quinta-feira, 28 de abril de 2016

Encontros Com Deus - Ver não é Encontrar Parte 1

Encontros Com Deus

Ver não é Encontrar

Texto: Genesis 32.1,2, 22-31

1Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encontro dele. 2Quando Jacó os avistou, disse: “Este é o exército de Deus!” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.
.....

22Naquela noite, Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque. 23Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía. 24E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer. 25Quando o homem viu que não poderia dominar Jacó, tocou-lhe na articulação da coxa, de forma que a deslocou enquanto lutavam. 26Então o homem disse: “Deixe-me ir, pois o dia já desponta”. Mas Jacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”.
27O homem lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”
“Jacó”, respondeu ele.
28Então disse o homem: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu”.
29Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nome”.
Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome?” E o abençoou ali.
30Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada”.
31Ao nascer do sol, atravessou Peniel, mancando por causa da coxa. 32Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.


Introdução

Jacó era filho de Isaque, daí a expressão Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Sua história é uma saga em busca de paz, já que sua vida toda é marcada por experiências de lutas familiares e aflições, mas no meio de sua vida algo maravilhoso e assustador acontece, Jacó tem um Encontro com Deus.

A história de Jacó começa nas Escrituras como num conto de histórias infantis, pois sua mãe não poderia ter filhos, mas seu pai, que tivera um encontro com Deus, ora em favor dela e finalmente engravida (Gn 25.21). Mas algo começa ficar estranho naquela gravidez, pois segundo a Bíblia, Rebeca começa a sentir coisas estranhas e ao consultar ao Senhor, Ele lhe diz que há dois povos em seu ventre que já disputam espaço desde ali (Gn 25.23). Interessante que quando nasce, percebem que trata-se de gêmeos mesmo, e o mais curioso é que um nasce segurando no calcanhar do outro, como se quisesse nascer primeiro.

Jacó no hebraico quer dizer suplantador, alguns afirmam que ao pé da letra é aquele que segura o calcanhar. Isso cria um problema no crescimento dos dois filhos de Isaque, pois na cultura judaica, o filho mais velho tinha direitos e benefícios muito superiores aos outros filhos, isso significa que um estigma foi lançado sobre Jacó, ele seria o trapaceiro.

Sempre recomendamos aos pais de primeira viagem que verifiquem o significado dos nomes antes de dá-los aos seus filhos. Minha filha, por exemplo, tem o nome de Sarah Emanueli. Esse nome foi escolhido quando eu tinha aproximadamente 8 anos de idade e porque conhecia o significado. Sarah é princesa e Emanueli significa Deus conosco. Sabia desde minha infância que queria que minha filha tivesse em si a presença de Deus. Quando nasceu meu segundo filho, quis dar a ele essa marca também, então dei o nome a ele de Asaf Emanuel. Asaf quer dizer “Levantado” e Emanuel “Deus conosco”.

Uma reputação tão manchada quanto o seu nome, esse era o destino de Jacó, mas não era o que Deus queria para ele. Destino parece não fazer sentido quando temos um Deus que controla nossa vida, Ele sempre está pronto para mudar nossa história. Foi o que ocorreu na história de Jacó, mas antes, o Senhor permitiu que muitas outras coisas ocorressem na vida deste homem.

Dois filhos muitos diferentes tinham Isaque e Rebeca, nada como nos nossos dias em que os filhos são iguais, não é? Brincadeiras á parte, todas as famílias tem pessoas diferentes umas das outras, mas o que não poderia acontecer era justamente a predileção por causa dos hábitos ou perfil, como ocorreu na história de Jacó e Esaú. Todo pai gostaria que seus filhos homens fossem durões e cheios de vontade em competir em esportes e também fossem hábeis com as moças, mas não era o caso de Jacó, pelo contrário, era pacato e sua mãe preferia isso, como um filho que fica colado na saia da mãe. Enquantoisso, Esaú era um caçador, tinha um corpo atlético, então era o preferido de Isaque.

A predileção por filhos é um problema que complicou, não somente esta história, mas muitas outras ao longo dos séculos (Gn 25.28). Isso pode causar um grande problema também nos lares atualmente. Ainda que os pais não prefiram um filho ao outro, muitas vezes elegem aquele que é mais frágil, está mais propenso a doenças, e isso é um problema, pois a todo o momento estamos sendo observados, por isso, sempre trate seus filhos da mesma forma. Quando um estiver doente, busque também dar tempo de qualidade para o outro, se um é mais esperto na escola, não é por isso que não precisa que se interesse pelo que ele está aprendendo, mesmo que seja enfadonho e ele realmente não precise de ajuda. Se há filhos mais novos e outros mais velhos, jamais tire os olhos de todos, mas sempre dê carinho e atenção igual. O problema de Jacó e Esaú era a pressão familiar aliada ao que o mundo dita. Um era mais forte, o outro mais fraco, um era mais inteligente, o outro era mais prático, um era mais velho, o outro deveria ficar com as migalhas.

Jacó cresceu com esses estigmas e um dia resolveu tentar se livrar dos problemas familiares e sociais. Era costume que o filho mais velho fosse o sucessor do pai em todos os sentidos, tanto que na Bíblia somente vemos os primeiros filhos registrados nas genealogias, com raras exceções. Jacó prepara um alimento e seu irmão vem de um tempo de caçada, então Jacó faz “jacozice”, e engana seu irmão, faz um acordo, se Esaú lhe entregasse de mão beijada seu direito de filho mais velho, então comeria. Realmente não sei quem é o pior nesta história, se Jacó o trapaceiro, enganador e mercenário, ou Esaú que não estava nem aí para as coisas de seu pai nem de Deus. 

Atualmente existem pessoas que trocam a casa de Deus, o direito de ser chamado filho de Deus (Jo 1.12) por qualquer outra coisa. Existem muitos enganadores da fé, por exemplo, que estão ávidos para trapacear e pregar um Evangelho diferente do que Cristo deixou, e muitos estão caindo nas artimanhas destas pessoas. Vender a fé não é tão difícil, pois o mercado está bem acelerado, diferente da economia de nosso país. Existem pastores oferecendo toalhinhas ungidas, rosas milagrosas e copos de água que curam tudo. Mas esse não é o maior perigo, os enganadores piores dizem que seguir a Cristo é fácil e estão barateando o Evangelho. Alguns chegam a dizer que não precisa se preocupar com o pecado, pois Cristo já o pagou e ainda chamam isso de Graça escandalosa ou outros adjetivos. Conheço pessoas que ficam pulando de igreja para igreja, cada vez que seus pecados são apontados numa mensagem, por exemplo.

O direito a primogenitura não era para ser barato, muito pelo contrário, pensemos que Isaque tinha tendas, poços, bois, vacas, jumentos, camelos, terras e escravos, algo que no dia de hoje poderia ser comparado aos grandes impérios como as marcas da televisão. Será que um prato de comida pagava realmente o direito de ser herdeiro de Isaque?

