terça-feira, 25 de agosto de 2020

 

Essa é a última parte do Simbolismo de Apocalipse e vamos direto ao ponto, pois temos muito pela frente.

Dia da Ira do Cordeiro       

Incidência: 6:17; 11:18; 14:19; 15:1,7; 16:1; 19:15.

O dia da Ira do Cordeiro, é uma referência ao dia do Senhor no Antigo Testamento (Jl 2:11,31; Sf 1:14-18; Ml 3:2, 4:1; Am 5:18), e no Livro de Apocalipse está relacionado também aos termos Lagar da Ira de Deus (Ap14:19). O dia da Ira do Senhor era crido pelos antigos judeus como o dia em que Deus enviaria o Messias para libertar o seu Povo e castigar os infiéis e todos os povos que martirizaram e perseguiram o povo de Deus. No Novo testamento, está relacionado a volta de Jesus e o fim dos tempos, Pedro define esse dia como dia de julgamento e desfazimento dos elementos, ao que alguns interpretam como dia de destruição da Terra, mas a maioria interpreta como o início da transformação que a Terra sofrerá para o milênio. Outros ainda interpretam como nada literal, mas uma hipérbole para dizer que o mundo vai estar terrivelmente assolado. Independente dos por menores, Jesus voltará e a profecia do Dia da Ira do Senhor, vai acontecer, inevitavelmente.  No Apocalipse, outro símbolo que aponta para esse dia, é o Lagar da Ira de Deus e o Vinho da Fúria (Ap 14:8,15,19,20). Esse termo se refere ao cultivo de uvas para a fabricação de vinho, em que a uva é colhida, deixada no lagar (um tanque) e amassada, que na antiguidade era pisoteada e depois desse processo, passava por fermentação até que era filtrado apenas o líquido, que por sua vez, virava vinho. Essa é uma referência ao sofrimento do julgamento que Jesus vem derramar sobre os pecadores.

 

Selos       

Incidência: 5:1,2,5,9; 6:1,3,5,7,9,12; 7:2; 8:1 9:4; 20:3.

Selos não são elementos tão antigos. Na verdade, usamos selos até hoje para dar legitimidade a uma carta, quando postamos no correio, ou seja, a empresa que vai entregar, sabe que foi pago o preço pelo envio. Quando vemos os selos nas Escrituras, estão ligados a marcas de determinada pessoa em algo ou alguém, o que na antiguidade era conhecido como sinete (Ap 7:2,8). Os selos nos livrs, representam que as mensagens ali contidas não podem ser reveladas, ou lidas, o que era comum na antiguidade quando queria se mandar uma carta sigilosa. O emissário derramava cera no documento, colocava a sua marca com um sinete e por fim, se estivesse quebrado na entrega, queria dizer que o documento foi lido e até corrompido, custando a vida do mensageiro, mas se estivesse intacto, o receptor quebrava o selo. Quando olhamos os sete selos (Ap 5:9), estamos justamente falando dessa mensagem que apenas o receptor, jesus, o Cordeiro de Deus pode abrir e proclamar. Interessante que alguns livros, que nessa época eram enrolados, vinham com mensagens, as vezes seladas para cada receptor, ou seja, à medida que ia se abrindo o livro, apareciam mais trechos ou folhas seladas, que apenas os verdadeiros receptores poderiam quebrar, e é isso que acontece a partir de Apocalipse 5:1.

Outra figura para selo, é o de propriedade, em especial de escravos, que assim como animais, eram tatuados com a marca do seu dono. Lembre-se que estamos falando do contexto cultural do império romano, então, era comum essa prática, embora os judeus não a utilizassem por força da Lei mosaica. Vemos os eleitos de Deus com Selo na Testa (Ap14:1), escrito seu nome e os servos do diabo com o seu sinal, nesse caso, 666 marcado em suas testas e mãos direitas (Ap 13:16-18; 14:11; 15:2). Aqui precisamos entender, que para cada elemento no apocalipse referindo-se aos eleitos de Deus, temos a mesmas representações ao diabo e seus conservos. O Selo não necessariamente é um sinal físico, como um chip, o que todos dizem, aliás, na história o sinal da besta já foi os números do RG, CPF, Título de eleitor e até a impressão digital e o cartão de crédito para alguns interpretes, o que não faz sentido se olharmos para o selo de Deus, revelado nas Escrituras, lembre, as marcas do diabo e do anticristo fazem oposição aos sinais de Deus, então, não se trata, provavelmente de uma marca física. Olhe o principal texto falando do Selo de deus nas Escrituras: "...fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Ef 1:13). Além disso, "...O espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção." (Ef4:30). Veja, o dia da redenção aparece no Apocalipse, em que todos filhos de Deus entram na eternidade. Outro elemento interessante, que os selados pelo Senhor não serão tocados pelas pragas descritas no Apocalipse (Ap 9:4). E quanto a marca da besta, a marca do seu nome e o número do seu nome? Pois bem, esse tema é muito extenso e vamos falar mais nele quando retomarmos o assunto do Anticristo nos próximos episódios, mas vamos lá. Seiscentos e sessenta e seis, representa o número imperfeito repetido 3 vezes, e se lembra, quando falamos de números simbólicos na Bíblia, explicamos que se trata de uma hipérbole de imperfeição (aliás, se não assistiu os episódios anteriores, vai ficar bem difícil de juntar as coisas a partir de agora, então vai lá e assista). Se somarmos as letras dos números de muitas pessoas, desde antiguidade, chegaremos ao número 666, como é o caso do Papa Leão X, Martinho Lutero, Hitler, entre outros inúmeros, inclusive Nero Cesar, imperador romano da época de João, que alguns apontam como sendo o Anticristo para os crentes daquela época. Cálculos à parte, a marca da besta está associado sempre a adoração da besta, satanás e ao próprio número, ou seja, não se trata de forma alguma a uma marca física (13:12, 15; cf. 19:20; 20: 4). Aí você pode me perguntar: Mas e você, seria chipado? Não, pois morro de medo de agulha e também não quero ser rastreado por ninguém, mas não por medo de não ir ao céu. Quer saber do mais, as pessoas que são de Cristo, carregam sua marca da morte para o mundo (Gl 5:22,23) e a presença do Santo espírito, os que não são, carregam a marca de morte para Deus, que são as suas obras da carne (Gl 5:19-21).   

