terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Teu Reino Venha Com Poder!

O Teu Reino Venha Com Poder!
Ele lhes disse: “Quando vocês orarem, digam:
“Pai! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.
(Lc 11.2)



TEXTO:  Atos 2.14-21

14Então Pedro levantou-se com os Onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão: “Homens da Judeia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar isto! Ouçam com atenção: 15estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove horas da manhã! 16Ao contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel: 17“Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. 18Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. 19Mostrarei maravilhas em cima, no céu, e sinais em baixo, na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça. 20O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. 21E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!”

INTRODUÇÃO

Devemos nos dedicar ao estudo do Livro de Atos como Igreja, pois deste livro podemos tirar o método de crescimento estritamente bíblico, conseguimos verificar o modus operandi recomendado para nós pelo próprio Jesus (Atos 1.8), além de percebermos qual é o estilo de vida que devemos levar nesta terra (At 2.42-47; At 4.32-37). A Igreja de Atos nos leva a entender que somos sujeitos ao pecado, mas somos o povo santo (At 2.38,39; 10.43), somos sujeitos ao mundo natural por causa de nossa natureza, mas somos servos de Deus e senhoreados por Ele (At.11.26; 17.28). Se Cristo é o nosso Senhor, então devemos voltar à origem da sua Igreja e sermos de fato guiados por Ele. 

Voltar à origem nem sempre é tão fácil, pois estamos tão acostumados com nossos paradigmas, que nos desvencilhar deles pode ser traumático devido aos costumes repassados de geração em geração.

A Igreja de Cristo na face da terra tem experimentado um tempo de ceticismo, misturado com as mais horrendas heresias e aberrações que poderíamos experimentar, e isso tem deixado a Igreja tão cega quanto surda para o verdadeiro agir de Deus. A Igreja de Atos estava provando de algo novo, mesmo que com seus paradigmas à flor da pele, tinha no coração as palavras de Jesus em João 16.12-15:

12— Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não poderiam suportar isso agora. 13Porém, quando o Espírito da verdade vier, ele ensinará toda a verdade a vocês. O Espírito não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouviu e anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer. 14Ele vai ficar sabendo o que tenho para dizer, e dirá a vocês, e assim ele trará glória para mim. 15Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso eu disse que o Espírito vai ficar sabendo o que eu lhe disser e vai anunciar a vocês.

As palavras de Jesus sempre nos dão conforto, por isso precisamos estar com os ouvidos atentos para o que Ele tem a nos dizer, neste caso, a Igreja de Atos estava a todo ouvidos. Assim deve ser nossa vida como igreja hoje, atentos ao que o Senhor quer nos falar, além de estarmos atentos ao caminho revelado que devemos seguir, pois isso é de fato o Reino de Deus, quando Ele faz a sua vontade, assim na terra como é feito no céu.

O Reino de Deus estabelecido na terra é a Igreja de Cristo, assim, devemos obedecer em tudo a Cristo, o Senhor e Rei deste reino eterno. Basta seguirmos o caminho que devemos, assim é que fazemos a sua vontade. Mas devemos sempre nos lembrar: Não estamos só, temos um Consolador, alguém que não somente nos consola de forma passiva, mas nos leva direto para o Pai, para os braços de Jesus, mas para isso, devemos estar atentos ao que Ele quer nos mostrar.

O Reino de Deus virá com poder através da sua Igreja, mas isso não é mérito nosso, é agir do seu Espírito nas nossas vidas, neste caso, devemos somente estar prontos para isso, deixando que o trabalho pesado seja feito por quem de direito, não que devamos somente esperar, mas devemos buscar essa atuação em nós, assim como fizeram os primeiros discípulos (At 1.4,5). Vemos que a postura dos apóstolos e dos aproximadamente 120 discípulos, estavam unânimes em oração, obedeceram a Jesus e aguardaram o revestimento do Espírito Santo, mas sua atitude passiva num primeiro momento não anulou a atuação prática e ativa após a descida do Espírito Santo.

Buscar pelo revestimento de poder de Deus não é o mesmo que aguardar de forma imóvel, inerte, mas orar e clamar pela descida do próprio Deus para nos encher e assim podermos fazer aquilo que Ele requer de nós.

Hoje, se estivermos com nosso coração aberto, ouviremos o que o Espírito quer nos levar a fazer e para que o Reino de Deus venha através de nós.

Desenvolvimento

Necessário falar sobre o evento que culmina com o derramar do Espírito Santo sobre todas as pessoas. Tratava-se da festa de Pentecostes, ou como diria o Antigo Testamento, Festa da sega, ou da colheita, do hebraico hag haqasir, mas também era conhecida como festa das semanas hag haqasir (Ex 34.22; Nm 28.26; Dt 16.10).

A festa de Pentecostes era uma ordenança de Deus ao seu Povo para consagrar a Ele os primeiros frutos da terra, como oferta de agradecimento por uma colheita abençoada. Era conhecida por festa das semanas por se tratar de um evento sete semanas, ou 50 dias após a Páscoa, daí o nome de pentecostes do grego (cinquenta dias), pois a Lei tinha sido traduzida para o grego no século II a.C, então era a tradução que muitos judeus conheciam, pois viviam em lugares de fala grega, já que os gregos tornaram o seu império helênico (cultura, religião e tradição grega) uma hegemonia para todas as nações conquistadas no ano de 331 a.C.

