quarta-feira, 3 de junho de 2020

O INÍCIO DO FIM




O mundo pergunta: Quem foi Jesus de Nazaré?
Nós, que somos discípulos afirmamos: Jesus É!
Parece um jogo de semântica, mas não é. Jesus não foi um profeta, Jesus não foi um líder que fundou uma religião. Jesus é Deus que, embora o sendo, não achou que ser Deus era alguma coisa em si, mas deixou o trono de sua glória, se fez homem e sendo 100% homem e 100% Deus, venceu o pecado, venceu a morte e por fim, hoje se assenta no trono de toda a criação, composta pelo universo visível e o mundo espiritual que não vemos.
Quando esteve na terra em sua primeira vinda, Jesus foi um judeu comum do primeiro século, isso até seu batismo, quando chegou à fase adulta. A Bíblia não fala muito da sua infância, por ser ele um menino comum da palestina. Quando cresceu, Jesus foi cumprir o que os profetas proclamaram e era, de fato, o plano de Deus: Curar os enfermos, expulsar demônios e iniciar um movimento de mudança do mundo (Mt 8.14-22).
Interessante que a partir dos primeiros discípulos, Jesus vai varrendo Israel com seus ensinamentos, que nada mais traz, do aplicação prática do que disseram os profetas antes dele, ao começar por Moisés. Cada Palavra de Jesus é baseada nas Escrituras, nenhuma só palavra sua é nova, mas ensino do que a Bíblia hebraica dizia, mas parece diferente, apenas por se tratar de nova linguagem e aplicação prática.
Os primeiros discípulos eram em torno de 120, com um público que o seguia com número bem variável, mas essa grande massa, o seguia apenas para ver onde ia dar, ou simplesmente pelas curas que Ele realizava. Essa multidão, somavam cerca de 5 mil pessoas. Dentre os 120, Jesus separou 12. Veja, falei no episódio anterior que era um número importante. Se os patriarcas de Israel eram 12, agora os representantes da nova aliança também são.
Aqui cabe uma explicação um pouco melhor, embora vamos falar em um episódio apenas sobre símbolos e números. 12 é o número da representatividade, como era um número bem conhecido dos judeus, Jesus selecionou 12 representantes, Apóstolos. Apóstolo na língua grega, quer dizer enviado, comissionado por alguém, ou delegado, no sentido que recebeu uma delegação de autoridade. Os 12 representavam Jesus em suas ações. Como podemos ver em Mateus 17.16, Jesus delegava poder aos apóstolos, mas nem sempre eles corresponderam, porque ainda não tinham algo marcado neles, ou seja, a presença de Jesus o tempo todo.
Quando Jesus morre, fica evidente que eles não tinham entendido nada a respeito de Jesus, porque criam que a qualquer momento Ele ia assumir o controle político de Israel, algo que não aconteceu, muito pelo contrário, assim como todos os pseudo profetas e pseudo Cristos, Jesus também morre pela cruz romana.
A Cruz era o instrumento de tortura e propaganda do império romano. Era pela cruz que as revoltas se encerravam, hora pela morte de revoltos, hora pela cena grotesca pelas estradas de roma, que serviam de alerta aos levantes. Só para você ter uma ideia, a maior crucificação romana que a história conta, foi de um grupo de escravos revoltos, no ano de 71 a.C, pelo general Pompeu, isso resultou em 6.000 crucificados ao longo de 200 km numa estrada romana chamada de Via Ápia, uma das mais importantes do império.
Mas porque Jesus subiu a Jerusalém, se não era para controlar Israel? Era de lá que os antigos reis governavam e era lá que os profetas disseram que ia governar o Messias, no trono de Davi.
A resposta é simples: Jesus precisava morrer à vista de todos, judeus e gentios e todo o mundo olhava para Jerusalém, não é de hoje que os noticiários tem em todas as suas manchetes.
Como um tiro no galinheiro, a crucificação de Jesus põe todo mundo pra correr. Quando a esperança já havia morrido, os discípulos se trancam de medo, preparam a retirada de Jerusalém e de repente, mulheres aparecem anunciado o improvável. Improvável para quem não cria, de fato nas profecias e no próprio mestre, que anunciou várias vezes que ressuscitaria (Mt 20.17-19), além disso, os profetas avisaram (Gn 3.15, Is 53, Dn 9.26; Sl 16.8-10, Is 25.8; Sl 68.18; Dn 7.13-14; 1 Sm 2.10; Sl 16.1; Is 52.13; 53.12).
Jesus ressuscitou ao terceiro dia, ficou entre os seus discípulos durante 40 dias e ao fim, deu suas últimas orientações aos discípulos e o principal, soprou seu Espírito sobre eles.

Em João 20.22, Jesus sopra seu Espírito sobre os Discípulos, em Atops 1.8, diz que eles seriam revestidos de poder para aumentar ainda mais seu reino. Jesus sobe aos céus e 10 dias depois, em Atos 2, acontece a manifestação do Espírito Santo de Deus.
Um evento apocalíptico muito interessante acontece em Atos 2, que gera muita discussão em seus efeitos, mas a Palavra é muito clara do texto base do sermão de Pedro naquela ocasião, veja Atos 2.16-21:
Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.
Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça.
O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

Em Joel 2.28-32 é a profecia sobre o derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus, mas é muito mais profundo a atuação desse espírito, porque o Reino de Israel espiritual, se expande mais aos limites que o Senhor tinha prometido a Abrão. apenas em Atos 2, o Evangelho foi anunciado em pelo menos 13 línguas pelo poder do Espírito Santo, alcançando um território de aproximadamente 1.600 km a partir do epicentro de Jerusalém.
A partir daí, a expansão do Reino de Jesus chega até os confins da terra, conforme previsto pelo profeta Joel, ao ponto desse Evangelho chegar até nós e ser pregado no mundo inteiro hoje, sendo que, nesse aspecto, se cumpre também a profecia de Habacuque 2.14: Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.
Note que agora entramos com tudo nos eventos apocalípticos, mas nem saímos da era apostólica. Viu?
Na teologia estudamos o Reino do já e ainda não. O reino de Jesus já está entre nós plenamente executado do ponto de vista espiritual, isso desde sua inauguração com o próprio Senhor Jesus por ocasião do início do seu ministério (Mt 4.14). Mas chegará o tempo em que será executado o Reino de Deus com todo o Seu poder, esse tempo ainda não chegou, mas está bem próximo de se cumprir e quanto a isso, vemos em Apocalipse que haverá novos céus e nova terra, e é nesse momento, em que Jesus governará para Sempre como Rei entronizado de forma plena.
É Nesse contexto que nasce a Igreja, a aplicação do Reino de Deus. Os Cristãos chegam a números estratosféricos após a Ascenção de Jesus, ao ponto de começar a incomodar os Romanos.
O cristianismo passou a ser um grande problema para os romanos, porque além de mudar a mente das pessoas, dizendo que elas não precisavam mais serem escravas, por exemplo – se  ver bem que não era bem isso que o Evangelho dizia – além de pregar a vinda de Jesus como rei que subjugaria todo o mundo.
Pressionados por isso, o império persegui, matou, censurou, proibiu e incriminou os cristãos durante pelo menos 3 séculos.
Os textos apocalípticos do Novo testamento tem início no ano de 65 antes de Cristo, 5 anos antes da diáspora.
No ano de 70 depois de Cristo, o império dá ordem para arrasar Jerusalém e expulsar os Judeus e cristãos de lá. Profeticamente, aí se cumpre muito das profecias do Antigo Testamento, ao que vamos dedicar um episódio apenas a isso.
O que falar da expansão do Evangelho por Paulo e os demais apóstolos? Pois é, o Reino de Deus se estabeleceu com eles e a partir da sua morte, veio um período na igreja conhecido como patrístico, ou seja, tempo dos pais da Igreja. Esse termo é adotado porque foi aí que começo a tradição escrita e o estudo sistematizado da Teologia e dos textos bíblicos. Paulo e os demais discipularam líderes que formaram outros e assim por diante, até que esses homens começaram a produzir textos interpretando as Escrituras na ótica dos cristãos, porque até então, apenas os rabinos judeus faziam isso.
No ano de 313, o imperador Constantino diz ter uma epifania e se convertido ao cristianismo, ao que muitos historiadores  discutem essa conversão por ocasião da eminência da queda do império. Constantino precisava de apoio de amigos e inimigos.
