terça-feira, 25 de agosto de 2020

 

Essa é a última parte do Simbolismo de Apocalipse e vamos direto ao ponto, pois temos muito pela frente.

Dia da Ira do Cordeiro       

Incidência: 6:17; 11:18; 14:19; 15:1,7; 16:1; 19:15.

O dia da Ira do Cordeiro, é uma referência ao dia do Senhor no Antigo Testamento (Jl 2:11,31; Sf 1:14-18; Ml 3:2, 4:1; Am 5:18), e no Livro de Apocalipse está relacionado também aos termos Lagar da Ira de Deus (Ap14:19). O dia da Ira do Senhor era crido pelos antigos judeus como o dia em que Deus enviaria o Messias para libertar o seu Povo e castigar os infiéis e todos os povos que martirizaram e perseguiram o povo de Deus. No Novo testamento, está relacionado a volta de Jesus e o fim dos tempos, Pedro define esse dia como dia de julgamento e desfazimento dos elementos, ao que alguns interpretam como dia de destruição da Terra, mas a maioria interpreta como o início da transformação que a Terra sofrerá para o milênio. Outros ainda interpretam como nada literal, mas uma hipérbole para dizer que o mundo vai estar terrivelmente assolado. Independente dos por menores, Jesus voltará e a profecia do Dia da Ira do Senhor, vai acontecer, inevitavelmente.  No Apocalipse, outro símbolo que aponta para esse dia, é o Lagar da Ira de Deus e o Vinho da Fúria (Ap 14:8,15,19,20). Esse termo se refere ao cultivo de uvas para a fabricação de vinho, em que a uva é colhida, deixada no lagar (um tanque) e amassada, que na antiguidade era pisoteada e depois desse processo, passava por fermentação até que era filtrado apenas o líquido, que por sua vez, virava vinho. Essa é uma referência ao sofrimento do julgamento que Jesus vem derramar sobre os pecadores.

 

Selos       

Incidência: 5:1,2,5,9; 6:1,3,5,7,9,12; 7:2; 8:1 9:4; 20:3.

Selos não são elementos tão antigos. Na verdade, usamos selos até hoje para dar legitimidade a uma carta, quando postamos no correio, ou seja, a empresa que vai entregar, sabe que foi pago o preço pelo envio. Quando vemos os selos nas Escrituras, estão ligados a marcas de determinada pessoa em algo ou alguém, o que na antiguidade era conhecido como sinete (Ap 7:2,8). Os selos nos livrs, representam que as mensagens ali contidas não podem ser reveladas, ou lidas, o que era comum na antiguidade quando queria se mandar uma carta sigilosa. O emissário derramava cera no documento, colocava a sua marca com um sinete e por fim, se estivesse quebrado na entrega, queria dizer que o documento foi lido e até corrompido, custando a vida do mensageiro, mas se estivesse intacto, o receptor quebrava o selo. Quando olhamos os sete selos (Ap 5:9), estamos justamente falando dessa mensagem que apenas o receptor, jesus, o Cordeiro de Deus pode abrir e proclamar. Interessante que alguns livros, que nessa época eram enrolados, vinham com mensagens, as vezes seladas para cada receptor, ou seja, à medida que ia se abrindo o livro, apareciam mais trechos ou folhas seladas, que apenas os verdadeiros receptores poderiam quebrar, e é isso que acontece a partir de Apocalipse 5:1.

Outra figura para selo, é o de propriedade, em especial de escravos, que assim como animais, eram tatuados com a marca do seu dono. Lembre-se que estamos falando do contexto cultural do império romano, então, era comum essa prática, embora os judeus não a utilizassem por força da Lei mosaica. Vemos os eleitos de Deus com Selo na Testa (Ap14:1), escrito seu nome e os servos do diabo com o seu sinal, nesse caso, 666 marcado em suas testas e mãos direitas (Ap 13:16-18; 14:11; 15:2). Aqui precisamos entender, que para cada elemento no apocalipse referindo-se aos eleitos de Deus, temos a mesmas representações ao diabo e seus conservos. O Selo não necessariamente é um sinal físico, como um chip, o que todos dizem, aliás, na história o sinal da besta já foi os números do RG, CPF, Título de eleitor e até a impressão digital e o cartão de crédito para alguns interpretes, o que não faz sentido se olharmos para o selo de Deus, revelado nas Escrituras, lembre, as marcas do diabo e do anticristo fazem oposição aos sinais de Deus, então, não se trata, provavelmente de uma marca física. Olhe o principal texto falando do Selo de deus nas Escrituras: "...fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Ef 1:13). Além disso, "...O espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção." (Ef4:30). Veja, o dia da redenção aparece no Apocalipse, em que todos filhos de Deus entram na eternidade. Outro elemento interessante, que os selados pelo Senhor não serão tocados pelas pragas descritas no Apocalipse (Ap 9:4). E quanto a marca da besta, a marca do seu nome e o número do seu nome? Pois bem, esse tema é muito extenso e vamos falar mais nele quando retomarmos o assunto do Anticristo nos próximos episódios, mas vamos lá. Seiscentos e sessenta e seis, representa o número imperfeito repetido 3 vezes, e se lembra, quando falamos de números simbólicos na Bíblia, explicamos que se trata de uma hipérbole de imperfeição (aliás, se não assistiu os episódios anteriores, vai ficar bem difícil de juntar as coisas a partir de agora, então vai lá e assista). Se somarmos as letras dos números de muitas pessoas, desde antiguidade, chegaremos ao número 666, como é o caso do Papa Leão X, Martinho Lutero, Hitler, entre outros inúmeros, inclusive Nero Cesar, imperador romano da época de João, que alguns apontam como sendo o Anticristo para os crentes daquela época. Cálculos à parte, a marca da besta está associado sempre a adoração da besta, satanás e ao próprio número, ou seja, não se trata de forma alguma a uma marca física (13:12, 15; cf. 19:20; 20: 4). Aí você pode me perguntar: Mas e você, seria chipado? Não, pois morro de medo de agulha e também não quero ser rastreado por ninguém, mas não por medo de não ir ao céu. Quer saber do mais, as pessoas que são de Cristo, carregam sua marca da morte para o mundo (Gl 5:22,23) e a presença do Santo espírito, os que não são, carregam a marca de morte para Deus, que são as suas obras da carne (Gl 5:19-21).   