Agora, pensando em termos espirituais / proféticos, as festividades de pentecostes apontavam justamente para o evento de Atos 2, pois de todas as nações numa circunferência de cerca de 400 km, muitas pessoas ouviram falar do Evangelho em sua própria língua mãe, e então retornaram para suas casas como evangelistas e missionários. Veja que o Senhor Jesus diversas vezes nos faz pensar em Reino de Deus como uma plantação (Mt 15.13; Mt 13.1-43; Mt 20.1-16; Mc 12.1-12; Mc 4.26-29; Lc 13.5-9; Jo 4.35-38; Jo 15.1-16). No caso de Atos 2, vemos uma grande colheita para o Reino de Deus, e isso se trata das primícias, a primeira parte de uma grande colheita, pois cada crente de Atos era um ministro, e na primeira colheita, uma grande festa, vemos cerca de 3.000 pessoas sendo colhidos e apresentados diante de Deus (Atos 2.41).

Deus deseja fazer uma grande colheita para seu Reino nos nossos dias, mas precisamos de algumas coisas especiais, algo que não conseguimos se não dermos os passos a seguir.

Então, que o Teu Reino Venha!

Através da disposição dos servos de Deus (vs.1; 18).

Vemos uma disposição muito boa dos primeiros discípulos de Jesus, pois mesmo que a perseguição tenha sido uma realidade logo no começo, todos eles estavam se reunindo regularmente, como vemos em Atos 1.14, agora em Atos 2.1, vemos que se encontravam novamente todos reunidos.

A Igreja apostólica daqueles dias, era uma igreja coesa, constante e mais do que tudo, obediente a Jesus. Vemos que todos se reuniam em oração, mas também vemos que sua disposição em estar junta e unânime era um dos fatores que garantia o sucesso.

Aguardar a promessa nem sempre é fácil. Lembro-me da história de um Irmão, um querido amigo. Logo na sua mocidade ele entregou sua vida a Jesus e muitas coisas começaram a ficar difíceis, como a perseguição por não querer fazer as mesmas coisas que um jovem faz normalmente, mas que desagrada a Deus. Tempo se passou, e alguns dos seus familiares também entregaram a vida ao Senhor Jesus, sua mãe, era um deles. A mãe daquele amado irmão orou durante 40 anos por seu marido, que finalmente aos cerca de 80 anos de idade entregou-se também ao Senhor Jesus. Perseverar na promessa é um desafio para todos nós, mas para os primeiros cristãos ainda era maior, pois corriam o risco de vida, e se a perdessem, também não veriam a promessa do Espírito Santo, mas Ele chegou, bem mais rápido do que 40 anos, foram apenas 10 dias a partir da ascensão de Cristo.

Precisamos perseverar como igreja, tal qual o nosso exemplo, a jovem igreja de Atos. Todos estavam reunidos quando do céu veio o cumprimento da promessa. Devemos aguardar o Poder de Deus, a mão do Senhor a nos guiar, a nos dar a direção, mas para isso precisamos estar prontos, disponíveis para o Eterno.

Penso muitas vezes em Pedro, Tiago e todos os apóstolos, sem contar nos demais. Pedro e seus companheiros, por exemplo, tinham uma empresa de pesca, mas abandonaram tudo para seguir a promessa. Quando olhamos para Lucas 24.13-35, vemos dois que estavam escapulindo por um caminho que, a princípio parecia de fuga, pois não era o da Galileia, muito menos das redondezas de Jerusalém, mas indo ao sul, porém Jesus os alcança e os torna à disposição do Reino.

Muitas vezes escapamos assustados por caminhos que não devemos, mas Jesus está pronto para nos levar de volta ao cenáculo. Cenáculo é o local em que os discípulos de Jesus estavam quando desceu sobre eles o Espírito Santo, e muitos afirmam que era justamente o lugar em que os discípulos se refugiaram, desde a crucificação, mas também o cenário da ceia de páscoa (Lc 22.7-38). Podemos espiritualizar algumas coisas aqui que não comprometem a interpretação bíblica.

Jesus nos chama a nos unirmos como igreja em oração, em espera. Estamos convidados então, a entrar no cenáculo não apenas com os discípulos, mas com o próprio Mestre. Nosso propósito deve ser a união para que por meio da oração sejamos cheios do Espírito Santo, pois sozinhos nada poderemos fazer (Jo 15.8).

O maior benefício que o Espírito Santo pode promover na Igreja é justamente o que vemos em João 16.8-15:

8Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. 9Do pecado, porque os homens não creem em mim; 10da justiça, porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais; 11e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está condenado.
12“Tenho ainda muito que dizer, mas vocês não o podem suportar agora. 13Mas, quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e anunciará a vocês o que está por vir. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês. 15Tudo o que pertence ao Pai é meu. Por isso eu disse que o Espírito receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.

Quando estamos cheios do Espírito Santo, somos capazes de fazer como Pedro, anunciar vigorosamente, explosivamente e de forma contundente a mensagem da Cruz, pois é esta a função Dele, apontar para Jesus, dando-lhe a Glória (Jo 16.13,14). Precisamos estar dispostos como Pedro, e ao abrirmos nossa boca, o Espírito Santo nos usará (Sl 81.10; Ez 29.21).


Precisamos de Poder, essa foi a observação de Jesus (At 1.8). O Mestre falava sobre a forma em que o Espírito Santo agiria em nosso meio. Poder no original grego de Atos é dunamis ou dynamis (em grego antigo, δυναμις, 'poder', 'força') tem o sentido de energia constante. É a raiz das palavras "dinâmica", "dinamite" e "dínamo", por exemplo. O que quer dizer que ter a atuação do Espírito Santo é ter energia o suficiente para alguma coisa, mas não somente isso, significa que teremos habilidade necessária de forma explosiva, maciça e poderosa, como é originalmente a palavra nas Escrituras.

Se tentamos convencer alguém, dificilmente o conseguimos se não estivermos muito habituados com aquilo que queremos, como no caso de uma venda. Para vender, precisamos  conhecer muito de um produto e isso me lembra que precisei comprar um equipamento eletrônico recentemente, ao que a vendedora queria me “empurrar” um de uma marca famosa, daí começou a falar um monte de bobagens, como que aquela marca tinha 50 anos de tradição, mas como eu conhecia do produto, disse a ela: Querida, todos os componentes de todas as marcas que estão nesta estante são fabricados na china e tem exatamente as mesmas dimensões, então chegam no brasil onde recebem tão somente a marca. Daí ela apelou: Mas desta marca a garantia é de 1 ano, mas dos demais é de seis meses, ao que lembrei das leis de nosso país, que dizem que qualquer equipamento eletrônico tem garantia de 1 ano.

A discussão com aquela mulher acabou, pois conhecia mais do que ela, então não conseguiu me convencer. Ao sair daquele corredor, ouvi o gerente dizer para Ela: E daí, bateu a meta em vender a marca X? Bem, mesmo com metas, se uma pessoa não conhece do produto, dificilmente convence.

Com a mensagem do Evangelho é diferente, pois ainda que conheçamos muito deste assunto, se não tivermos o poder, a propulsão, a força, o dynamis do Espírito, será apenas um blá blá blá. Isso não quer dizer que não precisemos estudar as Escrituras, pois o conhecimento bíblico é para garantir a própria  vida aos pés de Jesus, quanto a dos outros, preciso colocar nas mãos Dele, reconhecendo que é o Espírito Santo quem garante o convencimento.

Algo muito interessante quando vemos a promessa de Joel 2.28,29, citado pelo apóstolo Pedro, é o fato de que com a atuação do Espírito Santo, todos podem ser usados, sem preconceitos de três tipos, algo que era um paradigma para os judeus e infelizmente continua sendo hoje: a) Preconceito sexual (filhos e filhas), homens e mulheres podem ser usados pelo Espírito Santo a fim de proclamação, por tanto, não pense que você é menor por causa de ser homem ou mulher, Deus quer te usar; b) Preconceito etário (jovens e Velhos) – Aqui encontramos um paradigma muito grande também, pois para os judeus, um homem somente poderia se tornar Rabino, de acordo com a tradição, após completar 30 anos, por isso, Jesus iniciou seu ministério com aproximadamente esta idade. Agora, com o agir sobrenatural do Espírito Santo, não importa se é uma criança ou um idoso, ambos terão credibilidade ao serem usados pelo Todo Poderoso, pois sua mensagem será poderosa em seus lábios; c) Preconceito social (servos e servas) – Todas as culturas do mundo tinham o servo como alguém que nem ao menos poderia se pronunciar, mas ao descer do Espírito Santo, todos são capazes de anunciar a mensagem de forma poderosa, pois independente de status social, Deus usa a pessoa, e a isso devemos crer: Jesus usa o Pobre ou o rico, ao que vemos um exemplo muito interessante nas Escrituras, o de Onésimo, um escravo que Paulo chama de companheiro de ministério, mas devolve ao senhor Filemom (Fl). Haviam muitos escravos mais no Reino de Deus, tanto que o apóstolo Paulo os adverte que sejam obedientes com ao Senhor (1Co 12.13; 6.5-9). Se sou pobre, se sou rico, que eu sirva a Deus e proclame a sua vontade no Poder do Espírito Santo.

Não somos nós, assim como não eram os apóstolos ou discípulos do primeiro século, capazes em si, mas somente através do Poder do Espírito Santo que a terra conhecerá a glória de Deus. Somente através do Poder do Espírito Santo podemos ganhar, convencer e alcançar. Nossa vida somente pode ter sentido com a atuação do Espírito Santo, o Poder de Deus.

Conclusão


Se queremos ser uma igreja que impactante em todos os sentidos de nossa existência, então somente conseguiremos com a atuação do Espírito Santo. O Poder de Deus é o que deve mover nossa união, nossa devoção e nossa atuação neste mundo, assim é que se estabelece o Reino de Deus.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Teu Reino Venha Enquanto Oramos!