Somo filhos de Deus por causa da grande graça e misericórdia de Deus, mas muitas vezes trocamos toda a nossa herança pelo pecado que é passageiro. Muitas pessoas trocam de igreja porque o sermão do pastor é carregado de luta contra o pecado. Jovens tem abarrotado as igrejas liberais, como é o caso de algumas igrejas com o nome estrangeiro e outras com um nome bem descolado. Lá é pregado o slogam: “Venha do jeito que está”!  Bem, este é um mote bíblico, mas não podemos ficar como estamos, a partir do momento em que a mensagem do Evangelho entra em nossa vida precisa ocorrer mudança imediata no caráter, ao que chamamos de conversão, ou no texto original da Bíblia “metanoia”. Fuja de quem não tem uma palavra dura, pois a Bíblia afirma que nos últimos dias surgiriam bajuladores e outros que não agüentariam a Sã doutrina (2Tm 4.2-4).

Não negocie jamais o direito de ser chamado filho de Deus!!!

Depois de ter trapaceado seu irmão, Jacó segue a sua vida sossegado, pois não tinha mais motivos para se preocupar, seria o herdeiro de tudo. Mas não para por aí, Isaque pensa que logo morrerá, então chama seu filho Esaú e diz que vai morrer em breve e não pode partir sem deixar a benção para Ele. Esse ato era muito importante também na antiguidade, pois revelava que tudo o que o pai recebeu de Deus, agora será do filho, sejam as bênçãos materiais, como as benção espirituais.

Isaque está cego e impossibilitado de perceber uma trama entre sua esposa e filho mais novo. Rebeca “ouve atrás da porta” a conversa de Isaque e Esaú e corre avisar seu filho predileto: Corra e avance na frente de seu irmão mais uma vez, tome a benção no lugar dele.

Poderíamos gastar bastante tempo falando das bênçãos de Abrão, Isaque e agora será repassada a Jacó, mas o mais importante é perceber hoje que Jacó era um trapaceiro e nada mudaria esta natureza, além disso, Jacó comete três pecados muito grandes neste momento:

  • Envolve sua mãe no negocio (Gn 27.1-17) – Ainda que ela diga que as maldições por este ato recaíssem sobre ela, Jacó poderia e deveria proteger sua mãe, não aceitar essa corrupção.  Quantos aceitam desobedecer a Deus e colocam a culpa sobre os ombros de outros dizendo: “Mas ele disse que não dava nada”.

  • Envolve Deus no negócio (Gn 27.20) – Quem lhe deu o privilégio de preparar a caça o mais rápido possível foi a Senhor. Muitos ganham as coisas ilicitamente e dizem que foi graças a Deus e a força de seu trabalho. Isso mostra que as pessoas não tem mais temor nenhum do Todo Poderoso, pelo contrário, fazem se escondendo atrás de sua fé. Fui informado esta semana de um pastor que ficou devendo muitos meses de aluguel para um não crente e isso me trouxe uma tristeza muito grande, pois é assim que o povo de Deus é conhecido, como Jacós que não tiveram um encontro com Deus, pois todos sabem que a partir do Encontro genuíno com Deus, nossa atitude é transformada! Outros ainda, se escondem atrás de uma religiosidade e dizem que foi Deus quem mandou fazer alguma coisa e no fim das contas vemos que na verdade era somente para beneficio próprio. Há muitos exemplos de pessoas que tomam o nome do Senhor para dizer que são Dele, mas na verdade, são filhos do diabo (Jo 8.44; Mt 7.23).

·       Envolve seu pai no negocio (Gn 27.33) – Isaque fica profundamente confuso, mas o pior, ele fica abalado com o que seu filho fora capaz de fazer. Muitas pessoas não se compadecem de sua família ao tomar decisões que as envergonha. Pessoas se entregam a vícios, pornografias, abandono da família por paixões e tantas outras coisas que quando são descobertas causam vergonha e profundo abalo. Se não há mais temor de Deus, então pelo menos amor aos pais, mas nos nossos dias nem isso é possível, infelizmente.

Jacó provoca seu irmão a ponto de Esaú querer lhe matar, por isso foge com o auxílio de sua mãe e agora, como era o sucessor de Isaque, seu pai lhe chama para que siga os seus passos. Isso mostra que a promessa de Deus deve continuar, Ele jamais se frustra e nunca é trapaceado. Não podemos jamais admitir que Jacó fez tudo o que fez por que tinha o apoio de Deus, pois muito pelo contrário, tudo o que fez de errado teve conseqüência. Por exemplo, quando enganou seu irmão, teve uma conseqüência quanto ao tratamento, quando enganou seu pai, agora tem de fugir e viver errante.

Jacó segue viagem e consegue encontrar-se com seus parentes e segue a recomendação de seu pai em se casar com uma parente, mas como já dissemos, as conseqüências de nossos erros sempre nos perseguem e Jacó, o traidor e trapaceiro, agora também é trapaceado e ao invés de ganhar a moça por quem estava apaixonado, ganha a outra (Gn 29.14-30).

Jacó não perde a mania de trapacear, e desta vez começa a suplantar seu sogro lhe tomando aos poucos todo o rebanho, mas desta vez, é surpreendido pelo Senhor quando Este lhe diz: Jacó, não precisa roubar, basta me ouvir e prosperará! (Gn 30.27; 33; 31.1-13). Alguns interpretam esta passagem dizendo que foi Deus quem orienta a Jacó como roubar Labão, mas a Palavra não dá margem para isso, ao contrário, nos mostra que o Senhor diz que Ele mesmo lhe dará o sustento, não Labão ou o roubo.

Jacó estava fazendo uma espécie de mandinga para que os rebanhos dessem crias malhadas e salpicadas, mas o que ele de fato não sabia, é que Deus é quem estava fazendo, não sua trapaça (Gn 31.12). Muitas vezes fazemos as coisas erradas e percebemos que estamos sendo bem sucedidos, então pensamos que é por causa de nosso erro, ou então, porque temos o apoio de Deus, mas na verdade é por que Deus tem um propósito, caso contrário, estaríamos perdidos. Já vi inúmeros casos de pessoas curadas, por exemplo, por causa de imagens de escultura, benzimentos e outros, mas na verdade, era o Senhor, pois há um propósito na vida desta pessoa.

Jacó é desafiado por Deus para voltar a sua terra natal, não porque as coisas estavam ruins, mas porque o Senhor tinha um plano para a vida de Jacó e seus familiares, além disso, a promessa de Deus para a prosperidade ainda era maior, sua prole seria ainda maior também e a terra em que seus pais moravam seria de seus descendentes.

Quantos de nós perdemos tempo pensando na prosperidade, emprego, segurança e não obedecemos ao Senhor para receber de suas promessas que, de fato, são maiores do que o que temos no momento?

