Neste episódio de Apocalipse em Gotas, vamos falar dos símbolos que aparecem a partir do capítulo 4 de Apocalipse, já que até o capítulo 3 nós já interpr
Vamos começar com os números da Bíblia. Há um simbolismo
muito profundo nos números representados nas Escrituras, e cada vez que olhamos
para as narrações, nos deparamos com esses simbolismos que dão margem para
várias interpretações, mas devemos sempre entender que a Bíblia foi escrita em
primeiro lugar, em especial os livros do Novo Testamento, para um público
específico, e certamente esse público entendeu a mensagem porque já estava
habituado com os símbolos adotados.
Os números eram tão importantes para os povos antigos, que
atribuíam a eles, significado. Para o povo da Bíblia, não era diferente, então,
vamos lá:
O Antigo testamento é escrito quase todo em Hebraico, uma
língua que não é mais falada, embora haja o hebraico moderno que, foi
construído sobre essa língua bíblica. O Novo Testamento foi escrito em Grego
Koyné, ou seja, a linguagem do povo, mas novamente, daquela época. Tanto no
hebraico, como no grego, as letras representam também os números, como era
comum nas línguas antigas, uma forma de entender isso, é o caso dos algarismos
romanos que como letras, são usadas até hoje nas línguas modernas para
representar numerais.
Os judeus têm, até hoje, um sistema de interpretação dos
números chamada de gematria, mas não vamos abordar isso aqui, pois é mais
parecido com numerologia, do que propriamente interpretação, ao que
biblicamente, jamais foi aceito pelo Senhor, tanto que, faz parte dos mistérios
da Kabalah judaica, que mistura magia, astrologia e outras ciências ocultas,
nesse caso, com todo o respeito aos que usam desse expediente para interpretar
a Bíblia, não recomendo.
Para os
judeus dos tempos Bíblicos, os números que vemos no Apocalipse tem o seguinte
significado:
1 – Um é o número da unidade,
singularidade e começo, mas também representa o Senhor, como único Deus (Dt 6:4);
2 – Dois é o número da paridade, par
perfeito, como no caso de Adão e Eva, os animais puros da Arca e assim por
diante Além disso, está relacionada ao dobro, como no caso de Eliseu, recebendo
a porção dobrada do Espírito que estava sobre Elias (Gn 2:24; 7:2; 2Re 2:9,10.);
3 – Três, normalmente reforça alguma
coisa, como no nosso superlativo, por exemplo. O melhor exemplo que podemos
usar é o de Isaias 6 e Apocalipse 4:8, quando os seres celestiais clamam “Santo,
Santo, Santo”, isso no hebraico quer dizer santíssimo, ou totalmente Santo, ou
ainda, mais Santo que todos. Nos textos do Novo Testamento, quando vemos essa
forma, é porque os judeus estavam acostumados como essa forma superlativa,
embora no grego houvessem formas mais simples dessa expressão. O número três
também representa a Trindade, porque Deus é único, mas três pessoas, então, de
forma bem simplista, podemos dizer que 3 é o número das coisas do céu (Is 6:3;
Ap 4:8).
4 – Quatro normalmente representa
a totalidade das coisas, ou seja, os quatro elementos, os quatro cantos, os
quatro ventos e assim por diante, nesse caso, podemos dizer que 4 é o número
das coisas da terra, as coisas criadas, ou representa a própria terra (Ap 7:1);
5 – Cinco é o número de
responsabilidade, como as 5 virgens de um grupo e 5 do outro em Mateus 25,
cinco também é a metade de 10, ou seja, nem muito nem pouco, nesse caso será a
metade de alguma coisa ou pessoas e assim por diante. Além disso, cinco pode
representar a interferência de Deus na terra, como dizem alguns estudiosos, 54
é 4+1, ou seja, as coisas da Terra, recebendo algo único, ou seja, o Poder de Deus
(Nm 3:46,47; Mt 25:20,21).
6 - Seis é tido como o número da
imperfeição, ou número humano, até porque foi no sexto dia que Deus criou a humanidade.