O Teu Reino Venha Enquanto Oramos!
Ele lhes disse: “Quando vocês orarem, digam:
“Pai! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.
(Lc 11.2)


TEXTO:  Atos 1.14

Todos eles se reuniam sempre em oração com as mulheres, inclusive Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.

INTRODUÇÃO

Cada dia que passa, menos credibilidade tem a igreja de Jesus, pois ela está tão infiltrada de apostasia, heresias e bestialidades, que os verdadeiros servos de Jesus acabam sendo apagados diante do mundo. Existe um remédio para isso, a oração. Aliás, a oração é o remédio para tudo o que se passa no mundo, seja a política corrupta, a doença e até satanás, tudo pode ser derrubado pelo poder que há na oração.

Oração, vem da palavra latina “parlare” que também dá origem a palavra “orare”, e significa literalmente falar. Somente há intimidade entre duas pessoas se elas conversam, se de alguma forma se comunicam, assim é o relacionamento com a pessoa divina, ninguém poderá conhecer a Deus verdadeiramente se não fala com Ele. A oração é tão importante para o ser humano, que o Senhor nos ensinou a orar, não somente como uma repetição de uma formula religiosa, mas de forma prática. O Mestre ensinou seus discípulos, ou seja, vemos em vários momentos o Senhor Jesus orando nos Evangelhos, ao que os discípulos observavam, ao ponto de os Evangelistas relatarem isso (Mt 14.19; 19.13-15; 26.36-45; Mc 1.35; 6.46; Lc 3.21; 5.16, 6.12; 9.28; 11.1; Jo 17). Se Jesus orava com o intuito dos discípulos observarem, é porque queria também ensinar de forma prática, não somente teórica.

Jesus continua a querer a nos ensinar muitas coisas, pois quem o segue deve ser chamado de discípulo dele. Uma das coisas que mais tem anseio em nos ensinar é justamente a vida de oração. Como igreja, temos negligenciado a oração, pois mesmo que os evangélicos, nosso caso, tenham abolido a prática de repetição de formulas religiosas conhecidas por rezas, e daí o nome rezar, do latim “recitare”, que quer dizer declamar, ou o mesmo que ler em alto e bom tom, temos repetido as orações de forma mecânica somente nos momentos de comer ou dormir, assim muitos cristãos tem feito como a criança que sempre faz a mesma oração: Papai do céu, abençoa este alimento, amém!

Quando lemos o princípio da Igreja de Cristo, vemos que era um hábito comum a oração, em especial aquela em que os crentes se reuniam para conversar com Deus, perfazendo um momento diário, comum em toda a Igreja sobre a Terra (Atos 2.42; 3.1; 4.24). Mas isso não anulava uma vida de oração especial, aquela que o nosso Senhor nos disse que fizéssemos, e não me refiro ao Pai nosso, mas a sós com Deus, um momento individual de intimidade (Mt 6.6).

Oração deve ser um momento de intimidade, seja quando nos reunimos isoladamente, eu e Deus, ou nós e Ele. Quando buscamos a face de Deus em oração, temos uma promessa de sermos respondidos (Mt 7.7), seja com um “sim”, “não”, ou na maioria das vezes, um “espere”, ainda não é o tempo. Muitos de nós desistimos de orar por não sermos respondidos a tempo, ou pensamos que o tempo certo é o nosso. Deus é soberano, por isso, devemos entender que ainda que não faça conforme nossa vontade, muitas das vezes, não quer dizer que devemos deixar de orar. Orar perseverantemente é o segredo de sentir a paz de Deus, seja com a reposta que queremos ou a que Ele quer e nós não (Mt 7.7-12).


Hoje Deus nos mostrará o maior segredo da expansão do seu Reino, a oração.

Desenvolvimento

1 - ORE COMO JESUS, INDIVIDUALMENTE

Na oração do Pai Nosso vemos alguns valores importantes da oração, não que essa oração sirva para ser repetida como fazem alguns cristãos, em especial os católicos, mas que serve de inspiração, um modelo a ser seguido enquanto nos conectamos com Deus.

Pai Nosso, que estás nos Céus,
Santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu Reino.
Seja Feita a Sua vontade,
Tanto na terra como no céu.

O Pão Nosso de cada dia dá-nos hoje.
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal;

Porque teu é o Reino, e o Poder e a Glória para Sempre. Amém! Mateus 6.9-13 (ARC)

Vamos estudar então esta oração e os segredos embutidos nela, assim como deve ser nosso momento a sós com Deus nas nossas próprias palavras.