Lembro que quando fui chamado ao ministério na Igreja Batista Semeai, ainda estava trabalhando no Banco do Brasil, com um salário bom e toda uma chance de prosseguir na carreira. Muitos de meus colegas que entraram comigo no BB, hoje são gerentes e eu me especializei para isso também, ao ponto que eu era um dos melhores pontuados para as vagas posteriores à minha. Acontece que Deus me chamou e assim como Samuel, Isaías e outros profetas eu disse ”Eis-me aqui”. Quando assumi a igreja optei por não progredir na carreira e tomei a decisão de recuar, ou seja, pedi o descomiionamento e passei a trabalhar apenas 6 horas por dia, com perda salarial e tudo mais.  Hoje eu poderia ser muitas coisas, mas certamente não tão feliz como sou, além do mais, ganhando muito mais do que ganho, com um prestígio humano muito elevado também, mas preferi deixar a minha vida nas mãos de Deus.

O começo da virada na vida de Jacó não foi Peniel, como todos imaginam, mas a decisão de deixar a sua zona de conforto.

Deixe hoje aquilo que te faz descansar e troque pelo descanso que Deus lhe dá. Vejamos alguns dos desafios:

·        Jacó deixa a terra de seu sogro, sua forma de sustento, e corre para a terra que Deus lhe tinha prometido. Isso demonstra obediência.

·        Jacó viaja para a Terra de Canaã, mesmo que tivesse um longo caminho pela frente com toda a sua família (cerca de 750 Km). Isso demonstra disposição

·        Jacó segue, ainda que seu irmão quisesse o assassinar por ter enganado. Aí vemos um arrependimento por parte de Jacó.

·        Jacó segue para tomar posse da terra de Canaã, ainda que soubesse que haviam moradores poderosos ali. Isso demonstra a fé nas promessas de Deus.

Jacó foge mais uma vez, aplica a obediência, mostra arrependimento, mas as práticas continuam as mesmas. Jacó precisa ter seu comportamento mudado, não somente sua forma de ver o mundo. Algumas pessoas crêem em Jesus, sabem que o céu existe, sabem que precisam obedecer, até mesmo pregam isso, mas eles mesmos não obedecem.

Jacó foge de seu sogro mas logo é alcançado, pois ninguém consegue trapacear, fugir ou mentir por muito tempo. Jacó está com 12 filhos, alguns adultos e outros ainda crianças, além disso, está com um rebanho transitando, por deserto, campos, matas ou cidades.

Talvez você esteja fugindo do combate contra o pecado, ou até mesmo do embate com outras pessoas por causa de sua fé, mas saiba, não poderá fugir para sempre, pois Jacó fugiu algumas vezes, mas sempre Deus o alcançou, seja através do castigo, cumprimento da Sua vontade ou até, através da vida do seu oponente, como foi o caso agora com Labão, seu sogro.

Jacó consegue se resolver com seu sogro (Gn 31.43-55), mas ainda não tinha relacionamento verdadeiro com Deus, antes, sua religiosidade era baseada no que seu pai e avô criam, não ele (Gn 31.53), ainda assim, Jacó oferece um sacrifício, algo que estava habituado a fazer, mesmo sem saber o porquê (Gn 28.18; 31.54; 32.9). Muitas pessoas rezam, oram, fazem promessa, mas não tem relacionamento com Deus, daí à menor dificuldade com a fé, a abandona. Se o pastor lhe repreende, se o irmão lhe exorta, tudo é motivo para se deixar a fé de lado, aliás, fé não, a crença.

Existe uma barreira entre a crença e a fé. A crença produz crente, quanto a fé, produz filhos de Deus. É muito diferente, embora a seja tênue a diferença entre uma e a outra, na verdade, basta ao crente tomar uma decisão para se tornar um filho de Deus, pois crer não é o bastante.      

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Encontros com Deus Cada um Precisa ter o Seu

Encontros com Deus

Cada um Precisa ter o Seu

Texto: Genesis 26.1-25
1Naquela região houve uma época de falta de alimentos, como tinha acontecido antes, no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi até a cidade de Gerar, onde vivia Abimeleque, o rei dos filisteus. 2Ali o Senhor Deus apareceu a Isaque e disse:
— Não vá para o Egito. Fique na terra que eu vou lhe mostrar. 3Por enquanto fique morando neste lugar, e eu estarei com você e o abençoarei. Darei aos seus descendentes todas estas terras e assim cumprirei o juramento que fiz a Abraão, o seu pai. 4Farei com que os seus descendentes sejam tão numerosos quanto as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras. Por meio dos seus descendentes eu abençoarei todas as nações do mundo, 5pois Abraão me obedeceu e cumpriu as minhas ordens, os meus mandamentos, as minhas leis e os meus ensinamentos.
6Assim, Isaque ficou morando em Gerar. 7Quando os homens do lugar lhe fizeram perguntas sobre a sua mulher, ele disse que ela era sua irmã. Rebeca era muito bonita, e Isaque tinha medo de dizer que ela era a sua mulher, pois pensava que os homens do lugar o matariam para ficarem com ela.
8Isaque ficou ali muito tempo. Um dia Abimeleque, o rei dos filisteus, olhou por uma janela e viu Isaque acariciando Rebeca, a sua mulher. 9Então Abimeleque mandou chamar Isaque e perguntou:
— Ela é a sua mulher, não é verdade? Por que você disse que ela era sua irmã?
— É que eu pensei que me matariam se eu dissesse que ela era a minha mulher — respondeu Isaque.
10Aí Abimeleque disse:
— Por que você nos fez isso? Um de nós poderia facilmente ter ido para a cama com ela, e você teria feito com que a culpa caísse sobre nós.
11Então Abimeleque mandou a todo o seu povo o seguinte aviso: “Se alguém tratar mal este homem ou a sua mulher, será morto.”
12Naquele ano Isaque fez plantações ali e colheu cem vezes mais do que semeou, pois o Senhor Deus o abençoou. 13Ele foi enriquecendo cada vez mais e se tornou muito rico e poderoso. 14Isaque tinha tantas ovelhas e cabras, tanto gado e tantos empregados, que os filisteus acabaram ficando com inveja dele. 15Por isso eles entupiram com terra todos os poços que os empregados de Abraão, o pai de Isaque, haviam cavado no tempo em que Abraão ainda estava vivo. 16Até que um dia Abimeleque disse a Isaque:
— Vá embora da nossa terra. Você ficou muito mais poderoso do que nós.
17Isaque saiu dali, armou as suas barracas no vale de Gerar e ficou morando ali por algum tempo. 18Ele tornou a abrir os poços que haviam sido cavados no tempo de Abraão e que os filisteus haviam tapado depois da sua morte. E Isaque pôs nos poços os mesmos nomes que o seu pai havia posto.
19Um dia os empregados de Isaque estavam no vale abrindo um poço e acharam uma mina de água. 20Os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, afirmando que a água era deles. Por isso Isaque deu a esse poço o nome de “Discussão”.
21Depois os empregados de Isaque abriram outro poço e por causa dele também houve discussão. Então Isaque pôs nele o nome de “Inimizade”.
22Isaque saiu dali e abriu outro poço. E, como não houve discussão por causa desse, ele o chamou de “Lugar Espaçoso”. Ele disse:
— Agora o Senhor Deus nos deu um lugar espaçoso para viver nesta terra, e aqui vamos ficar à vontade.
23Dali Isaque foi para Berseba. 24Naquela noite o Senhor apareceu a ele e disse:
— Eu sou o Deus de Abraão, o seu pai. Não tenha medo, pois eu estou com você. Por causa do meu servo Abraão, eu abençoarei você e farei com que os seus descendentes sejam muitos.
25Isaque construiu um altar ali e adorou a Deus, o Senhor. Ele armou as suas barracas naquele lugar, e ali os seus empregados cavaram outro poço.

Introdução

Isaque era filho do Pai Abraão, o pai da fé, o homem que teve um relacionamento tão estreito com Deus que Ele mesmo revelou desejos do seu coração com relação a humanidade (Gn 18.17),  revelou o que haveria de acontecer a Abraão e seus descendentes em mínimos detalhes, e isso, até os dias de hoje (Gn  15.13-16; 22.15-18). Isaque, por sua vez, vivia a fé de seu pai, pois era testemunha de uma fé inabalável, além disso, ele mesmo havia provado do tamanho da fé de seu pai quando quase foi oferecido em sacrifício no monte Moriá (Gn 22).

Agora, Isaque está sem seu pai, com uma responsabilidade enorme, a de dar continuidade o sonho de Deus, mas como se o Deus era de Abraão, não dele mesmo? (Gn 26.24a)

Sabemos que Deus não tem netos, somente filhos, então não podemos jamais ter o relacionamento com Deus a partir das experiências de outras pessoas, mas as nossas próprias experiências, então, busquemos isso com intensidade do coração e atitudes.

Isaque estava tentando viver sua vida com a experiência de seu pai, não somente as experiências espirituais, mas também as práticas, pois quando chega em Gerar, repete algo que seu pai havia feito (Gn 26.1). Isaque tentou reproduzir os passos de seu pai sem ao menos consultar o Senhor, algo que fica bem claro em Genesis 26.2, quando o Senhor alerta: “Não desça ao Egito”. Isso quer dizer que Isaque estava com o coração pronto a repetir os passos de Abraão sem pensar e sem ao menos saber o que Deus queria dele.

Deus continuou ao redor de Isaque ao ponto de interferir na decisão de Isaque se encontrar com Ele, mas ao mesmo tempo, se põe a sua disposição e também lhe dá a garantia de cuidado, proteção e provisão (Gn 26.3). Deus pede paciência a Isaque, e lhe recomenda que espere o tempo adequado para o milagre acontecer. Isaque ouve, pois a final de contas, seu pai obedecia a Deus e tudo lhe ia bem. Isso acontece com muitas pessoas hoje, pois permanecem na Igreja, ouvem a mensagem, mas na verdade o fazem, somente porque viram que dá certo com outras pessoas, mas isso não sai do coração, não é uma atitude auto gerada, somente é tomada com base no que viram, não de uma atitude movida por um relacionamento direto e íntimo com Deus.

A vida de Isaque não foi muito fácil, mesmo obedecendo ao que Deus mandou. Isso me lembra das relações que temos com Deus por causa de obedecer aos preceitos bíblicos. Muitos de nós obedecemos a Bíblia, mas não a Deus. Isso parece contraditório, mas na verdade não é. Os fariseus eram um exemplo de obediência aos preceitos bíblicos, culturais e tradicionais, mas mesmo obedecendo ipsis litteris ao que estava escrito,não obedeciam a Deus, e isso foi o que Jesus mais rejeitou e criticou em seu ministério (Mt 23.13-39). Alguns religiosos vestem roupas diferentes para cumprir as Escrituras, outros ainda, vem à igreja em todas as reuniões, mas jamais tiveram um relacionamento com Deus, não obedecem aos preceitos bíblicos, mesmo cumprindo tudo o que está escrito, pois Jesus ensinou o mandamento do amor, a Deus, por um desejo do coração e adoração sincera e total (Jo 4.24) e ao próximo como se estivéssemos fazendo a nós mesmos (Mt 7.12).

Isaque estava repetindo os passos de seu pai, mas não era isso o que Deus desejava, assim como não é isso que Deus deseja de nós. Deus não quer que tenhamos as experiências de nossos pais, mesmo que os pais na fé, como os pastores e discipuladores, aliás, Deus não quer que tenhamos a experiência de mais ninguém, mas a nossa própria experiência com Ele e hoje nos convida a mais um encontro.

Hoje poderemos ver à luz deste texto, que Deus quer ter encontros conosco distinto de outras pessoas e também encontros distintos do que já tivemos no passado.

DESENVOLVIMENTO

Isaque agora tinha de se estabelecer e esperar que a fome daquela região passasse e que a seca acabasse, mas não é por isso que parou, mas procurou cavar os poços que seu pai tinha cavado, e isso voltou a ser um problema. O mesmo erro que cometera ao tentar seguir os passos de seu pai, pois não era isso que Deus queria. Deus não queria que Isaque continuasse a ser o “Abraãozinho”, mas que fosse o Isaque, um homem de encontros com Deus.

Interessante nesta história é a saga em busca de água, perceba que Isaque busca cavar os mesmo poços de seu pai (Gn 26.18), mas não somente isso, procura dar os mesmos nomes, isso indica que ele estava tentando mais uma vez reviver a história, vivendo á sombra do nome de Abraão, mas não percebe que não era isso que Deus queria, continua dando murro em ponta de faca. Um problema acontece, e Isaque deixa os poços para lá e continua a cavar, mas desta vez, percebe que deveria arriscar mais e viver menos a vida de seus antepassados.

Neste ponto, muitas vezes vemos um problema sério, pois arriscamos sem buscar a Deus, assim como Isaque. A intenção correta do jeito errado. Devemos sempre buscar a Deus pelo nosso esforço e buscando viver a nossa própria experiência, mas jamais podemos esquecer do que houve no passado. Abraão era um homem de bem, e onde estabelecia seu acampamento era bem quisto também, mas não aconteceu o mesmo com Isaque, pelo contrário, chegou com inimizades (Gn 26.7-11).