 

Trombeta

Incidência: 1:10; 4:1; 8:2,6,7,8,10,12,13; 9:1,13,14; 10:7; 11:15.

Trombetas eram elementos muito importantes para os povos antigos, mas de certa forma, até hoje para as instituições militares. Quando o povo estava sendo atacado, por exemplo, os guardas tocavam um alerta na trombeta. Na tradição judaica, a trombeta não era apenas instrumento de guerra, mas também de vários chamamentos, como para oração e adoração. No hebraico, trombeta é shofar, feito de um chifre de carneiro montanhês daquela região. Quando vemos as trombetas do Apocalipse, são anúncios do juízo de Deus e fatos históricos, relacionados a taças da sua ira e selos que já vimos.        

 

Mil anos / Milênio      

Incidência: 20:4-7.    

As linhas de intepretações, que já presentamos nos episódios 2 e 10, mostram uma série de peculiaridades, mas devemos entender aqui, que independente da linha, o milênio existirá.

        

Gogue e Magogue    

Incidência: 19:8.

Para os judeus, Gogue e Magogue representa povos, ou seja, aqueles povos distintos do povo de Deus, isso vemos em Genesis 10:01,2 são descendentes de Noé que vão para a terra do norte, em Ezequiel 38, vemos que se trata de uma pessoa que vem do norte para guerrear contra o povo de Deus e finalmente em Apocalipse 20:8, vemos como uma explicação do termo povos.

 

Hades      

Incidência: 1:18; 6:8; 20:13,14.  

Hades é uma referência ao mundo dos mortos, lugar de espera do juízo para alguns interpretes, para outros, apenas um estado, não um lugar, e outros ainda, uma outra dimensão.

 

Idólatras  

Incidência: 21:8; 22:15.     

Idólatra é quem pratica idolatria, ou seja, adora outro deus, que não a Trindade, no conceito Bíblico. Na antiguidade, as imagens de deuses eram a "forma física" dos deuses, por isso, os ídolos eram ícones feitos por mãos humanas, segundo as Escrituras (Ex 20:3-5).

 

Livro da Vida    

Incidência: 3:5; 13:8; 17:6; 20:11,15,27.       

Livro de registro de todos os Salvos em todos os tempos. Claro que não se trata de um livro físico, mas um espiritual, como um registro que apenas o Senhor tem.

 

Monte Sião       

Incidência: 14:1.        

Monte Sião é como Israel localidade geográfica é conhecida, em especial a cidade de Jerusalém.

 

Noiva do Cordeiro    

Incidência: 18:23; 19:7; 21:2:9; 22:17.

A noiva do cordeiro é a Igreja de Jesus, o Povo de Deus em todos os tempos. Mesmo antes da Nova Aliança, a nação de Israel era tida como esposa de Deus (Os 2), então, no contexto geral das Escrituras, o Povo de Deus é a sua noiva e no dia final, será seu casamento para sempre.     

 

Novo Céu e Nova Terra     

Incidência: 21:1.        

A Palavra que aparece em Apocalipse 21:1 para novos nas nossas traduções, na verdade é kainos, que significa novo em qualidade, diferente de neo que representa algo novo criado. Literalmente significa Céus e Terra recriados, transformado e até mesmo restaurados, não destruídos e criados do 0, como na primeira criação. Então, juntando o conceito de 2 Pedro 3, onde os elementos são desfeitos, ou a terra é destruída no Dia do Senhor, uma reafirmação encontrada também nos profetas, trata-se de um processo de transformação em que a terra vai passar.      

 

Prostituta sentada sobre as Muitas águas

Incidência: 17:1,3,4,6,7,9,18.

Quando vemos a palavra prostituição no novo testamento, está relacionado a pelo menos duas situações: atividade sexual fora do casamento (pornografia, adultério, sexo antes do casamento e aí vai); ou pode estar relacionado a práticas de religiões não bíblicas e idolatria. Nesse sentido, estamos falando de uma mulher que se prostituiu, então, como interpretam a maioria dos teólogos, se trata do povo de Deus, que se misturou com práticas repugnantes, traindo o seu esposo, ou seja, Jesus. Um exemplo Bíblico para isso, é o caso do livro do profeta Oseias, que retrata a relação de Deus com Israel, mas ela se prostitui, então o Senhor manda que Oseias se case com uma mulher, digamos assim, fácil, pois sempre se perde do marido com outros homens. A Igreja de Jesus está repleta de sincretismo ao longo da história, como já vimos em outros capítulos, então, faz muito sentido dizer que essa mulher é a igreja que se corrompeu. Por outro lado, o mesmo texto de Apocalipse 17 afirma que essa mulher é conhecida pelo nome: A Grande Babilônia. Babilônia é uma referência à grande cidade imperial do século XVIII e VI a.C. Refere-se também à civilização babilônica que nasceu no ano 2500 a.C e sobreviveu até 539 a.C. Em aramaico: בבל; transl.: Babel significa confusão, do que, em estudos mais profundos, alguns vão dizer que pode-se remontar ao episódio Bíblico da Torre de Babel, o que tem algum fundamento por conta das comparações com a arqueologia daquela região e relatos míticos daquele povo preservado em muitos escritos da época. Os Babilônios foram os grandes inimigos e algozes dos Israelitas, pois em 597 a.C os judeus foram levados cativos e jamais a Nação de Israel foi a mesma após esse episódio, fazendo não somente com que o povo deixa-se a sua terra, mas mudou os costumes, introduziu novos elementos  à religião, sem contar a língua, que foi mudada do hebraico para o aramaico. A confusão chegou ao ponto da nação do norte, conhecida na antiguidade por Israel, separada de Judá, se contaminou de tal forma, que fez separação entre judeus e samaritanos, ou seja, uma espécie de povo misturado segundo a ótica dos judeus. Isso afetou tanto o povo de Deus, que magia, idolatria e adivinhação foram juntas às tradições israelitas até hoje, como é o caso da Cabalah, por exemplo. A descrição dessa mulher é muito complexa e chega a dar detalhes interessante, como sentada sobre muitas águas, o que alguns interpretam como relações diplomáticas, referência a relações marítimas, outros por referência geográfica da própria Babilônia, descrita em Jeremias 51:13, pois era uma cidade irrigada por muitos rios. Estar sobre, ou sentar-se sobre, normalmente significa ter domínio, então está dizendo que essa mulher domina as águas, que representam povos e nações (Ap 17:15). A mulher está sentada sobre a mesma besta que vemos em Apocalipse 12 e 13, o que é interpretado como da Igreja corrompida, o que novamente representa domínio sobre. Essa mulher distribui presentes entre as nações (corrompe) e está vestida de vermelho e azul, essa última referência pode até ser interpretada por alguns, por como sendo a bandeira americana, mas não temos elementos suficientes para comprovar qualquer alegação. Essa mesma mulher, está sentada sobre sete colinas, ao que alguns interpretam como sendo o vaticano, representando a Igreja católica Apostólica Romana, pois Roma tem sete colinas. Há um outro elemento interessante, que aponta, segundo alguns, para os imperadores romanos (sete reis, um oitavo surge), ao que certamente para os primeiros ouvintes seria justamente isso, pois de fato, Roma odiava a Igreja, mas se viu obrigada a incorporá-la no ano 313 e a desfigurou completamente, ou seja, expos toda a sua vergonha (Ap17:16). Por fim, João diz que a mulher é a grande cidade que reina sobre os reis da terra (Ap 17:18), ou seja, trata-se realmente de Roma, que naquele momento dominava as nações da Terra, mas como disse, isso se repetirá no fim, ou seja, durante a Grande Tribulação.

