quinta-feira, 28 de abril de 2016

Encontros Com Deus - Ver não é Encontrar Parte 1

Encontros Com Deus

Ver não é Encontrar

Texto: Genesis 32.1,2, 22-31

1Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encontro dele. 2Quando Jacó os avistou, disse: “Este é o exército de Deus!” Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.
.....

22Naquela noite, Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque. 23Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía. 24E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer. 25Quando o homem viu que não poderia dominar Jacó, tocou-lhe na articulação da coxa, de forma que a deslocou enquanto lutavam. 26Então o homem disse: “Deixe-me ir, pois o dia já desponta”. Mas Jacó lhe respondeu: “Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes”.
27O homem lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”
“Jacó”, respondeu ele.
28Então disse o homem: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu”.
29Prosseguiu Jacó: “Peço-te que digas o teu nome”.
Mas ele respondeu: “Por que pergunta o meu nome?” E o abençoou ali.
30Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: “Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada”.
31Ao nascer do sol, atravessou Peniel, mancando por causa da coxa. 32Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.


Introdução

Jacó era filho de Isaque, daí a expressão Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Sua história é uma saga em busca de paz, já que sua vida toda é marcada por experiências de lutas familiares e aflições, mas no meio de sua vida algo maravilhoso e assustador acontece, Jacó tem um Encontro com Deus.

A história de Jacó começa nas Escrituras como num conto de histórias infantis, pois sua mãe não poderia ter filhos, mas seu pai, que tivera um encontro com Deus, ora em favor dela e finalmente engravida (Gn 25.21). Mas algo começa ficar estranho naquela gravidez, pois segundo a Bíblia, Rebeca começa a sentir coisas estranhas e ao consultar ao Senhor, Ele lhe diz que há dois povos em seu ventre que já disputam espaço desde ali (Gn 25.23). Interessante que quando nasce, percebem que trata-se de gêmeos mesmo, e o mais curioso é que um nasce segurando no calcanhar do outro, como se quisesse nascer primeiro.

Jacó no hebraico quer dizer suplantador, alguns afirmam que ao pé da letra é aquele que segura o calcanhar. Isso cria um problema no crescimento dos dois filhos de Isaque, pois na cultura judaica, o filho mais velho tinha direitos e benefícios muito superiores aos outros filhos, isso significa que um estigma foi lançado sobre Jacó, ele seria o trapaceiro.

Sempre recomendamos aos pais de primeira viagem que verifiquem o significado dos nomes antes de dá-los aos seus filhos. Minha filha, por exemplo, tem o nome de Sarah Emanueli. Esse nome foi escolhido quando eu tinha aproximadamente 8 anos de idade e porque conhecia o significado. Sarah é princesa e Emanueli significa Deus conosco. Sabia desde minha infância que queria que minha filha tivesse em si a presença de Deus. Quando nasceu meu segundo filho, quis dar a ele essa marca também, então dei o nome a ele de Asaf Emanuel. Asaf quer dizer “Levantado” e Emanuel “Deus conosco”.

Uma reputação tão manchada quanto o seu nome, esse era o destino de Jacó, mas não era o que Deus queria para ele. Destino parece não fazer sentido quando temos um Deus que controla nossa vida, Ele sempre está pronto para mudar nossa história. Foi o que ocorreu na história de Jacó, mas antes, o Senhor permitiu que muitas outras coisas ocorressem na vida deste homem.

Dois filhos muitos diferentes tinham Isaque e Rebeca, nada como nos nossos dias em que os filhos são iguais, não é? Brincadeiras á parte, todas as famílias tem pessoas diferentes umas das outras, mas o que não poderia acontecer era justamente a predileção por causa dos hábitos ou perfil, como ocorreu na história de Jacó e Esaú. Todo pai gostaria que seus filhos homens fossem durões e cheios de vontade em competir em esportes e também fossem hábeis com as moças, mas não era o caso de Jacó, pelo contrário, era pacato e sua mãe preferia isso, como um filho que fica colado na saia da mãe. Enquantoisso, Esaú era um caçador, tinha um corpo atlético, então era o preferido de Isaque.