Isaque não apenas tentou imitar os acertos de seu pai, mas também os mesmo erros (Gn 20.1-18). Quantas vezes repetimos os mesmos erros de nossos pais e culpamos eles, a Deus e qualquer outras pessoas. Alguns chamam isso de maldição hereditária, mas eu vejo apenas como uma decisão mal tomada, uma vontade de repetição. Isaque sabia da história de seu pai em Gerar, e sabia que Deus havia protegido ele mesmo que houvesse mentido, pois tinha uma promessa. Agora, Isaque também tinha uma promessa de Deus (Gn 26.3), mas como seu pai, Isaque confiou mais em si do que em Deus. Temos confiado mais em nós mesmos ou em Deus? Em nossas mentiras, em nossos planos, em nossa força, em nosso estilo de vida?

Uma ilustração interessante desses poços de Isaque é o fato de ele dar nomes a eles, não pelo fato de nomear em si, pois os seres humanos sempre nomearam as coisas, isso faz parte de nosso trabalho nesta terra, mas com relação aos nomes que ele deu, vejamos:

A)  Os mesmos nomes de seu pai (Gn 26.18) – Isso, como já dissemos, trata-se de uma tentativa de imitação, uma forma de viver os passos sem criatividade, sem opinião própria e pior, sem a direção de Deus para si, mas vivendo a espiritualidade de seu pai, ouvindo a voz de Deus para Abraão, não para si.

B)  Eseque (Gn 26.20) – Contenda – Mostra a vida dolorosa de Isaque em busca dos seu sonhos e felicidade, mas também das lutas que teve até descansar em Deus e viver os sonhos Dele. Muitos de nós temos lutas infindáveis nesta vida e muitas delas porque resolvemos fazer do nosso jeito, perseguindo os nossos sonhos e muitas vezes os sonhos das outras pessoas, mas o que realmente nos faz ter sucesso é o sonho de Deus para nós. Isaque teve que lutar com as próprias forças enquanto batalhava, brigava e contendia por suas próprias batalhas, mas quando resolveu deixar Deus peleiar por ele, tudo muda. Deixe deus batalhar por você e pare de travar batalhas com pessoas, mas promova uma guerra espiritual, e guerra espiritual se vence de joelhos, não com armas nas mãos. 2Crônicas 20 diz que um rei de Israel não tinha como vencer o exército inimigo, então ele buscou ao Senhor, conclamou um jejum, quando seres humanos buscariam treinar e se preparar para a batalha, mas ao final deste tempo de busca pelo Senhor, Ele disse ao Rei: A Batalhe é minha, não de vocês! Então josafá e todo o povo louvaram ao Senhor e o rei trocou o fronte do exército, com armas e lanças, por uma equipe de louvor, ao fim, os exércitos amonitas e moabitas se destruíram e o exército de Israel não precisou lutar. Creia, suas batalhas o Senhor vai lutar, mas você precisa sair da frente e somente adorar e louvar a Deus, assim como Josafá e Israel.   

C)  Sitna (Gn 26.21) – Inimizade – Muitas vezes somos desafiados pelo mundo e percebemos que o mundo nos detesta. Isaque era detestado porque tinha a promessa de Deus viva nele, ao ponto de tudo o que fizesse prosperava. Muitas vezes nossa vida provoca inimizade por causa de inveja e ressentimento de outras pessoas, a isso Jesus disse que se fosse por causa dele deveríamos nos alegrar (Mt 5.11), mas preste atenção, a inimizade que Deus nos protege é aquela provocada por sermos dele, não aquelas que provocamos por causa de nosso jeito relapso ou provocativo de ser. Muitas pessoas vivem uma vida indigna, não trabalham direito e por fim acabam falando que estão sofrendo perseguição por que são crentes. Isso chega a ser uma blasfêmia, pois de Deus não se zomba, aquilo que o homem plantar, certamente colherá (Gl 6.7).

D)  Reobote (26.22) – Alargamento – Isaque começa a receber da promessa quando ouve a Deus e aprende a descansar Nele. Deus prometeu que a terra de Canaã toda seria da descendência de Isaque, mas ele mesmo estava tentando conquistar, agora, Deus ensina para Isaque que o cuidado, provisão e presença Ele mesmo supriria. Além disso, Deus mostra para Isaque que ele não precisaria se preocupar com a batalha, nem com a inimizade, mas somente com servir, obedecer e crer em Deus. Muitas vezes perdemos tempo demais buscando batalhar pelas coisas, buscando resolver conflitos e buscando reconstruir nossa história, mas somente teremos êxito se buscarmos mais ao Senhor e menos fazermos as coisas do nosso jeito. Deus promete alargar nossas divisas, isso quer dizer que nada nos faltará e também que teremos crescimento. Não estou pregando a doutrina da teologia da prosperidade, mas da provisão essencial, ou seja, Deus promete nos dar tudo aquilo que precisamos. Alargamento é o mesmo que prosperidade e prosperidade bíblica é ter o suficiente. Suficiente para viver, suficiente para suprir, suficiente para repartir. Deus nos dê sempre o alargamento, a prosperidade o suficiente! Tudo muda na vida de Isaque quando entende que não deveria contruir poços, mas altares, nãoq eu não devesse lutar pela vida e trabalhar duro, mas que deveria primeiro buscar a Deus e adorá-lo (Gn 26.25). Busque a Deus, o adore e certamente você conquistará mais!

E)  Berseba (Gn 26.32) – Poço do juramento – Isaque consegue finalmente a paz que desejava, não a ausência de guerras e lutas, porque vemos que Isaque tem uma vida de lutas até o fim, assim como foi antes dele, aliás, essa é a promessa de Deus. Cremos nas promessas de vida e prosperidade, mas nos esquecemos que Deus prometeu que teríamos aflições (Jo 16.33). Nosaa vida é difícil por causa de nossos pecados, e isso Deus prometeu como castigo (Gn 3.17-19). Mas mesmo neste cenário, devemos entender a promessa do Filho de Deus: Tenham bom ânimo, eu venci o mundo! Devemos ter a paz que Deus dá, não como o mundo, não teremos ausência de lutas, mas Jesus fez um juramento, o que estaria conosco, nos daria a paz e batalharia por nós (Jo 14.27, Mt 28.20). Devemos crer no juramento de Deus e viver a vida para Ele, assim ele fará com que prosperemos e vivamos a vida que Ele deseja, uma vida de Paz.


Por fim, tome a decisão de ter o teu próprio encontro com Deus e faça como Isaque, mas não tente repetir os passos de outros, mas busque o seu próprio relacionamento com Deus agindo assim:

1 – Persista, pois Se encontrará com Deus (Gn 26.22)

2 – Aceite o convite, pois Deus Chama ao Encontro (Gn 26.23)

3 - Não construa poços, mas altares (Gn 26.25)


Conclusão

Deus deseja ter encontros conosco, não somente para termos uma presença, sentirmos um poder, ou qualquer coisa que outras pessoas digam, mas para que tenhamos relacionamento íntimo, direto e duradouro com Ele. Ele quer nos dizer o que pensa a nosso respeito e o que deseja de nós, e certamente Ele nos fará melhor do que pensamos que faríamos sozinhos, pois infinitamente melhores são os planos de Deus (Jr 29.11).

