quinta-feira, 7 de abril de 2016

Encontros com Deus – Ele Vem (parte 1)

Encontros com Deus – Ele Vem (parte 1)

Texto: Genesis 24.1-27

1Abraão já estava bem velho, e o Senhor Deus o havia abençoado em tudo. 2Um dia ele chamou o seu empregado mais antigo, que tomava conta de tudo o que ele tinha, e disse:
— Ponha a mão por baixo da minha coxa e faça um juramento. 3Jure pelo Senhor, o Deus do céu e da terra, que você não deixará que o meu filho Isaque case com nenhuma mulher deste país de Canaã, onde estou morando. 4Vá até a minha terra e escolha no meio dos meus parentes uma esposa para Isaque.
5O empregado perguntou:
— E o que é que eu faço se a moça não quiser vir comigo? Devo levar o seu filho de volta para a terra de onde o senhor veio?
6Abraão respondeu:
— Não! Não faça o meu filho voltar para lá, de jeito nenhum! 7O Senhor, o Deus do céu, me tirou da casa do meu pai e da terra dos meus parentes e jurou que daria esta terra aos meus descendentes. Ele vai enviar o seu Anjo para guiá-lo, e assim você conseguirá arranjar uma mulher para o meu filho. 8Se a moça não quiser vir, você ficará livre deste juramento. Porém não leve o meu filho de volta para lá, de jeito nenhum.
9Então o empregado pôs a mão por baixo da coxa de Abraão e jurou que faria o que ele havia ordenado. 10Em seguida o empregado pegou dez camelos de Abraão e uma porção de presentes e foi até a cidade onde Naor havia morado, na Mesopotâmia. 11Quando o empregado chegou, fez os camelos se ajoelharem perto do poço, fora da cidade. Era de tardinha, a hora em que as mulheres vinham buscar água. 12Aí ele orou assim:
— Ó Senhor, Deus do meu patrão Abraão, faze com que tudo dê certo e sê bondoso para o meu patrão. 13Eu estou aqui perto do poço aonde as moças da cidade vêm para tirar água. 14Vou dizer a uma delas: “Por favor, abaixe o seu pote para que eu beba um pouco de água.” Se ela disser assim: “Beba, e eu vou dar água também para os seus camelos”, que seja essa a moça que escolheste para o teu servo Isaque. Se isso acontecer, ficarei sabendo que foste bondoso para o meu patrão.
15Ele nem havia acabado a oração, quando Rebeca veio, carregando o seu pote no ombro. Ela era filha de Betuel, que era filho de Milca e de Naor, o irmão de Abraão. 16Rebeca era uma linda moça, ainda virgem; nenhum homem havia tocado nela. Ela desceu até o poço, encheu o seu pote e subiu. 17Então o empregado de Abraão foi correndo se encontrar com ela e disse:
— Por favor, deixe que eu beba um pouco da água do seu pote.
18— O senhor pode beber — respondeu ela.
E rapidamente abaixou o pote e o segurou enquanto ele bebia. 19Depois de lhe dar de beber, a moça disse:
— Vou tirar água também para os seus camelos e lhes darei de beber o quanto quiserem.
20Rapidamente ela despejou a água no bebedouro e correu várias vezes ao poço a fim de tirar água para todos os camelos. 21Enquanto isso o homem, sem dizer nada, ficou observando a moça para saber se o Senhor Deus havia ou não abençoado a sua viagem.
22Quando os camelos acabaram de beber, o homem pegou uma argola de ouro, que pesava seis gramas, e colocou no nariz dela. E também lhe deu duas pulseiras de ouro, que pesavam mais de cem gramas. 23Em seguida perguntou:
— Por favor, diga quem é o seu pai. Será que na casa dele há lugar para os meus homens e eu passarmos a noite?
24Ela respondeu:
— Eu sou filha de Betuel, filho de Milca e de Naor. 25Na nossa casa há lugar para dormir e também bastante palha e capim para os camelos.
26Então o homem se ajoelhou e adorou a Deus, o Senhor. 27Ele disse:
— Bendito seja o Senhor, o Deus de Abraão, o meu patrão! Pois foi fiel e bondoso com ele, guiando-me diretamente até a casa dos seus parentes.


