Dando continuidade ao capítulo anterior, vamos falar hoje
sobre mais símbolos que aparecem ao longo do livro de Apocalipse.
Vamos lá!
Mulher vestida de Sol, com a lua embaixo de
seus pés
Incidência: 12:1,4,6,13,14,15,16.
Essa mulher normalmente
é interpretada pela Igreja Católica como a Ascenção de Maria, ou seja, Maria
tem seu filho morto pelo dragão (diabo) e depois é levada por Deus. Essa
interpretação não faz sentido no contexto geral de Apocalipse nem do tema central
tratado no capítulo 12. A maioria dos Interprestes encontra nesse capítulo o
Povo de Deus, do Antigo e do Novo Testamento, que aguardava a vinda do Messias,
o bebê em seu ventre; Sobre a cabeça, ou seja, a liderança desse povo,
ou os representantes os as 12 estrelas, ou os 12 patriarcas e os 12 apóstolos,
nesse caso, a representação do Povo de Deus de todos os tempos. O bebê, que
representa Jesus, está sendo observado pelo dragão, que por sua vez
representa, o diabo. Note que o diabo queria matar Jesus de todas as formas,
mas no fim, quando chegou o tempo, o próprio Jesus se entregou, ou seja, nessa
visão, e na verdade, o diabo não matou, mas o próprio Deus o levou, fazendo a
referência à ressurreição. Por fim, a mulher foge para o deserto, que é lugar
de provação do povo de Deus e há outros descendentes, ou seja, outros servos de
Deus que sofrerão na tribulação, mas serão fiéis até o fim, mesmo que o diabo
queira acabar com a Igreja, ela prevalecerá até o fim.
Abismo 9:1,2,11; 11:7 19:21,
Abismo é, trocando em miúdos,
um grande buraco, uma grande depressão. Para o imaginário hebraico, entre o
lugar dos mortos bons e maus havia um abismo intransponível (Mt8.29). No
contexto de Apocalipse, Abismo pode ser um lugar de prisão do diabo, como pode
ser um lugar de trevas, escuridão de esconderijo, além de uma referência ao
centro da terra, ou seja, quando o magma é liberado, alguns elementos citados
em Apocalipse 9:2 são vistos, por exemplo. Quando está relacionado a besta,
abismo pode ser relacionado a escuridão, como uma referência ao inferno. Abismo
também é referência para prisão e provavelmente nesse sentido, ao lugar em que
os judeus criam como seio de Abraão, ou sheol, lugar dos mortos, em que os
filhos de Deus ficavam num lado e separados por um abismo intransponível, o
lugar dos maus (Lc16:19-31).
Armagedom
Incidência: 16:16.
Armagedom é uma localidade em
Israel, conhecida como Meguido, um monte em que o Apocalipse diz que ocorrerá a
batalha final dos inícios contra o Povo de Deus. Pelo que se lê, não haverá bem
uma batalha, pois o Senhor destruirá os inimigos apenas pela sua Palavra (Ap
16:13).
Colheita / Ceifa
Incidência: 14:14,
22:1.
Ceifa é a representação da
separação final dos filhos de Deus e os filhos da perdição. Muito comum nas
parábolas de Jesus, a colheita representa Deus colhendo os frutos que Ele plantou
sobre a terra, ou seja, seus filhos (Mt 13; 25). A Colheita pode ser interpretado
como o julgamento final e outros interpretam como o arrebatamento.
COROA
Incidência: 4:4;
6:2; 9:7; 12:1,3; 13:1 14:14; 19:11.
Coroa representa reino,
governo e liderança. Os 24 anciãos depositando suas coroas aos pés do Cordeiro,
significa que eles renunciam seu governo sobre o mundo em prol do Senhor. O
Anticristo toma para si coroas, ou seja, tem o domínio sobre os reinos da Terra.
Os que estão com o Anticristo também recebem o governo desse mundo. Satanás
recebe o governo por meio do Anticristo. Mas há que se dizer que apenas o
Cordeiro tem a Coroa para sempre, pois em sua coxa e capa está escrito: Rei dos
Reis e Senhor dos Senhores (Ap 19.16)
DESERTO
Incidência: 12:6,14:
17:3.
Deserto é uma alusão a lugar
de provação, lugar de falta de comida e água, mas lugar em que Deus sempre
esteve com seu povo (Ex 3:5; Ex 40:34-38; Mt 4:1-11), mas nem sempre o povo de
Deus foi fiel a Ele no deserto, então, pode ser que a mesma mulher que
representa a noiva, pode ser representada pela mulher da Babilônia descrita em
Apocalipse 17, pois João vai até o deserto e encontra uma mulher, ora, no
capítulo 12, a mulher Igreja, é levada pelo anjo ao deserto, muito interessante
essa reflexão.
Besta
Incidência: (11:7:
13:1; 13:4;5; 13:11; 12; 14; 14:9,11.
Besta no conceito bíblico é um
ser monstruoso que não pode ser identificado (Gn 1:25). No caso da literatura
Apocalíptica, normalmente as visões dos profetas não são muito claras na
definição dos animais que aparecem, então eles determinam como bestas, e descrevem
o que veem, como é o caso de Daniel e João (Dn 7). No Livro de Apocalipse, A
Besta deve ser interpretada com auxílio do Livro de Daniel, bem como todo o
contexto do próprio livro. Assim, alguns interpretam a besta como um governante
ou um sistema de governo. Os que interpretam como sendo um governante, dizem
que virá num processo de revolução governamental e religioso em que as
autoridades elegerão como sendo o grande libertador. Sendo assim, para esses,
será o Anticristo, o falso messias que será tido como o Libertador tão
aguardado por Israel e outros povos. Para quem interpreta como um sistema de
governo, prevê uma estrutura política que dominará todos os seres humanos da
terra. O período de governo desse governo ou governante, será de 7 anos, conforme
a maioria dos interpretes. A maioria também interpreta que que esse período
será dividido em dois períodos de 3 anos e meio, em que no primeiro momento
será um período de pseudopaz, e outro de desgraça profunda e os castigos de
Deus sendo derramados na humanidade. A Besta está relacionada aos elementos
descritos em Daniel 7 e 8, e se analisarmos em conjunto com os textos de
Apocalipse veremos que esses "animais" tem amis em comum do que se
imagina. Leopardo, Urso e Leão em Apocalipse 13:2 referem-se às qualidades da
Besta, que juntando a aparência de Leopardo (esguio e altivo), Pés de Urso (que
pisoteia onde passa e esmaga) e Boca de leão (devora tudo o que vê pela
frente), dá a impressão que será um ser humano desprezível e temível, um
dominador terrível.
Teremos um episódio só para
falar no Anticristo, Besta e Grande Tribulação, por isso, guarde essas
informações, pois serão muito importantes, e lá, não precisarei explicar muito
sobre esses símbolos. Algo interessante sobre a Besta, que vamos abordar mais a
fundo na sequência, é que ela era, agora não é, e entretanto virá (Ap 17:8),
isso quer dizer que será um espanto, pois ninguém mais conta com o
ressurgimento dessa besta, mas ela aparecerá novamente na história.
Dragão
Incidência: 12:3,4,7,9,13,16,17;
13:2,4,11; 16:13; 20:2.
Dragão, para as civilizações
antigas representava a encarnação do mal, seja na mitologia persa, Babilônia e
grega. Na Bíblia, esse termo aparece em Neemias 2:13, como nome de uma fonte,
mas citado apenas para situar a localidade. Nos profetas, dragão está relacionado
normalmente a reis que Deus usou para trazer juízo a Israel. O termo dragão nos
Profetas, normalmente está relacionado a "Grande Crocodilo",
provavelmente por uma mitologia Babilônica (Is 27:1, 51:9; Jr 51:34; Ez 29:3,
32:2). Quando interpretamos esse Dragão, normalmente está relacionado ao
Anticristo, mas quando vamos mais a fundo, devemos entender que se trata do
diabo tomando posse do corpo do Anticristo para receber adoração, a isso,
alguns interpretes dizem que acontecerá no meio do período da Grande Tribulação.