Encontros com Deus – Ele Vem Parte II

Encontros com Deus – Ele Vem Parte II


GENESIS 24.57-67
Então lhe disseram: "Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz".
Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: "Você quer ir com este homem? " "Sim, quero", respondeu ela.
Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam.
E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: "Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos".
Então Rebeca e suas servas se aprontaram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.
Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roi, pois habitava no Neguebe.
Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos.
Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo
e perguntou ao servo: "Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? " "É meu senhor", respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.
Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito.
Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.

Quando olhamos para este texto, em especial para a parte final, vemos um paralelo com 1Tessalonicenses 4.13-18, quando vemos a volta de Jesus bem definida num momento rápido, mas bem compassado. Mateus 24 também mostra como será esse dia, um dia de trevas e dor, conforme o texto, mas somente para os que não estiverem preparados, para os demais, será o melhor dia das suas vidas.

Para chegarmos a essa conclusão, precisamos ver de forma profética este texto, não com a história, mas com o sentido profético propriamente dito, para isso, convido você a abrir o coração e entender cada símbolo adotado, bem como perceber que não se trata de uma doutrina, mas uma percepção interpretativa do texto.

Vamos ás evidencias e comparações:

1 – Abraão, o Pai cuidadoso (Gn 24.2-4) – Deus, o Pai misericordioso (João 3.16; Lc 3.21-23).

Abrão não somente tem um sonho e uma promessa, mas um cumprimento da voz divina, ao que Isaque nasce em circunstâncias adversas e é gerado primeiramente pela fé, em segunda Deus agracia os seus servos com o nascimento.

Após o nascimento de Isaque certamente Abraão tornou-se outro homem, não apenas pela paternidade em si, pois já tinha outro filho, Ismael, mas seu caráter foi moldado, sua espiritualidade ficou ainda mais acesa. Então, podemos concluir que Isaque foi o filho amado de Abraão. Além disso, Isaque representava o sonho, a promessa, tanto que alguns o chamam de “O Filho da Promessa”. 

Abraão tinha um amor muito grande por seu filho, mas o amor que ele tinha por Deus era inigualável, pois Abraão foi chamado por Deus para sacrificar a Isaque quando ele ainda era um menino, mas as coisas não saíram como Abraão havia pensado, pelo contrário, Deus poupou a vida de Isaque na hora certa e por fim, Isaque tornou-se um homem que agora tem a possibilidade deer a porta de bênçãos para todas as nações, como fazia parte da promessa integral de Abraão (Gn 22.15-19).  

Para encerrar a sua missão em cuidar de seu filho, Abraão agora prepara um meio de deixá-lo casado, muito bem casado.

Deus amou o seu filho unigênito, e aqui tem uma explicação importante, de  porque Jesus ser chamado filho unigênito de Deus. Jesus foi o único homem gerado por Deus, ou seja, uni (único), gênito (gerado). Nós também somos flhos de Deus, mas tivemos nosso progenitor (nosso pai).

Deus não amou apenas seu filho unigênito, mas amou todos os seus filhos, a ponto de dar o único gerado por Ele, em favor de todos os outros. A misericórdia de Deus é tão grande quano seu amor, por isso fez de tudo para nos ajuntar novamente com Ele,pois na situação em que estávamos, por causa do pecado, não poderíamos mais nos aproximar. Deus amou e teve misericórdia.

Enquanto Isaque, foi o filho poupado do sacrifício pelo próprio Deus (Gn 1-14), Jesus, o Filho de Deus é dado no lugar da noiva (Ef 5.25-27; Jo 3.16), fazendo dessa ilustração de Abraão, um apontamento para o amor e cuidado de Deus.

Deus cuidou de seus filhos a ponto de preparar um Noivo e uma noiva, algo que veremos a seguir.

2 – O Servo, o encarregado de uma missão (Gn 24.9) – Os salvos, encarregados de levar mais pessoas a fazerem parte da noiva (2Tm 4.2; Mt 22.1-14; Mt 28.19,20);

Quando vemos as histórias bíblicas, devemos fazer o máximo possível para entender que não se tratam apenas de episódios de ficção ou contos para apontar para uma moral de história como nos desenhos animados e filmes. As histórias bíblicas servem para apontar uma realidade espiritual em nosso dia a dia e no Reino de Deus. Jesus gostava de contar histórias para essa finalidade, tanto, que as parábolas não podem ser interpretadas para fundamentar a teologia, ou seja, fazer doutrina, mas para ilustrar uma realidade que conhecemos ou não e esta última é estritamente espiritual.

 Na história do casamento de Isaque, vemos um homem interessado em cumprir a sua missão, ao que podemos comparar, aos homens que precisam também cumprir a sua missão, a de levar a noiva ao noivo.

Explicando melhor, devemos entender que Deus tem uma missão no mundo, ao que s teólogos chamam de “missio Dei”, do latim, missão de Deus. Deus realizou uma parte de sua missão, que é a de salvar o mundo da enrascada que se meteu o homem, o pecado, e então bolou um plano o de enviar o seu filho para morrer em lugar do pecador. A parte divina era esta, além do convencimento dos incrédulos (Jo 16.8). Agora, Deus usa os missionários para levar esta mensagem de amor.

Bem, devemos entender, mais do que tudo, que os missionários responsáveis por levar as boas notícias do Salvador não são apenas os que são comissionados nas Igrejas, convenções e juntas para isso, mas todo o discípulo de Jesus foi comissionado para essa tarefa (Mt 28.19,20; Mc 16.15,16; At 1.8; ).

Devemos ser como o servo, obediente e levar as pessoas deste mundo ao Noivo, que é Cristo Jesus, para isso, devemos proclamar a Salvação que somente é possível por Ele, assim, cada pessoa que crê e vive como Ele viveu passa a ser parte integrante da sua noiva. Esse é um mistério maravilhoso e profundo, como diz o Apóstolo Paulo em Efésios 5.32.

Quando Eliezer decide servir Abraão, ele o faz por amor, pois vemos que ele viajou mais de 750 km de distância e poderia ter fugido, mas não, ele obedeceu. Há servos de Deus que tem vergonha de anunciar a mensagem da salvação, a esses, devo alertar, não são parte integrante da Noiva, pois aqueles que tem vergonha do Seu Senhor, não podem ser dele (Mt 12.50; Mt 10.32, 33). Como podemos ter vergonha de falar de que entrgou a vida em favor e nós ao ponto de até a sua nudez ser exposta? Sua vergonhafoi muito maior do que a nossa, mas mesmo assim Ele foi até o fim.

Devemos fazer todo o esforço possível para levar a noiva ao Noivo, seja no nosso trabalho, família e em qualquer lugar (2Tm 4.2).


