quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

PREPARANDO O CAMINHO PARA JESUS PASSAR

PREPARANDO O CAMINHO PARA JESUS PASSAR
“O Tempo de Preparo”

O Vídeo de Deigma Marques do link ao lado reflete bem o teor desta mensagem, por isso, sugiro que ouça esta canção e reflita nela. "Que Ele Cresça".








TEXTO: Lucas 3.1-18

1Fazia quinze anos que Tibério era o Imperador romano. Nesse tempo Pôncio Pilatos era o governador da Judeia, Herodes governava a Galileia, o seu irmão Filipe governava a região da Itureia e Traconites, e Lisânias era o governador de Abilene. 2E Anás e Caifás eram os Grandes Sacerdotes. Foi nesse tempo que a mensagem de Deus foi dada, no deserto, a João, filho de Zacarias. 3E João atravessou toda a região do rio Jordão, anunciando esta mensagem:
— Arrependam-se dos seus pecados e sejam batizados, que Deus perdoará vocês.
4Isso aconteceu como o profeta Isaías tinha escrito no seu livro:
“Alguém está gritando no deserto:
Preparem o caminho para o Senhor passar!
Abram estradas retas para ele!
5Todos os vales serão aterrados,
e todos os morros e montes
serão aplanados.
Os caminhos tortos serão endireitados,
e as estradas esburacadas
serão consertadas.
6E todos verão a salvação que Deus dá.”
7As multidões iam se encontrar com João para serem batizadas por ele. Ele dizia a todos:
— Ninhada de cobras venenosas! Quem disse que vocês escaparão do terrível castigo que Deus vai mandar? 8Façam coisas que mostrem que vocês se arrependeram dos seus pecados. E não digam uns aos outros: “Nós somos descendentes de Abraão.” Pois eu afirmo a vocês que até destas pedras Deus pode fazer descendentes de Abraão! 9O machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda árvore que não dá frutas boas será cortada e jogada no fogo.
10Então o povo perguntava:
— O que devemos fazer?
11Ele respondia:
— Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma, e quem tiver comida reparta com quem não tem.
12Alguns cobradores de impostos também chegaram para serem batizados e perguntaram a João:
— Mestre, o que devemos fazer?
13— Não cobrem mais do que a lei manda! — respondeu João.
14Alguns soldados também perguntavam:
— E nós, o que devemos fazer?
E João respondia:
— Não tomem dinheiro de ninguém, nem pela força nem por meio de acusações falsas. E se contentem com o salário que recebem.
15As esperanças do povo começaram a aumentar, e eles pensavam que talvez João fosse o Messias. 16Mas João disse a todos:
— Eu batizo vocês com água, mas está chegando alguém que é mais importante do que eu, e não mereço a honra de desamarrar as correias das sandálias dele. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. 17Com a pá que tem na mão, ele vai separar o trigo da palha. Guardará o trigo no seu depósito, mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga.
18João anunciava de muitas maneiras diferentes a boa notícia ao povo e apelava a eles para que mudassem de vida


INTRODUÇÃO
Estamos vivendo um tempo importante como Igreja neste novo ano, pois somos desafiados a viver as coisas novas de Deus, mas para isso o Senhor nos deu uma visão e estratégia espiritual, devemos nos preparar para a Grande colheita (Lc 2.10). Para termos colheita é preciso plantar, mas para plantar é necessário que o solo esteja pronto, apropriado, por isso nos meses de Janeiro e Fevereiro, estamos com o seguinte Tema: Tempo de Preparo.
Nada melhor do que iniciar este tempo recebendo a mensagem de Deus quanto a nossa preparação espiritual específica para aquilo que Ele deseja de nós, por isso, começamos hoje a receber de Dele as dicas de como preparar o solo e hoje em especial, de como preparar o solo preparando o caminho.
João Batista era parente de Jesus, mas antes de ser próximo sanguineamente do Senhor, era profeta do Deus Altíssimo. Seus hábitos são fruto de estudos em muitas classes de Escola Bíblica, pois vemos em Mateus 3.4 que comia mel silvestre, uma espécie de resina de uma palmeira, além disso, vestia-se com roupa de pelos de camelo, algo como aquelas blusas andinas que os colombianos usam e por fim, tinha uma cinta de couro.
Além dos hábitos esquisitos de João, sua pregação remetia aos antigos profetas, os quais falavam aberta e diretamente sobre o pecado, desta forma, os profetas de Israel e Judá foram perseguidos, João, da mesma forma, tanto que foi preso por ter dito que não era lícito o Rei Herodes Agripa, Filho de Herodes o Grande, casar-se com Herodias, ex-esposa de Filipe, seu irmão (Lc 3.19; Mc 6.14-29).
Muito estudamos a respeito de João, suas vestes, seus costumes, suas mensagens e até as peculiaridades que não lemos nas Escrituras, mas perpassam o imaginário popular cristão, mas a declaração mais importante de João Batista não é outra, senão a que revela a importância verdadeira deste homem de Deus:
“É necessário que ele cresça e que eu diminua”. (João 3.30).