Na Oração do Pai Nosso percebemos três momentos distintos num mesmo momento conversa com Deus, ao que nos serve de modelo para nortear nossas orações diárias, sejam eles:

a)  A invocação na Adoração e reconhecimento da paternidade divina. Neste momento o Senhor Jesus nos ensina que devemos Clamar ao nosso Deus pelo seu nome, pela forma que o chamamos. Jesus chamava Deus de Pai, mas não como citamos a palavra pai como num momento qualquer, mas com uma forma carinhosa, paizinho, papai. Esse era o tratamento de Jesus ao orar, muito diferente dos fariseus, que ao orarem, faziam a distância entre os homens e Deus crescer ainda mais, com longas orações encorpadas com palavras difíceis e elaboradas (Mt 23.14). Jesus chamava Deus de “papai” para enfatizar a proximidade que temos do Senhor, e nossa oração deve ser assim e denotar nossa proximidade.
Além da invocação, devemos nos lembrar da adoração, pois quando o Senhor Jesus chama Deus de pai, o aproxima de nós, mas ao dizer que Ele é Santo, e que permaneça nesta posição, nos dá a real impressão de que ainda que próximo, continua sendo Deus exaltado, mais do que isso, habita os céus, onde somente pode ser adorado, mas não visto, não tocado, está apartado de toda a maldade e nossos pecados. Quando orarem, façam assim, essa é a recomendação de Jesus, oremos reconhecendo que Deus é o nosso Painho, como diriam os baianos, paizinho, papai, ou paizão, mas não nos esqueçamos que é Deus Santo.

b)  As petições. Jesus pede algumas coisas na sua oração modelo: 1 - Venha o teu reino - momento em que o Senhor pede que a sua nova ordem se estabeleça, pois o Reino de Deus é o domínio do Senhor através de seu Povo na terra. Pedir para que o reino de Deus se estabeleça, é o mesmo que clamar que a paz impere, a cura aconteça, a justiça resplandeça e tudo o que Deus tem para manifestar entre os homens seja uma realidade; 2 – Seja Feita a tua vontade na terra como no céu – O Senhor pede que tudo o que ocorre na terra seja o espelho daquilo que acontece no céu, não é um reforço de ideia, mas que não somente o Reino se estabeleça, mas que tudo o que ocorre neste universo, seja como realmente Deus planejou. Aqui pode acontecer algum equívoco de interpretação, quanto a soberania divina, mas entendamos que é como se Deus fizesse a sua vontade sempre, mas nossa intromissão faz com que não percebamos isso, nesse caso, pensamos ter atrapalhado a vontade divina, mas na verdade somente não reconhecemos que não somos capazes disso, então, nossa postura deve ser de aceitação da vontade de Deus. Pedir para que Deus faça sua vontade é o mesmo que se submeter, então o pedido que devemos fazer não é realmente que deus faça o que Ele quer, mas que nós possamos entender e nos submeter. 3 – O Pão nosso de cada dia nos dai hoje -  muito interessante entender que o que o Mestre pede nesta hora não é fartura, mas algo que vai explicar mais detalhadamente ao longo do capítulo 6 de Mateus, ou seja, a provisão das necessidades, neste caso, cabe ressaltar que é justamente o conceito mais bíblico de prosperidade. Prosperidade é ter o necessário, não ter a fartura. Necessário é ter para si e para compartilhar, e Jesus faz um pedido simples que compreende exatamente esse conceito. Peçamos para o Senhor suprir nossas necessidades diariamente, não para uma vida, não para o esbanjar, mas aquilo que precisamos a cada dia. 4 – Perdoai as nossas dívidas– Aqui encontramos um outro conceito muito importante que muitas vezes deixamos de lado, pois Jesus utiliza a sua oração para reconhecer mais uma vez que pecamos, somos pecadores, mas nossa confissão e arrependimento está condicionada ao perdão que liberamos aos outros. Jesus está novamente pedindo que Deus não somente nos faça algo, mas revele sua vontade a nós no sentido de nos fazer cumpridores. 5 – Não nos deixes cair em tentação – Revela a necessidade de sermos livrados nos dias maus, como se estivéssemos nesse mundo caminhando em uma corda bamba, mas pelo poder do nosso Deus, somos guiados na retidão, mesmo que suscetíveis à queda. Livrar do mal, é que mesmo que as tentações nos intimidem a cair, somos então encorajados por Deus a manter-nos longe da manifestação alguma de satanás, seja na tentação ou na atuação direta, já que mal, neste texto, significa influência direta do diabo.

c)   Exaltação e reconhecimento da soberania divina – pois teu é o reino, o Poder e a glória para sempre. Neste momento o Senhor Jesus nos leva a reconhecer que acima de qualquer pedido que façamos, Deus é quem decide, dá a última palavra. A soberania de Deus é revelada através da vida de Jesus, e mesmo que na sua oração de agonia, pedisse ao Pai que lhe livrasse do pior dos seus momentos, coloca a sua vontade submissa a Deus, dizendo, mas seja feita a tua vontade, não a minha (Lc 22.42). Quando oramos devemos ter a mesma postura do Mestre, então não fazemos como alguns, que ao invés de pedir direção e manifestação divina, exigem, determinam que Deus faça. A Oração correta diz que Deus é Soberano, e caso seja da sua vontade, faz o que pedimos.

Entendendo o modelo de oração que Jesus nos deixou, nosso momento com Deus deve conter sempre:  Adoração, Pedidos, Confissão e Arrependimento e Exaltação e reconhecimento da Autoridade e Soberania divina.

2 – ORE COMO OS DISCÍPULOS, NA COLETIVIDADE. 

A Oração no Livro de Atos é uma constante, não um momento, mas tudo o que ocorria dependia da vida de oração que os discípulos tinham. Percebemos na versão Revista e Corrigida uma peculiaridade que nos garante, não somente a comunhão durante a oração, mas a perseverança. “Todos perseveravam unânimes em oração...”(At 1.14; 4.32).

Perseverar em oração é diferente de orar por um momento como igreja, é algo bem comum na igreja contemporânea, quando uma dificuldade vem se abater, então lançamos campanha, jejuamos, até nos ajoelhamos, mas se está tudo bem, então não há necessidade. A Igreja de Atos não pensava nas dificuldades, pois estavam sempre em oração perseverante.

Todos os avivamentos na história da Igreja foram precedidos de muita oração perseverante, inclusive o que ocorreu a partir de Atos 2. Dentre todos os avivamentos, jamais a Igreja provou um avivamento como o dos primeiros 100 anos. Mas isso é a aplicação do ensino de Jesus quanto a oração. Devemos voltar à vida de oração conjunta, sendo nas tribulações ou em tempo de paz. Nossa vida de oração quanto Igreja deve ser uma solida rocha sobre a qual está alicerçada todas as nossas investidas e derramar de Deus.

Como cita o Reverendo Hernandes dias Lopes, em seu comentário bíblico do livro de Atos, fazendo menção a Warren Wierbe, os cristãos do primeiro século oravam em todos os momentos, como parte do seu dia a dia (At 2.42-47; 3.1; 6.4), seja pedindo orientação para uma decisão (At 1.15-26); coragem para testemunhar (4.23-31), isso somente citando alguns exemplos, mas se verificarmos, não passa uma página do livro sem percebermos a oração como parte do cotidiano dos discípulos de Jesus. Oh que vitória teríamos se voltássemos à vida de oração coletiva.

“A vida de oração da igreja é um escudo para a alma, um sacrifício para Deus e um flagelo para Satanás” (Warren Wiersbe, comentário bíblico expositivo).

Se queremos ter uma atividade cristã, seja o tamanho que tiver, somente faremos com o poder do Espírito Santo, e isso não conseguimos com muito trabalho, não com vontade ou qualquer outra força humana, mas pela dedicação à oração. Aquilo que não conseguimos fazer, Deus faz.

A vida de oração da Igreja, precisa melhorar, e sempre falo nos sermões que falo para a Igreja de Cristo, não somente para nossa, mas vejo que devo falar para nós hoje, quando encerramos os cultos de orações nas quartas feiras, muitas pessoas não gostaram, mas incrível ver que era o culto em que contávamos com pouquíssimos irmãos, agora, quando temos uma reunião de meia ora aos domingos pela manhã, temos ainda menos pessoas envolvidas, e o pior é que as desculpas são as mais variadas e menos convincentes.

Jesus quer fazer muito por nós, assim como tem feito na Coreia do Sul, onde uma Igreja Batista conta com mais de 200.000 membros, e outras comunidades tantas tem crescido com números exponenciais, ou seja, Jesus transformando e convertendo vidas. O segredo dessas igrejas está na oração, pois contam com reuniões diárias com mais de 2000 pessoas das 6 às 9 horas da manhã e aos domingos com mais de 40.000 pessoas no mesmo horário. Igreja que ora tem a resposta de Deus.

Vivamos então uma vida de oração a sós com Deus, mas não deixemos de nos reunir em oração e comunhão como igreja.

Conclusão


O sucesso da vida de uma igreja está intimamente ligada à sua vida de oração. Se queremos o agir de Deus em nossas vidas e na Igreja, devemos nos dedicar à oração, casso contrário estamos fadados ao fracasso. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O Teu Reino Venha!

O Teu Reino Venha!
Ele lhes disse: “Quando vocês orarem, digam:
“Pai! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.
(Lc 11.2)
  
Série de mensagens a respeito em que vamos reviver os passos da Igreja de Atos o estabelecimento do Reino de Deus através da Verdadeira Igreja de Cristo.

Textos: Atos 1.1-11

1Em meu livro anterior, Teófilo, escrevi a respeito de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar, 2até o dia em que foi elevado aos céus, depois de ter dado instruções por meio do Espírito Santo aos apóstolos que havia escolhido. 3Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias falando-lhes acerca do Reino de Deus. 4Certa ocasião, enquanto comia com eles, deu-lhes esta ordem: “Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual falei a vocês. 5Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo”.
6Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?”
7Ele lhes respondeu: “Não compete a vocês saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. 8Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”.
9Tendo dito isso, foi elevado às alturas enquanto eles olhavam, e uma nuvem o encobriu da vista deles. 10E eles ficaram com os olhos fixos no céu enquanto ele subia. De repente surgiram diante deles dois homens vestidos de branco, 11que lhes disseram: “Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado aos céus, voltará da mesma forma como o viram subir”.

          Introdução

Hoje começamos uma incursão ao livro de Atos. O Livro é o único histórico ou de registro no Novo Testamento, e embora os quatro Evangelhos tragam em si muito da história de Jesus, são classificados como Evangelhos porque seu objetivo não é fazer um registro histórico ou historiográfico, mas a boa notícia a respeito do Messias.

