O Teu Reino Venha Enquanto Oramos!
Ele
lhes disse: “Quando vocês orarem, digam:
“Pai!
Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino.
(Lc
11.2)
TEXTO:
Atos 1.14
Todos eles se
reuniam sempre em oração com as mulheres, inclusive Maria, mãe de Jesus, e com
os irmãos dele.
INTRODUÇÃO
Cada dia que
passa, menos credibilidade tem a igreja de Jesus, pois ela está tão infiltrada
de apostasia, heresias e bestialidades, que os verdadeiros servos de Jesus
acabam sendo apagados diante do mundo. Existe um remédio para isso, a oração.
Aliás, a oração é o remédio para tudo o que se passa no mundo, seja a política
corrupta, a doença e até satanás, tudo pode ser derrubado pelo poder que há na
oração.
Oração, vem da
palavra latina “parlare” que também
dá origem a palavra “orare”, e
significa literalmente falar. Somente há intimidade entre duas pessoas se elas
conversam, se de alguma forma se comunicam, assim é o relacionamento com a
pessoa divina, ninguém poderá conhecer a Deus verdadeiramente se não fala com
Ele. A oração é tão importante para o ser humano, que o Senhor nos ensinou a
orar, não somente como uma repetição de uma formula religiosa, mas de forma
prática. O Mestre ensinou seus discípulos, ou seja, vemos em vários momentos o
Senhor Jesus orando nos Evangelhos, ao que os discípulos observavam, ao ponto
de os Evangelistas relatarem isso (Mt 14.19; 19.13-15; 26.36-45; Mc 1.35; 6.46;
Lc 3.21; 5.16, 6.12; 9.28; 11.1; Jo 17). Se Jesus orava com o intuito dos
discípulos observarem, é porque queria também ensinar de forma prática, não
somente teórica.
Jesus continua
a querer a nos ensinar muitas coisas, pois quem o segue deve ser chamado de
discípulo dele. Uma das coisas que mais tem anseio em nos ensinar é justamente
a vida de oração. Como igreja, temos negligenciado a oração, pois mesmo que os
evangélicos, nosso caso, tenham abolido a prática de repetição de formulas
religiosas conhecidas por rezas, e daí o nome rezar, do latim “recitare”, que
quer dizer declamar, ou o mesmo que ler em alto e bom tom, temos repetido as
orações de forma mecânica somente nos momentos de comer ou dormir, assim muitos
cristãos tem feito como a criança que sempre faz a mesma oração: Papai do céu,
abençoa este alimento, amém!
Quando lemos o
princípio da Igreja de Cristo, vemos que era um hábito comum a oração, em
especial aquela em que os crentes se reuniam para conversar com Deus,
perfazendo um momento diário, comum em toda a Igreja sobre a Terra (Atos 2.42;
3.1; 4.24). Mas isso não anulava uma vida de oração especial, aquela que o
nosso Senhor nos disse que fizéssemos, e não me refiro ao Pai nosso, mas a sós
com Deus, um momento individual de intimidade (Mt 6.6).
Oração deve ser
um momento de intimidade, seja quando nos reunimos isoladamente, eu e Deus, ou
nós e Ele. Quando buscamos a face de Deus em oração, temos uma promessa de
sermos respondidos (Mt 7.7), seja com um “sim”, “não”, ou na maioria das vezes,
um “espere”, ainda não é o tempo. Muitos de nós desistimos de orar por não
sermos respondidos a tempo, ou pensamos que o tempo certo é o nosso. Deus é
soberano, por isso, devemos entender que ainda que não faça conforme nossa
vontade, muitas das vezes, não quer dizer que devemos deixar de orar. Orar
perseverantemente é o segredo de sentir a paz de Deus, seja com a reposta que
queremos ou a que Ele quer e nós não (Mt 7.7-12).
Hoje Deus nos
mostrará o maior segredo da expansão do seu Reino, a oração.
Desenvolvimento
1 - ORE COMO JESUS, INDIVIDUALMENTE
Na oração do
Pai Nosso vemos alguns valores importantes da oração, não que essa oração sirva
para ser repetida como fazem alguns cristãos, em especial os católicos, mas que
serve de inspiração, um modelo a ser seguido enquanto nos conectamos com Deus.
Pai Nosso, que
estás nos Céus,
Santificado
seja o Teu nome.
Venha o Teu
Reino.
Seja Feita a
Sua vontade,
Tanto na terra
como no céu.
O Pão Nosso de
cada dia dá-nos hoje.
Perdoa-nos as
nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
E não nos induzas
à tentação, mas livra-nos do mal;
Porque teu é o
Reino, e o Poder e a Glória para Sempre. Amém! Mateus 6.9-13 (ARC)
Vamos estudar
então esta oração e os segredos embutidos nela, assim como deve ser nosso
momento a sós com Deus nas nossas próprias palavras.