PREPARANDO O CAMINHO COM HUMILDADE (vs.16);

Quando vemos a atitude João, vemos que não prega aquilo que não vive, mas com toda a certeza, fala do que vem de suas atitudes. Ao vermos João dizendo em Lucas 3 que os pecados devem ser deixados, vemos ao mesmo tempo que não tinha nenhum interesse partidário, pois foi perseguido, nenhum interesse monetário, pois vivia de forma simples, nenhum interesse em nada deste mundo pois até mesmo não seguiu a ocupação do seu pai como sumo Sacerdote. João tinha somente um desejo, proclamar a Palavra de Deus como seu profeta e lhe obedecer.
João é diferente de todos os outros homens e mulheres de sua época, pois enquanto os sacerdotes eram pessoas com cargos políticos, como é o caso de Anás e Caifás (Lc 3.2), assim como Herodes e todos os outros eram colocados em suas funções com o poder do império Romano desde aproximadamente 200 anos antes de Cristo, como diz Flávio Josefo o historiador judeu desta época.
Precisamos nos familiarizar com o estilo de João Batista, e deixar cada vez mais nossos status, nossos títulos, nossa sabedoria, nossa posição, até mesmo de filhos de Deus, pois João destaca isso em Lucas 3.8. Claro que vemos que João está falando de filhos de Abraão, mas se compreendermos o raciocínio judaico, entenderemos que somente os descendentes de Abraão são filhos de Deus.
Quando digo que devemos deixar de lado o título de filhos de Deus, quero dizer que muitas vezes isso nos atrapalha, assim como atrapalhava os judeus nos tempos de João, pois esses achavam serem mais importantes do que qualquer nação da terra, quando Deus jamais disse que eles eram importantes por si mesmos, mas porque Jeová era seu Deus (Dt 28.1,2), caso contrário, perderiam seu valor (Dt 28.68).
O Senhor rejeitou Israel por ter desobedecido, assim faz hoje com quem acredita ser filho de Deus, mas suas atitudes não o mostram. Isso é muito sério, se sou filho de Deus, devo ser como João, humildemente e não ousar ocupar lugar nenhum, a não ser o de servo de Jesus, o de simples escravo. Aliás, até mesmo o Senhor Jesus não quis ocupar o lugar que era seu enquanto esteve nesta terra, mas foi humilde tomando a forma de servo (Fl 2).
Quando penso que existem crentes arrogantes que se põem acima de qualquer outra pessoa, dizendo que é filho de Deus, por isso merece qualquer coisa, deve ter vitória na vida, e esta, terá sabor de mel, vejo total incompatibilidade com a mensagem do Evangelho, pois este nos incita a humildade e renúncia. Sendo assim, enquanto filho de Deus, devo ser servo de todos (Mc 10.43-45), e não devo desejar nada a não ser servir aos meus irmãos, a Deus e inclusive aos não crentes, para que através de minha humildade, venham a conhecer o Jesus a quem prego.
A Palavra de Deus nos encoraja a nos gloriarmos somente em uma coisa, na Cruz de Cristo (Gl 6.14), ou seja, na humilhação é que temos que nos espelhar, nos apegar e no exemplo de Cristo. Então, façamos como Jesus e tomemos a nossa cruz, ou seja, nossa humilhação, nossas lutas diárias e então estaremos aptos a segui-lo de fato (Mt 10.38)

PREPARANDO O CAMINHO COM MUDANÇA DE VIDA (vs. 10-14).

