terça-feira, 15 de dezembro de 2015

TOMANDO A DECISÃO CERTA, SÓ COM JESUS

Texto: Mateus 1.18-25


18Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. 19Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. 20Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”.
22Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: 23“A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamarão Emanuel”, que significa “Deus conosco”.
24Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. 25Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.

Introdução

Uma das histórias mais lidas, estudadas, refutadas e até desafiadas do mundo todo é justamente a concepção de Jesus. Um dos pontos mais debatidos é justamente a concepção virginal de Maria, outra, que muito foi rebatida nos primórdios do cristianismo, isso pela ótica judaica, foi a aceitação de José por Maria. A isso precisamos entender como se dava o casamento judaico na época de Jesus.

O casamento judaico tinha que seguir princípios da Lei Mosaica e da tradição rabínica, ou seja, quanto ao matrimônio propriamente dito, observava-se a Lei, quanto a cerimônia, observava-se a tradição, que dizia por sinal que o casamento deveria acontecer em três etapas.

A primeira etapa do casamento é quando os pais da noiva e noivo se reuniam frente a testemunhas para fechar um contrato pré-nupcial, sendo que deste momento os nubentes estariam prometidos. Na sequência, quando os noivos já estavam prontos para o casamento, ou seja, com idade o suficiente, fazia-se o noivado, onde os contraentes eram apresentados à comunidade e as testemunhas, para em um ano casarem em cerimônia em que um cortejo acompanhava o noivo até a casa da noiva para enfim leva-la para sua própria casa a fim de constituírem família. Esse cortejo formava uma festa que durava em torno de sete dias e começava normalmente numa quarta-feira.

Curiosidades a parte, sabemos que Maria ficou grávida pelo Espírito Santo no primeiro momento, pois o texto fala prometida em casamento, além disso, José cogita o rompimento, neste caso aparece no texto a expressão “e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente”. O casamento poderia ser anulado sem muitos prejuízos às partes antes do noivado, pois durante o ano de noivado o casamento já estava valendo, não tendo apenas vida conjugal ativa, ou seja, não dividiam a mesma casa nem mantinham relações, mas somente poderia ser dissolvido por carta de divórcio, ou seja, exposição da mulher na certa, pois somente o homem poderia dar a carta, não a mulher.

José era um homem justo, não sabemos mais sobre a vida deste homem, apenas em textos apócrifos, e mesmo esses, não mostram muito sobre a sua vida, mas se a Palavra diz que ele era um homem justo, é porque guardava a Lei de Deus e era temente ao Senhor. Mas sua atitude em relação à Maria, ao anjo, a Jesus na sequencia, mostram que verdadeiramente era um homem para admirarmos e seguirmos como exemplo.

1.0      – Justiça, uma prática desejável;

O que a Palavra quer dizer com “homem justo”? Bem, podemos recorrer à própria Bíblia para resolver esta questão. Neste caso, não vamos ver homens 100% puros nas Escrituras, visto que todos eram pecadores, exceto o Senhor Jesus, o Puro Cordeiro de Deus. Porém, vemos um reconhecimento por parte do Senhor a homens e mulheres que foram justos.

Num sentido mais abrangente, justo é quem observa a justiça, pratica o que é direito. Homens e mulheres na Bíblia faziam o possível para manter a vida justa, ao que vemos a denominação nas línguas bíblicas equivalente a “justo”, “reto”, apenas para pessoas como Noé (Gn 6.9; 7.1), Jó (Jó 1.1), João Batista (Mc 6.20), José de Arimatéia (Lc.23.47), Zacarias e Isabel, pais de João Batista (Lc 1.6) e Cornélio (At 18.7). Por outro lado, Eclesiastes afirma que não há alguém justo sobre a terra, nenhum, sequer. Sabemos que não, a não ser o próprio Senhor Jesus (Jr 23.5), mas a própria Palavra nos encoraja a sermos justos.

