Essa é a última parte do
Simbolismo de Apocalipse e vamos direto ao ponto, pois temos muito pela frente.
Dia da Ira do Cordeiro
Incidência: 6:17; 11:18;
14:19; 15:1,7; 16:1; 19:15.
O dia da Ira do Cordeiro, é
uma referência ao dia do Senhor no Antigo Testamento (Jl 2:11,31; Sf 1:14-18;
Ml 3:2, 4:1; Am 5:18), e no Livro de Apocalipse está relacionado também aos
termos Lagar da Ira de Deus (Ap14:19). O dia da Ira do Senhor era crido
pelos antigos judeus como o dia em que Deus enviaria o Messias para libertar o
seu Povo e castigar os infiéis e todos os povos que martirizaram e perseguiram
o povo de Deus. No Novo testamento, está relacionado a volta de Jesus e o fim
dos tempos, Pedro define esse dia como dia de julgamento e desfazimento dos
elementos, ao que alguns interpretam como dia de destruição da Terra, mas a
maioria interpreta como o início da transformação que a Terra sofrerá para o
milênio. Outros ainda interpretam como nada literal, mas uma hipérbole para
dizer que o mundo vai estar terrivelmente assolado. Independente dos por
menores, Jesus voltará e a profecia do Dia da Ira do Senhor, vai acontecer,
inevitavelmente. No Apocalipse, outro
símbolo que aponta para esse dia, é o Lagar da Ira de Deus e o Vinho
da Fúria (Ap 14:8,15,19,20). Esse termo se refere ao cultivo de uvas
para a fabricação de vinho, em que a uva é colhida, deixada no lagar (um
tanque) e amassada, que na antiguidade era pisoteada e depois desse processo,
passava por fermentação até que era filtrado apenas o líquido, que por sua vez,
virava vinho. Essa é uma referência ao sofrimento do julgamento que Jesus vem
derramar sobre os pecadores.
Selos
Incidência: 5:1,2,5,9;
6:1,3,5,7,9,12; 7:2; 8:1 9:4; 20:3.
Selos não são elementos tão
antigos. Na verdade, usamos selos até hoje para dar legitimidade a uma carta,
quando postamos no correio, ou seja, a empresa que vai entregar, sabe que foi
pago o preço pelo envio. Quando vemos os selos nas Escrituras, estão ligados a
marcas de determinada pessoa em algo ou alguém, o que na antiguidade era
conhecido como sinete (Ap 7:2,8). Os selos nos livrs, representam
que as mensagens ali contidas não podem ser reveladas, ou lidas, o que era
comum na antiguidade quando queria se mandar uma carta sigilosa. O emissário
derramava cera no documento, colocava a sua marca com um sinete e
por fim, se estivesse quebrado na entrega, queria dizer que o documento foi
lido e até corrompido, custando a vida do mensageiro, mas se estivesse intacto,
o receptor quebrava o selo. Quando olhamos os sete selos (Ap
5:9), estamos justamente falando dessa mensagem que apenas o receptor, jesus, o
Cordeiro de Deus pode abrir e proclamar. Interessante que alguns livros, que
nessa época eram enrolados, vinham com mensagens, as vezes seladas para cada
receptor, ou seja, à medida que ia se abrindo o livro, apareciam mais trechos
ou folhas seladas, que apenas os verdadeiros receptores poderiam quebrar, e é
isso que acontece a partir de Apocalipse 5:1.
Outra
figura para selo, é o de propriedade, em especial de escravos, que assim como
animais, eram tatuados com a marca do seu dono. Lembre-se que estamos falando
do contexto cultural do império romano, então, era comum essa prática, embora
os judeus não a utilizassem por força da Lei mosaica. Vemos os eleitos de Deus
com Selo na Testa (Ap14:1), escrito seu nome e os servos do diabo
com o seu sinal, nesse caso, 666 marcado em suas testas e mãos
direitas (Ap 13:16-18; 14:11; 15:2). Aqui precisamos entender, que para cada
elemento no apocalipse referindo-se aos eleitos de Deus, temos a mesmas
representações ao diabo e seus conservos. O Selo não necessariamente é um sinal
físico, como um chip, o que todos dizem, aliás, na história o sinal da
besta já foi os números do RG, CPF, Título de eleitor e até a impressão
digital e o cartão de crédito para alguns interpretes, o que não faz sentido se
olharmos para o selo de Deus, revelado nas Escrituras, lembre, as marcas do
diabo e do anticristo fazem oposição aos sinais de Deus, então, não se trata,
provavelmente de uma marca física. Olhe o principal texto falando do Selo de
deus nas Escrituras: "...fostes selados com o Espírito Santo da
promessa" (Ef 1:13). Além disso, "...O espírito Santo de Deus, no
qual fostes selados para o dia da redenção." (Ef4:30). Veja, o dia da
redenção aparece no Apocalipse, em que todos filhos de Deus entram na eternidade.
Outro elemento interessante, que os selados pelo Senhor não serão tocados pelas
pragas descritas no Apocalipse (Ap 9:4). E quanto a marca da besta, a marca do
seu nome e o número do seu nome? Pois bem, esse tema é muito extenso e vamos
falar mais nele quando retomarmos o assunto do Anticristo nos próximos
episódios, mas vamos lá. Seiscentos e sessenta e seis, representa o número
imperfeito repetido 3 vezes, e se lembra, quando falamos de números simbólicos
na Bíblia, explicamos que se trata de uma hipérbole de imperfeição (aliás, se
não assistiu os episódios anteriores, vai ficar bem difícil de juntar as coisas
a partir de agora, então vai lá e assista). Se somarmos as letras dos números
de muitas pessoas, desde antiguidade, chegaremos ao número 666, como é o caso
do Papa Leão X, Martinho Lutero, Hitler, entre outros inúmeros, inclusive Nero
Cesar, imperador romano da época de João, que alguns apontam como sendo o
Anticristo para os crentes daquela época. Cálculos à parte, a marca da besta
está associado sempre a adoração da besta, satanás e ao próprio número, ou
seja, não se trata de forma alguma a uma marca física (13:12, 15; cf. 19:20;
20: 4). Aí você pode me perguntar: Mas e você, seria chipado? Não, pois morro
de medo de agulha e também não quero ser rastreado por ninguém, mas não por
medo de não ir ao céu. Quer saber do mais, as pessoas que são de Cristo,
carregam sua marca da morte para o mundo (Gl 5:22,23) e a presença do Santo
espírito, os que não são, carregam a marca de morte para Deus, que são as suas obras
da carne (Gl 5:19-21).
Trombeta
Incidência: 1:10;
4:1; 8:2,6,7,8,10,12,13; 9:1,13,14; 10:7; 11:15.
Trombetas eram elementos muito
importantes para os povos antigos, mas de certa forma, até hoje para as
instituições militares. Quando o povo estava sendo atacado, por exemplo, os
guardas tocavam um alerta na trombeta. Na tradição judaica, a trombeta não era
apenas instrumento de guerra, mas também de vários chamamentos, como para
oração e adoração. No hebraico, trombeta é shofar, feito de um chifre de
carneiro montanhês daquela região. Quando vemos as trombetas do Apocalipse, são
anúncios do juízo de Deus e fatos históricos, relacionados a taças da sua ira e
selos que já vimos.
Mil anos / Milênio
Incidência: 20:4-7.
As linhas de intepretações,
que já presentamos nos episódios 2 e 10, mostram uma série de peculiaridades,
mas devemos entender aqui, que independente da linha, o milênio existirá.
Gogue e Magogue
Incidência: 19:8.
Para os judeus, Gogue e
Magogue representa povos, ou seja, aqueles povos distintos do povo de Deus,
isso vemos em Genesis 10:01,2 são descendentes de Noé que vão para a terra do
norte, em Ezequiel 38, vemos que se trata de uma pessoa que vem do norte para
guerrear contra o povo de Deus e finalmente em Apocalipse 20:8, vemos como uma
explicação do termo povos.
Hades
Incidência: 1:18;
6:8; 20:13,14.
Hades é uma referência ao
mundo dos mortos, lugar de espera do juízo para alguns interpretes, para
outros, apenas um estado, não um lugar, e outros ainda, uma outra dimensão.
Idólatras
Incidência: 21:8;
22:15.
Idólatra é quem pratica
idolatria, ou seja, adora outro deus, que não a Trindade, no conceito Bíblico.
Na antiguidade, as imagens de deuses eram a "forma física" dos
deuses, por isso, os ídolos eram ícones feitos por mãos humanas, segundo as
Escrituras (Ex 20:3-5).
Livro da Vida
Incidência: 3:5;
13:8; 17:6; 20:11,15,27.
Livro de registro de todos os
Salvos em todos os tempos. Claro que não se trata de um livro físico, mas um
espiritual, como um registro que apenas o Senhor tem.
Monte Sião
Incidência: 14:1.
Monte Sião é como Israel
localidade geográfica é conhecida, em especial a cidade de Jerusalém.
Noiva do Cordeiro
Incidência: 18:23;
19:7; 21:2:9; 22:17.
A noiva do cordeiro é a Igreja
de Jesus, o Povo de Deus em todos os tempos. Mesmo antes da Nova Aliança, a
nação de Israel era tida como esposa de Deus (Os 2), então, no contexto geral
das Escrituras, o Povo de Deus é a sua noiva e no dia final, será seu casamento
para sempre.
Novo Céu e Nova Terra
Incidência: 21:1.
A Palavra que aparece em
Apocalipse 21:1 para novos nas nossas traduções, na verdade é kainos,
que significa novo em qualidade, diferente de neo que representa algo
novo criado. Literalmente significa Céus e Terra recriados, transformado e até
mesmo restaurados, não destruídos e criados do 0, como na primeira criação.
Então, juntando o conceito de 2 Pedro 3, onde os elementos são desfeitos, ou a
terra é destruída no Dia do Senhor, uma reafirmação encontrada também nos
profetas, trata-se de um processo de transformação em que a terra vai passar.
Prostituta sentada
sobre as Muitas águas
Incidência: 17:1,3,4,6,7,9,18.
Quando vemos a palavra prostituição
no novo testamento, está relacionado a pelo menos duas situações: atividade
sexual fora do casamento (pornografia, adultério, sexo antes do casamento e aí
vai); ou pode estar relacionado a práticas de religiões não bíblicas e
idolatria. Nesse sentido, estamos falando de uma mulher que se prostituiu,
então, como interpretam a maioria dos teólogos, se trata do povo de Deus, que
se misturou com práticas repugnantes, traindo o seu esposo, ou seja, Jesus. Um
exemplo Bíblico para isso, é o caso do livro do profeta Oseias, que retrata a
relação de Deus com Israel, mas ela se prostitui, então o Senhor manda que
Oseias se case com uma mulher, digamos assim, fácil, pois sempre se perde do
marido com outros homens. A Igreja de Jesus está repleta de sincretismo ao
longo da história, como já vimos em outros capítulos, então, faz muito sentido
dizer que essa mulher é a igreja que se corrompeu. Por outro lado, o mesmo
texto de Apocalipse 17 afirma que essa mulher é conhecida pelo nome: A
Grande Babilônia. Babilônia é uma referência à grande cidade imperial
do século XVIII e VI a.C. Refere-se também à civilização babilônica que nasceu
no ano 2500 a.C e sobreviveu até 539 a.C. Em aramaico: בבל; transl.: Babel
significa confusão, do que, em estudos mais profundos, alguns vão dizer que
pode-se remontar ao episódio Bíblico da Torre de Babel, o que tem algum