Além da humildade que precisamos para desempenhar o trabalho de Jesus, bem como sermos seus discípulos verdadeiros, precisamos mostrar conduta sadia, ética e moral.
A Pregação de João, assim como a mensagem de Jesus, não tem outra entonação, a não ser deixar o pecado. Mas para entendermos isso é necessário ter um pequeno conceito de pecado, ou como diria a teologia hamartiologia.
     Pecado, nos originais da Palavra de Deus, hebraico (chet) e grego (hamartia) é o mesmo que errar o alvo, ou seja, tendo que acertar em cheio a vontade de Deus, não o faz, seja intencionalmente ou não. Não obedecer a regra (aveirá), é outra palavra hebraica para designar, por exemplo, invasão de divisas. Neste contexto, pecado é tudo o que pode ser encarado como transgressão da Lei (1Jo 3.4).
A Lei de Deus é um tanto quanto complexa se não estamos habituados com a interpretação correta, assim como os judeus a partir do século IV a.C, que tiveram uma boa intenção, a de montar um livro de interpretação da Bíblia, mas ao invés de fazer um comentário apenas, assim como temos várias Bíblias de estudo disponíveis hoje, fizeram um livro de regras interpretativas, as quais foram adotadas até hoje e tem o nome de Talmud. Jesus acusa os Fariseus de dar mais atenção à tradição (Talmud) do que a Lei (Mt 23).
Jesus leva tão a sério a Lei, que vemos os Evangelhos apontando para isso em todo o seu contexto, e em especial, vemos em Mateus, Capítulos 5,6 e 7 o Senhor nos ensinando a Lei, não apenas recitando, como religioso, mas explicando como numa escola, com exemplos e tudo mais, mas o que mais me impressiona é a simplicidade com Jesus expõe a lei em apenas dois mandamentos, Amor, a Deus e ao ser humano (Mc 12.29,30). Mas agora, o que é isso senão a ética e a moral?
João manda que as pessoas que estão buscando seu batismo, deixarem a Altivez e arrogância (v.8); avareza (v.11); desonestidade (v.13); extorsão, falso testemunho e incontentamento (v.14) e esses são apenas alguns dos pecados, e ainda mais, diz que se continuarem nestas práticas estão destituídos da eternidade sem Deus (Lucas 3.17).   
A Lei de Deus é muito anterior ao que Moisés deu ao povo, pois vemos em Romanos 1.18-20 que a Lei é manifesta através da revelação geral, ou seja, Deus demonstrou sua vontade através da criação e da ordem natural das coisa, ao que sempre comparo a não saber que fazer mal ao outro não é pecado, neste caso, basta uma pequena pergunta: Gostaria que fizessem comigo o que estou querendo fazer? Esse é o princípio básico, elementar e sobretudo prático da ética.
Jesus compara ainda melhor isso quando diz: “E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também”. (Lucas 6:31)
João nos dá uma lição de conversão, pois diz que o que fazíamos de errado não podemos mais fazer, e quando Jesus toca no assunto, sempre vai direto ao ponto, mas vemos que tanto Jesus como João nos dão uma dica bem prática, como se dissessem: Mas se não citei todos os pecados, então fiquem com esta Palavra, façam de acordo com o que Deus quer, ou seja, amem a Deus e aos outros, respeitando os limites!
Devemos ouvir os conselhos práticos de João para termos os caminhos preparados para o Senhor Jesus passar em nossas vidas, por tanto, pratiquemos a vontade de Deus e deixemos os pecados de lado, respeitando os mandamentos, levando sempre em conta a seguinte pergunta para saber se estamos pecando contra os outros:
Gostaria que fizessem comigo?


