer um que chegasse perto de um leproso se
tornava impuro, pelo menos até a tarde, mas o Senhor não se preocupou muito com
a cerimonia, mas curou aquele homem, pois teve pena dele, como vemos em Marcos
1.41.
Jesus
tem pena da condição da igreja brasileira que tem vivido a superficialidade da
fé e não mostra mais frutos de arrependimento. Não somos mais uma igreja
humilde, mas cheia de religiosidade e arrotamos uma prepotência que tem subido
ao trono de Deus. Jesus quer nos curar, mas para isso devemos ter a mesma
atitude dos leprosos que foram curados por Ele. Sejamos humildes o suficiente
para dizermos a Cristo que somos espiritualmente pobres, assim como vemos no
sermão do monte, onde o próprio Mestre nos recomenda em Mateus 5.3: “Felizes as pessoas que sabem que são
espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas”.
O
primeiro passo é reconhecer que somos impuros, depois precisamos nos humilhar
aos pés de Jesus e pedir a cura da impureza, pois certamente Ele vai nos curar,
tornar nossa pele como a pele de Naamã, ou como pele de uma criança, ao que me
lembro de Jesus dizendo que se não nos tornarmos como as tais, não poderemos
entrar no Reino de Deus (Mt 18.3).
2 Reis 5.10-14
10Eliseu mandou que um empregado saísse e dissesse a
ele que fosse se lavar sete vezes no rio Jordão, pois assim ficaria
completamente curado da sua doença. 11Mas Naamã ficou muito zangado e disse:
— Eu pensava que pelo menos o profeta ia sair e falar
comigo e que oraria ao Senhor, seu Deus, e que passaria a mão sobre o lugar
doente e me curaria! 12Além disso, por acaso, os rios Abana e Farpar, em
Damasco, não são melhores do que qualquer rio da terra de Israel? Será que eu
não poderia me lavar neles e ficar curado?
E foi embora muito bravo.
13Então os seus empregados foram até o lugar onde ele
estava e disseram:
— Se o profeta mandasse o senhor fazer alguma coisa
difícil, por acaso, o senhor não faria? Por que é que o senhor não pode ir se
lavar, como ele disse, e ficar curado?14Então Naamã desceu até o rio Jordão e
mergulhou sete vezes, como Eliseu tinha dito. E ficou completamente curado. A
sua carne ficou firme e sadia como a de uma criança.
Sejamos
humildes e reconheçamos nossa culpa diante de Deus! Ele nos tornará limpos,
puros como uma criança!
2 – JESUS CURA O ISOLAMENTO
Um outro aspecto muito importante que
não podemos deixar de falar quando lemos as passagens de cura, em especial os
dois milagres de Jesus que envolve a cura de leprosos é o evento posterior, ou
seja, Jesus não cura somente a pele desses homens, mas a vida social, a vida
comunitária, a vida espiritual, pois a partir daquele momento seriam
considerados cerimonialmente puros, como qualquer ouro judeu, exceto por um, o
samaritano.
Jesus gostava do contraditório, gosto
de ler em especial os momentos em que Jesus desafia a religiosidade e devoção
exacerbada dos judeus, suas ritualísticas e assim ele continua a fazer hoje,
quebrando nossa religiosidade e nos mostrando que o importante não é o que
achamos, mas o que a Palavra nos mostra. Caso como o dos leprosos, vemos que
Jesus toca em um e fala com outros, mas o mais forte é que se dá ao trabalho de
se importar com um samaritano. Veja, se o leproso era impuro e indigno, agora
imagina um leproso samaritano.