 

Trombeta

Incidência: 1:10; 4:1; 8:2,6,7,8,10,12,13; 9:1,13,14; 10:7; 11:15.

Trombetas eram elementos muito importantes para os povos antigos, mas de certa forma, até hoje para as instituições militares. Quando o povo estava sendo atacado, por exemplo, os guardas tocavam um alerta na trombeta. Na tradição judaica, a trombeta não era apenas instrumento de guerra, mas também de vários chamamentos, como para oração e adoração. No hebraico, trombeta é shofar, feito de um chifre de carneiro montanhês daquela região. Quando vemos as trombetas do Apocalipse, são anúncios do juízo de Deus e fatos históricos, relacionados a taças da sua ira e selos que já vimos.        

 

Mil anos / Milênio      

Incidência: 20:4-7.    

As linhas de intepretações, que já presentamos nos episódios 2 e 10, mostram uma série de peculiaridades, mas devemos entender aqui, que independente da linha, o milênio existirá.

        

Gogue e Magogue    

Incidência: 19:8.

Para os judeus, Gogue e Magogue representa povos, ou seja, aqueles povos distintos do povo de Deus, isso vemos em Genesis 10:01,2 são descendentes de Noé que vão para a terra do norte, em Ezequiel 38, vemos que se trata de uma pessoa que vem do norte para guerrear contra o povo de Deus e finalmente em Apocalipse 20:8, vemos como uma explicação do termo povos.

 

Hades      

Incidência: 1:18; 6:8; 20:13,14.  

Hades é uma referência ao mundo dos mortos, lugar de espera do juízo para alguns interpretes, para outros, apenas um estado, não um lugar, e outros ainda, uma outra dimensão.

 

Idólatras  

Incidência: 21:8; 22:15.     

Idólatra é quem pratica idolatria, ou seja, adora outro deus, que não a Trindade, no conceito Bíblico. Na antiguidade, as imagens de deuses eram a "forma física" dos deuses, por isso, os ídolos eram ícones feitos por mãos humanas, segundo as Escrituras (Ex 20:3-5).

 

Livro da Vida    

Incidência: 3:5; 13:8; 17:6; 20:11,15,27.       

Livro de registro de todos os Salvos em todos os tempos. Claro que não se trata de um livro físico, mas um espiritual, como um registro que apenas o Senhor tem.

 

Monte Sião       

Incidência: 14:1.        

Monte Sião é como Israel localidade geográfica é conhecida, em especial a cidade de Jerusalém.

 

Noiva do Cordeiro    

Incidência: 18:23; 19:7; 21:2:9; 22:17.

A noiva do cordeiro é a Igreja de Jesus, o Povo de Deus em todos os tempos. Mesmo antes da Nova Aliança, a nação de Israel era tida como esposa de Deus (Os 2), então, no contexto geral das Escrituras, o Povo de Deus é a sua noiva e no dia final, será seu casamento para sempre.     

 

Novo Céu e Nova Terra     

Incidência: 21:1.        

A Palavra que aparece em Apocalipse 21:1 para novos nas nossas traduções, na verdade é kainos, que significa novo em qualidade, diferente de neo que representa algo novo criado. Literalmente significa Céus e Terra recriados, transformado e até mesmo restaurados, não destruídos e criados do 0, como na primeira criação. Então, juntando o conceito de 2 Pedro 3, onde os elementos são desfeitos, ou a terra é destruída no Dia do Senhor, uma reafirmação encontrada também nos profetas, trata-se de um processo de transformação em que a terra vai passar.      

 

Prostituta sentada sobre as Muitas águas

Incidência: 17:1,3,4,6,7,9,18.