fundamento por conta das comparações com a arqueologia daquela região e relatos
míticos daquele povo preservado em muitos escritos da época. Os Babilônios
foram os grandes inimigos e algozes dos Israelitas, pois em 597 a.C os judeus
foram levados cativos e jamais a Nação de Israel foi a mesma após esse
episódio, fazendo não somente com que o povo deixa-se a sua terra, mas mudou os
costumes, introduziu novos elementos à
religião, sem contar a língua, que foi mudada do hebraico para o aramaico. A
confusão chegou ao ponto da nação do norte, conhecida na antiguidade por
Israel, separada de Judá, se contaminou de tal forma, que fez separação entre
judeus e samaritanos, ou seja, uma espécie de povo misturado segundo a ótica
dos judeus. Isso afetou tanto o povo de Deus, que magia, idolatria e
adivinhação foram juntas às tradições israelitas até hoje, como é o caso da
Cabalah, por exemplo. A descrição dessa mulher é muito complexa e chega a dar
detalhes interessante, como sentada sobre muitas águas, o que
alguns interpretam como relações diplomáticas, referência a relações marítimas,
outros por referência geográfica da própria Babilônia, descrita em Jeremias
51:13, pois era uma cidade irrigada por muitos rios. Estar sobre, ou sentar-se
sobre, normalmente significa ter domínio, então está dizendo que essa mulher
domina as águas, que representam povos e nações (Ap 17:15). A mulher está
sentada sobre a mesma besta que vemos em Apocalipse 12 e 13, o que é
interpretado como da Igreja corrompida, o que novamente representa domínio
sobre. Essa mulher distribui presentes entre as nações (corrompe) e está
vestida de vermelho e azul, essa última referência pode até ser interpretada
por alguns, por como sendo a bandeira americana, mas não temos elementos
suficientes para comprovar qualquer alegação. Essa mesma mulher, está sentada
sobre sete colinas, ao que alguns interpretam como sendo o vaticano,
representando a Igreja católica Apostólica Romana, pois Roma tem sete colinas.
Há um outro elemento interessante, que aponta, segundo alguns, para os
imperadores romanos (sete reis, um oitavo surge), ao que certamente para os
primeiros ouvintes seria justamente isso, pois de fato, Roma odiava a Igreja,
mas se viu obrigada a incorporá-la no ano 313 e a desfigurou completamente, ou
seja, expos toda a sua vergonha (Ap17:16). Por fim, João diz que a mulher é a
grande cidade que reina sobre os reis da terra (Ap 17:18), ou seja, trata-se
realmente de Roma, que naquele momento dominava as nações da Terra, mas como
disse, isso se repetirá no fim, ou seja, durante a Grande Tribulação.
Trono Branco
Incidência: 20:11.
O Grande trono Branco é o
tribunal em que Cristo julgará todos os Seres humanos, vemos isso com a
expressão "grandes e pequenos", isso quer dizer que Crentes e
descrentes estar4ão nesse julgamento, sendo também a mesma narração de Mateus
25:31-46. Os salvos serão levados à Nova Jerusalém, e os não salvos, ou seja,
os que não tem o nome no Livro da Vida, serão lançados junto com o Hades, diabo
e seus anjos no inferno.
Ufa, depois de 3 episódios
sobre símbolos, sejam numéricos elementares e animais, chegamos ao fim, mas não
falamos sobre todos, por isso, te convido a acompanhar no blog uma tabela que
vou disponibilizar com todos os que consegui levantar nas minhas buscas ao ler
versículo por versículo.
No próximo episódio, que vai
ao ar daqui a 2 semanas, pois semana que vem não vou conseguir gravar por causa
de uma pequena cirurgia, vamos falar sobre os eventos apocalípticos no livro de
apocalipse, mas dessa vez, será bem mais rápido, porque o simbolismo a gente já
mato por aqui. Te vejo lá!

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