Jesus nos retirou de escombros de um
mundo perdido ou nossa vida mesmo era um escombros do passado que tivemos, e a
isso gostaria de comparar, salvadas as devidas proporções, ao que Angelina
Jolie e Brad Pitt fazem ao andar pelo mundo. Alguns conhecem a atividade desses
dois atores, eles andam pelo mundo fazendo ações de caridade, doando dinheiro,
montando instituições e apoiando outras, mas quando passam por algum lugar e se
apaixonam pela história de alguma criança, eles a adotam e foram severamente
criticados pelo mundo todo quando faziam isso, já que as adoções aconteceram em
países pobres, e ao invés de tirar a criança da mãe, poderiam ajudá-la a sobreviver
com a família.
Jesus Cristo, deixou o céu e esteve
aqui, num mundo extremamente pobre e adotou alguns de nós, não todos, não
ajudou o mundo a se manter, mas resgatou a muitos para se tornarem filhos e
filhas de Deus por doção (Jo 1.12). Jesus nos encontrou em condições
deploráveis e nos levou à casa do Pai, sem ao menos se importar se estávamos
impuros, dignos ou qualquer outra coisa, mas encostou em nós, mas lembre,
somente naqueles que lhe pedem, como foi o caso dos leprosos.
Jesus encostou num leproso (Mc 1.42) 41”Jesus ficou com muita pena dele, tocou nele
e disse: — Sim! Eu quero. Você está curado”. Mas não somente naquele
impuro, mas em mim, e agora se sou puro, não porque não me sujo, mas porque Ele
está sempre disposto a me limpar, curar e perdoar.
Precisamos entender o perdão de Jesus,
pois muitos de nós somos perdoados por Deus, mas nós mesmos não nos perdoamos.
A partir do momento em que Cristo nos limpa, também nos liberta e se Cristo nos
liberta ninguém mais poderá nos aprisionar, mesmo nossa consciência, mesmo
nosso passado, mesmo satanás, pois leio em Gálatas 5.1 que foi para a liberdade
que Cristo me libertou, e entendendo todo o contexto de Gálatas, vamos perceber
que o Apóstolo Paulo nos fala a respeito da Lei que nos condena, mas da graça
que nos absolve.
Paulo dedica duas de suas cartas a
falar sobre santificação, pecado e graça, ambas foram usadas pelos reformadores
para garantir nossa fé genuína em Cristo, mas muitos hoje, tentam derrubar a
graça, falando que para trabalharmos no Reino e sermos parte dele devemos viver
uma vida totalmente reta primeiro. A mentira a respeito disso é tão grande, que
ao olharmos as Escrituras vemos que a realidade de todos, sem exceção, foram
pecadores e cometeram falhas mesmo em seu ministério. Pessoas como Davi, que
foi reconhecido como homem segundo o coração de Deus, Paulo, o maior
evangelista e apóstolo, Pedro, o líder dos primeiros cristãos, todos pecaram e
seus pecados não fizeram deles menores, pois pequenos já eram e
reconheciam.
Ao lermos alguns dos salmos de Davi,
vemos que ele tem o costume de Dizer a Deus que ele é pequeno e é pela
misericórdia Dele que permaneceu até o fim, como exemplo, podemos ficar com os
salmos 32 e 51, que retratam tanto o pecado, arrependimento, confissão e
restauração do maior rei de Israel. O Apóstolo Paulo foi muito emblemático ao
dizer que era o maior dos pecadores, ao que não precisamos nem citar exemplos,
embora o temperamento de Paulo seja bastante comprometedor em alguns episódios
como o da briga com Barnabé e Pedro. Pedro, talvez poupasse comentários, pois
enquanto o Senhor Jesus estava com os discípulos, sempre era Pedro quem dava os
maus exemplos (para não dizer bolas fora) e ao fim era corrigido pelo Mestre,
mas após a decida do Espírito Santo, tudo ficou diferente, não é? Talvez, mas
temos indícios bíblicos suficientes para atestar que Pedro continuava sendo um pecador
e reconhecia sua pequinês (Gálatas 2.12,13).