Na Oração do
Pai Nosso percebemos três momentos distintos num mesmo momento conversa com
Deus, ao que nos serve de modelo para nortear nossas orações diárias, sejam
eles:
a)
A
invocação na Adoração e reconhecimento da paternidade divina.
Neste momento o Senhor Jesus nos ensina que devemos Clamar ao nosso Deus pelo
seu nome, pela forma que o chamamos. Jesus chamava Deus de Pai, mas não como
citamos a palavra pai como num momento qualquer, mas com uma forma carinhosa,
paizinho, papai. Esse era o tratamento de Jesus ao orar, muito diferente dos
fariseus, que ao orarem, faziam a distância entre os homens e Deus crescer
ainda mais, com longas orações encorpadas com palavras difíceis e elaboradas
(Mt 23.14). Jesus chamava Deus de “papai” para enfatizar a proximidade que
temos do Senhor, e nossa oração deve ser assim e denotar nossa proximidade.
Além
da invocação, devemos nos lembrar da adoração, pois quando o Senhor Jesus chama
Deus de pai, o aproxima de nós, mas ao dizer que Ele é Santo, e que permaneça
nesta posição, nos dá a real impressão de que ainda que próximo, continua sendo
Deus exaltado, mais do que isso, habita os céus, onde somente pode ser adorado,
mas não visto, não tocado, está apartado de toda a maldade e nossos pecados.
Quando orarem, façam assim, essa é a recomendação de Jesus, oremos reconhecendo
que Deus é o nosso Painho, como diriam os baianos, paizinho, papai, ou paizão,
mas não nos esqueçamos que é Deus Santo.
b)
As
petições. Jesus pede algumas coisas na sua
oração modelo: 1 - Venha o teu reino
- momento em que o Senhor pede que a sua nova ordem se estabeleça, pois o Reino
de Deus é o domínio do Senhor através de seu Povo na terra. Pedir para que o
reino de Deus se estabeleça, é o mesmo que clamar que a paz impere, a cura
aconteça, a justiça resplandeça e tudo o que Deus tem para manifestar entre os
homens seja uma realidade; 2 – Seja
Feita a tua vontade na terra como no céu – O Senhor pede que tudo o que
ocorre na terra seja o espelho daquilo que acontece no céu, não é um reforço de
ideia, mas que não somente o Reino se estabeleça, mas que tudo o que ocorre
neste universo, seja como realmente Deus planejou. Aqui pode acontecer algum
equívoco de interpretação, quanto a soberania divina, mas entendamos que é como
se Deus fizesse a sua vontade sempre, mas nossa intromissão faz com que não
percebamos isso, nesse caso, pensamos ter atrapalhado a vontade divina, mas na
verdade somente não reconhecemos que não somos capazes disso, então, nossa
postura deve ser de aceitação da vontade de Deus. Pedir para que Deus faça sua
vontade é o mesmo que se submeter, então o pedido que devemos fazer não é
realmente que deus faça o que Ele quer, mas que nós possamos entender e nos
submeter. 3 – O Pão nosso de cada dia
nos dai hoje - muito interessante
entender que o que o Mestre pede nesta hora não é fartura, mas algo que vai
explicar mais detalhadamente ao longo do capítulo 6 de Mateus, ou seja, a
provisão das necessidades, neste caso, cabe ressaltar que é justamente o
conceito mais bíblico de prosperidade. Prosperidade é ter o necessário, não ter
a fartura. Necessário é ter para si e para compartilhar, e Jesus faz um pedido
simples que compreende exatamente esse conceito. Peçamos para o Senhor suprir
nossas necessidades diariamente, não para uma vida, não para o esbanjar, mas
aquilo que precisamos a cada dia. 4 – Perdoai as nossas dívidas– Aqui
encontramos um outro conceito muito importante que muitas vezes deixamos de
lado, pois Jesus utiliza a sua oração para reconhecer mais uma vez que pecamos,
somos pecadores, mas nossa confissão e arrependimento está condicionada ao
perdão que liberamos aos outros. Jesus está novamente pedindo que Deus não
somente nos faça algo, mas revele sua vontade a nós no sentido de nos fazer
cumpridores. 5 – Não nos deixes cair em
tentação – Revela a necessidade de sermos livrados nos dias maus, como se
estivéssemos nesse mundo caminhando em uma corda bamba, mas pelo poder do nosso
Deus, somos guiados na retidão, mesmo que suscetíveis à queda. Livrar do mal, é
que mesmo que as tentações nos intimidem a cair, somos então encorajados por
Deus a manter-nos longe da manifestação alguma de satanás, seja na tentação ou
na atuação direta, já que mal, neste texto, significa influência direta do
diabo.
c)
Exaltação
e reconhecimento da soberania divina – pois teu é o
reino, o Poder e a glória para sempre. Neste momento o Senhor Jesus nos leva a
reconhecer que acima de qualquer pedido que façamos, Deus é quem decide, dá a
última palavra. A soberania de Deus é revelada através da vida de Jesus, e
mesmo que na sua oração de agonia, pedisse ao Pai que lhe livrasse do pior dos
seus momentos, coloca a sua vontade submissa a Deus, dizendo, mas seja feita a
tua vontade, não a minha (Lc 22.42). Quando oramos devemos ter a mesma postura
do Mestre, então não fazemos como alguns, que ao invés de pedir direção e
manifestação divina, exigem, determinam que Deus faça. A Oração correta diz que
Deus é Soberano, e caso seja da sua vontade, faz o que pedimos.
Entendendo o modelo de oração que Jesus
nos deixou, nosso momento com Deus deve conter sempre: Adoração, Pedidos, Confissão e Arrependimento
e Exaltação e reconhecimento da Autoridade e Soberania divina.
2
– ORE COMO OS DISCÍPULOS, NA COLETIVIDADE.
A Oração no Livro de Atos é uma
constante, não um momento, mas tudo o que ocorria dependia da vida de oração
que os discípulos tinham. Percebemos na versão Revista e Corrigida uma
peculiaridade que nos garante, não somente a comunhão durante a oração, mas a
perseverança. “Todos perseveravam unânimes em oração...”(At 1.14; 4.32).
Perseverar em oração é diferente de
orar por um momento como igreja, é algo bem comum na igreja contemporânea,
quando uma dificuldade vem se abater, então lançamos campanha, jejuamos, até
nos ajoelhamos, mas se está tudo bem, então não há necessidade. A Igreja de
Atos não pensava nas dificuldades, pois estavam sempre em oração perseverante.
Todos os avivamentos na história da
Igreja foram precedidos de muita oração perseverante, inclusive o que ocorreu a
partir de Atos 2. Dentre todos os avivamentos, jamais a Igreja provou um
avivamento como o dos primeiros 100 anos. Mas isso é a aplicação do ensino de
Jesus quanto a oração. Devemos voltar à vida de oração conjunta, sendo nas
tribulações ou em tempo de paz. Nossa vida de oração quanto Igreja deve ser uma
solida rocha sobre a qual está alicerçada todas as nossas investidas e derramar
de Deus.
Como cita o Reverendo Hernandes dias
Lopes, em seu comentário bíblico do livro de Atos, fazendo menção a Warren
Wierbe, os cristãos do primeiro século oravam em todos os momentos, como parte
do seu dia a dia (At 2.42-47; 3.1; 6.4), seja pedindo orientação para uma
decisão (At 1.15-26); coragem para testemunhar (4.23-31), isso somente citando
alguns exemplos, mas se verificarmos, não passa uma página do livro sem
percebermos a oração como parte do cotidiano dos discípulos de Jesus. Oh que
vitória teríamos se voltássemos à vida de oração coletiva.
“A vida de oração da igreja é um escudo
para a alma, um sacrifício para Deus e um flagelo para Satanás” (Warren
Wiersbe, comentário bíblico expositivo).
Se queremos ter uma atividade cristã,
seja o tamanho que tiver, somente faremos com o poder do Espírito Santo, e isso
não conseguimos com muito trabalho, não com vontade ou qualquer outra força
humana, mas pela dedicação à oração. Aquilo que não conseguimos fazer, Deus
faz.
A vida de oração da Igreja, precisa
melhorar, e sempre falo nos sermões que falo para a Igreja de Cristo, não
somente para nossa, mas vejo que devo falar para nós hoje, quando encerramos os
cultos de orações nas quartas feiras, muitas pessoas não gostaram, mas incrível
ver que era o culto em que contávamos com pouquíssimos irmãos, agora, quando
temos uma reunião de meia ora aos domingos pela manhã, temos ainda menos
pessoas envolvidas, e o pior é que as desculpas são as mais variadas e menos
convincentes.
Jesus quer fazer muito por nós, assim
como tem feito na Coreia do Sul, onde uma Igreja Batista conta com mais de
200.000 membros, e outras comunidades tantas tem crescido com números
exponenciais, ou seja, Jesus transformando e convertendo vidas. O segredo
dessas igrejas está na oração, pois contam com reuniões diárias com mais de
2000 pessoas das 6 às 9 horas da manhã e aos domingos com mais de 40.000
pessoas no mesmo horário. Igreja que ora tem a resposta de Deus.
Vivamos então uma vida de oração a sós
com Deus, mas não deixemos de nos reunir em oração e comunhão como igreja.
Conclusão
O sucesso da
vida de uma igreja está intimamente ligada à sua vida de oração. Se queremos o
agir de Deus em nossas vidas e na Igreja, devemos nos dedicar à oração, casso
contrário estamos fadados ao fracasso.
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