O Livro de Atos dos Apóstolos é um livro que registra os primeiros passos, os primórdios da Igreja de Cristo, desde sua Ascensão aos Céus até a morte de alguns dos primeiros mártires cristãos e a expansão do Evangelho de Cristo pela Ásia e Europa. Muitos teólogos dizem que o livro deveria se chamar Atos do Espírito Santo, pois é o registro das manifestações do Espírito Santo sobre toda a carne, assim como explica o Apóstolo Pedro em Atos 2.16-21.

Uma das marcas do Livro de Atos é o Reino de Deus, por isso esta Série de mensagens tem como título “O Teu Reino Venha”. O Reino de Deus começa a se estabelecer com o Senhor Jesus em seu ministério terreno, tanto que, em Mateus 4.17, o Mestre diz que é chegado o Reino. Mas agora, através dos discípulos, o Reino se expande, chega não somente ao povo que reconhecidamente era a nação escolhida de Deus, mas o próprio Espírito Santo decide que os de fora também poderão fazer parte do seu Reino (Mt 21.43; At 10.34,35), além disso vemos o Senhor Jesus falando sobre a conquista dos povos pagãos quando fala, por exemplo da festa de casamento no Livro de Mateus capítulo 22. 1-14. Nesta parábola, Jesus nos mostra que o Reino de Deus será aberto àqueles que menos esperamos, assim também aconteceu com os judeus, que criam que o Reino Messiânico seria somente para eles mesmos, e muitos de nós continuamos pensando que o Reino de Deus pertence exclusivamente à Igreja e será para sempre assim, mas Deus quer levar seu Reino até os lugares mais distantes e improváveis, como aliás, Ele sempre fez.

A Partir de hoje começaremos a ouvir a voz do Espírito Santo a nos dizer como Ele quer que sejamos Igreja. Não somente isso, mas verdadeiramente como quer que sejamos o Reino de Deus estabelecido onde quer que estejamos. 


O Reino de Deus não é como os reinos humanos, pois não tem uma delimitação física, não pertence a uma raça e não é formado por uma corte pomposa e cheia de adornos, mas tem um Rei que está sobre todo o nome (Fl 2.10); tem súditos espalhados por todas as partes do mundo (Ap 7.9) e o poder é compartilhado com todos os súditos, aos quais, o Rei tornou também reis e sacerdotes lhes cedendo também autoridade (Lc 10.17-20; 1Pe 2.9,10). A Igreja de Cristo é a única forma de reino assumida nas Escrituras, não tendo outra manifestação, ao que entendemos que o Reino é composto de todos os discípulos de Jesus, de todas as eras, épocas e localidades.

Há uma dualidade do Reino de Deus, devemos entender isso como discípulos de Jesus. Primeiramente o “Reino do já”, depois o do “Ainda não”.


1 – O REINO DE DEUS É CHEGADO

Reino do já, é o Reino de Deus já manifesto entre nós desde o ministério de Jesus, já que vemos em muitos momentos o Senhor dizendo que o Reino de Deus já chegou e está entre nós (Mc 1.15; Mt 4.17; Mt 12.28). Neste caso, o Reino de Deus encontra-se onde cada servo, discípulo de Jesus se encontra, pois certamente este se manifesta através da pessoa que o serve. Jesus inaugurou o Reino de Deus ao fazer os milagres, ao estabelecer a sua glória entre os homens, pois essa era a missão do Messias, sua função não era estabelecer um reino humano, ao que os discípulos perguntam: “Senhor, é neste tempo que vais reestabelecer o reino a Israel?” (At 1.6)

Os judeus esperavam um reino estabelecido, semelhante ao reino de Davi, o maior conquistador de Israel, e seu maior rei. Jesus, o Filho de Davi, na verdade veio estabelecer o Reino de Deus, não o de Israel, já que é muito maior, deve tomar toda a terra, já que a palavra de Deus nos garante que o conhecimento da glória de nosso Deus seria percebido por toda a terra, assim como as águas cobrem o mar (Hc 2.14). Um reino humano pode ser temido pelos povos, mas o Reino de Deus deve ser reconhecido pela presença marcante do Deus Todo Poderoso, por isso Reino de Deus, pois ainda que todos os verdadeiros discípulos de Jesus são reis e sacerdotes, o Grande Rei é o Deus todo Poderoso. O Salmo 24 nos mostra quem é o Rei por excelência, o Criador do Universo (Jo 1), o Rei da Glória, e isso se cumpre com o Senhor Jesus, quando adentra as portas de Jerusalém, todos se dobram ao Rei da glória e os portais antigos são abertos para Ele passar (Jo 12.13-16 / Zc 9.9).