Introdução

Abrão era um homem que temia a Deus e teve muitos encontros com Ele durante toda a sua vida. A Palavra de Deus nos conta que ele tinha cerca de 318 homens nascidos em sua casa, provavelmente servos e seus filhos (Gn 14.14) e o mais antigo e líder entre eles era Eliezer, uma espécie de mordomo (Gn 15.2,3). Mas o mais impressionante é que Abrão não foi responsável apenas pela educação e formação religiosa de seus filhos, mas também de todos os que viviam com ele.

Isaque era o filho da promessa de Abraão, pois Deus o prometera mesmo Abraão e Sarah sendo velhos e Deus cumpriu sua promessa. Agora, Isaque precisava se casar, pois nos tempos bíblicos eram os pais quem escolhiam as esposas para seus filhos, mas até o momento, Abraão não tinha pensado nisto e Isaque já estava com 40 anos de idade (Gn 25.20), e como a expectativa de vida dos homens daquela época beirava os 150 anos, digamos que estava na hora.

Abraão não queria que seu filho se casasse com uma mulher canaanita, pois sabia que um casamento dessa natureza estragaria a fé de Isaque, daí já tiramos uma lição preciosa, pois Deus mesmo manda que os seus filhos se relacionem com as pessoas da igreja, e isso não é apenas uma dica, mas um mandamento desde os primórdios da fé (Ex 34.10-16; Dt 7.1-4; 1 Re 16.30,31; Am 3.3; 2Co 6.14,15). Interessante perceber que muitos problemas da humanidade foram por causa de casamentos entre filhos de Deus e filhos dos homens, ou seja, pessoas que tem a fé firmada em Deus e pessoas que não estão muito apegadas às coisas de Deus. A base bíblica mais antiga para isso se encontra em Genesis 6.1-3, onde nos parece que o grande problema de multiplicação da maldade era justamente a comunhão dos filhos de Deus (descendência de Set) com as filhas dos homens (descendência de Caim).

Abrão estava preocupado que Isaque tivesse encontros com Deus assim como ele mesmo teve, e uma esposa canaanita poderia estragar tudo com a sua idolatria e apego às coisas humanas. Aliás, na história de Israel isso acontece muitas vezes, como no caso de Sansão e, em especial, na vida de um rei ímpio chamado Acabe que aumentou ainda mais sua impiedade quando procura casar com uma canaanita chamada Jezabel (1Re 16.30,31).

Abrão chama seu servo, provavelmente Eliezer, e dá uma missão, isso mesmo, uma missão, a de promover um encontro. Primeiro, Eliezer foi incumbido de promover um encontro dele mesmo com Deus, pois jamais teria êxito se não tivesse a ajuda do Anjo do Senhor (Gn 24.7). Neste caso, conforme alguns interpretes, sempre quando vemos a expressão “Anjo do Senhor” no Antigo Testamento, vemos uma referência clara a Jesus pré-encarnado.

Percebemos que o servo de Abraão se encontra com o Deus de seu senhor, ainda que não saibamos se depois manteve este relacionamento, mas é muito claro que ele ora buscando a vontade de Deus (Gn 24.12) e mais do que isso, tem a resposta (Gn 24.15) e por fim, adora a Deus pelo que Ele é e reconhece a sua grandeza, bem como agradece o seu êxito (Gn 24.26,27).

A jornada termina, mas os encontros não. O servo de Abraão tem mais um encontro, desta vez com a moça que deveria ser convencida da viagem de aproximadamente 750 km para se entregar a um homem que não conhecia, mas até isso, não seria um grande problema, pois as mulheres naquela época não tinham voz nem vez, além disso eram tratadas como mercadoria. Mas mesmo sendo assim naqueles tempos, vemos uma atitude diferente no servo de Abraão, que não remonta uma atitude autogerada, mas provavelmente indicada pelo seu senhor; ele entrega presentes para a pretendente. Isso porque Abraão provavelmente mandou presentes para a família da moça, pois este era o costume, pagava-se para levar a donzela em casamento.

Bem verdade é, que o texto bíblico nem sempre está redigido em ordem cronológica, mas neste ponto, creio que estava e vejo uma fé muito grande do servo, pois coloca um pingente no nariz de Rebeca e deu-lhe pulseiras, algo que naquela época denotava presentes de casamento. Veja, ele tem fé de que era a resposta de Deus mesmo antes de saber quem ela era, pois poderia ser qualquer mulher, filha de qualquer homem, de qualquer descendência, mas o servo tinha convicção de que era o Senhor a responder seu pedido.

