segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Teu Reino Venha Enquanto Oramos!

O Teu Reino Venha Enquanto Oramos!
Ele lhes disse: “Quando vocês orarem, digam:
“Pai! Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.
(Lc 11.2)


TEXTO:  Atos 1.14

Todos eles se reuniam sempre em oração com as mulheres, inclusive Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.

INTRODUÇÃO

Cada dia que passa, menos credibilidade tem a igreja de Jesus, pois ela está tão infiltrada de apostasia, heresias e bestialidades, que os verdadeiros servos de Jesus acabam sendo apagados diante do mundo. Existe um remédio para isso, a oração. Aliás, a oração é o remédio para tudo o que se passa no mundo, seja a política corrupta, a doença e até satanás, tudo pode ser derrubado pelo poder que há na oração.

Oração, vem da palavra latina “parlare” que também dá origem a palavra “orare”, e significa literalmente falar. Somente há intimidade entre duas pessoas se elas conversam, se de alguma forma se comunicam, assim é o relacionamento com a pessoa divina, ninguém poderá conhecer a Deus verdadeiramente se não fala com Ele. A oração é tão importante para o ser humano, que o Senhor nos ensinou a orar, não somente como uma repetição de uma formula religiosa, mas de forma prática. O Mestre ensinou seus discípulos, ou seja, vemos em vários momentos o Senhor Jesus orando nos Evangelhos, ao que os discípulos observavam, ao ponto de os Evangelistas relatarem isso (Mt 14.19; 19.13-15; 26.36-45; Mc 1.35; 6.46; Lc 3.21; 5.16, 6.12; 9.28; 11.1; Jo 17). Se Jesus orava com o intuito dos discípulos observarem, é porque queria também ensinar de forma prática, não somente teórica.

Jesus continua a querer a nos ensinar muitas coisas, pois quem o segue deve ser chamado de discípulo dele. Uma das coisas que mais tem anseio em nos ensinar é justamente a vida de oração. Como igreja, temos negligenciado a oração, pois mesmo que os evangélicos, nosso caso, tenham abolido a prática de repetição de formulas religiosas conhecidas por rezas, e daí o nome rezar, do latim “recitare”, que quer dizer declamar, ou o mesmo que ler em alto e bom tom, temos repetido as orações de forma mecânica somente nos momentos de comer ou dormir, assim muitos cristãos tem feito como a criança que sempre faz a mesma oração: Papai do céu, abençoa este alimento, amém!

Quando lemos o princípio da Igreja de Cristo, vemos que era um hábito comum a oração, em especial aquela em que os crentes se reuniam para conversar com Deus, perfazendo um momento diário, comum em toda a Igreja sobre a Terra (Atos 2.42; 3.1; 4.24). Mas isso não anulava uma vida de oração especial, aquela que o nosso Senhor nos disse que fizéssemos, e não me refiro ao Pai nosso, mas a sós com Deus, um momento individual de intimidade (Mt 6.6).

Oração deve ser um momento de intimidade, seja quando nos reunimos isoladamente, eu e Deus, ou nós e Ele. Quando buscamos a face de Deus em oração, temos uma promessa de sermos respondidos (Mt 7.7), seja com um “sim”, “não”, ou na maioria das vezes, um “espere”, ainda não é o tempo. Muitos de nós desistimos de orar por não sermos respondidos a tempo, ou pensamos que o tempo certo é o nosso. Deus é soberano, por isso, devemos entender que ainda que não faça conforme nossa vontade, muitas das vezes, não quer dizer que devemos deixar de orar. Orar perseverantemente é o segredo de sentir a paz de Deus, seja com a reposta que queremos ou a que Ele quer e nós não (Mt 7.7-12).


Hoje Deus nos mostrará o maior segredo da expansão do seu Reino, a oração.

Desenvolvimento

1 - ORE COMO JESUS, INDIVIDUALMENTE

Na oração do Pai Nosso vemos alguns valores importantes da oração, não que essa oração sirva para ser repetida como fazem alguns cristãos, em especial os católicos, mas que serve de inspiração, um modelo a ser seguido enquanto nos conectamos com Deus.

Pai Nosso, que estás nos Céus,
Santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu Reino.
Seja Feita a Sua vontade,
Tanto na terra como no céu.

O Pão Nosso de cada dia dá-nos hoje.
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal;

Porque teu é o Reino, e o Poder e a Glória para Sempre. Amém! Mateus 6.9-13 (ARC)

Vamos estudar então esta oração e os segredos embutidos nela, assim como deve ser nosso momento a sós com Deus nas nossas próprias palavras.

