O
mundo pergunta: Quem foi Jesus de Nazaré?
Nós,
que somos discípulos afirmamos: Jesus É!
Parece
um jogo de semântica, mas não é. Jesus não foi um profeta, Jesus não foi um
líder que fundou uma religião. Jesus é Deus que, embora o sendo, não achou que
ser Deus era alguma coisa em si, mas deixou o trono de sua glória, se fez homem
e sendo 100% homem e 100% Deus, venceu o pecado, venceu a morte e por fim, hoje
se assenta no trono de toda a criação, composta pelo universo visível e o mundo
espiritual que não vemos.
Quando
esteve na terra em sua primeira vinda, Jesus foi um judeu comum do primeiro
século, isso até seu batismo, quando chegou à fase adulta. A Bíblia não fala
muito da sua infância, por ser ele um menino comum da palestina. Quando
cresceu, Jesus foi cumprir o que os profetas proclamaram e era, de fato, o
plano de Deus: Curar os enfermos, expulsar demônios e iniciar um movimento de
mudança do mundo (Mt 8.14-22).
Interessante
que a partir dos primeiros discípulos, Jesus vai varrendo Israel com seus
ensinamentos, que nada mais traz, do aplicação prática do que disseram os
profetas antes dele, ao começar por Moisés. Cada Palavra de Jesus é baseada nas
Escrituras, nenhuma só palavra sua é nova, mas ensino do que a Bíblia hebraica
dizia, mas parece diferente, apenas por se tratar de nova linguagem e aplicação
prática.
Os primeiros
discípulos eram em torno de 120, com um público que o seguia com número bem
variável, mas essa grande massa, o seguia apenas para ver onde ia dar, ou
simplesmente pelas curas que Ele realizava. Essa multidão, somavam cerca de 5
mil pessoas. Dentre os 120, Jesus separou 12. Veja, falei no episódio anterior
que era um número importante. Se os patriarcas de Israel eram 12, agora os
representantes da nova aliança também são.
Aqui
cabe uma explicação um pouco melhor, embora vamos falar em um episódio apenas
sobre símbolos e números. 12 é o número da representatividade, como era um
número bem conhecido dos judeus, Jesus selecionou 12 representantes, Apóstolos.
Apóstolo na língua grega, quer dizer enviado, comissionado por alguém,
ou delegado, no sentido que recebeu uma delegação de autoridade. Os 12
representavam Jesus em suas ações. Como podemos ver em Mateus 17.16, Jesus
delegava poder aos apóstolos, mas nem sempre eles corresponderam, porque ainda
não tinham algo marcado neles, ou seja, a presença de Jesus o tempo todo.
Quando
Jesus morre, fica evidente que eles não tinham entendido nada a respeito de
Jesus, porque criam que a qualquer momento Ele ia assumir o controle político
de Israel, algo que não aconteceu, muito pelo contrário, assim como todos os pseudo
profetas e pseudo Cristos, Jesus também morre pela cruz romana.
A Cruz
era o instrumento de tortura e propaganda do império romano. Era pela cruz que
as revoltas se encerravam, hora pela morte de revoltos, hora pela cena grotesca
pelas estradas de roma, que serviam de alerta aos levantes. Só para você ter
uma ideia, a maior crucificação romana que a história conta, foi de um grupo de
escravos revoltos, no ano de 71 a.C, pelo general Pompeu, isso resultou em
6.000 crucificados ao longo de 200 km numa estrada romana chamada de Via Ápia,
uma das mais importantes do império.
Mas porque
Jesus subiu a Jerusalém, se não era para controlar Israel? Era de lá que os
antigos reis governavam e era lá que os profetas disseram que ia governar o
Messias, no trono de Davi.
A
resposta é simples: Jesus precisava morrer à vista de todos, judeus e gentios e
todo o mundo olhava para Jerusalém, não é de hoje que os noticiários tem em
todas as suas manchetes.
Como
um tiro no galinheiro, a crucificação de Jesus põe todo mundo pra correr.
Quando a esperança já havia morrido, os discípulos se trancam de medo, preparam
a retirada de Jerusalém e de repente, mulheres aparecem anunciado o improvável.
Improvável para quem não cria, de fato nas profecias e no próprio mestre, que anunciou
várias vezes que ressuscitaria (Mt 20.17-19), além disso, os profetas avisaram
(Gn 3.15, Is 53, Dn 9.26; Sl 16.8-10, Is 25.8; Sl 68.18; Dn 7.13-14; 1 Sm 2.10;
Sl 16.1; Is 52.13; 53.12).
Jesus
ressuscitou ao terceiro dia, ficou entre os seus discípulos durante 40 dias e
ao fim, deu suas últimas orientações aos discípulos e o principal, soprou seu
Espírito sobre eles.
Em
João 20.22, Jesus sopra seu Espírito sobre os Discípulos, em Atops 1.8, diz que
eles seriam revestidos de poder para aumentar ainda mais seu reino. Jesus sobe
aos céus e 10 dias depois, em Atos 2, acontece a manifestação do Espírito Santo
de Deus.
Um
evento apocalíptico muito interessante acontece em Atos 2, que gera muita
discussão em seus efeitos, mas a Palavra é muito clara do texto base do sermão
de Pedro naquela ocasião, veja Atos 2.16-21:
Mas o
que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos
últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne;
vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e
sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas
derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.
Mostrarei
prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de
fumaça.
O sol
se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e
glorioso Dia do Senhor.
E
acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Em Joel 2.28-32 é a profecia
sobre o derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus, mas é
muito mais profundo a atuação desse espírito, porque o Reino de Israel
espiritual, se expande mais aos limites que o Senhor tinha prometido a Abrão.
apenas em Atos 2, o Evangelho foi anunciado em pelo menos 13 línguas pelo poder
do Espírito Santo, alcançando um território de aproximadamente 1.600 km a
partir do epicentro de Jerusalém.
A
partir daí, a expansão do Reino de Jesus chega até os confins da terra,
conforme previsto pelo profeta Joel, ao ponto desse Evangelho chegar até nós e
ser pregado no mundo inteiro hoje, sendo que, nesse aspecto, se cumpre também a
profecia de Habacuque 2.14: Pois a terra se encherá do conhecimento da glória
do Senhor, como as águas cobrem o mar.
Note
que agora entramos com tudo nos eventos apocalípticos, mas nem saímos da era
apostólica. Viu?
Na
teologia estudamos o Reino do já e ainda não. O reino de Jesus já está entre
nós plenamente executado do ponto de vista espiritual, isso desde sua inauguração
com o próprio Senhor Jesus por ocasião do início do seu ministério (Mt 4.14). Mas
chegará o tempo em que será executado o Reino de Deus com todo o Seu poder,
esse tempo ainda não chegou, mas está bem próximo de se cumprir e quanto a
isso, vemos em Apocalipse que haverá novos céus e nova terra, e é nesse momento,
em que Jesus governará para Sempre como Rei entronizado de forma plena.
É
Nesse contexto que nasce a Igreja, a aplicação do Reino de Deus. Os Cristãos
chegam a números estratosféricos após a Ascenção de Jesus, ao ponto de começar
a incomodar os Romanos.
O
cristianismo passou a ser um grande problema para os romanos, porque além de
mudar a mente das pessoas, dizendo que elas não precisavam mais serem escravas,
por exemplo – se ver bem que não era bem
isso que o Evangelho dizia – além de pregar a vinda de Jesus como rei que
subjugaria todo o mundo.
Pressionados
por isso, o império persegui, matou, censurou, proibiu e incriminou os cristãos
durante pelo menos 3 séculos.
Os
textos apocalípticos do Novo testamento tem início no ano de 65 antes de
Cristo, 5 anos antes da diáspora.
No ano
de 70 depois de Cristo, o império dá ordem para arrasar Jerusalém e expulsar os
Judeus e cristãos de lá. Profeticamente, aí se cumpre muito das profecias do
Antigo Testamento, ao que vamos dedicar um episódio apenas a isso.
O que
falar da expansão do Evangelho por Paulo e os demais apóstolos? Pois é, o Reino
de Deus se estabeleceu com eles e a partir da sua morte, veio um período na
igreja conhecido como patrístico, ou seja, tempo dos pais da Igreja. Esse termo
é adotado porque foi aí que começo a tradição escrita e o estudo sistematizado
da Teologia e dos textos bíblicos. Paulo e os demais discipularam líderes que
formaram outros e assim por diante, até que esses homens começaram a produzir
textos interpretando as Escrituras na ótica dos cristãos, porque até então,
apenas os rabinos judeus faziam isso.
No ano
de 313, o imperador Constantino diz ter uma epifania e se convertido ao
cristianismo, ao que muitos historiadores
discutem essa conversão por ocasião da eminência da queda do império.
Constantino precisava de apoio de amigos e inimigos.
Constantino
não apenas libera o culto, mas passa a controlar a igreja romana, mas veja, as
demais igrejas espalhadas sobre a terra, como a egípcia, grega, bizantina e etc.,
não aceitam o controle de Roma ao que aproximadamente 750 anos mais tarde, vai
culminar na separação entre igreja romana e ortodoxa.
A
partir de Constantino, a igreja passa a ser estatal, com aberrações e heresias
que jamais foram retiradas da igreja oficial, ao que alguns interpretam como a
grande aberração de Daniel (Dn 11), outros como a instauração da Grande
Babilônia e a grande prostituta (Ap 17). Algo que faz muito sentido, mas vamos
falar mais a frente sobre isso também, quando formos falar dos simbolismos de
apocalipse e Daniel. Veja, por isso é tão importante saber da história.
A
mudança de Constantino não impediu a queda do império em 476 d.C., e aí começa
a Idade Média, também conhecida como a idade das trevas. Nesse momento da
história, A igreja oficial do estado passa a ser a mais perversa e abominável
estrutura, dando início a perseguição de judeus, incriminação de todos os que
não eram batizados e não se diziam cristãos.
Poderíamos
falar muito das coisas que aconteceram na idade média, mas além de ser muito
triste, nada de tão especial e diferente aconteceu no período de 479 a 1453, a
não ser pela bizarrice eclesiástica em todos os sentidos e por pouco a igreja
verdadeira não acaba. Heresias foram ratificadas pela igreja Católica, sendo
algumas apagadas da história, outras que, infelizmente perduram até hoje.
O
marco final da Idade média é 1453, com a invasão de Cosntantinopla pelos Turcos
Otomanos, que era a capital do império Bizantino, atual Istambul, capital da
Turquia. Esse marco não apenas foi o ponto alto da ruína do controle
totalitário da Igreja nos Estados europeus, como a entrada dos Árabes na
Europa.
A
partir daí, o mundo passou por mudanças geopolíticas, militares e de controle
descentralizado. Além disso, a cultura geral cresceu, as ciências avançaram e a
religião também foi afetada, surgindo os pré-reformadores da igreja, por
exemplo. Os pré reformadores foram homens que bateram de frente com os ensinos
da igreja deturpados durante séculos e naturalmente foram mortos por isso.
Em 31
de outubro de 1517, Martinho Lutero tem suas 95 teses publicadas e diante da
proteção do império alemão, trava uma verdadeira batalha contra a Igreja de
Roma para reformar a teologia. Ao que A Igreja romana, prontamente lança uma
contra reforma, acrescentando livros à Bíblia e reforçando conceitos como a
venda de indulgências, ou seja, perdão pelos pecados, terrenos no céu, além de
relíquias, que as vezes eram até pedaços da cruz de Cristo, a isso, Calvino,
outro reformador da Igreja disse em 1543: “Se quiséssemos recolher tudo o que
já foi encontrado da cruz de Cristo, daria para lotar um navio. O Evangelho
conta que a cruz podia ser levada por um homem. Encher a Terra com tamanha
quantidade de fragmentos de madeira que nem 300 homens aguentariam levar é uma
desfaçatez”,
Ainda
bem que esse tempo acabou e ninguém mais vende nada em nome da fé, né?
Por
isso precisamos revisitar a história com frequência, como diz o profeta
Jeremias no capítulo 6.16-19:
16Assim
diz o Senhor:
“Ponham-se
à beira dos caminhos
e
olhem;
perguntem
pelas veredas antigas,
qual é
o bom caminho;
andem
por ele e vocês acharão
descanso
para a sua alma.
Mas
eles dizem:
‘Não
andaremos nele.’
17Também
pus atalaias
sobre
vocês, dizendo:
‘Fiquem
atentos
ao som
da trombeta.’
Mas
eles dizem: ‘Não escutaremos.’
18Portanto,
escutem, ó nações,
e
saiba, ó congregação,
o que
vai acontecer com eles!
19Ouça,
ó terra!
Eis
que eu trarei
mal
sobre este povo,
o
próprio fruto
dos
seus pensamentos,
porque
não estão atentos
às
minhas palavras
e
rejeitam a minha lei.
Bem, o papo tá bom, mas vamos
ter que continuar na próxima semana contando o fim da história da Igreja, dessa
vez, até os nossos dias e quem sabe, dar uma olhada na janela para ver o que
temos pela frente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário