O Teu Reino Venha Com Poder!
Ele
lhes disse: “Quando vocês orarem, digam:
“Pai!
Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.
(Lc
11.2)
TEXTO:
Atos 2.14-21
14Então Pedro
levantou-se com os Onze e, em alta voz, dirigiu-se à multidão: “Homens da
Judeia e todos os que vivem em Jerusalém, deixem-me explicar isto! Ouçam com
atenção: 15estes homens não estão bêbados, como vocês supõem. Ainda são nove
horas da manhã! 16Ao contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel: 17“Nos
últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os
seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos
terão sonhos. 18Sobre
os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. 19Mostrarei
maravilhas em cima, no céu, e sinais em baixo, na terra: sangue, fogo e nuvens
de fumaça. 20O sol se tornará em trevas e a lua em sangue, antes que venha o
grande e glorioso dia do Senhor. 21E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!”
INTRODUÇÃO
Devemos nos
dedicar ao estudo do Livro de Atos como Igreja, pois deste livro podemos tirar
o método de crescimento estritamente bíblico, conseguimos verificar o modus operandi recomendado para nós pelo
próprio Jesus (Atos 1.8), além de percebermos qual é o estilo de vida que
devemos levar nesta terra (At 2.42-47; At 4.32-37). A Igreja de Atos nos leva a
entender que somos sujeitos ao pecado, mas somos o povo santo (At 2.38,39;
10.43), somos sujeitos ao mundo natural por causa de nossa natureza, mas somos
servos de Deus e senhoreados por Ele (At.11.26; 17.28). Se Cristo é o nosso
Senhor, então devemos voltar à origem da sua Igreja e sermos de fato guiados por
Ele.
Voltar à origem
nem sempre é tão fácil, pois estamos tão acostumados com nossos paradigmas, que
nos desvencilhar deles pode ser traumático devido aos costumes repassados de
geração em geração.
A Igreja de
Cristo na face da terra tem experimentado um tempo de ceticismo, misturado com
as mais horrendas heresias e aberrações que poderíamos experimentar, e isso tem
deixado a Igreja tão cega quanto surda para o verdadeiro agir de Deus. A Igreja
de Atos estava provando de algo novo, mesmo que com seus paradigmas à flor da
pele, tinha no coração as palavras de Jesus em João 16.12-15:
12—
Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não poderiam suportar isso
agora. 13Porém, quando o Espírito da verdade vier, ele ensinará toda a verdade
a vocês. O Espírito não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que ouviu e
anunciará a vocês as coisas que estão para acontecer. 14Ele vai ficar sabendo o
que tenho para dizer, e dirá a vocês, e assim ele trará glória para mim. 15Tudo
o que o Pai tem é meu. Por isso eu disse que o Espírito vai ficar sabendo o que
eu lhe disser e vai anunciar a vocês.
As palavras de
Jesus sempre nos dão conforto, por isso precisamos estar com os ouvidos atentos
para o que Ele tem a nos dizer, neste caso, a Igreja de Atos estava a todo
ouvidos. Assim deve ser nossa vida como igreja hoje, atentos ao que o Senhor
quer nos falar, além de estarmos atentos ao caminho revelado que devemos
seguir, pois isso é de fato o Reino de Deus, quando Ele faz a sua vontade,
assim na terra como é feito no céu.
O Reino de Deus
estabelecido na terra é a Igreja de Cristo, assim, devemos obedecer em tudo a
Cristo, o Senhor e Rei deste reino eterno. Basta seguirmos o caminho que
devemos, assim é que fazemos a sua vontade. Mas devemos sempre nos lembrar: Não
estamos só, temos um Consolador, alguém que não somente nos consola de forma
passiva, mas nos leva direto para o Pai, para os braços de Jesus, mas para isso,
devemos estar atentos ao que Ele quer nos mostrar.
O Reino de Deus
virá com poder através da sua Igreja, mas isso não é mérito nosso, é agir do
seu Espírito nas nossas vidas, neste caso, devemos somente estar prontos para
isso, deixando que o trabalho pesado seja feito por quem de direito, não que
devamos somente esperar, mas devemos buscar essa atuação em nós, assim como
fizeram os primeiros discípulos (At 1.4,5). Vemos que a postura dos apóstolos e
dos aproximadamente 120 discípulos, estavam unânimes em oração, obedeceram a
Jesus e aguardaram o revestimento do Espírito Santo, mas sua atitude passiva
num primeiro momento não anulou a atuação prática e ativa após a descida do
Espírito Santo.
Buscar pelo
revestimento de poder de Deus não é o mesmo que aguardar de forma imóvel,
inerte, mas orar e clamar pela descida do próprio Deus para nos encher e assim
podermos fazer aquilo que Ele requer de nós.
Hoje, se
estivermos com nosso coração aberto, ouviremos o que o Espírito quer nos levar
a fazer e para que o Reino de Deus venha através de nós.
Desenvolvimento
Necessário
falar sobre o evento que culmina com o derramar do Espírito Santo sobre todas
as pessoas. Tratava-se da festa de Pentecostes, ou como diria o Antigo
Testamento, Festa da sega, ou da colheita, do hebraico hag haqasir, mas também era conhecida como festa das semanas hag haqasir (Ex 34.22; Nm 28.26; Dt
16.10).
A festa de
Pentecostes era uma ordenança de Deus ao seu Povo para consagrar a Ele os
primeiros frutos da terra, como oferta de agradecimento por uma colheita abençoada.
Era conhecida por festa das semanas por se tratar de um evento sete semanas, ou
50 dias após a Páscoa, daí o nome de pentecostes do grego (cinquenta dias),
pois a Lei tinha sido traduzida para o grego no século II a.C, então era a
tradução que muitos judeus conheciam, pois viviam em lugares de fala grega, já
que os gregos tornaram o seu império helênico (cultura, religião e tradição
grega) uma hegemonia para todas as nações conquistadas no ano de 331 a.C.
Agora, pensando
em termos espirituais / proféticos, as festividades de pentecostes apontavam
justamente para o evento de Atos 2, pois de todas as nações numa circunferência
de cerca de 400 km, muitas pessoas ouviram falar do Evangelho em sua própria
língua mãe, e então retornaram para suas casas como evangelistas e
missionários. Veja que o Senhor Jesus diversas vezes nos faz pensar em Reino de
Deus como uma plantação (Mt 15.13; Mt 13.1-43; Mt 20.1-16; Mc 12.1-12; Mc
4.26-29; Lc 13.5-9; Jo 4.35-38; Jo 15.1-16). No caso de Atos 2, vemos uma
grande colheita para o Reino de Deus, e isso se trata das primícias, a primeira
parte de uma grande colheita, pois cada crente de Atos era um ministro, e na
primeira colheita, uma grande festa, vemos cerca de 3.000 pessoas sendo
colhidos e apresentados diante de Deus (Atos 2.41).
Deus deseja
fazer uma grande colheita para seu Reino nos nossos dias, mas precisamos de
algumas coisas especiais, algo que não conseguimos se não dermos os passos a
seguir.
Então, que o Teu Reino Venha!
Através da disposição dos servos de
Deus (vs.1; 18).
Vemos uma disposição muito boa dos
primeiros discípulos de Jesus, pois mesmo que a perseguição tenha sido uma
realidade logo no começo, todos eles estavam se reunindo regularmente, como
vemos em Atos 1.14, agora em Atos 2.1, vemos que se encontravam novamente todos
reunidos.
A Igreja apostólica daqueles dias, era
uma igreja coesa, constante e mais do que tudo, obediente a Jesus. Vemos que
todos se reuniam em oração, mas também vemos que sua disposição em estar junta
e unânime era um dos fatores que garantia o sucesso.
Aguardar a promessa nem sempre é fácil.
Lembro-me da história de um Irmão, um querido amigo. Logo na sua mocidade ele
entregou sua vida a Jesus e muitas coisas começaram a ficar difíceis, como a perseguição
por não querer fazer as mesmas coisas que um jovem faz normalmente, mas que
desagrada a Deus. Tempo se passou, e alguns dos seus familiares também
entregaram a vida ao Senhor Jesus, sua mãe, era um deles. A mãe daquele amado
irmão orou durante 40 anos por seu marido, que finalmente aos cerca de 80 anos
de idade entregou-se também ao Senhor Jesus. Perseverar na promessa é um
desafio para todos nós, mas para os primeiros cristãos ainda era maior, pois
corriam o risco de vida, e se a perdessem, também não veriam a promessa do
Espírito Santo, mas Ele chegou, bem mais rápido do que 40 anos, foram apenas 10
dias a partir da ascensão de Cristo.
Precisamos perseverar como igreja, tal
qual o nosso exemplo, a jovem igreja de Atos. Todos estavam reunidos quando do
céu veio o cumprimento da promessa. Devemos aguardar o Poder de Deus, a mão do
Senhor a nos guiar, a nos dar a direção, mas para isso precisamos estar
prontos, disponíveis para o Eterno.
Penso muitas vezes em Pedro, Tiago e
todos os apóstolos, sem contar nos demais. Pedro e seus companheiros, por
exemplo, tinham uma empresa de pesca, mas abandonaram tudo para seguir a
promessa. Quando olhamos para Lucas 24.13-35, vemos dois que estavam
escapulindo por um caminho que, a princípio parecia de fuga, pois não era o da
Galileia, muito menos das redondezas de Jerusalém, mas indo ao sul, porém Jesus
os alcança e os torna à disposição do Reino.
Muitas vezes escapamos assustados por
caminhos que não devemos, mas Jesus está pronto para nos levar de volta ao
cenáculo. Cenáculo é o local em que os discípulos de Jesus estavam quando
desceu sobre eles o Espírito Santo, e muitos afirmam que era justamente o lugar
em que os discípulos se refugiaram, desde a crucificação, mas também o cenário
da ceia de páscoa (Lc 22.7-38). Podemos espiritualizar algumas coisas aqui que
não comprometem a interpretação bíblica.
Jesus nos chama a nos unirmos como
igreja em oração, em espera. Estamos convidados então, a entrar no cenáculo não
apenas com os discípulos, mas com o próprio Mestre. Nosso propósito deve ser a
união para que por meio da oração sejamos cheios do Espírito Santo, pois
sozinhos nada poderemos fazer (Jo 15.8).
O maior benefício que o Espírito Santo
pode promover na Igreja é justamente o que vemos em João 16.8-15:
8Quando ele vier, convencerá o mundo do
pecado, da justiça e do juízo. 9Do pecado, porque os homens não creem em mim;
10da justiça, porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais; 11e do juízo,
porque o príncipe deste mundo já está condenado.
12“Tenho ainda muito que dizer, mas
vocês não o podem suportar agora. 13Mas, quando o Espírito da verdade vier, ele
os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir,
e anunciará a vocês o que está por vir. 14Ele me glorificará, porque receberá
do que é meu e o tornará conhecido a vocês. 15Tudo o que pertence ao Pai é meu.
Por isso eu disse que o Espírito receberá do que é meu e o tornará conhecido a
vocês.
Quando estamos cheios do Espírito
Santo, somos capazes de fazer como Pedro, anunciar vigorosamente, explosivamente
e de forma contundente a mensagem da Cruz, pois é esta a função Dele, apontar
para Jesus, dando-lhe a Glória (Jo 16.13,14). Precisamos estar dispostos como
Pedro, e ao abrirmos nossa boca, o Espírito Santo nos usará (Sl 81.10; Ez
29.21).
Precisamos de Poder, essa foi a
observação de Jesus (At 1.8). O Mestre falava sobre a forma em que o Espírito
Santo agiria em nosso meio. Poder no original grego de Atos é dunamis ou dynamis (em grego antigo,
δυναμις, 'poder', 'força') tem o sentido de energia constante. É a raiz das
palavras "dinâmica", "dinamite" e "dínamo", por
exemplo. O que quer dizer que ter a atuação do Espírito Santo é ter energia o
suficiente para alguma coisa, mas não somente isso, significa que teremos
habilidade necessária de forma explosiva, maciça e poderosa, como é
originalmente a palavra nas Escrituras.