A predileção por filhos é um problema que complicou, não somente esta história, mas muitas outras ao longo dos séculos (Gn 25.28). Isso pode causar um grande problema também nos lares atualmente. Ainda que os pais não prefiram um filho ao outro, muitas vezes elegem aquele que é mais frágil, está mais propenso a doenças, e isso é um problema, pois a todo o momento estamos sendo observados, por isso, sempre trate seus filhos da mesma forma. Quando um estiver doente, busque também dar tempo de qualidade para o outro, se um é mais esperto na escola, não é por isso que não precisa que se interesse pelo que ele está aprendendo, mesmo que seja enfadonho e ele realmente não precise de ajuda. Se há filhos mais novos e outros mais velhos, jamais tire os olhos de todos, mas sempre dê carinho e atenção igual. O problema de Jacó e Esaú era a pressão familiar aliada ao que o mundo dita. Um era mais forte, o outro mais fraco, um era mais inteligente, o outro era mais prático, um era mais velho, o outro deveria ficar com as migalhas.

Jacó cresceu com esses estigmas e um dia resolveu tentar se livrar dos problemas familiares e sociais. Era costume que o filho mais velho fosse o sucessor do pai em todos os sentidos, tanto que na Bíblia somente vemos os primeiros filhos registrados nas genealogias, com raras exceções. Jacó prepara um alimento e seu irmão vem de um tempo de caçada, então Jacó faz “jacozice”, e engana seu irmão, faz um acordo, se Esaú lhe entregasse de mão beijada seu direito de filho mais velho, então comeria. Realmente não sei quem é o pior nesta história, se Jacó o trapaceiro, enganador e mercenário, ou Esaú que não estava nem aí para as coisas de seu pai nem de Deus. 

Atualmente existem pessoas que trocam a casa de Deus, o direito de ser chamado filho de Deus (Jo 1.12) por qualquer outra coisa. Existem muitos enganadores da fé, por exemplo, que estão ávidos para trapacear e pregar um Evangelho diferente do que Cristo deixou, e muitos estão caindo nas artimanhas destas pessoas. Vender a fé não é tão difícil, pois o mercado está bem acelerado, diferente da economia de nosso país. Existem pastores oferecendo toalhinhas ungidas, rosas milagrosas e copos de água que curam tudo. Mas esse não é o maior perigo, os enganadores piores dizem que seguir a Cristo é fácil e estão barateando o Evangelho. Alguns chegam a dizer que não precisa se preocupar com o pecado, pois Cristo já o pagou e ainda chamam isso de Graça escandalosa ou outros adjetivos. Conheço pessoas que ficam pulando de igreja para igreja, cada vez que seus pecados são apontados numa mensagem, por exemplo.

O direito a primogenitura não era para ser barato, muito pelo contrário, pensemos que Isaque tinha tendas, poços, bois, vacas, jumentos, camelos, terras e escravos, algo que no dia de hoje poderia ser comparado aos grandes impérios como as marcas da televisão. Será que um prato de comida pagava realmente o direito de ser herdeiro de Isaque?

Somo filhos de Deus por causa da grande graça e misericórdia de Deus, mas muitas vezes trocamos toda a nossa herança pelo pecado que é passageiro. Muitas pessoas trocam de igreja porque o sermão do pastor é carregado de luta contra o pecado. Jovens tem abarrotado as igrejas liberais, como é o caso de algumas igrejas com o nome estrangeiro e outras com um nome bem descolado. Lá é pregado o slogam: “Venha do jeito que está”!  Bem, este é um mote bíblico, mas não podemos ficar como estamos, a partir do momento em que a mensagem do Evangelho entra em nossa vida precisa ocorrer mudança imediata no caráter, ao que chamamos de conversão, ou no texto original da Bíblia “metanoia”. Fuja de quem não tem uma palavra dura, pois a Bíblia afirma que nos últimos dias surgiriam bajuladores e outros que não agüentariam a Sã doutrina (2Tm 4.2-4).

Não negocie jamais o direito de ser chamado filho de Deus!!!

Depois de ter trapaceado seu irmão, Jacó segue a sua vida sossegado, pois não tinha mais motivos para se preocupar, seria o herdeiro de tudo. Mas não para por aí, Isaque pensa que logo morrerá, então chama seu filho Esaú e diz que vai morrer em breve e não pode partir sem deixar a benção para Ele. Esse ato era muito importante também na antiguidade, pois revelava que tudo o que o pai recebeu de Deus, agora será do filho, sejam as bênçãos materiais, como as benção espirituais.

Isaque está cego e impossibilitado de perceber uma trama entre sua esposa e filho mais novo. Rebeca “ouve atrás da porta” a conversa de Isaque e Esaú e corre avisar seu filho predileto: Corra e avance na frente de seu irmão mais uma vez, tome a benção no lugar dele.