Reconheçamos, portanto nossa altura
espiritual, mas que isso não nos impeça de avançar no Reino! Sejamos como Paulo
e os demais, que mesmo reconhecendo que eram pecadores, reconheciam ainda mais
que precisavam lutar pela fé, não abandonando jamais o trabalho e devoção. Isso
serve para nossa impureza passada, tudo fica na cruz e nenhuma mancha em nosso
caráter e vida pregressa é tão forte que o sangue de Jesus não possa limpar de
nosso corpo físico ou espiritual (Sl 51.7; Is 1.18).
Salmos 51:7 “Tira
de mim o meu pecado,
e ficarei
limpo;
lava-me, e
ficarei mais branco
do que a neve”.
Isaías 1:1 “8O
Senhor Deus diz:
“Venham cá,
vamos discutir este assunto.
Os seus pecados
os deixaram manchados de vermelho,
manchados de
vermelho escuro;
mas eu os
lavarei,
e vocês ficarão
brancos como a neve,
brancos como a
lã”.
O Senhor Jesus quer estender a sua mão,
nos tocar e dizer que somos purificados e a partir de então somos transformados
desde o caráter até as atitudes, tudo branqueado, limpo pelo sangue de Jesus.
A partir do momento em que nos tornamos
limpos, devemos estar prontos para o convívio, sim, pois a partir do momento em
que os leprosos eram curados, deveriam apresentar-se ao sacerdote e ofertar
diante do altar de Deus, e veja como isso era sério, pois o próprio Senhor os
mandou fazer isso, seja no que ele tocou ou nos dez, todos deveriam apresentar
sua oferta.
Qual é a oferta que você está disposto
a apresentar a Deus pela sua cura? Não vamos perverter a mensagem, mas vamos
analisar num contexto espiritual. Cristo nos purifica e fala como nos episódios
dos leprosos: Vá apresentar-te ao sacerdote!
Outra coisa que me impressiona, é o
fado de apenas um dos dez ter voltado para louvar a Jesus. Temos visto muitas
pessoas correndo na nossa frente para levar oferta ao Sumo sacerdote Jesus.
Criticamos a muitas pessoas por serem crentes superficiais, neopentecostais,
pentecostais, “igreja A” ou “Igreja B”, “semi-samaritanos”, que são desprezados
por todos os cristãos históricos, por todos os filhos verdadeiros da Reforma,
enquanto os bastardos, os primos, estão anunciando a todo pulmão: Jesus curou a
minha vida! Jesus me transformou! Estes são os verdadeiros, os que se omitem é
que são os falsos, assim como o samaritano foi o verdadeiro filho de Deus, os outros
nove eram falsos.
A Palavra de Deus nos diz que agora
nosso sacrifício deve ser de louvor – “Por
meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de
louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome”. (Hb 13.15), não
mais com animais, neste caso, a partir do momento em que Cristo limpou minha
vida, tenho dado cada segundo para Ele, minha vida toda foi oferecida ao sumo
sacerdote Jesus (Hb 7.24-26; 1Pe 5.4).
Hb 7.24-26
“mas, visto que vive para sempre, Jesus
tem um sacerdócio permanente. Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente
aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois vive sempre para
interceder por eles.
É de um sumo sacerdote como esse que
precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima
dos céus”.
1Pe 5.4
“Quando se manifestar o Supremo Pastor,
vocês receberão a imperecível coroa da glória”.
Vá até o sacerdote e ofereça o
sacrifício ordenado! Esse é o mandamento de Jesus após retornarmos ao convívio
cerimonial. Jesus quer que todos estejam aptos para o trabalho no Reino, isso
não é uma função especial para pastores, mestres, bispos ou qualquer outro título
que as religiões propõem, na verdade o chamado ao trabalho no Reino é para
todos os discípulos de Jesus, foi por isso que ele nos purificou, não somente
para termos livre acesso a Deus, embora essa seja a principal obra salvadora,
mas para que retornemos também ao convívio com os irmãos e juntos possamos
fazer o trabalho que devemos fazer.