 

Trono Branco  

Incidência: 20:11.

O Grande trono Branco é o tribunal em que Cristo julgará todos os Seres humanos, vemos isso com a expressão "grandes e pequenos", isso quer dizer que Crentes e descrentes estar4ão nesse julgamento, sendo também a mesma narração de Mateus 25:31-46. Os salvos serão levados à Nova Jerusalém, e os não salvos, ou seja, os que não tem o nome no Livro da Vida, serão lançados junto com o Hades, diabo e seus anjos no inferno.

 

Ufa, depois de 3 episódios sobre símbolos, sejam numéricos elementares e animais, chegamos ao fim, mas não falamos sobre todos, por isso, te convido a acompanhar no blog uma tabela que vou disponibilizar com todos os que consegui levantar nas minhas buscas ao ler versículo por versículo.

 

No próximo episódio, que vai ao ar daqui a 2 semanas, pois semana que vem não vou conseguir gravar por causa de uma pequena cirurgia, vamos falar sobre os eventos apocalípticos no livro de apocalipse, mas dessa vez, será bem mais rápido, porque o simbolismo a gente já mato por aqui. Te vejo lá!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Apocalipse em Gotas Episódio #15 - O simbolismo de Apocalipse – Parte 2

 

Dando continuidade ao capítulo anterior, vamos falar hoje sobre mais símbolos que aparecem ao longo do livro de Apocalipse.

Vamos lá!

Mulher vestida de Sol, com a lua embaixo de seus pés

Incidência: 12:1,4,6,13,14,15,16.

Essa mulher normalmente é interpretada pela Igreja Católica como a Ascenção de Maria, ou seja, Maria tem seu filho morto pelo dragão (diabo) e depois é levada por Deus. Essa interpretação não faz sentido no contexto geral de Apocalipse nem do tema central tratado no capítulo 12. A maioria dos Interprestes encontra nesse capítulo o Povo de Deus, do Antigo e do Novo Testamento, que aguardava a vinda do Messias, o bebê em seu ventre; Sobre a cabeça, ou seja, a liderança desse povo, ou os representantes os as 12 estrelas, ou os 12 patriarcas e os 12 apóstolos, nesse caso, a representação do Povo de Deus de todos os tempos. O bebê, que representa Jesus, está sendo observado pelo dragão, que por sua vez representa, o diabo. Note que o diabo queria matar Jesus de todas as formas, mas no fim, quando chegou o tempo, o próprio Jesus se entregou, ou seja, nessa visão, e na verdade, o diabo não matou, mas o próprio Deus o levou, fazendo a referência à ressurreição. Por fim, a mulher foge para o deserto, que é lugar de provação do povo de Deus e há outros descendentes, ou seja, outros servos de Deus que sofrerão na tribulação, mas serão fiéis até o fim, mesmo que o diabo queira acabar com a Igreja, ela prevalecerá até o fim.

 

 

Abismo     9:1,2,11; 11:7  19:21,

Abismo é, trocando em miúdos, um grande buraco, uma grande depressão. Para o imaginário hebraico, entre o lugar dos mortos bons e maus havia um abismo intransponível (Mt8.29). No contexto de Apocalipse, Abismo pode ser um lugar de prisão do diabo, como pode ser um lugar de trevas, escuridão de esconderijo, além de uma referência ao centro da terra, ou seja, quando o magma é liberado, alguns elementos citados em Apocalipse 9:2 são vistos, por exemplo. Quando está relacionado a besta, abismo pode ser relacionado a escuridão, como uma referência ao inferno. Abismo também é referência para prisão e provavelmente nesse sentido, ao lugar em que os judeus criam como seio de Abraão, ou sheol, lugar dos mortos, em que os filhos de Deus ficavam num lado e separados por um abismo intransponível, o lugar dos maus (Lc16:19-31).

 

Armagedom     

Incidência:  16:16.    

Armagedom é uma localidade em Israel, conhecida como Meguido, um monte em que o Apocalipse diz que ocorrerá a batalha final dos inícios contra o Povo de Deus. Pelo que se lê, não haverá bem uma batalha, pois o Senhor destruirá os inimigos apenas pela sua Palavra (Ap 16:13).        

Colheita / Ceifa

Incidência: 14:14, 22:1.      

Ceifa é a representação da separação final dos filhos de Deus e os filhos da perdição. Muito comum nas parábolas de Jesus, a colheita representa Deus colhendo os frutos que Ele plantou sobre a terra, ou seja, seus filhos (Mt 13; 25). A Colheita pode ser interpretado como o julgamento final e outros interpretam como o arrebatamento.     

 

COROA   

Incidência: 4:4; 6:2; 9:7; 12:1,3; 13:1 14:14; 19:11.        

Coroa representa reino, governo e liderança. Os 24 anciãos depositando suas coroas aos pés do Cordeiro, significa que eles renunciam seu governo sobre o mundo em prol do Senhor. O Anticristo toma para si coroas, ou seja, tem o domínio sobre os reinos da Terra. Os que estão com o Anticristo também recebem o governo desse mundo. Satanás recebe o governo por meio do Anticristo. Mas há que se dizer que apenas o Cordeiro tem a Coroa para sempre, pois em sua coxa e capa está escrito: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores (Ap 19.16)        

 

DESERTO

Incidência: 12:6,14: 17:3.

Deserto é uma alusão a lugar de provação, lugar de falta de comida e água, mas lugar em que Deus sempre esteve com seu povo (Ex 3:5; Ex 40:34-38; Mt 4:1-11), mas nem sempre o povo de Deus foi fiel a Ele no deserto, então, pode ser que a mesma mulher que representa a noiva, pode ser representada pela mulher da Babilônia descrita em Apocalipse 17, pois João vai até o deserto e encontra uma mulher, ora, no capítulo 12, a mulher Igreja, é levada pelo anjo ao deserto, muito interessante essa reflexão.       

 

 

Besta       

Incidência: (11:7: 13:1; 13:4;5; 13:11; 12; 14; 14:9,11.  

Besta no conceito bíblico é um ser monstruoso que não pode ser identificado (Gn 1:25). No caso da literatura Apocalíptica, normalmente as visões dos profetas não são muito claras na definição dos animais que aparecem, então eles determinam como bestas, e descrevem o que veem, como é o caso de Daniel e João (Dn 7). No Livro de Apocalipse, A Besta deve ser interpretada com auxílio do Livro de Daniel, bem como todo o contexto do próprio livro. Assim, alguns interpretam a besta como um governante ou um sistema de governo. Os que interpretam como sendo um governante, dizem que virá num processo de revolução governamental e religioso em que as autoridades elegerão como sendo o grande libertador. Sendo assim, para esses, será o Anticristo, o falso messias que será tido como o Libertador tão aguardado por Israel e outros povos. Para quem interpreta como um sistema de governo, prevê uma estrutura política que dominará todos os seres humanos da terra. O período de governo desse governo ou governante, será de 7 anos, conforme a maioria dos interpretes. A maioria também interpreta que que esse período será dividido em dois períodos de 3 anos e meio, em que no primeiro momento será um período de pseudopaz, e outro de desgraça profunda e os castigos de Deus sendo derramados na humanidade. A Besta está relacionada aos elementos descritos em Daniel 7 e 8, e se analisarmos em conjunto com os textos de Apocalipse veremos que esses "animais" tem amis em comum do que se imagina. Leopardo, Urso e Leão em Apocalipse 13:2 referem-se às qualidades da Besta, que juntando a aparência de Leopardo (esguio e altivo), Pés de Urso (que pisoteia onde passa e esmaga) e Boca de leão (devora tudo o que vê pela frente), dá a impressão que será um ser humano desprezível e temível, um dominador terrível.

Teremos um episódio só para falar no Anticristo, Besta e Grande Tribulação, por isso, guarde essas informações, pois serão muito importantes, e lá, não precisarei explicar muito sobre esses símbolos. Algo interessante sobre a Besta, que vamos abordar mais a fundo na sequência, é que ela era, agora não é, e entretanto virá (Ap 17:8), isso quer dizer que será um espanto, pois ninguém mais conta com o ressurgimento dessa besta, mas ela aparecerá novamente na história.

 

Dragão    

Incidência: 12:3,4,7,9,13,16,17; 13:2,4,11; 16:13; 20:2.

Dragão, para as civilizações antigas representava a encarnação do mal, seja na mitologia persa, Babilônia e grega. Na Bíblia, esse termo aparece em Neemias 2:13, como nome de uma fonte, mas citado apenas para situar a localidade. Nos profetas, dragão está relacionado normalmente a reis que Deus usou para trazer juízo a Israel. O termo dragão nos Profetas, normalmente está relacionado a "Grande Crocodilo", provavelmente por uma mitologia Babilônica (Is 27:1, 51:9; Jr 51:34; Ez 29:3, 32:2). Quando interpretamos esse Dragão, normalmente está relacionado ao Anticristo, mas quando vamos mais a fundo, devemos entender que se trata do diabo tomando posse do corpo do Anticristo para receber adoração, a isso, alguns interpretes dizem que acontecerá no meio do período da Grande Tribulação. Isso faz total sentido quando olhamos para o versículo 9 de Apocalipse 12, em que João explica quem é, de fato, o dragão, ou seja, Satanás ou Diabo. Esse Dragão de Apocalipse tem alguns elementos interessantes: É vermelho, e lembrando que vermelho representa sangue, ou seja, será um tempo de manifestação de muita mortandade por parte do inimigo de Deus. Além disso, ele tem sete cabeças. Cabeça, já vimos que representa domínio, então esse dragão será alguém ou algo que terá 7 domínios, mas com 10 chifres, ou seja, 10 governos e sete coroas, ou seja, sete domínios novamente. Trocando em miúdos, alguns interpretam como sendo o Anticristo, que dominará como um Líder mundial, representando 10 Países, com 7 líderes mundiais em sua liderança e apoio. Nos próximos episódios vamos explorar um pouco mais isso.

 

Duas testemunhas   

Incidência: 11:3, 4.

As duas testemunhas são um ponto muito discutido na Escatologia, pois uns interpretam que serão Elias e João Batista, que ressuscitarão e serão proclamadores do reino de Deus durante a Grande Tribulação; Outros, entendem ser um elemento que aponta para os missionários que proclamarão como Elias e João, ou seja, vários homens e mulheres que serão como os profetas. Outros ainda, creem que serão dois personagens literais, como João e Elias, e que farão total oposição ao anticristo e seu domínio espiritual. Bem, quais dessas visões estão certas? Digo que não gostaria muito de estar aqui para ver, mas o certo é que a própria Bíblia afirma sobre esses testemunhas, que são Duas Oliveiras (Ap11:4) - representação de Israel, mas sendo 2, então está se referindo a Israel e Igreja. Além disso, são Dois Candelabros, que como vimos no glossário, representam a Igreja, e nesse caso, também Israel, aqueles que apontam a luz de Deus. Da boca delas sairá fogo, representando que a Palavra de Deus vai provar o que eles dizem e consumirá os que se levantam contra eles, ou seja, morrerão os opositores (Ap 11:6). Aqui, vemos outros dois elementos interessantes que precisamos levantar, um tempo esquisito 1260 dias (Ap 11:3, 12:6), que representam 3 anos e meio, e esse período também é representado pelos termos 42 meses (Ap 11:3,5), e nesse primeiro momento de 3 anos e meio, serão os grandes opositores da besta, mas quando terminar esse período, a besta vai vencê-los e matá-los, então, aparece outra representação, a de Três dias e meio (Ap 11:3), que também representa os 3 anos e meio. Depois de mais Três dias e meio (Ap 11:11) as duas testemunhas serão ressuscitadas para o dia da vingança do nosso Deus, o dia em que o Lagar de Deus se encherá da sua ira e as uvas serão pisadas. Esse período vai aparecer novamente em Apocalipse 12:14 Tempo, tempos e meio tempo em que aponta para um deserto em que a Igreja (Mulher) passará protegida pelo Senhor, mas fugindo do dragão (satanás). Na prática, o texto pode estar falando da proclamação pelos judeus e cristãos que se renderam a Jesus durante o período de grande tribulação, sendo duas pessoas literais ou um grupo de pessoas, acho que vamos ter que esperar pra ver, porque o pessoal discute, mas não chega a conclusão nenhuma sobre os pormenores.

 

A semana que vem a gente continua no Episódio 15 Simbolismo de Apocalipse parte 3.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

   

 Esse é o Apocalipse em Gotas, capítulo 13, O simbolismo de Apocalipse parte 1. A partir de hoje, vamos falar dos símbolos que aparecem no Apocalipse e interpretá-los à Luz das próprias Escrituras, assim, poderemos falar dos fatos ocorridos em todo o Livro do Apocalipse, interpretando as revelações apresentadas pelo Apóstolo João.

A Literatura apocalíptica sempre foi muito simbólica, seja no contexto do Livro de Apocalipse, como nos livros dos profetas e até nas parábolas de Jesus. Isso criou um misticismo por parte de alguns, piadas por outros e muita confusão por parte dos não cristãos. Agora, vamos falara a verdade? Acredito ser justamente por isso que as profecias são assim, pois não é para todos entenderem, mas apenas aqueles que recebem a profecia, e nesse caso, a Igreja verdadeira de Jesus.

Hoje vamos começar a ver que os símbolos apresentados não são um bicho de sete cabeças, embora tenha um bicho assim, vamos entender ao final desses episódios que temos pela frente o que cada elemento significa.

 

Para simplificar ainda mais, estou utilizando desde o início desse estudo, as versões bíblicas em Português a NVI (Nova Versão Internacional) e a NTLH (Nova Tradução na Linguagem de hoje), pois trazem algumas expressões originais, como Besta, mas outras já explicadas, como a expressão “os que cometem imoralidade sexual” trazida em outras versões como “os que se prostituem”. Note que os que se prostituem, em nossa cultura, normalmente vai dar margem para interpretar como apenas as pessoas que vivem do sexo, agora, quando falamos daqueles que cometem imoralidade sexual, aí vamos ter um sentido mais amplo, refletindo aquilo que o original vai dizer, de fato. Agora, preste bem atenção, não estou dizendo que as duas versões são as melhores, até porque, não existe uma versão melhor, sugiro sempre que se compare todas as disponíveis, nesse ponto, a tecnologia tem sido uma bênção, pois conseguimos comparar nos melhores aplicativos, inclusive lado a lado.

Aqui no Blog teremos ao final uma tabela com os principais símbolos, assim, você vai poder estudar detalhadamente nas ocorrências, pois vamos colocar onde se encontram e as principais interpretações.

Sem mais delongas, vamos aos símbolos

 

Cordeiro

Incidência: 5:6,8,12,13; 6:1,3,5,7,16; 7:9,10,14,17; 12:11; 13:8,11; 14:1,4, 10; 15:3; 17:14; 19:7,9; 21:9,14,22,26; 22:1,3

Cordeiro é o filhote do Carneiro e Ovelha. Para os judeus, o carneiro ou a ovelha, representava a posse, no sentido de propriedade e a herança. Israel era uma nação altamente pastoril quando fundada, conforme vemos em Genesis na figura dos Patriarcas (Gn 47:3). Israel se desenvolveu como nação e deixou de ser exclusivamente pastoril, mas jamais deixou essa essência morrer e até hoje, existem muitos rebanhos na região da Palestina. Os judeus tinham por habito, desde sempre, oferecer a Deus a primeira cria das cabras e ovelhas, mas quando se tratava de coprdeiro, era a alta representação do sacrifício perfeito (Gn 4.4; Ex 12:5). A Lei requeria que no dia de páscoa, um cordeiro de 1 ano, sem manchas na pele ou pelo, interamente branco, sem defeito algum deveria ser sacrificado para perdão dos pecados (Ex 12). Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1:29). Nos dias da Festa de Páscoa no momento mais importante que era o sacrifício do cordeiro pascal, Jesus morre na Cruz, e todos os símbolos de sacrifício perfeito agora se cumprem no verdadeiro Cordeiro, que não apenas esconde os pecados, mas lava de forma definitiva (Hb 9:12-14). Jesus é o cordeiro morto antes da fundação do mundo, conforme Apocalipse 13:8, o que revela que Deus, em sua pré-ciência, planejou o sacrifício de Jesus para reconciliar consigo os seres humanos que aceitam essa redenção (At 2:23; Rm 8:29; 11:2; 1Pe 1:2,20. 

Alguns elementos também são interessantes nos cordeiros, porque se rendem, sem restência quando estão seguindo para o matadouro (Is 53), além disso, diferente dos bodes e cabras, o cordeiro é manso e dócil. Jesus é manso como um cordeiro e morreu de livre e expontânea vontade por nós, sem pecado, sem nenhum defeito. O Anticristo paracerá como um cordeiro, mas falará como um dragão (Ap 13:11). Devemos ter muito cuidado com pessoas que aparentam, mas não são, por isso, creia apenas em Jesus, e prove todas as palavras para discernir se são de Deus ou do espírito do Anticristo (1Jo 4:1).