Isso faz total sentido quando olhamos para o versículo 9 de Apocalipse 12, em
que João explica quem é, de fato, o dragão, ou seja, Satanás ou Diabo. Esse
Dragão de Apocalipse tem alguns elementos interessantes: É vermelho, e lembrando
que vermelho representa sangue, ou seja, será um tempo de manifestação de muita
mortandade por parte do inimigo de Deus. Além disso, ele tem sete cabeças.
Cabeça, já vimos que representa domínio, então esse dragão será alguém ou algo
que terá 7 domínios, mas com 10 chifres, ou seja, 10 governos e sete coroas, ou
seja, sete domínios novamente. Trocando em miúdos, alguns interpretam como
sendo o Anticristo, que dominará como um Líder mundial, representando 10
Países, com 7 líderes mundiais em sua liderança e apoio. Nos próximos episódios
vamos explorar um pouco mais isso.
Duas testemunhas
Incidência: 11:3,
4.
As duas testemunhas são um
ponto muito discutido na Escatologia, pois uns interpretam que serão Elias e
João Batista, que ressuscitarão e serão proclamadores do reino de Deus durante
a Grande Tribulação; Outros, entendem ser um elemento que aponta para os
missionários que proclamarão como Elias e João, ou seja, vários homens e
mulheres que serão como os profetas. Outros ainda, creem que serão dois
personagens literais, como João e Elias, e que farão total oposição ao
anticristo e seu domínio espiritual. Bem, quais dessas visões estão certas?
Digo que não gostaria muito de estar aqui para ver, mas o certo é que a própria
Bíblia afirma sobre esses testemunhas, que são Duas Oliveiras (Ap11:4)
- representação de Israel, mas sendo 2, então está se referindo a Israel e
Igreja. Além disso, são Dois Candelabros, que como vimos no
glossário, representam a Igreja, e nesse caso, também Israel, aqueles que apontam
a luz de Deus. Da boca delas sairá fogo, representando que a Palavra de Deus
vai provar o que eles dizem e consumirá os que se levantam contra eles, ou
seja, morrerão os opositores (Ap 11:6). Aqui, vemos outros dois elementos interessantes
que precisamos levantar, um tempo esquisito 1260 dias (Ap 11:3,
12:6), que representam 3 anos e meio, e esse período também é representado
pelos termos 42 meses (Ap 11:3,5), e nesse primeiro momento de 3
anos e meio, serão os grandes opositores da besta, mas quando terminar esse
período, a besta vai vencê-los e matá-los, então, aparece outra representação,
a de Três dias e meio (Ap 11:3), que também representa os 3 anos
e meio. Depois de mais Três dias e meio (Ap 11:11) as duas
testemunhas serão ressuscitadas para o dia da vingança do nosso Deus, o dia em
que o Lagar de Deus se encherá da sua ira e as uvas serão pisadas. Esse período
vai aparecer novamente em Apocalipse 12:14 Tempo, tempos e meio tempo
em que aponta para um deserto em que a Igreja (Mulher) passará protegida pelo
Senhor, mas fugindo do dragão (satanás). Na prática, o texto pode estar falando
da proclamação pelos judeus e cristãos que se renderam a Jesus durante o
período de grande tribulação, sendo duas pessoas literais ou um grupo de
pessoas, acho que vamos ter que esperar pra ver, porque o pessoal discute, mas
não chega a conclusão nenhuma sobre os pormenores.
A semana que vem a gente
continua no Episódio 15 Simbolismo de Apocalipse parte 3.

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