Seis também pode ser interpretado como o número do erro humano, mas também é o
número do caminho para a santidade, ou seja, imperfeitos que somos, desejamos
chegar à perfeição e lutamos por isso, nesse caso, 6 pode ser também o número
da preparação e não suficiente, é o número do começo da humanidade novamente,
pois através de 6 pessoas (3 filhos de Noé e suas esposas) que toda a
humanidade foi gerada (Gn 1:26-31; 9:18,19; Dt 5:13).
7 – Sete é o número da perfeição.
Representa o número de Deus, um número completo, e de certa forma, se somarmos
o número das coisas da terra (4) e as coisas dos Céus (3), então temos o 7.
Sete representa a plenitude, tudo e completude.
O número sete é interessante, tanto que alguns geram uma
idolatria sobre isso, dizendo que alguns dias são mais importantes que outros e
assim por diante. Mas que não deixa de ser um número intrigante, isso é... Sete
são os mares, os dias da semana, as notas musicais, as cores do arco íris, as
maravilhas do mundo antigo e as do mundo moderno e por aí vai...
10 – Dez indica grande quantidade ou
lista completa, como no caso das 10 virgens de Mateus 25, representando que era
a Igreja como um todo (Mt 25) ;
12 – Doze é o número da
representatividade, se multiplicarmos o numero das coisas da terra (4) pelo
número das coisas do céu (3), então temos? Pois é... 12 eram as tribos de
Israel, ou seja, a representação do povo do Antigo Testamento, os filhos de
Israel, e 12 eram os apóstolos escolhidos por Jesus durante seu ministério
terreno, ou seja, os representantes da Igreja (Gn 49:1-33; Mt 10:1-4);
24 – Vinte e Quatro é o
dobro de 12. Quando olhamos para os 24 anciãos, são os representantes não
apenas de Israel, mas provavelmente uma alusão aos 12 patriarcas de Israel e
também os 12 Apóstolos (4:4);
40 – Quarenta é o número da
preparação, também de uma nova etapa. Os exemplos bíblicos são: 40 dias e
quarenta noites do dilúvio (Gn 7,4.12); 40 dias e 40 noites Moisés passa no
Monte (Ex 24,18; 34,26; Dt 9,9-11; 10,10); 40 anos foi o tempo da peregrinação
pelo deserto (Nm 14,33; 32,13; Dt 8,2; 29,4, etc); Jesus jejuou 40 dias antes
de começar seu ministério (Mt 4,2; Mc 1,12; Lc 4,2); a ascensão de Jesus
acontece 40 dias depois da Ressurreição (At 1,3). Quando alguém errava era
corrigido com 40 chicotadas (Dt 25,3) e Paulo também recebeu cinco vezes as 40
chicotadas menos uma (2Cor 11,24).
70 – Setenta é o número da
plenitude elevada, se é que isso existe... é como uma hipérbole sobre a
plenitude, Jesus tenta brincar com esse número quando diz que os crentes
deveriam perdoar 70 vezes 7 em Mateus 18:21,22. É como que um jogo de palavras
dizendo: você deve perdoar infinitamente. Nos textos apocalípticos, 70 quer
dizer justamente isso. Para compreender melhor, é o mesmo que juntar, ou
multiplicar, nesse caso, os números 7 e 10, ou seja, os números da perfeição e
grande quantidade, ou seja, grande quantidade de perfeição (Jr 29:10-12;
1000 – Mil representava a
quantidade que não podia ser contata, ou infinitude, representa multidão, algo
que foge da compreensão, embora esse número possa ser também literal muitas
vezes (Dt 7:9; Ap 20:4).
144.000 – Cento e quarenta e quatro mil é uma
multiplicação, vamos tentar: representatividade X Representatividade X Mil. Ou
seja, 12 vezes 12 vezes 1000. Representa a totalidade das pessoas de Israel, ou
da Igreja, ou ainda, a totalidade do povo de Deus (Ap 7:4.
É claro, que como todo o caso da interpretação, podemos ter
várias correntes, mas essa é a interpretação da maioria dos entendidos no
assunto, bem como a interpretação mais recorrente na Igreja durante a história,
por isso, usei aqui.
Tudo isso vai ser muito importante para nossas próximas
semanas, por isso, guarde essas informações, assim, poderemos avançar bastante.
A semana que vem continuamos a interpretar, mas dessa vez,
outros símbolos mais cabeludos, se é que podemos dizer assim. Te vejo lá!!!

Nenhum comentário:
Postar um comentário