 

Leão

Incidência: 4:7; 5:4; 9:8; 10:2; 13:2

Leão é conhecido durante séculos como o rei da selva, e não por menos. O leão é o maior predador da África e um dos maiores da Ásia, onde também é endêmico, embora o asiático seja menor e menos bonito do que os africanos. Leão é símbolo de força, poder e seus dentes dão medo a qualquer um, por isso, quando se fala dos dentes ou da boca de leão, está se falando de destruição, quando aliado a ferro, então, nem se fala. Leão e ferro é uma combinação mortífera na Bíblia, pois representa poderio nobre e força militar destruidora (Jz 14:18; Pv 28:1; 30:29-31; Nm 24:9; 1Re 10:19,20).

 

Leão de Judá

Incidência: 5:4

Leão da tribo de Judá, é uma referência à bênção que Jacó, também conhecido como Israel profere ao seu filho Judá em Gênesis 49:9,10. Nessa Bênção, Jacó não apenas revela algo sobre a personalidade de seu filho, mas lança uma profecia poderosa que deve ser interpretada como apocalíptica também. 400 anos mais tarde, Israel está saindo do Egito para o deserto e seu exercito, assim como todo o povo, caminhava por ordem de tribos, uma delas, a de Judá, tinha uma Bandeira famosa, com um Leão estampado. Jesus é o Leão da profecia de Jacó, porque é decendente da tribo de Judá, tanto pela linhagem de Maria, como a de José (Mt 1:1-17; Lc 3:23-38).

Agora, não tem como não fazer a relação, Jesus é o cordeiro de Deus e o leão de Judá, nada mais contraditório, não é? A resposta é não, pois Jesus veio em sua primeira vinda como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, mas agora, virá como Leão imponente da tribo de Judá, que conforme a profecia de Jacó, “até que venha aquele a quem ele (o cetro) pertence, e a Ele, as nações obedecerão”. (Gn 49:10).

Ancião

Incidência: 4:4;10; 5:5;6;8;11;14; 7:11;13; 11:16; 14:3; 19:4

Ancião não é apenas um velho na escritura apocalíptica, mas refere-se a pessoas proeminentes em liderança, até porque a palavra grega para isso é presbíteros, o que significa literalmente ancião, mas é a mesma palavra para designar os mais antigos líderes cristãos, ou seja, os pastores. Quando olhamos para os 24 anciãos, são os representantes não apenas de Israel, mas provavelmente uma alusão aos 12 patriarcas de Israel e também os 12 Apóstolos

 

Canção

Incidência: 4:8-11; 5:9,10,12; 6:10; 7:10-12; 11:15-18; 12:10-12; 14:3; 15:3,4; 16:5-7

As canções nas Escrituras representam celebração pelos atos e pessoa de Deus. No apocalipse, as canções revelam o poder e os atos de Deus sobre a humanidade.

Cavalo

Incidência: 6:1,3,5,7;  9:7,9, 17,19; 14:20; 18:13; 19:11,14,18,19,21

O Cavalo normalmente está relacionado a cenas de guerras nas Escrituras (Ex 15:1; Sl 20:7). O cavalo dominado pelo homem há cerca de 6 mil anos, foi introduzido na guerra por volta de 5 mil anos atras. Os cavalos representavam a força militar de um apís nas tradições antigas, e quando relacionado a carros de guerra, então a coisa ficava ainda mais perigosa. Cavalo relacionado com cavaleiro, normalmente faz mensão a alto comando militar que chega para decretar vitória ou marchar triunfante, esse é o caso dos calareiros do Apocalipse. Quando os quatro caveleiros aparecem, começa o juízo de Deus sobre a Terra. Os Cavaleiros tambpém representam as desgraças que acontecerão na humanidade, não podemos interpretar como acontecimentos sequenciais, pois como veremos, o Apocalipse não é, de forma alguma uma escrita cronológica.

 

Cavalo Branco

Incidência: 6:2; 19:11O cavaleiro do cavalo branco normalmente é interpretado por ser o Senhor Jesus. Branco normalmente representa pureza, perdão de pecadoe e juízo de Deus (Is 1:18,19). Em Apocalipse 19:11-21 a aparição do Cavaleiro do Cavalo Branco aparece totalmentre interpretada, e realmente podemos dizer que é Jesus.

 

Cavalo Vermelho

Incidência: 6:4

O Cavaleiro do cavalo vermelho representa a guerra, pois vermelho está relacionado a sangue nas Escrituras (Lv 17:11; Is 1:18).

 

Cavalo Preto

Incidência: 6:5

Sabemos que a cor preta é a ausência de cores, segundo a ciência. Para os antigos, incluindo os povos Bíblicos, a cor preta representa escuridão, trevas e caos. É justamente isso que o Cavaleiro do Cavalo preto traz: Destruição. O cavaleiro do cavalo preto é tido como o que vai julgar a terra e trazer muitos prejuízos com fome e pestes.

 

Cavalo Amarelo

Incidência: 6:8.

O Cavaleiro de Cavalo amarelo representa a Morte, até porque, as pessoas, quando estão em estado de morte recente, tem uma cor amarelada por causa das reações sanguíneas.

 

Águia

Incidência: 4:7; 8:13; 12:14.

Águia é um dos animais com a visão mais cirúrgica da natureza, capaz de enchergar a literalmente centenas de metros. Além disso, é uma ave que sobrevoa as alturas, nesse sentido, águia representa visão periférica e altura, algo como uma visão total das coisas.

 

Anjo

Incidência: 1:1,20: 2:1,8,12,18; 3:1,5,7,14; 5:2,11; 7:1,2,11; 8:2,3,4,6,7,8,10,12,13; 9:1,11,13,14,15; 10:1,5,7,8,9,10; 11:15   12:7,9; 14:6, 8; 14:5,6,8,9,10,15,17,18,19; 15:1,5,7,8: 16:1,2,3,4,5,8,10,12,17; 17:1,2,7,15: 18:1,21; 19:9,17; 20:1; 21: 9,12,15,17; 22:1,5,6,8,16.

Apocalipse pode ser o Livro dos Anjos, se formos levar em consideração que é a palavra mais recorrente aqui, 85 vezes. Anjo é a palavra grega angelos no original de apocalipse, e normalmente está relacionada a seres celestiais que servem a Deus como mensageiros e protetores dos seus servos humanos. Na angelologia, disciplina da teologia, há classificações dos seres selestriais como mensageiros (Gabriel), os que assistem no culto (Querubins) e os Serafins. Mas no Apocalipse, a classificação dos seres angelicais é irrelevante, mesmo quando citado o nome. 

Anjos do Dragão

Incidência: 12:7

Anjos do Dragão é uma referência aos anjos caídos, cerca de 1/3 dos anjos se rebelara em conjunto com o diabo, conforme a maioria dos interpretes de Ezequiel 28 e Isaias 14. Em Apocalipse 12.4 revela essa mesma afirmação, que consigo, o dragão levou 1/3 das estrelas do céu.

 

Arco

Incidência: 6:2

Arco representa guerra, é o arco de lançar flechas

 

Arco-iris

Incidência: 4:3; 10:1

Arco íris é o símbolo da Aliança de Deus com os homens, mas no Apocalipse, provavelmente represente o resplandecer dos seres celestiais, como se fosse uma auréola sobre as cabeças ou em volta dos seres que João vê. Esses arcos representam a glória de Deus vista por João.

 

Chave

Incidência: 1:18; 9:1; 20:1

Chave está relacionado a propriedade e poder sobre alguma coisa. Jesus recebe do Pai a chave da morte e do Inferno (Ef 4:8-10), ou seja, ele tem todo o poder sobre a vida e a morte. Jesus tem a Chave de Davi (Is 22:22; Ap 3:7), ao que Ele tem o governo sobre Israel, ou seja, o povo de Deus. e por fim, Jesus é quem tem as chaves do reino dos Céus (Mt 16:19), ou seja, Ele é quem diz quem entra para os braços de Deus e quem fica de fora.

 

Chifre

Incidência: 5:6: 12:3; 13:1,11; 17:3,7,12,16

Chifre nas Escrituras, está relacionado na maioria das vezes com Governo. Quando vemos Samuel consagrando os dois primeiros reis de Israel, por exemplo, ele leva o óleo de consagração em um chifre de carneiro (1Sm 16:1). Os governos relacionados pelas visões de Daniel, são representados por chifres e no próprio texto é auto explicativo (Dn 7:1-28).

 

Cinturão de ouro

Incidência: 1:13; 15:6.

O cinto era um adereço que representava status na antiguidade, mas também era um elemento que dava segurança para realizar algumas atividades, como no caso de Elias, que apertou o cinto e correu (1Re 18:45). Um cito de ouro representava o status social no Século I, pois apenas algum imperador ou nobre poderia possuir. o Senhor Jesus tinha um cito de Ouro na cintura, representando que Ele é o rei dos reis e Senhor dos Senhores, como muitas vezes no apocalipse.

 

Ouro

Incidência: 1:12,20; 2:1; 3:18; 4:4; 5:8; 8:1,3; 9:7,13,20; 14:14; 15:7; 17:4; 18:12,16; 21:15,18,21.

Ouro representa riqueza, mas também pureza, pois assim como simbolizado em Ap 3:18, que afirma que o ouro é refinado pelo fogo, a Bíblia traz esse raciocínio outras vezes, como em Zacarias 13:9. Quando vemos ouro no apocalipse, pode ter as duas interpretações, além da terceira, que é nobreza, como no caso de coroa e cinto. Elementos de ouro, como vara, taça e candelabro, representam que são elementos santos, separados ou consagrados a Deus. Quando relacionado a coisas ruins, como a grande prostituta, normalmente está relacionado à idolatria, pois o diabo gosta de usar esse elemento para interpretar um papel de imponência.    

Bom, essa foi a primeira parte de dois episódios de interpretação de símbolos que aparecem no apocalipse. A semana que vem, nos vemos novamente para outros símbolos. Te vejo lá!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Apocalipse em Gotas Episódio #12 - Os Números do Apocalipse

Neste episódio de Apocalipse em Gotas, vamos falar dos símbolos que aparecem a partir do capítulo 4 de Apocalipse, já que até o capítulo 3 nós já interpretamos praticamente versículo por versículo no episódio #06.

Vamos começar com os números da Bíblia. Há um simbolismo muito profundo nos números representados nas Escrituras, e cada vez que olhamos para as narrações, nos deparamos com esses simbolismos que dão margem para várias interpretações, mas devemos sempre entender que a Bíblia foi escrita em primeiro lugar, em especial os livros do Novo Testamento, para um público específico, e certamente esse público entendeu a mensagem porque já estava habituado com os símbolos adotados.

Os números eram tão importantes para os povos antigos, que atribuíam a eles, significado. Para o povo da Bíblia, não era diferente, então, vamos lá:

O Antigo testamento é escrito quase todo em Hebraico, uma língua que não é mais falada, embora haja o hebraico moderno que, foi construído sobre essa língua bíblica. O Novo Testamento foi escrito em Grego Koyné, ou seja, a linguagem do povo, mas novamente, daquela época. Tanto no hebraico, como no grego, as letras representam também os números, como era comum nas línguas antigas, uma forma de entender isso, é o caso dos algarismos romanos que como letras, são usadas até hoje nas línguas modernas para representar numerais.

Os judeus têm, até hoje, um sistema de interpretação dos números chamada de gematria, mas não vamos abordar isso aqui, pois é mais parecido com numerologia, do que propriamente interpretação, ao que biblicamente, jamais foi aceito pelo Senhor, tanto que, faz parte dos mistérios da Kabalah judaica, que mistura magia, astrologia e outras ciências ocultas, nesse caso, com todo o respeito aos que usam desse expediente para interpretar a Bíblia, não recomendo. 

         Para os judeus dos tempos Bíblicos, os números que vemos no Apocalipse tem o seguinte significado:

1 – Um é o número da unidade, singularidade e começo, mas também representa o Senhor, como único Deus (Dt 6:4);

2 – Dois é o número da paridade, par perfeito, como no caso de Adão e Eva, os animais puros da Arca e assim por diante Além disso, está relacionada ao dobro, como no caso de Eliseu, recebendo a porção dobrada do Espírito que estava sobre Elias (Gn 2:24; 7:2; 2Re 2:9,10.);

3 – Três, normalmente reforça alguma coisa, como no nosso superlativo, por exemplo. O melhor exemplo que podemos usar é o de Isaias 6 e Apocalipse 4:8, quando os seres celestiais clamam “Santo, Santo, Santo”, isso no hebraico quer dizer santíssimo, ou totalmente Santo, ou ainda, mais Santo que todos. Nos textos do Novo Testamento, quando vemos essa forma, é porque os judeus estavam acostumados como essa forma superlativa, embora no grego houvessem formas mais simples dessa expressão. O número três também representa a Trindade, porque Deus é único, mas três pessoas, então, de forma bem simplista, podemos dizer que 3 é o número das coisas do céu (Is 6:3; Ap 4:8).

4 – Quatro normalmente representa a totalidade das coisas, ou seja, os quatro elementos, os quatro cantos, os quatro ventos e assim por diante, nesse caso, podemos dizer que 4 é o número das coisas da terra, as coisas criadas, ou representa a própria terra (Ap 7:1);

5 – Cinco é o número de responsabilidade, como as 5 virgens de um grupo e 5 do outro em Mateus 25, cinco também é a metade de 10, ou seja, nem muito nem pouco, nesse caso será a metade de alguma coisa ou pessoas e assim por diante. Além disso, cinco pode representar a interferência de Deus na terra, como dizem alguns estudiosos, 54 é 4+1, ou seja, as coisas da Terra, recebendo algo único, ou seja, o Poder de Deus (Nm 3:46,47; Mt 25:20,21).  

6 - Seis é tido como o número da imperfeição, ou número humano, até porque foi no sexto dia que Deus criou a humanidade. Seis também pode ser interpretado como o número do erro humano, mas também é o número do caminho para a santidade, ou seja, imperfeitos que somos, desejamos chegar à perfeição e lutamos por isso, nesse caso, 6 pode ser também o número da preparação e não suficiente, é o número do começo da humanidade novamente, pois através de 6 pessoas (3 filhos de Noé e suas esposas) que toda a humanidade foi gerada (Gn 1:26-31; 9:18,19; Dt 5:13).

7 – Sete é o número da perfeição. Representa o número de Deus, um número completo, e de certa forma, se somarmos o número das coisas da terra (4) e as coisas dos Céus (3), então temos o 7. Sete representa a plenitude, tudo e completude.

O número sete é interessante, tanto que alguns geram uma idolatria sobre isso, dizendo que alguns dias são mais importantes que outros e assim por diante. Mas que não deixa de ser um número intrigante, isso é... Sete são os mares, os dias da semana, as notas musicais, as cores do arco íris, as maravilhas do mundo antigo e as do mundo moderno e por aí vai...

10 – Dez indica grande quantidade ou lista completa, como no caso das 10 virgens de Mateus 25, representando que era a Igreja como um todo (Mt 25) ;

12 – Doze é o número da representatividade, se multiplicarmos o numero das coisas da terra (4) pelo número das coisas do céu (3), então temos? Pois é... 12 eram as tribos de Israel, ou seja, a representação do povo do Antigo Testamento, os filhos de Israel, e 12 eram os apóstolos escolhidos por Jesus durante seu ministério terreno, ou seja, os representantes da Igreja (Gn 49:1-33; Mt 10:1-4);

24 – Vinte e Quatro é o dobro de 12. Quando olhamos para os 24 anciãos, são os representantes não apenas de Israel, mas provavelmente uma alusão aos 12 patriarcas de Israel e também os 12 Apóstolos (4:4);

40 – Quarenta é o número da preparação, também de uma nova etapa. Os exemplos bíblicos são: 40 dias e quarenta noites do dilúvio (Gn 7,4.12); 40 dias e 40 noites Moisés passa no Monte (Ex 24,18; 34,26; Dt 9,9-11; 10,10); 40 anos foi o tempo da peregrinação pelo deserto (Nm 14,33; 32,13; Dt 8,2; 29,4, etc); Jesus jejuou 40 dias antes de começar seu ministério (Mt 4,2; Mc 1,12; Lc 4,2); a ascensão de Jesus acontece 40 dias depois da Ressurreição (At 1,3). Quando alguém errava era corrigido com 40 chicotadas (Dt 25,3) e Paulo também recebeu cinco vezes as 40 chicotadas menos uma (2Cor 11,24).

70 – Setenta é o número da plenitude elevada, se é que isso existe... é como uma hipérbole sobre a plenitude, Jesus tenta brincar com esse número quando diz que os crentes deveriam perdoar 70 vezes 7 em Mateus 18:21,22. É como que um jogo de palavras dizendo: você deve perdoar infinitamente. Nos textos apocalípticos, 70 quer dizer justamente isso. Para compreender melhor, é o mesmo que juntar, ou multiplicar, nesse caso, os números 7 e 10, ou seja, os números da perfeição e grande quantidade, ou seja, grande quantidade de perfeição (Jr 29:10-12;

1000 – Mil representava a quantidade que não podia ser contata, ou infinitude, representa multidão, algo que foge da compreensão, embora esse número possa ser também literal muitas vezes (Dt 7:9; Ap 20:4).

144.000 – Cento e quarenta e quatro mil é uma multiplicação, vamos tentar: representatividade X Representatividade X Mil. Ou seja, 12 vezes 12 vezes 1000. Representa a totalidade das pessoas de Israel, ou da Igreja, ou ainda, a totalidade do povo de Deus (Ap 7:4.

 

É claro, que como todo o caso da interpretação, podemos ter várias correntes, mas essa é a interpretação da maioria dos entendidos no assunto, bem como a interpretação mais recorrente na Igreja durante a história, por isso, usei aqui.

Tudo isso vai ser muito importante para nossas próximas semanas, por isso, guarde essas informações, assim, poderemos avançar bastante.

A semana que vem continuamos a interpretar, mas dessa vez, outros símbolos mais cabeludos, se é que podemos dizer assim. Te vejo lá!!!