Se tentamos convencer alguém,
dificilmente o conseguimos se não estivermos muito habituados com aquilo que
queremos, como no caso de uma venda. Para vender, precisamos conhecer muito de um produto e isso me lembra
que precisei comprar um equipamento eletrônico recentemente, ao que a vendedora
queria me “empurrar” um de uma marca famosa, daí começou a falar um monte de
bobagens, como que aquela marca tinha 50 anos de tradição, mas como eu conhecia
do produto, disse a ela: Querida, todos os componentes de todas as marcas que
estão nesta estante são fabricados na china e tem exatamente as mesmas dimensões,
então chegam no brasil onde recebem tão somente a marca. Daí ela apelou: Mas
desta marca a garantia é de 1 ano, mas dos demais é de seis meses, ao que
lembrei das leis de nosso país, que dizem que qualquer equipamento eletrônico
tem garantia de 1 ano.
A discussão com aquela mulher acabou,
pois conhecia mais do que ela, então não conseguiu me convencer. Ao sair
daquele corredor, ouvi o gerente dizer para Ela: E daí, bateu a meta em vender
a marca X? Bem, mesmo com metas, se uma pessoa não conhece do produto,
dificilmente convence.
Com a mensagem do Evangelho é
diferente, pois ainda que conheçamos muito deste assunto, se não tivermos o
poder, a propulsão, a força, o dynamis do Espírito, será apenas um blá blá blá.
Isso não quer dizer que não precisemos estudar as Escrituras, pois o
conhecimento bíblico é para garantir a própria vida aos pés de Jesus, quanto a dos outros,
preciso colocar nas mãos Dele, reconhecendo que é o Espírito Santo quem garante
o convencimento.
Algo muito interessante quando vemos a
promessa de Joel 2.28,29, citado pelo apóstolo Pedro, é o fato de que com a
atuação do Espírito Santo, todos podem ser usados, sem preconceitos de três
tipos, algo que era um paradigma para os judeus e infelizmente continua sendo
hoje: a) Preconceito sexual (filhos e filhas), homens e mulheres podem ser
usados pelo Espírito Santo a fim de proclamação, por tanto, não pense que você
é menor por causa de ser homem ou mulher, Deus quer te usar; b) Preconceito
etário (jovens e Velhos) – Aqui encontramos um paradigma muito grande também,
pois para os judeus, um homem somente poderia se tornar Rabino, de acordo com a
tradição, após completar 30 anos, por isso, Jesus iniciou seu ministério com
aproximadamente esta idade. Agora, com o agir sobrenatural do Espírito Santo,
não importa se é uma criança ou um idoso, ambos terão credibilidade ao serem
usados pelo Todo Poderoso, pois sua mensagem será poderosa em seus lábios; c)
Preconceito social (servos e servas) – Todas as culturas do mundo tinham o
servo como alguém que nem ao menos poderia se pronunciar, mas ao descer do
Espírito Santo, todos são capazes de anunciar a mensagem de forma poderosa,
pois independente de status social, Deus usa a pessoa, e a isso devemos crer:
Jesus usa o Pobre ou o rico, ao que vemos um exemplo muito interessante nas
Escrituras, o de Onésimo, um escravo que Paulo chama de companheiro de
ministério, mas devolve ao senhor Filemom (Fl). Haviam muitos escravos mais no
Reino de Deus, tanto que o apóstolo Paulo os adverte que sejam obedientes com
ao Senhor (1Co 12.13; 6.5-9). Se sou pobre, se sou rico, que eu sirva a Deus e
proclame a sua vontade no Poder do Espírito Santo.
Não somos nós, assim como não eram os
apóstolos ou discípulos do primeiro século, capazes em si, mas somente através
do Poder do Espírito Santo que a terra conhecerá a glória de Deus. Somente
através do Poder do Espírito Santo podemos ganhar, convencer e alcançar. Nossa
vida somente pode ter sentido com a atuação do Espírito Santo, o Poder de Deus.
Conclusão
Se queremos ser uma igreja que
impactante em todos os sentidos de nossa existência, então somente
conseguiremos com a atuação do Espírito Santo. O Poder de Deus é o que deve
mover nossa união, nossa devoção e nossa atuação neste mundo, assim é que se
estabelece o Reino de Deus.
Nenhum comentário:
Postar um comentário