Poderíamos gastar bastante tempo falando das bênçãos de Abrão, Isaque e agora será repassada a Jacó, mas o mais importante é perceber hoje que Jacó era um trapaceiro e nada mudaria esta natureza, além disso, Jacó comete três pecados muito grandes neste momento:

  • Envolve sua mãe no negocio (Gn 27.1-17) – Ainda que ela diga que as maldições por este ato recaíssem sobre ela, Jacó poderia e deveria proteger sua mãe, não aceitar essa corrupção.  Quantos aceitam desobedecer a Deus e colocam a culpa sobre os ombros de outros dizendo: “Mas ele disse que não dava nada”.

  • Envolve Deus no negócio (Gn 27.20) – Quem lhe deu o privilégio de preparar a caça o mais rápido possível foi a Senhor. Muitos ganham as coisas ilicitamente e dizem que foi graças a Deus e a força de seu trabalho. Isso mostra que as pessoas não tem mais temor nenhum do Todo Poderoso, pelo contrário, fazem se escondendo atrás de sua fé. Fui informado esta semana de um pastor que ficou devendo muitos meses de aluguel para um não crente e isso me trouxe uma tristeza muito grande, pois é assim que o povo de Deus é conhecido, como Jacós que não tiveram um encontro com Deus, pois todos sabem que a partir do Encontro genuíno com Deus, nossa atitude é transformada! Outros ainda, se escondem atrás de uma religiosidade e dizem que foi Deus quem mandou fazer alguma coisa e no fim das contas vemos que na verdade era somente para beneficio próprio. Há muitos exemplos de pessoas que tomam o nome do Senhor para dizer que são Dele, mas na verdade, são filhos do diabo (Jo 8.44; Mt 7.23).

·       Envolve seu pai no negocio (Gn 27.33) – Isaque fica profundamente confuso, mas o pior, ele fica abalado com o que seu filho fora capaz de fazer. Muitas pessoas não se compadecem de sua família ao tomar decisões que as envergonha. Pessoas se entregam a vícios, pornografias, abandono da família por paixões e tantas outras coisas que quando são descobertas causam vergonha e profundo abalo. Se não há mais temor de Deus, então pelo menos amor aos pais, mas nos nossos dias nem isso é possível, infelizmente.

Jacó provoca seu irmão a ponto de Esaú querer lhe matar, por isso foge com o auxílio de sua mãe e agora, como era o sucessor de Isaque, seu pai lhe chama para que siga os seus passos. Isso mostra que a promessa de Deus deve continuar, Ele jamais se frustra e nunca é trapaceado. Não podemos jamais admitir que Jacó fez tudo o que fez por que tinha o apoio de Deus, pois muito pelo contrário, tudo o que fez de errado teve conseqüência. Por exemplo, quando enganou seu irmão, teve uma conseqüência quanto ao tratamento, quando enganou seu pai, agora tem de fugir e viver errante.

Jacó segue viagem e consegue encontrar-se com seus parentes e segue a recomendação de seu pai em se casar com uma parente, mas como já dissemos, as conseqüências de nossos erros sempre nos perseguem e Jacó, o traidor e trapaceiro, agora também é trapaceado e ao invés de ganhar a moça por quem estava apaixonado, ganha a outra (Gn 29.14-30).

Jacó não perde a mania de trapacear, e desta vez começa a suplantar seu sogro lhe tomando aos poucos todo o rebanho, mas desta vez, é surpreendido pelo Senhor quando Este lhe diz: Jacó, não precisa roubar, basta me ouvir e prosperará! (Gn 30.27; 33; 31.1-13). Alguns interpretam esta passagem dizendo que foi Deus quem orienta a Jacó como roubar Labão, mas a Palavra não dá margem para isso, ao contrário, nos mostra que o Senhor diz que Ele mesmo lhe dará o sustento, não Labão ou o roubo.

Jacó estava fazendo uma espécie de mandinga para que os rebanhos dessem crias malhadas e salpicadas, mas o que ele de fato não sabia, é que Deus é quem estava fazendo, não sua trapaça (Gn 31.12). Muitas vezes fazemos as coisas erradas e percebemos que estamos sendo bem sucedidos, então pensamos que é por causa de nosso erro, ou então, porque temos o apoio de Deus, mas na verdade é por que Deus tem um propósito, caso contrário, estaríamos perdidos. Já vi inúmeros casos de pessoas curadas, por exemplo, por causa de imagens de escultura, benzimentos e outros, mas na verdade, era o Senhor, pois há um propósito na vida desta pessoa.