Se formos olhar para a vida de homens que a Bíblia chama de justo, faremos como José, que mesmo sendo prejudicado por receber uma mulher grávida, não teve relações com ela, algo que até hoje é um tabu, pois um dos motivos pelos quais homens se casam é justamente para se alegrar com a mulher que Deus lhe deu (Pv 5.18,19). Além disso, José deveria criar um filho que não era seu, mas porquê? Para cumprir seu título, o de justo.

Para sermos justos diante de Deus, precisamos sofrer as dores de uma vida de renúncia dos próprios benefícios, ou pelo menos, sofrer o prejuízo para que os outros ganhem, aliás o Apóstolo Paulo recomenda que soframos o prejuízo, mesmo que nosso irmão esteja errado e queira nos levar a juízo, ou seja, para que levar a causa a juízes? (1Co 6.7).

O Senhor Jesus nos encorajou a sermos perseguidores da justiça de Deus e nos dedicarmos exclusivamente e primeiramente a isso (Mt 6.33). Buscar a vontade de Deus, isso é a justiça. Devemos obedecer a Lei de Deus, assim seremos justos, pois o parâmetro divino para a justiça não é a lei dos homens, mas a Lei que Ele mesmo nos deu “Amaras a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” (Mt 22.34-40), afinal, justo é o que pratica a justiça e o parâmetro para justiça sempre é a lei.

José era um homem justo, por isso cumpriu a Lei do amor, recebeu Maria como esposa e Jesus como seu próprio filho, assim, façamos como José, amemos e pratiquemos assim a justiça.

2.0      – Experiência com Deus, objeto de desejo,

José teve uma experiência extraordinária, algo que muitos gostariam de ter, avistar um anjo, falar com ele e ter uma mensagem de Deus por seu intermédio. Mas será que uma experiência como essa seria realmente boa?

Ao contrário do que muita gente pensa, as experiências de homens e mulheres com a visita de anjos não era muito boa segundo as Escrituras, pois causava temor. Certa vez ouvi um pregador dizendo: – Deus me livre de ver um anjo, pensa comigo, Maria vê um anjo e a primeira coisa que ele diz é Não tenha medo! Por que um anjo diria isso se não fosse assustadora a experiência?

Verdade, avistar um anjo não seria a experiência mais calmante que uma pessoa pudesse ter, mas a de José foi, diferente de Maria, pois seu coração estava consternado pela situação que vivia. José teve uma direção, um caminho para seguir, e isso foi o próprio Deus quem deu.
Talvez você já tenha passado por momentos com dúvidas mortais como a de José. Compro ou não? Viajo ou não? Caso ou não? Fujo ou não? Mas quero lhe dizer que você pode clamar a Deus e Ele te responderá, pois José se afligiu, mas era homem justo, Deus jamais desampara o justo, mas lhe dá o que é necessário para viver e vencer (Hc 2.4, Rm 1.17; Sl 37.25, Tg 1.5).

Deus nos dá tudo o que precisamos, somente é necessário que confiemos, descansemos e mais do que tudo, busquemos. Há muitas pessoas que ficam esperando uma resposta, ficam esperando Deus agir, mas não tomam decisão, José havia tomado uma decisão por si, uma decisão reta, justa, mas era a sua decisão a de acabar em secreto com o contrato de casamento com Maria (Mt. 1.19). Talvez você precise tomar decisões e começar a fazer antes de Deus lhe dar uma resposta, não fique esperando em morbidez, faça alguma coisa! Não quer dizer que vá pôr o carro na frente dos bois, mas que fará o que está a seu alcance.

É como um rapaz que aguarda uma namorada, uma esposa, mas não sai de casa, fica somente esperando, não toma atitude. Minha história não é um padrão de atitude que todos esperam, mas tomei uma. Certa vez fiz um compromisso com Deus, não iria buscar uma namorada, mesmo que muitos me dissessem que deveria procurar, ou como alguns me sugeriram, “você precisa caçar” mas eu aguardaria que Deus me enviasse. Fiz tudo o que prometi ao Senhor, mas não deixei de trabalhar para Ele, assim, quando menos esperei, Ele me deu minha esposa. A diferença é que não busquei em todos os lugares, mas tomei uma decisão, a de continuar trabalhando para Jesus, pois Ele me prometeu que me enviaria, eu tinha uma promessa, uma direção. Onde eu estava trabalhando para Jesus, na minha igreja, Deus me enviou a minha esposa, mas não estava esperando de forma mórbida, estacionária, mas ativa.

Algumas pessoas aguardam que Deus um dia lhes dará um bom emprego, mas não se esforçam estudando para uma oportunidade melhor, não estudam e se inscrevem para um concurso, mas ficam somente esperando um milagre acontecer. Saia do seu comodismo, tome uma decisão, assim Deus lhe responderá, Deus lhe dará uma experiência.

José tomou uma decisão, logo em seguida Deus lhe dá uma resposta, ele deveria se casar, contrariando a cultura local, contrariando a dúvida que surgira. Talvez pensemos que a decisão de José fosse uma decisão fácil de ser tomada, mas na verdade não foi, a dúvida permanecia, esse filho é mesmo do Espírito Santo? Nem sempre será fácil a experiência com Deus, mas precisamos crer, mesmo que tudo diga que não, por isso, busque a Deus, insista em se relacionar com Ele e Ele mesmo dará experiências sobrenaturais a você. José tinha dúvida, mas após a confirmação de Deus ele teve certeza do que fazer, experiência com Deus poderá dar a resposta que você precisa.

Tenho experimentado toda a minha vida do cuidado de Deus, mas o que mais me estimula é a minha experiência com Ele. Conheço a Palavra, obedeço, ou tento obedecer a tudo o que aprendo com as Escrituras, mas a partir do momento em que Deus me fala ao coração, a Palavra se torna viva, passo a ter a experiência com Deus, não é a experiência dos meus pastores, não é a experiência das outras pessoas.

A pergunta que fica é como ter a experiência sobrenatural com Deus. Não falo de uma experiência mística, como alguns grupos pregam, mas uma experiência que console, conforte, dê a direção. Primeiro, seja justo, depois, busque a Deus em oração, pela compreensão da Palavra, então a experiência será uma consequência.

3.0      – Obediência, Algo requerido

Muitas pessoas levam uma vida justa, não fazem mal a ninguém, além do que, tem experimentado o cuidado, a dimensão divina e tem escutado a Palavra de Deus, assim como regularmente elevam orações a Deus, mas uma coisa ainda falta, a obediência.

Temos enfrentado dias em que a decisão correta, na ótica do mundo, é a vida livre de obediência a alguém, então a liberdade envolve não seguir o que Deus determinou, mas o que o coração mandar. José era um exemplo de obediência, pois em Mateus 1.18-25, vemos que ele ouviu o que o anjo disse e casou-se, mas em todos os textos da bíblia em que vemos este homem, achamos uma ordem e uma atitude, a obediência, tanto a homens quanto a Deus. Por exemplo, em Lucas 2.1-5 vemos que José obedeceu a uma convocação do governo, em Mateus 1.2.13-15 José vai para o Egito obedecendo a ordem do anjo num sonho. Em Mateus 2.19-23, José obedece novamente ao anjo e volta para Israel. Em 2.21 José circuncidou ao menino e deu-lhe o nome de Jesus, obedecendo a Lei de Moisés com a circuncisão e a ordem do anjo ao dar o nome determinado 2.22 foi levar Jesus ao Templo para a consagração, obedecendo assim a Lei de Deus. Em Lucas 2.41, mais uma vez vemos José cumprindo a ordem de Deus, pois ia com a sua família anualmente a Jerusalém para a festa da páscoa, uma obrigação a todo o judeu que tinha condições, e assim vemos a última aparição de José, ou a última menção dele numa passagem ativa, neste caso, obedecendo.