O Reino de Deus foi inaugurado por Jesus, mas continuado pelo seu Corpo, ou seja, a Igreja Verdadeira. Igreja Verdadeira é aquela que vive segundo a vontade do Rei, é aquela formada pelo conjunto de Reis sacerdotais. Atualmente, mais do que nunca temos uma dificuldade com a terminologia Igreja, pois o nome, que era tão lindo, quando pensado e externado por Jesus, agora é relacionado com o “mercado da fé”. A Igreja denominada por muito tempo por “igreja oficial”, ou seja, a Igreja Católica Apostólica Romana infelizmente deturpou-se nos anos 300 da era cristã, e na idade média corrompeu toda a teologia, toda a religiosidade verdadeira com adereços, assim como cobranças por perdão dos pecados, cobrança pelo batismo e os demais sacramentos, algo que é feito até os dias atuais, então não adianta falarem dos neo pentecostais, que vendem a fé da mesma forma, pois estes somente repetem aquilo que aprenderam ao longo da história.

Os protestantes, ou os Evangélicos históricos, não representam também o Reino de Deus, pois vivem enfurnados em suas igrejas, não fazem a vontade de Deus, que é a proclamação por todos os discípulos, e aquilo que fazia parte da confissão de todas as igrejas advindas da reforma, cada crente é um sacerdote, na verdade ficou no papel, pois muitos continuam sentados nos bancos dos templos, vivendo a mediocridade da fé. Falo como batista que sou por opção e com orgulho, nossas igrejas têm sido enfraquecidas pelo comodismo espiritual, e isso não é privilegio nosso, mas de muitas outras denominações.

Vendo o cenário das denominações cristãs ao longo do mundo e da história, vemos que o Reino não é representado então por elas, algo que assusta muito, pois então é melhor não ir mais a igreja. Mas há uma consolação, podemos ser Igreja de Cristo, o Reino de Deus e sua manifestação mesmo dentro das denominações, visto que se fazemos mesmo parte do Reino de Deus, não importa o lugar, não importa a placa e não importa o tempo, pois Deus nos chama a realizar, viver e proclamar o seu Reino. Seja você também um rei e sacerdote, um súdito, um proclamador, um membro do reino, ainda que membro de denominação cristã.

2 – BREVE O REINO VEM

No “Reino do ainda não” estaremos com Jesus na eternidade, onde não haverá choro, dor, ou qualquer manifestação da maldade, assim, a esperança que vivemos é justamente a de que um dia nosso Senhor virá entre as nuvens do céu e nos levará para a direita de Deus, onde a plenitude do Reino de Deus será revelado (At 1.11).

O Reino do ainda não, na verdade é mais ou menos o entendimento dos teóricos da Antigo Testamento, já que eles acreditam num reino físico, o Céu, onde mora nosso Deus é um lugar, não físico como conhecemos, mas certamente o mais próximo que conseguimos chegar com nosso linguajar e mente humanos, é um lugar. Também imaginavam um reino de paz e prosperidade, ao que vemos no livro de Apocalipse a descrição:

Apocalipse 22.1-5
1Então o anjo me mostrou o rio da água da vida que, claro como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro, 2no meio da rua principal da cidade. De cada lado do rio estava a árvore da vida, que frutifica doze vezes por ano, uma por mês. As folhas da árvore servem para a cura das nações. 3Já não haverá maldição nenhuma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão. 4Eles verão a sua face, e o seu nome estará na testa deles. 5Não haverá mais noite. Eles não precisarão de luz de candeia nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles reinarão para todo o sempre.
6O anjo me disse: “Estas palavras são dignas de confiança e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.

O Reino do ainda não é na verdade aquilo que os discípulos de Jesus perguntam em Atos 1.6, e a resposta de Jesus é muito contundente e objetiva, mesmo que alguns descordem, mas Ele enfaticamente diz: Não é da conta de vocês, mas se preparem para serem cheios do Espírito Santo e fazerem meu Reino crescer agora (releitura minha de Atos 1.6,7). 

Ainda que precisemos ansiar pelo Reino do ainda não, o nosso objetivo é transformar a realidade aqui, muito parecida daquela que participaremos um dia. A realidade aqui deve ser de esperança, mas de proclamação daquilo que virá em plenitude, o Reino do Ainda não.

Mas qual é essa realidade? Talvez você me pergunte, e eu respondo com a Palavra de Deus novamente, pois não poderia eu mesmo com um vocabulário pobre representar, mas o Livro inspirado pelo próprio Rei da Glória diz:

Apocalipse 7.13-17:
13Então um dos anciãos me perguntou: “Quem são estes que estão vestidos de branco e de onde vieram?”
14Respondi: Senhor, tu o sabes.
E ele disse: “Estes são os que vieram da grande tribulação, que lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. 15Por isso,
“eles estão diante do trono de Deus
e o servem dia e noite em seu santuário;
e aquele que está assentado no trono
estenderá sobre eles o seu tabernáculo.
16Nunca mais terão fome,
nunca mais terão sede.
Não os afligirá o sol
nem qualquer calor abrasador,
17pois o Cordeiro que está no centro do trono
será o seu Pastor;
ele os guiará às fontes de água viva.
E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima”.

Conclusão

O Reino que precisamos pedir a Deus, como o Senhor Jesus nos ensinou, na verdade é o desta mensagem, tanto o de agora, como aquele que breve vem, por isso seja você também um sacerdote (isa) real, um súdito (a), um proclamador, tanto do Reino que já se faz presente, quanto do que virá.