Jacó é desafiado por Deus para voltar a sua terra natal, não porque as coisas estavam ruins, mas porque o Senhor tinha um plano para a vida de Jacó e seus familiares, além disso, a promessa de Deus para a prosperidade ainda era maior, sua prole seria ainda maior também e a terra em que seus pais moravam seria de seus descendentes.

Quantos de nós perdemos tempo pensando na prosperidade, emprego, segurança e não obedecemos ao Senhor para receber de suas promessas que, de fato, são maiores do que o que temos no momento?

Lembro que quando fui chamado ao ministério na Igreja Batista Semeai, ainda estava trabalhando no Banco do Brasil, com um salário bom e toda uma chance de prosseguir na carreira. Muitos de meus colegas que entraram comigo no BB, hoje são gerentes e eu me especializei para isso também, ao ponto que eu era um dos melhores pontuados para as vagas posteriores à minha. Acontece que Deus me chamou e assim como Samuel, Isaías e outros profetas eu disse ”Eis-me aqui”. Quando assumi a igreja optei por não progredir na carreira e tomei a decisão de recuar, ou seja, pedi o descomiionamento e passei a trabalhar apenas 6 horas por dia, com perda salarial e tudo mais.  Hoje eu poderia ser muitas coisas, mas certamente não tão feliz como sou, além do mais, ganhando muito mais do que ganho, com um prestígio humano muito elevado também, mas preferi deixar a minha vida nas mãos de Deus.

O começo da virada na vida de Jacó não foi Peniel, como todos imaginam, mas a decisão de deixar a sua zona de conforto.

Deixe hoje aquilo que te faz descansar e troque pelo descanso que Deus lhe dá. Vejamos alguns dos desafios:

·        Jacó deixa a terra de seu sogro, sua forma de sustento, e corre para a terra que Deus lhe tinha prometido. Isso demonstra obediência.

·        Jacó viaja para a Terra de Canaã, mesmo que tivesse um longo caminho pela frente com toda a sua família (cerca de 750 Km). Isso demonstra disposição

·        Jacó segue, ainda que seu irmão quisesse o assassinar por ter enganado. Aí vemos um arrependimento por parte de Jacó.

·        Jacó segue para tomar posse da terra de Canaã, ainda que soubesse que haviam moradores poderosos ali. Isso demonstra a fé nas promessas de Deus.

Jacó foge mais uma vez, aplica a obediência, mostra arrependimento, mas as práticas continuam as mesmas. Jacó precisa ter seu comportamento mudado, não somente sua forma de ver o mundo. Algumas pessoas crêem em Jesus, sabem que o céu existe, sabem que precisam obedecer, até mesmo pregam isso, mas eles mesmos não obedecem.

Jacó foge de seu sogro mas logo é alcançado, pois ninguém consegue trapacear, fugir ou mentir por muito tempo. Jacó está com 12 filhos, alguns adultos e outros ainda crianças, além disso, está com um rebanho transitando, por deserto, campos, matas ou cidades.

Talvez você esteja fugindo do combate contra o pecado, ou até mesmo do embate com outras pessoas por causa de sua fé, mas saiba, não poderá fugir para sempre, pois Jacó fugiu algumas vezes, mas sempre Deus o alcançou, seja através do castigo, cumprimento da Sua vontade ou até, através da vida do seu oponente, como foi o caso agora com Labão, seu sogro.

Jacó consegue se resolver com seu sogro (Gn 31.43-55), mas ainda não tinha relacionamento verdadeiro com Deus, antes, sua religiosidade era baseada no que seu pai e avô criam, não ele (Gn 31.53), ainda assim, Jacó oferece um sacrifício, algo que estava habituado a fazer, mesmo sem saber o porquê (Gn 28.18; 31.54; 32.9). Muitas pessoas rezam, oram, fazem promessa, mas não tem relacionamento com Deus, daí à menor dificuldade com a fé, a abandona. Se o pastor lhe repreende, se o irmão lhe exorta, tudo é motivo para se deixar a fé de lado, aliás, fé não, a crença.

Existe uma barreira entre a crença e a fé. A crença produz crente, quanto a fé, produz filhos de Deus. É muito diferente, embora a seja tênue a diferença entre uma e a outra, na verdade, basta ao crente tomar uma decisão para se tornar um filho de Deus, pois crer não é o bastante.      

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