Você é livre, mora num país livre, ninguém pode mandar em você, então quero que entenda que nem Deus pode fazê-lo se não se submeter. Uma frase como esta pode perturbar o mais liberal dos homens, e mais ainda os teólogos calvinistas, mas vemos que trata-se de uma verdade eterna. Por exemplo, ainda que Jonas tenha se negado a obedecer a Deus, Ele o forçou a cumprir sua missão, mas o que ocorre é que Jonas era profeta, sua prerrogativa é de “funcionário” contratado por Deus. Caim, por exemplo, decidiu não obedecer, além disso, vemos outros como Judas, que mesmo estando pelo menos 3 anos com o Rei dos Reis, não foi obrigado a nada, mesmo que o próprio Jesus dissesse algumas vezes que todos deveriam se submeter a Deus. Por isso, faço questão de deixar claro que você pode fazer uma escolha, ninguém está lhe obrigando a nada.

Agora, quero deixar claro também, que se escolhe obedecer a Deus, então deve fazê-lo por completo, caso contrário, melhor é não fazer. Quando digo isso, me refiro àqueles que obedecem enquanto estão na igreja, na comunhão, mas ao virar as costas, praticam a maldade, então ao contrário de José, passam a viver uma vida injusta.

Obedecer a Deus é o mesmo que praticar tudo o que Ele nos diz, ou seja, se a Bíblia fala que matar é pecado e não mato, obedeço, mas ela diz que matar é pecado e que se odeio a alguém, então sou assassino (1Jo 3.15). Não há como obedecer em partes, vê? As palavras do Senhor Jesus no sermão do monte, ou Mateus capítulos 5,6 e 7 nos desafiam a viver uma vida além da Lei, uma vida que transcenda a letra, mas que perpasse o amor em todos os sentidos.

Estamos vivendo dias em que as pessoas não tem mais o temor de Deus, exploram, roubam a homens e a Deus, vivem de forma depravada e contra as Escrituras, vivem sem compromisso de casamento, com a vida sexual ativa, ao que temos que lembrar que isso também vai além da letra, pois o Senhor disse que se olha com impureza para uma mulher, então já há culpado de adultério, quanto mais viver com alguém sem se casar, mas muitas pessoas de dentro da igreja acham isso normal.

Obedecer traz privilégios, como é o caso de José. José obedeceu a tudo, como vimos anteriormente, mas algo impressionante é que ele ia além da letra, pois recebeu Jesus como filho verdadeiramente, lhe dando educação (Lc 2.39-52). Além disso, José vai além da letra por que volta para Israel após a cessação da morte dos meninos, mas vemos em Mateus 2.21-23 que seu zelo pelo plano de Deus ia além da obediência, mas chegava à devoção. A devoção de José fez com que fosse pai do Filho de Deus, mas além disso, fez com que José levasse uma vida debaixo da proteção Senhor, mas creio que a principal recompensa é a eternidade ao lado de Jesus.

Devemos ser como José, não apenas obedientes, mas devotos, e se a Bíblia fala que devemos fazer algo, ou deixar de fazer, então façamos simplesmente porque Deus mandou, sem ficar buscando justificativas científicas ou teológicas. Claro, devemos agir com a nossa razão, pois nosso culto deve ser racional, e quando falo em culto, não falo de um momento, mas uma vida de culto a Deus (Rm 12.1,2) ao que lhe rogo, imploro, assim como o Apóstolo Paulo aos Romanos, que se ofereçam a Deus completamente!


Conclusão

Viver completamente para Deus é viver como José, em justiça, tendo atitudes retas sem desviar de uma conduta moral, mas também viver em experiências com Deus, buscando a sua face e sensível ao que o Espírito Santo diz. Além disso, viver completamente para Deus é obedecer, ao que Deus manda, assim, temos uma carta completa do que Deus requer de nós, a Bíblia Sagrada. Mas tenho de lhe dizer, a principal ordem de Deus na Escritura é: Entrega o teu caminho ao Senhor e Ele tudo Fará (Sl 37.5), além disso, creia no Senhor Jesus (At 16.31), e por último, seja batizado nas águas e propague a mensagem de Jesus (Mt 28.18-20).

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