Quando vemos a palavra prostituição no novo testamento, está relacionado a pelo menos duas situações: atividade sexual fora do casamento (pornografia, adultério, sexo antes do casamento e aí vai); ou pode estar relacionado a práticas de religiões não bíblicas e idolatria. Nesse sentido, estamos falando de uma mulher que se prostituiu, então, como interpretam a maioria dos teólogos, se trata do povo de Deus, que se misturou com práticas repugnantes, traindo o seu esposo, ou seja, Jesus. Um exemplo Bíblico para isso, é o caso do livro do profeta Oseias, que retrata a relação de Deus com Israel, mas ela se prostitui, então o Senhor manda que Oseias se case com uma mulher, digamos assim, fácil, pois sempre se perde do marido com outros homens. A Igreja de Jesus está repleta de sincretismo ao longo da história, como já vimos em outros capítulos, então, faz muito sentido dizer que essa mulher é a igreja que se corrompeu. Por outro lado, o mesmo texto de Apocalipse 17 afirma que essa mulher é conhecida pelo nome: A Grande Babilônia. Babilônia é uma referência à grande cidade imperial do século XVIII e VI a.C. Refere-se também à civilização babilônica que nasceu no ano 2500 a.C e sobreviveu até 539 a.C. Em aramaico: בבל; transl.: Babel significa confusão, do que, em estudos mais profundos, alguns vão dizer que pode-se remontar ao episódio Bíblico da Torre de Babel, o que tem algum fundamento por conta das comparações com a arqueologia daquela região e relatos míticos daquele povo preservado em muitos escritos da época. Os Babilônios foram os grandes inimigos e algozes dos Israelitas, pois em 597 a.C os judeus foram levados cativos e jamais a Nação de Israel foi a mesma após esse episódio, fazendo não somente com que o povo deixa-se a sua terra, mas mudou os costumes, introduziu novos elementos  à religião, sem contar a língua, que foi mudada do hebraico para o aramaico. A confusão chegou ao ponto da nação do norte, conhecida na antiguidade por Israel, separada de Judá, se contaminou de tal forma, que fez separação entre judeus e samaritanos, ou seja, uma espécie de povo misturado segundo a ótica dos judeus. Isso afetou tanto o povo de Deus, que magia, idolatria e adivinhação foram juntas às tradições israelitas até hoje, como é o caso da Cabalah, por exemplo. A descrição dessa mulher é muito complexa e chega a dar detalhes interessante, como sentada sobre muitas águas, o que alguns interpretam como relações diplomáticas, referência a relações marítimas, outros por referência geográfica da própria Babilônia, descrita em Jeremias 51:13, pois era uma cidade irrigada por muitos rios. Estar sobre, ou sentar-se sobre, normalmente significa ter domínio, então está dizendo que essa mulher domina as águas, que representam povos e nações (Ap 17:15). A mulher está sentada sobre a mesma besta que vemos em Apocalipse 12 e 13, o que é interpretado como da Igreja corrompida, o que novamente representa domínio sobre. Essa mulher distribui presentes entre as nações (corrompe) e está vestida de vermelho e azul, essa última referência pode até ser interpretada por alguns, por como sendo a bandeira americana, mas não temos elementos suficientes para comprovar qualquer alegação. Essa mesma mulher, está sentada sobre sete colinas, ao que alguns interpretam como sendo o vaticano, representando a Igreja católica Apostólica Romana, pois Roma tem sete colinas. Há um outro elemento interessante, que aponta, segundo alguns, para os imperadores romanos (sete reis, um oitavo surge), ao que certamente para os primeiros ouvintes seria justamente isso, pois de fato, Roma odiava a Igreja, mas se viu obrigada a incorporá-la no ano 313 e a desfigurou completamente, ou seja, expos toda a sua vergonha (Ap17:16). Por fim, João diz que a mulher é a grande cidade que reina sobre os reis da terra (Ap 17:18), ou seja, trata-se realmente de Roma, que naquele momento dominava as nações da Terra, mas como disse, isso se repetirá no fim, ou seja, durante a Grande Tribulação.

 

Trono Branco  

Incidência: 20:11.

O Grande trono Branco é o tribunal em que Cristo julgará todos os Seres humanos, vemos isso com a expressão "grandes e pequenos", isso quer dizer que Crentes e descrentes estar4ão nesse julgamento, sendo também a mesma narração de Mateus 25:31-46. Os salvos serão levados à Nova Jerusalém, e os não salvos, ou seja, os que não tem o nome no Livro da Vida, serão lançados junto com o Hades, diabo e seus anjos no inferno.

 

Ufa, depois de 3 episódios sobre símbolos, sejam numéricos elementares e animais, chegamos ao fim, mas não falamos sobre todos, por isso, te convido a acompanhar no blog uma tabela que vou disponibilizar com todos os que consegui levantar nas minhas buscas ao ler versículo por versículo.

 

No próximo episódio, que vai ao ar daqui a 2 semanas, pois semana que vem não vou conseguir gravar por causa de uma pequena cirurgia, vamos falar sobre os eventos apocalípticos no livro de apocalipse, mas dessa vez, será bem mais rápido, porque o simbolismo a gente já mato por aqui. Te vejo lá!

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