Na Oração do Pai Nosso percebemos três momentos distintos num mesmo momento conversa com Deus, ao que nos serve de modelo para nortear nossas orações diárias, sejam eles:

a)  A invocação na Adoração e reconhecimento da paternidade divina. Neste momento o Senhor Jesus nos ensina que devemos Clamar ao nosso Deus pelo seu nome, pela forma que o chamamos. Jesus chamava Deus de Pai, mas não como citamos a palavra pai como num momento qualquer, mas com uma forma carinhosa, paizinho, papai. Esse era o tratamento de Jesus ao orar, muito diferente dos fariseus, que ao orarem, faziam a distância entre os homens e Deus crescer ainda mais, com longas orações encorpadas com palavras difíceis e elaboradas (Mt 23.14). Jesus chamava Deus de “papai” para enfatizar a proximidade que temos do Senhor, e nossa oração deve ser assim e denotar nossa proximidade.
Além da invocação, devemos nos lembrar da adoração, pois quando o Senhor Jesus chama Deus de pai, o aproxima de nós, mas ao dizer que Ele é Santo, e que permaneça nesta posição, nos dá a real impressão de que ainda que próximo, continua sendo Deus exaltado, mais do que isso, habita os céus, onde somente pode ser adorado, mas não visto, não tocado, está apartado de toda a maldade e nossos pecados. Quando orarem, façam assim, essa é a recomendação de Jesus, oremos reconhecendo que Deus é o nosso Painho, como diriam os baianos, paizinho, papai, ou paizão, mas não nos esqueçamos que é Deus Santo.

b)  As petições. Jesus pede algumas coisas na sua oração modelo: 1 - Venha o teu reino - momento em que o Senhor pede que a sua nova ordem se estabeleça, pois o Reino de Deus é o domínio do Senhor através de seu Povo na terra. Pedir para que o reino de Deus se estabeleça, é o mesmo que clamar que a paz impere, a cura aconteça, a justiça resplandeça e tudo o que Deus tem para manifestar entre os homens seja uma realidade; 2 – Seja Feita a tua vontade na terra como no céu – O Senhor pede que tudo o que ocorre na terra seja o espelho daquilo que acontece no céu, não é um reforço de ideia, mas que não somente o Reino se estabeleça, mas que tudo o que ocorre neste universo, seja como realmente Deus planejou. Aqui pode acontecer algum equívoco de interpretação, quanto a soberania divina, mas entendamos que é como se Deus fizesse a sua vontade sempre, mas nossa intromissão faz com que não percebamos isso, nesse caso, pensamos ter atrapalhado a vontade divina, mas na verdade somente não reconhecemos que não somos capazes disso, então, nossa postura deve ser de aceitação da vontade de Deus. Pedir para que Deus faça sua vontade é o mesmo que se submeter, então o pedido que devemos fazer não é realmente que deus faça o que Ele quer, mas que nós possamos entender e nos submeter. 3 – O Pão nosso de cada dia nos dai hoje -  muito interessante entender que o que o Mestre pede nesta hora não é fartura, mas algo que vai explicar mais detalhadamente ao longo do capítulo 6 de Mateus, ou seja, a provisão das necessidades, neste caso, cabe ressaltar que é justamente o conceito mais bíblico de prosperidade. Prosperidade é ter o necessário, não ter a fartura. Necessário é ter para si e para compartilhar, e Jesus faz um pedido simples que compreende exatamente esse conceito. Peçamos para o Senhor suprir nossas necessidades diariamente, não para uma vida, não para o esbanjar, mas aquilo que precisamos a cada dia. 4 – Perdoai as nossas dívidas– Aqui encontramos um outro conceito muito importante que muitas vezes deixamos de lado, pois Jesus utiliza a sua oração para reconhecer mais uma vez que pecamos, somos pecadores, mas nossa confissão e arrependimento está condicionada ao perdão que liberamos aos outros. Jesus está novamente pedindo que Deus não somente nos faça algo, mas revele sua vontade a nós no sentido de nos fazer cumpridores. 5 – Não nos deixes cair em tentação – Revela a necessidade de sermos livrados nos dias maus, como se estivéssemos nesse mundo caminhando em uma corda bamba, mas pelo poder do nosso Deus, somos guiados na retidão, mesmo que suscetíveis à queda. Livrar do mal, é que mesmo que as tentações nos intimidem a cair, somos então encorajados por Deus a manter-nos longe da manifestação alguma de satanás, seja na tentação ou na atuação direta, já que mal, neste texto, significa influência direta do diabo.

c)   Exaltação e reconhecimento da soberania divina – pois teu é o reino, o Poder e a glória para sempre. Neste momento o Senhor Jesus nos leva a reconhecer que acima de qualquer pedido que façamos, Deus é quem decide, dá a última palavra. A soberania de Deus é revelada através da vida de Jesus, e mesmo que na sua oração de agonia, pedisse ao Pai que lhe livrasse do pior dos seus momentos, coloca a sua vontade submissa a Deus, dizendo, mas seja feita a tua vontade, não a minha (Lc 22.42). Quando oramos devemos ter a mesma postura do Mestre, então não fazemos como alguns, que ao invés de pedir direção e manifestação divina, exigem, determinam que Deus faça. A Oração correta diz que Deus é Soberano, e caso seja da sua vontade, faz o que pedimos.

Entendendo o modelo de oração que Jesus nos deixou, nosso momento com Deus deve conter sempre:  Adoração, Pedidos, Confissão e Arrependimento e Exaltação e reconhecimento da Autoridade e Soberania divina.

2 – ORE COMO OS DISCÍPULOS, NA COLETIVIDADE. 

A Oração no Livro de Atos é uma constante, não um momento, mas tudo o que ocorria dependia da vida de oração que os discípulos tinham. Percebemos na versão Revista e Corrigida uma peculiaridade que nos garante, não somente a comunhão durante a oração, mas a perseverança. “Todos perseveravam unânimes em oração...”(At 1.14; 4.32).

Perseverar em oração é diferente de orar por um momento como igreja, é algo bem comum na igreja contemporânea, quando uma dificuldade vem se abater, então lançamos campanha, jejuamos, até nos ajoelhamos, mas se está tudo bem, então não há necessidade. A Igreja de Atos não pensava nas dificuldades, pois estavam sempre em oração perseverante.

Todos os avivamentos na história da Igreja foram precedidos de muita oração perseverante, inclusive o que ocorreu a partir de Atos 2. Dentre todos os avivamentos, jamais a Igreja provou um avivamento como o dos primeiros 100 anos. Mas isso é a aplicação do ensino de Jesus quanto a oração. Devemos voltar à vida de oração conjunta, sendo nas tribulações ou em tempo de paz. Nossa vida de oração quanto Igreja deve ser uma solida rocha sobre a qual está alicerçada todas as nossas investidas e derramar de Deus.

Como cita o Reverendo Hernandes dias Lopes, em seu comentário bíblico do livro de Atos, fazendo menção a Warren Wierbe, os cristãos do primeiro século oravam em todos os momentos, como parte do seu dia a dia (At 2.42-47; 3.1; 6.4), seja pedindo orientação para uma decisão (At 1.15-26); coragem para testemunhar (4.23-31), isso somente citando alguns exemplos, mas se verificarmos, não passa uma página do livro sem percebermos a oração como parte do cotidiano dos discípulos de Jesus. Oh que vitória teríamos se voltássemos à vida de oração coletiva.

“A vida de oração da igreja é um escudo para a alma, um sacrifício para Deus e um flagelo para Satanás” (Warren Wiersbe, comentário bíblico expositivo).

Se queremos ter uma atividade cristã, seja o tamanho que tiver, somente faremos com o poder do Espírito Santo, e isso não conseguimos com muito trabalho, não com vontade ou qualquer outra força humana, mas pela dedicação à oração. Aquilo que não conseguimos fazer, Deus faz.

A vida de oração da Igreja, precisa melhorar, e sempre falo nos sermões que falo para a Igreja de Cristo, não somente para nossa, mas vejo que devo falar para nós hoje, quando encerramos os cultos de orações nas quartas feiras, muitas pessoas não gostaram, mas incrível ver que era o culto em que contávamos com pouquíssimos irmãos, agora, quando temos uma reunião de meia ora aos domingos pela manhã, temos ainda menos pessoas envolvidas, e o pior é que as desculpas são as mais variadas e menos convincentes.

Jesus quer fazer muito por nós, assim como tem feito na Coreia do Sul, onde uma Igreja Batista conta com mais de 200.000 membros, e outras comunidades tantas tem crescido com números exponenciais, ou seja, Jesus transformando e convertendo vidas. O segredo dessas igrejas está na oração, pois contam com reuniões diárias com mais de 2000 pessoas das 6 às 9 horas da manhã e aos domingos com mais de 40.000 pessoas no mesmo horário. Igreja que ora tem a resposta de Deus.

Vivamos então uma vida de oração a sós com Deus, mas não deixemos de nos reunir em oração e comunhão como igreja.

Conclusão


O sucesso da vida de uma igreja está intimamente ligada à sua vida de oração. Se queremos o agir de Deus em nossas vidas e na Igreja, devemos nos dedicar à oração, casso contrário estamos fadados ao fracasso. 

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