Constantino não apenas libera o culto, mas passa a controlar a igreja romana, mas veja, as demais igrejas espalhadas sobre a terra, como a egípcia, grega, bizantina e etc., não aceitam o controle de Roma ao que aproximadamente 750 anos mais tarde, vai culminar na separação entre igreja romana e ortodoxa. 
A partir de Constantino, a igreja passa a ser estatal, com aberrações e heresias que jamais foram retiradas da igreja oficial, ao que alguns interpretam como a grande aberração de Daniel (Dn 11), outros como a instauração da Grande Babilônia e a grande prostituta (Ap 17). Algo que faz muito sentido, mas vamos falar mais a frente sobre isso também, quando formos falar dos simbolismos de apocalipse e Daniel. Veja, por isso é tão importante saber da história.
A mudança de Constantino não impediu a queda do império em 476 d.C., e aí começa a Idade Média, também conhecida como a idade das trevas. Nesse momento da história, A igreja oficial do estado passa a ser a mais perversa e abominável estrutura, dando início a perseguição de judeus, incriminação de todos os que não eram batizados e não se diziam cristãos.
Poderíamos falar muito das coisas que aconteceram na idade média, mas além de ser muito triste, nada de tão especial e diferente aconteceu no período de 479 a 1453, a não ser pela bizarrice eclesiástica em todos os sentidos e por pouco a igreja verdadeira não acaba. Heresias foram ratificadas pela igreja Católica, sendo algumas apagadas da história, outras que, infelizmente perduram até hoje.
O marco final da Idade média é 1453, com a invasão de Cosntantinopla pelos Turcos Otomanos, que era a capital do império Bizantino, atual Istambul, capital da Turquia. Esse marco não apenas foi o ponto alto da ruína do controle totalitário da Igreja nos Estados europeus, como a entrada dos Árabes na Europa.
A partir daí, o mundo passou por mudanças geopolíticas, militares e de controle descentralizado. Além disso, a cultura geral cresceu, as ciências avançaram e a religião também foi afetada, surgindo os pré-reformadores da igreja, por exemplo. Os pré reformadores foram homens que bateram de frente com os ensinos da igreja deturpados durante séculos e naturalmente foram mortos por isso.
Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero tem suas 95 teses publicadas e diante da proteção do império alemão, trava uma verdadeira batalha contra a Igreja de Roma para reformar a teologia. Ao que A Igreja romana, prontamente lança uma contra reforma, acrescentando livros à Bíblia e reforçando conceitos como a venda de indulgências, ou seja, perdão pelos pecados, terrenos no céu, além de relíquias, que as vezes eram até pedaços da cruz de Cristo, a isso, Calvino, outro reformador da Igreja disse em 1543: “Se quiséssemos recolher tudo o que já foi encontrado da cruz de Cristo, daria para lotar um navio. O Evangelho conta que a cruz podia ser levada por um homem. Encher a Terra com tamanha quantidade de fragmentos de madeira que nem 300 homens aguentariam levar é uma desfaçatez”,
Ainda bem que esse tempo acabou e ninguém mais vende nada em nome da fé, né?
Por isso precisamos revisitar a história com frequência, como diz o profeta Jeremias no capítulo 6.16-19:
16Assim diz o Senhor:
“Ponham-se à beira dos caminhos
e olhem;
perguntem pelas veredas antigas,
qual é o bom caminho;
andem por ele e vocês acharão
descanso para a sua alma.
Mas eles dizem:
‘Não andaremos nele.’
17Também pus atalaias
sobre vocês, dizendo:
‘Fiquem atentos
ao som da trombeta.’
Mas eles dizem: ‘Não escutaremos.’
18Portanto, escutem, ó nações,
e saiba, ó congregação,
o que vai acontecer com eles!
19Ouça, ó terra!
Eis que eu trarei
mal sobre este povo,
o próprio fruto
dos seus pensamentos,
porque não estão atentos
às minhas palavras
e rejeitam a minha lei.

Bem, o papo tá bom, mas vamos ter que continuar na próxima semana contando o fim da história da Igreja, dessa vez, até os nossos dias e quem sabe, dar uma olhada na janela para ver o que temos pela frente.

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