3 – O Anjo do Senhor em apoio, convencimento e capacitação (Gn 24.7;  – O Espírito Santo, que faz o papel de convencimento e capacita os servos na proclamação (Jo 16.8; At 1.8);

Há um elemento interessante nesta história, uma pessoa mencionada que dá uma certa discussão teológica a respeito do tema, mas é amplamente aceito como o próprio Senhor Jesus. Quando a Bíblia retrata o Anjo do Senhor, em alguns textos do Antigo Testamento, vemos uma definição bem clara de uma pessoa ativa que aparece para trazer a presença do próprio Deus. De fato, podemos perceber que o Anjo do Senhor é o próprio Deus.

Quando Abraãodeclara “O Senhor... enviará seu Anjo diante de você para que de lá traga uma mulher para meu filho”, está dizendo na verdade: Jesus vai a sua frente, convencerá a mulher, convencerá a sua família e preparará tudo!

Quantas vezes tentamos fazer tudo do nosso jeito, tentamos convencer nossos filhos, nosso cônjuge, nosso chefe e até a nós mesmos, mas com Jesus ficaria tão mais fácil.

Quantas mulheres poderiam vir até a fonte para tirar água? Mas como apareceu naquele momento justamente Rebeca? Jesus sempre faz cristocidências, nunca um servo de Deus que ora recebe uma coincidência como reposta, mas a providência real de Deus.

As vezes tentamos convencer nossos familiares a seguir a Jesus, mas com poderíamos fazer algo tão difícil sozinhos. Aliás, isso na serve apenas para familiares, mas para todos. Se queremos que as pessoas ao nosso redor se entreguem a Cristo, então devemos primeiro apresentar eles a Cristo. Sempre tentamos fazer as coisas pelo caminho inverso, tentamos adiantar o processo, daí não temos resultados e logo desistimos.

Não quero dizer que se orar pelos seus familiares, amigos e seu oikkos, isso somente será necessário, nem que será como num passe de mágica, pois a oração não é uma formula mágica, como muitos pensam, na verdade a oração abre o caminho espiritual para que as coisas aconteçam, mas mesmo assim existe um caminho para que as coisas aconteçam.

No processo da conversão, ou de entrega a Cristo, o Espírito Santo de Deus é quem pode fazer convencer, não os servos. Jesus pré-encarnado convenceu toda a família, inclusive Rebeca. O Espírito Santo, em nossos dias, faz o convencimento das pessoas e não é pelo muito falar dos servos  tagarelas. Como pastor, fico observando as pessoas em nossos cultos e vejo quando as pessoas estão no processo de entrega a Cristo, algumas vezes, olho para elas e vejo comoção, mas ao realizar o apelo, nada acontece. Passa algum tempo e o milagre acontece, a pessoa num dia qualquer, num momento inesperado entrega a sua vida ao Salvador. O que isso quer dizer? Não adianta eu ser eloquente e usar todos os argumentos necessários se a pessoa não tiver o coração aberto para Jesus pelo Espírito Santo.

Somente o Espírito Santo pode preparar o solo dos corações para que as sementes do Evangelho possam produzir frutos, então não tente fazer o papel dele, mas somente cumpra o seu, o de anunciar.


4 – Rebeca, a noiva surpreendida com o convite e aceita sem pestanejar (Gn 24. 22; 58) – Os perdidos, que quando ouvem a Palavra se decidem por se transformarem na noiva de Cristo (Ez 16.8-14; At 2.37-41Ap 3.5; Ap 19.7-9);

Rebeca era uma moça muito bela (Gn 26.7b) e certamente seria muito fácil para seu pai e irmão negociá-la ali mesmo entre os amorreus. Mas Quando Deus tem um propósito, As coisas não acontecem como os homens esperam.

Rebeca foi consultada quanto a sua partida (Gn 24.57) e isso não era uma prática comum naqueles dias, muito pelo contrário, as mulheres eram literalmente negociadas como uma moeda de troca. Rebeca responde imediatamente que queria ir ao encontro de seu amado desconhecido. Neste ponto devemos fazer alguns comentário interessantes, sendo o primeiro o tempo para a decisão, ou seja, menos de 24 horas. O servo de Abraão chega no fim da tarde na cidade (Gn 24.11). Na manhã seguinte, o servo pede a mão de Rebeca a seus pais para partida imediata, ela é consultada e diz sim. Partem imediatamente para o encontro (Gn 24.57-61).

Nesse ponto, vemos que quando os servos de Deus anunciam o Evangelho, o Espírito Santo carrega esta mensagem e o coração da pessoa que está sendo evangelizada se inclina, a transformação e tomada de decisão é imediata. Quando alguém se entrega ao Senhor, acontece imediatamente a conversão, ou seja, ela decide deixar a as coisas deste mundo como Rebeca, não vai decidindo aos poucos.

Algumas pessoas levam anos para deixarem algumas práticas erradas ou vícios. Isso acontece porque a conversão não foi genuína. Algumas pessoas ficam com mágoas do passado durante anos, nutrindo um pote de veneno que será usado contra ela mesma, isso mostra que a conversão não aconteceu, apenas foi convencida do erro, mas não convertida. Quando o Espírito Santo prepara a Noiva de Cristo, a Igreja, ele transforma o caráter e as práticas. Caso não tenha mudado de vida, você tem a oportunidade hoje mesmo de ser transformado por Deus, pois está aqui um servo de Deus anunciando, o Espírito Santo está aqui operando e falando com você, agora só falta uma decisão.

Outro aspecto importante, é que Rebeca não vai sozinha, mas é acompanhada também (Gn 24.59). Rebeca vai com sua serva, pois era comum na antiguidade que as moças recebessem de seus pais uma serva para a acompanharem em sua vida de casadas, Sarah, por exemplo tinha Hagar. Acontece que hoje, na Nova Aliança, Deus chama algumas pessoas para a salvação e sua família vem atrás. Essa é uma promessa de Deus (At 16.31). Se a promessa ainda não se cumpriu, entõ ore para que o Espírito Santo faça a sua obra e ganhe sua família, mas muitas vezes, a maioria delas, sem palavras (1Pe 3.1). O texto de Pedro nos dá a orientação de qua a muler deve ganhar seu marido sem palavras, mas podemos aplicar este conceito a qualquer integrante da família, pois, não temos muito a atenção de nossos próprios familiares, o próprio Senhor Jesus foi assim (Jo 7.5). 

A Igreja é a noiva de Cristo, isso é um mistério glorioso (Ef 5.32). Deus relaciona a Igreja com uma noiva em muitos momentos ao longo das Escrituras (Ez 16.8-14;

Há alguns aspectos interessante do casamento nos tempos bíblicos, embora a Bíblia não ofereça fonte para regra litúrgica ou oficial para isso, mas a história e arqueologia demonstram. Vejamos o passo a passo para o casamento:

·        O Desposório. O primeiro passo oficial ao casamento foi um compromisso assumido pelo casal (muitas vezes arranjado pelos pais) em que se prometeram um ao outro. Assim Maria foi desposada com José (Mateus 1:18).