Creia, Cristo nos libertou da corrupção
podre em que vivíamos é para que alcançássemos tudo o que Ele conquistou para
nós na cruz, e fazendo o paralelo entre a cura do leproso e a nossa, chegamos a
um conceito de Libertação para a liberdade. Quando o apóstolo Paulo fala aos
gálatas sobre a liberdade, fala também que devemos viver uma vida reta, sem nos
contaminarmos com as obras da carne e por fim, deixar que o Espírito Santo
produza em nós o seu fruto (Gl 5).
Deixar que nossa vida produza fruto,
isso é o que fazemos quando voltamos ao convívio, voltamos ao culto e podemos
nos dedicar como ofertas de sacrifício ao nosso Deus.
3 – JESUS CURA A SENSIBILIDADE
Quando Jesus
operava curas, Ele o fazia plenamente, não como vemos os supostos apóstolos
fazendo na televisão, pois esses mostram uma parte do milagre cada vez dizendo:
Mostra aqui filhinho, como estava e agora como está ficando. Jesus curava, cura
e diz: Olha como era, e olha agora depois de um instante, tudo ficou novo!
Jesus faz a
obra completamente, pois todos os leprosos ficaram curados na hora e sua pele
voltou ao normal, com aspecto, cheiro, estrutura, tudo novo de novo. Pensando
nisso, o Espírito Santo me levou a refletir naquilo que muitas vezes não
pensamos numa mensagem como essa, mas até onde a cura de Cristo alcança?
Fui respondido
por Deus, quando me mostrou que tudo pode ser curado e o alcance é muito maior
do que imaginamos. Veja, o leproso perde todos os tecidos quando num estágio
avançado da doença. De fato, não sabemos como estavam as estruturas
fisiológicas daqueles homens, mas certamente algo havia sido comprometido.
Interessante é que quando a Lepra chega num indivíduo, a primeira consequência
é a falta de sensibilidade local, pois a primeira estrutura que a bactéria toma
é justamente a nervosa, ou seja, destrói a comunicação da pele com o cérebro,
fazendo com que seja menos percebida a doença.
Muitos cristãos
perderam a sua sensibilidade. Conversando com um irmão essas semanas atrás, ele
me disse: – “Pastor, Deus tem transformado minha vida. A partir de uma mensagem
que ouvi, Deus tem me tratado e no primeiro momento em que Jesus abriu meus
olhos, voltei a chorar”.
É, Deus faz
dessas coisas mesmo, pois quer que tenhamos sensibilidade, tato. Encontro
respaldo bíblico para isso também, inclusive nas Palavras do Mestre Jesus no
sermão do monte, em especial em Mateus 5.4: “Bem-aventurados
os que choram, pois serão consolados”.
Ao ver a
bem-aventurança do choro, podemos interpretar erroneamente como alguns, que
dizem tratar-se de um choro por causa da perseguição ou das dores deste mundo,
mas devemos sempre encarar as bem-aventuranças de forma ativa, não passiva.
Neste entendimento, bem-aventurados os que choram, o fazem por sensibilidade,
porque sentem e expõem seu sentimento.
Quantos
cristãos não choram mais por arrepender-se? Quantos não choram mais ao estar na
presença notória de Deus? Quantos não choram mais por causa dos perdidos?
Alguns me
dizem: Pastor, não sinto mais como no primeiro amor.
Tenho que
voltar à Palavra de Deus, e me dedicar ao livro de Apocalipse 2.1-7:
1“Ao anjo da igreja em Éfeso, escreva:
“Estas são as palavras daquele que tem
as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro.
2Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você
não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas
não são, e descobriu que eles eram impostores. 3Você tem perseverado e
suportado sofrimentos por causa do meu nome e não tem desfalecido.
4“Contra você, porém, tenho isto: você
abandonou o seu primeiro amor. 5Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique
as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e
tirarei o seu candelabro do lugar dele. 6Mas há uma coisa a seu favor: você
odeia as práticas dos nicolaítas, como eu também as odeio.
7“Aquele que tem ouvidos ouça o que o
Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da
vida, que está no paraíso de Deus.
Repare no texto
todo, não somente em partes dele, pois Deus nos revela que o verdadeiro
primeiro amor não pode ser deixado para traz, mas vivido até o fim, pois
somente aquele que prevalecer até o fim é de fato Filho de Deus.
A carta de Jesus
à Igreja de Éfeso aponta para um povo que trabalhava arduamente pela causa de
Cristo, talvez eles não faltassem nenhum dia nas reuniões nem na EBD, mas Jesus
diz que o que Ele requer não é simples assim, mas que se faça com consciência e
ardor. Sim, Jesus quer que façamos por sermos filhos comprados, com amor que
fazíamos no princípio.
Queridos
irmãos, temo em ver no Dia do Senhor, apenas alguns de nós subindo, por que
muitos acham que somente crer é o suficiente. Jesus não nos cobra pelo crer,
mas pelo amor que temos por Ele. Tem uma frase muito conhecida que diz que crente até o diabo é. Isso é a mais pura
verdade, pois quando João Batista pregava, sempre dizia: “mostrem frutos do seu
arrependimento”!!! (Mt 3.8).
Veja, não estou
dizendo que tenha que virar um chorão ou uma chorona, mas que volte a ter
sensibilidade. Volte a se importar com os perdidos, volte a sentir a presença
de Deus, volte aos arrepios do começo da sua fé. Sabe, o Cristo Jesus continua
sendo o mesmo, o Evangelho continua sendo o mesmo, a Igreja continua sendo a
mesma, com defeitos e pessoas, mas o que deve mudar é o teu coração, pois a
sensibilidade é sua.
Neste caso, sou
obrigado a voltar a falar dos samaritanos de nossa época, pessoas que são
desprezadas por não estarem dentro de uma igreja batista ou qualquer outra
histórica. Um somente tem voltado para dar Glória a Jesus, um somente é
sensível o bastante para retornar a Cristo para dar-lhe louvor e honra. Jesus
quer mais do que uma simples oferta no domingo no Templo, Ele quer que
ofereçamos nossa vida e tudo o que temos.
A Lepra faz com
que a sensibilidade da pele se vá, e a sujeira em nosso coração permite que a
falta de sensibilidade espiritual também chegue. Além disso, a lepra faz com
que o doente se acomode, já que no início nem percebe, mas quando tudo está
tomado, daí vem o desespero. Assim é com a nossa vida espiritual, quando já não
conseguimos mais, daí recorremos a Jesus, pois Ele pode nos curar. Isso é
verdade, mas Ele nos adverte que choremos, que sejamos mais do que felizes.
Seja mais do
que feliz e volte a ter sensibilidade espiritual.
Estenda a mão
ao enfermo, ao pobre, ao necessitado. Anuncie o Evangelho a tempo e a fora de
tempo. Busque a presença de Deus! Não deixe para depois, volte-se para Jesus
agora! Seja purificado, se esse é o caso, mas perceba que Jesus já te limpou na
cruz e um dia você já foi limpo de uma vez por todas.
Volte a se
sentir santo, Volte ao convívio dos santos e Volte a sentir a presença de Deus!
Conclusão
Jesus curou
muitas pessoas, mas uma das curas mais especiais é justamente a da Lepra, pois
atingia em cheio o preconceito dos judeus, mas também transformava
poderosamente todo o contexto da vida do curado. Jesus Curou-nos dos nossos
pecados, problema muito maior do que qualquer outro, pois este nos afastava de
Deus para sempre. Agora nossa cura deve produzir muitos frutos, e como diz João
Batista, frutos de arrependimento, aquilo que mostra a todos que somos filhos
amados do Pai. Sejamos todos plenamente curados e ativos no Reino, pois foi
para isso que Cristo nos limpou por completo, Corpo, Alma e Espírito.

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