PREPARANDO O CAMINHO COM FOGO (v. 16)

Para deixar o caminho pronto para Jesus passar, não há outra forma, senão entrega-lo diretamente a Ele. Ainda que nos esforcemos muito para ter humildade e deixar nossos pecados de lado, somente estaremos totalmente prontos quando Jesus nos batizar com fogo.
Uma discussão teológica sem fundamento permeou as igrejas durante muito tempo, pois perguntavam-se o que seria batismo com fogo. Alguns diziam que tratava-se da manifestação do Espírito Santo que queima o ser, outros que tratava-se do próprio batismo com o Espírito Santo, já que a passagem poderia ser encarada como um tipo de paralelismo, mas a é muito simples de se avaliar quando entendemos os termos adotados.
Baptizo é a palavra grega que dá origem ao termo batismo e significa, na maioria das vezes, imersão. Neste caso, batismo no Espírito Santo é o mesmo que ser mergulhado nele, estar totalmente cheio, totalmente tomado.
Quando vemos o batismo de João, vamos perceber que não era uma prática que ele tenha inventado, mas era um símbolo adotado pelos judeus de alguns séculos antes, para iniciar os convertidos ao judaísmo, ou seja os prosélitos. Este símbolo era como uma purificação, mas os cristãos o adotaram para simbolizar a morte para o mundo e a vida para Deus, como o sepultamento e a ressureição.
Batismo no Espírito Santo, hoje é um assunto muito pacífico na maioria dos grupos evangélicos, pois não é mais encarado por esses como um desvio doutrinário, mas apenas como diferença na interpretação.
Quanto ao Batismo de fogo, vemos algo muito interessante nas Escrituras, pois fogo simboliza purificação, neste caso, se queremos ser de fato preparados para que Cristo passe por nós como num caminho, ou que nós sejamos sua morada, precisamos ser purificados (Ap 3.18). Assim João descreve a ação do Messias: “Com a pá que tem na mão, ele vai separar o trigo da palha. Guardará o trigo no seu depósito, mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga”. (Lucas 3.17)
A Palavra de Deus nos compara muitas vezes ao plantio de trigo, e neste caso de Lucas, João Batista nos dá uma preciosa informação, Jesus é capaz de nos purificar de todas as impurezas, ou mais, nos tira o que não nos é necessário.
Tanto a palha como o grão fazem parte do trigo enquanto planta, mas somente o grão em si será utilizado, então o que devemos entender, é que se temos coisas para deixar e não conseguimos, então somente o Senhor Jesus poderá separar de nós, como alguém que escolhe os grãos em meio à bagunça e mistura. Jesus quer nos purificar com o seu fogo e para isso devemos ser inteiramente envoltos, já que batismo é imersão, batismo no fogo deve nos “mergulhar” nas chamas de Jesus.
Muitos de nós, somente deixaram partes do corpo passarem pelo fogo, mas quando ia pegar nossos pecados mais ocultos ou como dizem alguns, de estimação, então saíram da presença de Jesus, ao que preciso dizer que quando Jesus fizer seu julgamento final, tudo o que não for separado será queimado, assim como a palha, mas desta vez, para sempre e então não haverá mais aproveitamento algum.
Temos a oportunidade de sermos separados por Jesus, e na linguagem bíblica, isso chama-se santificação, por isso, quero encorajar a você a buscar de todo o seu coração a santidade, a purificação de Jesus e mais, isso é uma batalha diária, durará enquanto existirmos. Batismo com fogo é uma purificação diária, diferente do Batismo do Espírito e do batismo na água que acontecem apenas uma vez, batismo com fogo é um estado perene do discípulo de Jesus.
Busque este preparo e será feliz!!!

CONCLUSÃO

Na busca pelo céu, morar com Jesus na eternidade, há somente um segredo, nos humilharmos à condição que nos encontramos, a de pecadores, dependentes da graça e misericórdia de Jesus. Após entendermos isso, ficará fácil de nos mantermos numa posição humilde, de renúncia do pecado e o mais importante é que não estamos sozinhos, mas Cristo está disposto a nos ajudar, sendo através de sua Palavra poderosa ou até mesmo na sua purificação ou santificação.

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