·        Presentes foram dados à noiva e à sua família pelo noivo ou sua família (veja Gênesis 24:52-53). Esta prática é semelhante ao pagamento do dote em alguns países até os dias de hoje. Jacó serviu seu sogro durante sete anos para poder casar-se com Raquel (Gênesis 29:18-20).

·        Um Intervalo de Espera antecedeu o casamento. Durante este tempo, era importantíssimo manter a pureza e que a noiva se preparasse para o seu noivo. Caso contrário, poderiam romper o relacionamento sem completar o processo do casamento (veja Mateus 1:18-19).

·        As Bodas ou Banquete Nupcial começava quando o noivo chegou à casa da noiva para levá-la para sua casa. A noiva esperava a chegada dele, usando roupas e jóias especiais, e era acompanhada pelas donzelas e por outros convidados. A festa das bodas tipicamente durava uma semana (veja Gênesis 29:21-23,27; Juízes 14:17; Mateus 25:1-13). A partir das bodas, os dois, agora uma só carne, morariam juntos.

Deus sonhou com o casamento do Seu Filho e a Igreja mesmo antes de cristo vir a Terra. Seria o plano perfeito do Criador, as bodas do Cordeiro. Quando o homem pecou, a humanidade foi prometida em casamento ao Senhor, quando a Lei veio ao mundo, a promessa de casamento foi oficializada, quando Cristo veio ao mundo houve o noivado e o dia em que Cristo retornar, então teremos o casamento.

Mas ouça com atenção, somente os salvos por Jesus o encontrarão no casamento, e os que ficarem de fora serão apartados para sempre da presença de Deus. Saiba, o melhor lugar para alguém sempre será aos pés de Jesus.

6 – O Encontro, uma noiva e um noivo (Gn 24.62-67) – A Igreja e Cristo, os noivos descritos em (Mt 25. Mc 2.20; Ef 5.23-28; Ap 21.2; 22.17)

Interessante no encontro de Rebeca com Isaque é que Isaque precisava ser consolado, Rebeca não sabia quem o aguardava. Isaque estava meditando no campo, Rebeca vinha de uma viagem de mais de 700 km.

Estamos em viagem nesta terra, somos todos peregrinos, conforme vemos em 1Pedro 1.1; 2.11. Alguns são errantes como Caim, outros são peregrinos como Abraão. Ambos são viajantes, a grande diferença é que o errante não sabe para onde vai, já o peregrino sabe o seu destino. A pergunta que fica é: Você está indo para onde o vento te levar, ou sabe bem para onde vai?
Eu vou me encontrar com o noivo, sei bem para onde estou caminhando e a eternidade será uma grande festa de casamento.

Rebeca sabia para onde estava indo, realmente não sabia o que a aguardava, mas a promessa era muito boa, pois seu futuro marido era um homem temente a Deus, com uma vida abastada e a promessa já era o suficiente. Creio que a promessa que temos com relação ao noivo é muito maior do que a promessa de Rebeca, aliás, já sabemos do que o Noivo é capaz.

Enquanto Jesus esteve nesta terra só fez o bem, curou, libertou e ao fim nos deu a salvação, como o servo que presenteou a Rebeca antes mesmo de a ter levado em casamento ao seu Senhor. Recebemos muitos presentes de Jesus, e a vida que levamos hoje, em comparação a vida de muitas pessoas, em si, já representa o grande presente de noivado.

Jesus não nos promete nada que hoje mesmo já não possamos desfrutar, por isso, quero oferecer o principal presente de Jesus ainda hoje, a salvação. Depois, lhe ofereço em nome de Jesus, como o servo de Abraão, o melhor casamento de todos, as bodas do Cordeiro Ap 19.7-10.

Rebeca estava de viagem e pergunta quem é o homem que vem ao seu encontro, prepara-se então cobrindo o rosto (Gn 22.64,65). Este era um sinal de respeito, reverência e denotava um certo charme para a hora do casamento. Naquela época o casamento era apenas uma festa, mas como os familiares não estavam ali, resumiu-se ao ato conjugal.

Isaque e Rebeca se apaixonam a primeira vista, isso é romântico por demais, mas não fica somente no romantismo, pois quando virmos Jesus descendo nos céus, e a Bíblia diz que todos verão, será um momento maravilhoso, para aqueles que fazem parte da Noiva do Cordeiro.

Mas entenda, a Noiva deverá ser como Rebeca, preparada, pronta para o momento do casamento, ao que vemos um alerta nas Escrituras: Prepare azeite reserva para a lamparina, uma alusão á resença do Espírito Santo na vida do cristão (Mt 25.1-13). O Texto de Mateus 25 nos descreve como será o dia do casamento e a clara separação entre as pessoas que subirão para a festa de casamento e os que ficarão de fora, a isso, vemos um resumo rápido em Apocalipse 21.14,15:

"Felizes os que lavam as suas vestes, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas.
Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira”.


As Bodas ocorrem no Céu, ou seja, no mundo espiritual, porque Apocalipse 19:11 mostra claramente que em seguida, o Senhor Jesus regressa do céu em seu Aparecimento Glorioso. Significa que Ele está no campo a meditar, assim como Isaque, mas um dia, conforme diz o texto, ele levantará os seus olhos e regressará para a amada Noiva (Gn 24.62,63).
    
Enfim, Jesus comemorará o Casamento com a Noiva verdadeira, a Igreja, que amou mais a Cristo do que a própria vida (Apocalipse 12:11). As Bodas do Cordeiro são detalhadas aqui através de uma grande ceia de Jesus com o seu povo santo. Em Efésios 5:27, existe uma descrição maravilhosa de como a Igreja se apresentará diante de Cristo: "Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível."

Apocalipse 19:8 também diz que a Noiva (a Igreja) se vestirá de linho fino, que significa esse povo é santo e justo! Aleluia! Seguramente será uma festa gloriosa, simplesmente a maior festa de todos os tempos. Somente esse motivo seria mais do que suficiente para que jamais deveríamos nos desviar da Palavra de Deus um segundo sequer.

A pergunta que fica neste momento é: Você está pronto para o Encontro final com Jesus? Você faz parte da Noiva?


Conclusão


Jesus e a Igreja formam um casal e esse se unirá eternamente no dia em que Cristo Voltar, mas o mais interessante, é que todos podemos, hoje mesmo, fazer parte da noiva e nos relacionarmos com Cristo, aliás, nos encontrarmos com Ele todos os dias. Faça hoje a decisão de se Encontrar com Deus, seu nome é Jesus!