Eliezer era servo de Abraão e quando se refere ao Senhor Deus, fala do Deus de seu senhor, não o seu Deus. Muitas vezes agimos como pessoas distantes de Deus, pois não cremos verdadeiramente que Ele nos ouve e responde nosso clamor, mas nossas vitórias são fruto, exclusivamente de nosso trabalho e dedicação, mas quando nos vemos em apuros e as coisas não acontecem, daí temos um Deus. Nossa fé deve ser a fé de Abraão, mas veja que a fé deste homem influenciou a vida de toda uma geração e sua posteridade. Que nossa fé alcance as pessoas ao nosso redor e chegue também ao coração de nossos filhos e netos.

Eliezer precisava prosseguir, não poderia se deter com a moça, mas precisava ter uma resposta de seu pai, então, vai até a casa de Betuel, sobrinho de Abrão e pai de Rebeca, a pretendente de seu filho. Quando chega, somente se limpa para não desagradar seus anfitriões, mas nem ao menos come, pois o texto diz que nega a comida pois tem que falar de sua missão depressa (Gn 24.33). Na antiguidade, algum viajante que pedisse pouso em uma casa, deveria ser recebido como se fosse um anjo, ou uma divindade, por isso, cada recepção era calorosa e mais, cheia de rituais, por isso ele não aceita comer, mas apenas se lavou, pois também era costume se purificar para entrar em casa.

Neste ponto, quero fazer um paralelo entre a proclamação da boa notícia que temos de ter e a postura do servo de Abraão. Nossa notícia a respeito das coisas que Deus tem feito não podem ser negligenciadas. Estamos vivendo num tempo em que o bordão “Pregue a Cristo, fale se necessário” está consumindo a nossa fé, pois a nossa fé não é apenas prática, mas também conceitual, ou seja, não podemos falar de Cristo apenas calados, mas precisamos proclamar, já que o Reino precisa ser proclamado também com palavras, não somente com as atitudes e nossa adoração a Deus deve ser racional (2Tm 4.1,2; Rm 12.1-3).

A máxima que devemos pregar a Cristo com nossas atitudes é de fato verdadeira, mas isso não pode anular nossa proclamação. Devemos ser como Eliezer e nem nos alimentarmos antes de deixarmos claro a nossa fé em Jesus. Sempre tento aproveitar as oportunidades para falar do amor de Deus, mesmo que eu não seja um exímio evangelista, nem seja este um dom que eu possua, mas faço de tudo para proclamar, seja através de uma conversa pessoal, seja através das redes sociais ou qualquer outra coisa. Talvez você se utilize do Facebook, mas o que posta lá? Fala do amor de Deus, ou se faz um Cristão Top Secret?

Eliezer deixa bem claro no que acredita, pois a fé de seu patrão é muito latente e mais do que isso, agora é a sua fé também, neste caso, devemos passar a proclamar não somente o que ouvimos, mas também o que vivemos diante de Deus, mas se não temos o que compartilhar, então há algo errado com nossa fé, pois Tiago diz em sua carta toda que devemos ter uma fé prática (Tg 1.22-25).

Abraão foi alcançado pela graça e misericórdia de Deus, e seu servo confirma isso às outras pessoas, mas o mais incrível, que agora compartilha com a família de Rebeca aquilo que ele mesmo viveu (Gn 24.42). Você fala somente do que seus pais, seu pastor ou daqueles testemunhos dos livros e da Tv? Se é assim, você está com sérios problemas, pois precisa ter um encontro real com Deus para que os seus testemunhos sejam mais evidentes do que aqueles outros que conhece.

Agora, Eliezer tem seus argumentos e o principal deles é a manifestação divina e a prova de que o Senhor estava desenhando a história de Isaque e Rebeca, e isso é algo também para pensarmos, pois Devemos ver a manifestação de Deus em nossa própria história. Cada detalhe de minha vida, vejo a mão de Deus, não coincidências, não acaso, mas a mão do Senhor.


Esta e somente a introdução desta história magnífica que nos traz muitas lições e na semana que vem veremos mais o que Deus quer nos mostrar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário