quarta-feira, 24 de junho de 2020

Apocalipse em Gotas Episódio #07 – Entre os Candelabros


Espero que você tenha acompanhado no último capítulo de Apocalipse em gotas, a interpretação de cada termo simbólico do capítulo 1 do livro de Apocalipse, caso contrário, vai ter um pouco de dificuldades para acompanhar daqui para frente. Aliás, todos os capítulos anteriores são necessários para entender muita coisa que vamos falar, então, arregace as mangas, pegue sua Bíblia, tome um bloquinho ou o notepad do celular e vamos lá!
Bem, o Apocalipse, como já dissemos, tem muitas linhas de interpretação, e cada uma delas, tem desdobramentos infinitos, por isso, vamos nos concentrar nas mais usuais nos meios teológicos.
Hoje vamos ver que a partir do capítulo 2 de Apocalipse, o Senhor Jesus destina às 7 Igrejas da Ásia, cartas e cada uma delas recebe uma, mas são destinadas a todas as Igrejas. Aliás, isso era uma prática comum no apostolado da Igreja, pois como podemos ver em Colossenses 4.16, Paulo manda que a carta que ele envia a Colossos seja enviada à Laodiceia, e depois, que os colossenses lessem a carta enviada àquela igreja.
Bem, se as sete cartas são destinadas as 7 igrejas e sete representa a totalidade, então aqui vai a primeira interpretação, que é a da maioria também, as sete cartas são destinadas a todas as igrejas de todas as épocas, nesse caso, à Igreja Universal de Jesus.
Essa interpretação está correta, assim como outras. Veja, se A Bíblia chegou aos nossos dias, é porque ela é para nós, seja como igreja ou individualmente, nesse caso, com as cartas destinadas às igrejas, sejam, as sete, ou todas as outras 13 do Novo Testamento, também são para nós. Parece meio obvio, mas nem todos pensam assim.
Na segunda interpretação, essas cartas são figurativas, ou seja, são mais um dos tantos símbolos do Apocalipse, e deve ser interpretado pela pessoa que lê, como mensagem apenas para si, ou quando lida em determinada igreja ou grupo num sermão, por exemplo, Deus se revela a eles através dessa aplicação. Essa também é verdadeira, tanto que, cada vez que leio, Deus fala muito comigo, e espero que o mesmo aconteça contigo, mas não é apenas assim, devemos somar com a anterior.
A próxima interpretação, diz que as igrejas da Ásia representam fases ou eras da Igreja de Jesus, ao começar por Éfeso, que representa a Igreja do primeiro Século, e termina com Laodiceia, a era que estamos.
Bom, aqui não podemos confundir com uma linha de interpretação que é chamada de dispensacionalismo, uma teoria de interpretação muito recente, vem dos idos de 1850.  Essa é a mais questionada interpretação, não apenas da Escatologia, mas da Bíblia como um todo, e principalmente da teologia. O dispensacionalismo interpreta a história toda da humanidade como sete dispensações das alianças de Deus com o povo de Israel. O problema é que não há menção em interpretação assim em toda a história da Igreja anterior, embora há consenso que houveram sim, alianças bíblicas na história da humanidade, mas isso não quer dizer que Deus mudou de planos ao longo dessa história, nem que renovava a aliança a cada mudança de Israel. Há apenas 2 alianças que mudaram o curso de todos os seres humanos: A de Deus com Adão e seus descendentes, culminando com Moisés e a Lei,  e a de Jesus como Nova e eterna, que homem algum pode quebrar.
         Quando se fala em eras da Igreja, é que cada etapa da vida da igreja de Jesus é marcada por mudanças na teologia, costumes, e até na temperatura espiritual do povo de Deus, nesse sentido, sim, a história da Igreja é marcada por essas mudanças e realmente podemos identificar nas 7 cartas e 7 igrejas, manifestação disso.
Outra interpretação muito comum é a de que as cartas eram apenas direcionadas às sete igrejas para aquela época, o que resulta em poucos adeptos, mas obviamente aquelas igrejas, naquela época eram alvo dessa mensagem especial e personalizada, assim como vamos ver a seguir.
Pense comigo, todas essas interpretações a respeito dessas 7 cartas a 7 igrejas, endereçadas a 7 pastores, fazem muito sentido, então, porque não unimos todas elas numa interpretação única? Sim, infelizmente tem gente que não gosta muito dessa opção, mas por isso, fiz questão de apresentar essas todas a você, para que leia os capítulos 2 e 3 de Apocalipse e tire as suas próprias conclusões através da revelação daquele que tem os sete Espíritos de Deus e passeia entre os Candelabros. Essa junção de interpretações é conhecida como interpretação eclética, ou seja, junta várias percepções numa única.
Vamos ao que temos nos capítulos 2 e 3 de apocalipse:
 Jesus se dirige às igrejas com um padrão que se repete em cada uma delas. São sete pontos comuns nas falas de Jesus às Sete Igrejas, observe:
1 – Todas tem endereçamento: Ao pastor ou líder;
2 – Todas recebem uma apresentação personalizada de Jesus;
3 – Seis das sete tem elogios;
4 – Cinco das sete tem repreensões
5 – Todas são exortadas em alguma área.
6 – Todas recebem promessas ao vencerem;
7 – Todas são admoestadas a ouvirem o que o Espírito diz às Igrejas.
Vamos falar sobre cada igreja?
Vamos começar falando sobre cada um dos recados para essas igrejas, aplicando aos nossos dias, a semana que vem, vamos visualizar as eras da Igrejas, interpretando cada era e suas implicações em toda a história, até a Igreja atual e o fim. Além disso, vamos falar sobre a postura de cada uma das igrejas, tanto naquela época, como na atualidade.

Veja a tabela a seguir, acompanhe na sua Bíblia e reflita em cada item, não apenas escatologicamente, mas trazendo para sua igreja, a Igreja Universal de Jesus e principalmente, para a sua própria vida!



         Após ter verificado cada item da tabela, será que não temos as sete igrejas hoje representadas em várias igrejas ao longo do globo? Será que não temos alguma postura de cada uma das sete?
Pense comigo:
         Há uma igreja no mundo que permanece firme? Há alguma que se desviou? Há alguma que tolera falsos profetas ou a depravação? Há Igreja que negligencia seu chamado? Há Igreja estagnada a ponto de fechar as suas portas por ineficácia? E Igreja que, como diz o ditado: Não fede nem cheira, ela existe?
A triste constatação é que, embora possamos interpretar que estamos na era de Laodiceia, temos todas as igrejas em todos os tempos. O que me conforta é que apesar de tudo, temos um remanescente fiel em toda a história, pois Jesus disse: As portas do inferno não resistirão a ela!
Você se identifica com alguma, ou algumas dessas igrejas? Faça hoje mesmo uma reflexão sobre o estado atual de sua fé, se ela está firme, fraca, quente, fria, morna ou de repente, você a abandonou. Se sua fé está tão forte como no primeiro dia em que encontrou Jesus, não deixe isso morrer jamais! Caso tenha deixado esfriar, a ponto morno, o fogo que saem dos olhos de Jesus pode te aquecer, e lembre, nosso Deus é Fogo consumidor! Reanime a cada dia a sua fé!
A semana que vem, vamos continuar falando sobre as sete igrejas, dessa vez, vamos olhar novamente para a história e encaixar cada palavra e cada lição que aprendemos. Não perca! Até lá!

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Apocalipse em Gotas Episódio # 06 - Que história é essa de Anjo, Candelabro, Estrelas?

A Bíblia não é um livro todo codificado, como alguns pensam, muito menos esconde uma mensagem que ninguém pode entender. Pelo contrário, é uma revelação de verdades ocultas! Mas veja bem, isso para quem crê em Jesus e é controlado pelo Espírito Santo, porque quem tem poder para revelar aquilo que está escrito é o Espírito Santo. Olha o que Jesus disse em João capítulo 14 15-17; 25,26:
“Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele dará a vocês outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês”... ““Tudo isso tenho dito enquanto ainda estou com vocês. Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu disse.”

Quando Jesus é questionado porque falava em parábolas, ou seja, de forma simbólica, Jesus respondeu:
“A vocês Deus mostra os segredos do Reino do Céu, mas, a elas, não. Pois quem tem receberá mais, para que tenha mais ainda. Mas quem não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. É por isso que eu uso parábolas para falar com essas pessoas. Porque elas olham e não enxergam; escutam e não ouvem, nem entendem. E assim acontece com essas pessoas o que disse o profeta Isaías: “Vocês ouvirão, mas não entenderão; olharão, mas não enxergarão nada. Pois a mente deste povo está fechada: Eles taparam os ouvidos e fecharam os olhos.
Se eles não tivessem feito isso, os seus olhos poderiam ver, e os seus ouvidos poderiam ouvir; a sua mente poderia entender, e eles voltariam para mim, e eu os curaria! — disse Deus.”  Mateus 13.11-15.
Veja bem, o Apocalipse não foge à regra das Escrituras, por isso, não basta ler o livro e esperar entender tudo quanto está escrito ali. Na verdade, precisamos, como vimos nos episódios anteriores, conhecer o contexto bíblico, precisamos acima de tudo: Pedir ao Senhor que nos revele!
O Livro começa com essa expressão: Revelação de Jesus Cristo. Porque é justamente isso o que o Senhor pretende com o livro: Revelar aos seus servos o que em breve há de acontecer.
Temos alguns personagens nesse Livro, ao que vamos bem compassadamente conversando, para não nos perdermos no meio do caminho.
Então, mãos à obra!!!

João, é claramente o mesmo escritor do Evangelho de João, e das cartas de 1,2 e 3 João. Era o discípulo amado de Jesus (Jo 20.1-10). João era um dos discípulos mais chegados de Jesus, sempre acompanhado de Tiago, seu irmão e Pedro, companheiro de pesca. João participou dos momentos mais intensos do ministério de Jesus, e por sinal, foi o único discípulo que esteve aos pés da Cruz no ato da crucificação, além do que, Jesus lhe dirigiu a palavra muito perto de sua morte no madeiro, entregando sua mãe aos cuidados desse discípulo amado (Jo 19.25).
No capítulo 1 de Apocalipse, vemos João falando que ele recebeu a mensagem de Jesus Cristo, por auxílio do anjo que Ele enviou até João. Anjo aqui é o ser celestial que esperamos que seja mesmo, sem enigmas. Do grego, Ágelos (ἄγγελος) quer dizer mensageiro, e nesse contexto, um mensageiro celestial, vindo diretamente do trono de Deus.
 O Apocalipse é na verdade uma carta dirigida a um público específico para aquela época. Interessante frisarmos aqui que toda a profecia bíblica tem pelo menos 3 aplicações:
1 – Revelar a vontade de Deus ao público ao qual foi destinado no momento da proclamação;
2 – Mostrar Algo de Deus para se cumprir na história da Salvação.
3 – Revelar palavras de conforto, confronto e esperança para mim e para você, especificamente em cada texto através da atuação do Espírito de Jesus.
Apocalipse tem essas três naturezas com toda a certeza, e mais, podemos interpretar com uma quarta aplicação que é espetacular: Apocalipse é uma mensagem para todos os cristãos de todas as épocas, pois contem não apenas o que vai acontecer, mas o que acontece espiritualmente a cada geração de crentes.
Quer saber como essas profecias de Apocalipse são destinadas a esses 4 públicos? Simples, acompanhe comigo:
1 - O Apocalipse foi destinado às sete igrejas na província da Ásia no final do primeiro século para uma mensagem específica para cada uma das igrejas, conforme vemos em Apocalipse 1.4;
2 – O Apocalipse, foi dirigido a todas as Igrejas, mas especificamente a cada uma, em que o Senhor diz a João: Escreve a Igreja. Veja Apocalipse 1.4; 2.1; 2.8; 2.12; 2.18; 3.1; 3.7; 3.14
3 – O Apocalipse foi dirigido a todos os crentes: “Feliz aquele que lê as palavras dessa profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo.” Apocalipse 1.3.
A mensagem é para mim e para você e nós não devemos apenas ler e entender, mas praticar e guardar em nosso coração.
Quando vemos sete Igrejas, na verdade vemos a representação de todas as Igrejas em todas as épocas, ou seja, o conceito de Igreja Universal. Nesse momento, vamos nos concentrar apenas na mensagem inicial, pois vamos falar mais sobre cada igreja das sete representantes, no próximo episódio.
Nesse sentido, precisamos entender então o primeiro símbolo que aparece aqui: As sete Igrejas.
João saúda as sete Igrejas com a saudação apostólica, ou seja, com a Graça e a Paz, mas informando que fala em nome de três pessoas, que é ao mesmo tempo uma única, ou seja, a trindade:

a) Aquele que é, que era e que há de vir;
b) Os sete espíritos que estão diante do trono de Deus;
c) Jesus Cristo, o primogênito dentre os mortos;

Vamos explicar, não se assuste!!!

a)   Deus pai, é representado através da eternidade, era, é, mas... e quanto ao termo “há de vir”? Simples, a conotação é que Deus sempre existiu e um dia se revelará aos seres humanos, ele não existirá, mas sempre existiu;

b)   O primogênito entre os mortos, significa que Jesus foi o primeiro a vencer a morte e por sua ressureição, todos os filhos de Deus também vencerão;

c)   Os sete espíritos, complica, mas vamos à Bíblia pela própria Bíblia... Sete, como já disse, significa perfeição, então mostra a forma de atuação do Espírito Santo, aquele que opera em todas as situações. Nesse caso, Isaías 11.1,2 diz o seguinte:
Um ramo surgirá do tronco de Jessé,
e das suas raízes brotará um renovo.

O ¹Espírito do Senhor
repousará sobre ele,
o ²Espírito que dá sabedoria e ³entendimento,
o 4Espírito que traz conselho e 5poder,
o 6Espírito que dá conhecimento
e 7temor do Senhor.
Interessante, né? A própria Bíblia se completa, basta conhece-la, que não há segredo algum!
Sabe o que é mais interessante nessa saudação de João? É que Jesus é demonstrado como sendo o próprio Deus, porque para o leitor judeu, daquela época, ver um texto que junta o conceito da eternidade, o termo se referindo ao espírito sétuplo, e Jesus, como o ramo que brota no tronco de Jessé, que vinha a ser o pai de Davi, só pode levar a uma mensagem: Jesus é o Messias prometido!  
         João diz que Jesus vem em breve, com a expressão “Eis”, ele denota algumas coisas interessantes: 1 – Palavra normalmente utilizada pelos profetas para chamar atenção do ouvinte; 2 – Palavra que denota exposição, ou seja, aqui está; 3 – Representa a iminência de alguma coisa.
         João diz que Ele Virá novamente e será uma surpresa, porque até os que o feriram o verão, ou seja, aqui, duas aplicações interessantes e que se completam: 1 – Os Judeus, povo que não creu e que o crucificou; 2 – Os próprios algozes, porque será quando todos os mortos ressuscitarão (1Ts 4.13-18).
         Aqui mais uma vez a Bíblia declara que o momento da volta de Jesus será vista por todos os seres humanos, não será nada oculto, embora muitos teólogos façam a distinção entre o Arrebatamento e a Parousia (Ap 1.7; Mt 24.30).  Mas isso, vamos deixar para discutir depois num episódio todo especial sobre o Arrebatamento.
Ah!!! não entendeu algum termo até aqui? Você precisa urgente voltar nos nossos episódios anteriores, em especial, o 2º, que chamamos carinhosamente de glossário, lá explicamos todos os termos que usamos na Escatologia Bíblica.
Voltamos à nossa programação normal!!!
         Jesus declara a João que Ele é o Alfa e o ômega, o princípio e o Fim, nesse contexto, Jesus não apenas reforça a sua identidade eterna, porque diz que Era, é e há de Vir, mas também informa que é o criador e consumador da história, confirmando aquilo que vemos no Evangelho de João 1.1-2, em especial quando diz: “...por meio dele, todas as coisas foram criadas”.
         João se identifica no versículo 9 de apocalipse 1, como crente em Jesus e que estava preso por causa do Evangelho, ou seja, pela perseguição promovida pelo Império Romano aos cristãos no primeiro século. João foi o último discípulo de Jesus a morrer, e diferente dos demais, conforme a tradição histórica, foi o único a não morrer pela perseguição, mas de velhice, aos 100 anos de idade na ilha de Pátmos.
A Ilha de Pátmos, onde o Apocalipse foi redigido pelo apóstolo João, é uma Ilha no mar Egeu, próximo à Turquia. Na época do Império Romano, uma ilha deserta, onde presos políticos eram lançados à própria sorte para morrer.
No versículo 10 do primeiro capítulo de Apocalipse, João conta como se deu sua visão: “Eu fui arrebatado em espírito”, algo como: fui levado rapidamente a um lugar, e se foi no espírito, pouco importa onde foi.
O que você vê, escreva num livro e envia às sete igrejas na Ásia. Livro, bem diferente dos dias atuais, era um, rolo de papiro ou couro de animais, conhecido como pergaminho. As sete Igrejas agora são nominadas uma a uma e João se vira para ver quem fala com ele.
Aí começam as visões que deveriam ser bem sinistras, ao mesmo tempo que maravilhosas. João vê sete castiçais, e no meio, alguém semelhante ao Filho do Homem, vestido até os pés e com um cinto de ouro no peito.

Vamos às explicações:

1 – Sete Castiçais de ouro - Sete, já sabemos que é a plenitude, mas dessa vez, plenitude do que? Dos castiçais, ou seja, fontes de luz. Na antiguidade, haviam algumas formas de se produzir luz: lamparinas, para uma pessoa iluminar em deslocamento ou em pequenos cômodos. Mateus 5.14,15 fala que os discípulos de Jesus são a luz do mundo e que essa lâmpada ou lamparina, deve ser deixada à mostra para iluminar todo o ambiente. As 10 virgens, no capítulo 25 de Mateus, levavam consigo, cada uma, uma lamparina e um pote de azeite, simbolizando a presença do Espírito Santo. Aqui vemos a figura de sete castiçais, sendo que castiçal era uma fonte de luz com vários focos, com pavios em potes de óleo, mas ficavam em lugar fixo, como era o caso do “menorah”, um castiçal que ficava no tabernáculo a partir do Êxodo e no Templo de Jerusalém a partir do reinado de Salomão para simbolizar Israel – Olha os episódios anteriores – Não vou falar de novo... nos próximos 5 minutos, tá?! Jesus é a Luz por excelência, mas essa luz é propagada pelo mundo à fora, por meio da Igreja, aí, já vemos porque sete castiçais, ou seja, sete fontes de luz, que tinham vários pavios (membros) iluminando as sete cidades.
Esses castiçais eram de ouro e esse é o símbolo de riqueza, mas também de pureza, pois é refinado pelo fogo.
Poderia ficar muitos dias falando apenas nesse assunto, e todas as suas nuances, implicações e também das evidências bíblicas disso, mas vamos ter que ir adiante, senão não terminamos nunca.
O Jesus que João vê, já foi visto anteriormente pelos profetas do Antigo Testamento, por isso, sugiro verificar os textos de Isaías 52.7, Ezequiel 1.24; Daniel 10.6.
2 – Filho do Homem - O Filho do homem, ou como vemos em algumas versões, um filho de homem, ou alguém como um filho de homem. Isso faz referência a Jesus, porque Ele era conhecido como “O Filho do Homem”. Os profetas disseram que o Messias deveria ser conhecido como Filho do homem, pois isso denota um ser humano mortal. Nesse sentido, Jesus era Filho do Homem, porque enquanto ser humano, era mortal, tanto que morreu pela humanidade, por outro lado, também era representante da humanidade, por isso, Filho do homem. A expressão em hebraico é bem interessante: “Ben Adam” (בן אדם), que significa literalmente Filho de Adão, que por sua vez, significa homem, humanidade, ou indo mais a fundo na origem da palavra que veio da terra e no contexto bíblico, o primeiro ser humano, ufa, que saga interessante. Paulo, em 1 Coríntios 15:45: Assim está escrito: “O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente”; o último Adão, espírito vivificante. Já em Romanos 5.15, diz o seguinte a respeito disso: É verdade que, por causa de um só homem e por meio do seu pecado, a morte começou a dominar a raça humana. Mas o resultado do que foi feito por um só homem, Jesus Cristo, é muito maior! E todos aqueles que Deus aceita e que recebem como presente a sua imensa graça reinarão na nova vida, por meio de Cristo.
3 – Vestido até os pés, com cinto de ouro – Vestes compridas normalmente se referiam a pessoas de classe real, ou sacerdotes (Ex 28.31-43). A Roupa, na antiguidade, representava o status da pessoa, muito mais do que hoje. Não era a marca, nem a grife, mas o estilo. Por exemplo, uma túnica poderia ser de vários modelos, como a usada pelos sacerdotes, pelos juízes e também pelos mestres da lei. Jesus, enquanto estava no seu ministério, usava habitualmente uma túnica de mestre, e por onde andava, as pessoas o reconheciam por isso. Agora, vamos ver ao longo de Apocalipse, que a túnica dele era de sacerdote e de rei, intercalando nas visões esses modelitos. O cinto de ouro simboliza Realeza, pois o cinto era um objeto comum para segurar a roupa mais justa ao corpo, mas o detalhe do ouro, representa que quem João via era um Rei.
4 – Cabelos brancos – Cabelos brancos são símbolo de honra, conforme Provérbios 16.31, alguns interpretam como se fosse o “ancião de dias” de Daniel 7.9, alguém que sempre existiu e por isso o cabelo branco, mas não é um consenso. Outra interpretação é a brancura de pureza, pois os símbolos lã e neve, normalmente estão vinculados a esse sentido na bíblia, como em Isaías 1.18.
5 – Olhos brilhantes como fogo – Hebreus 4.13 diz que os olhos do Senhor estão em toda a parte, já em hebreus 12.29 nos diz que nosso Deus é fogo consumidor. Ora, se juntamos esses dois símbolos nas Escrituras, temos os olhos do Senhor, que consomem todo o pecado e estão atentos a tudo o que acontece. Também podemos interpretar como olhar de julgamento, nesse sentido.
6 – Os pés brilhavam como bronze refinado na fornalha e depois polido – Os pés estão associados à pregação, conforme Isaías 52.7, quanto a fogo,  já vimos que se trata de purificação, e bronze, normalmente é símbolo de força e segurança na Bíblia, como em Juízes 16.21, II Samuel 3.34; II Reis 25.7; Lamentações 3.7. Por outro lado, alguns interpretam a pureza desse bronze dos pés de Jesus, pois ele foi refinado pelo fogo e brilha, nesse sentido, os pés daquele que foi provado pelo fogo e continuou pregando o Evangelho.
         7 – Voz como som de muitas águas – Esse é o símbolo de força e poder, como se fosse uma voz poderosa. Essa fica fácil, pense numa cachoeira, você só consegue conversar diante de um salto de água, se gritar muito. A voz do Senhor é poderosa, e faz estremecer a qualquer um, veja Jó 37.2,4,5; Sl 18.13; Sl 29.4.
         8 – Tinha em sua mão direita – Mão direita quer dizer preferência ou honra (Is 41.10; Sl 110.1; 118.16);
         9 – Sete Estrelas aqui se refere aos pastores das sete igrejas, que já vimos anteriormente. Salmo 147.4 diz que Deus chama cada estrela pelo nome. Estrela é fonte de luz, embora a mais citada nas Escrituras não se tratar de uma estrela, e nem emite a própria luz, mas reflete a do Sol, essa é a Estrela Dalva, nesse caso, o planeta vênus, que por estar perto da Terra e em posição privilegiada, sempre é o primeiro astro a aparecer no céu, como o último a “apagar” na manhã, por isso D’alva, da manhã. Nesse sentido, como estrelas, os líderes e até os membros das igrejas em geral, refletem a Luz de Jesus essa interpretação já está pronta também no próprio texto de apocalipse, no versículo 20.
         10 – Da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes – Efésios 6.17 diz que a Palavra de Deus é a espada do espírito, em Hebreus 4.12 diz que a Palavra de Deus é mais afiada que uma espada de 2 gumes. Acho que esse até as crianças conseguem interpretar, né?
11 – Chaves da morte e do Hades – Quando Jesus morre, leva nossos pecados e nos lava com seu sangue, mas quando ressuscita, vence a morte e nos dá o direito de vivermos para sempre com Ele. Nesse sentido, Agora é Jesus quem comanda a morte, pois Ele mesmo diz em João 11.25 que Ele é a ressureição e a vida, quem crê nele, ainda que esteja morto, viverá. Hades é a palavra grega, utilizada pelos escritores do Novo Testamento e pela tradução do Antigo Testamento nessa língua (septuaginta),  para designar o mundo dos mortos, ou seja, o estado intermediário da Alma, nesse sentido, Jesus é quem nos dá acesso para a eternidade, sem ficar aguardando para sempre um julgamento... Nem preciso dizer, né? Dá uma olhada nos episódios anteriores, vai?!
12 – Sete anjos – Anjo, do grego Angelos, significa mensageiro, aquele que recebeu uma mensagem para propagar, nesse sentido, os líderes são mensageiros de Deus nas igrejas, aqui, são os pastores que recebem as mensagens e decodificam para as sete igrejas.
  
Assim, vencemos o primeiro capítulo de Apocalipse, interpretando cada versículo, e cada símbolo que aparece nele, algo que vai facilitar muito do que vamos conversar daqui para frente.
         A semana que vem vamos avançar no livro de apocalipse, interpretando as mensagens às Sete Igrejas, e já vou adiantando, tem muita coisa boa pela frente, viu?!  Venha conosco nessa jornada. Te aguardo a semana que vem no episódio: Entre os Candelabros! 

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Apocalipse em Gotas Episódio #05 – Vamos terminar essa história?


“Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo”. 1João 4.3,4



Nos episódios anteriores, falamos do início da criação, a história e trajetória do povo da Bíblia, depois a História da Igreja e hoje, vamos tentar contar como acaba essa história.
Eba! Hoje começamos a falar um pouco mais sobre o fim dos tempos!!!! UHhAhAhAh!!!!
Sem mais delongas, vamos lá!
         A reforma protestante deu início a um movimento não apenas religioso, mas político e social, mexendo com toda a história da Europa e chegando na américa.
Vamos a alguns pontos principais:

a)   Martinho Lutero em 1517 com a Igreja Luterana na Alemanha e arredores;
b)   Rei Henrique VIII em 1534 com a Igreja Anglicana – conhecida também como igreja Anglo católica não tiveram mudanças teológicas no início;
c)   Ulrico Zuinglio e João Calvino entre 1525 e 1564 com a Igreja Reformada da Suíça – que por sua vez dá origem aos movimentos – Puritanos e Presbiterianos;
d)   Menno Simons, Jacob Hutter e outros a partir de 1525 – iniciam os movimentos anabatistas, que por sua vez, dão origem às comunidades e igrejas menonitas, quackers e amish’s de hoje.
A partir desses movimentos, a Igreja toma um rumo totalmente diferente daquele traçado pelo romanismo, pois agora, a mensagem é que todos os cristãos são iguais, não tendo a divisão entre o Clero e os leigos, pois todos tinham acesso igual às Escrituras.
Por causa da teologia Protestante, a Igreja Católica passou a dar passos em direção a uma abertura na teologia, mas muito vagarosamente, sendo a permissão dos leigos lerem a Bíblia e celebrarem as missas na sua própria língua, somente dada a partir do concílio Vaticano II, no final de 1965.
Enquanto a Igreja Católica romana e ortodoxa continuavam com seus ritos desenvolvidos na Idade média, a Igreja protestante se desenvolveu levando a fé a lugares que nunca a Igreja tinha chegado até então, pois os costumes locais não precisavam ser alterados significativamente e os líderes eram levantados na própria comunidade.
No Brasil, por exemplo, a Igreja Protestante é instituída para brasileiros, apenas no final dos anos 1800, com a chegada de imigrantes, que logo evangelizaram e abriram as primeiras igrejas protestantes de língua portuguesa. O primeiro Pastor Brasileiro foi José Manuel da Conceição, ex-padre, consagrado em 1865 na Igreja Presbiteriana.
No ano de 1901, nos Estados Unidos há início uma nova revolução religiosa no meio dos cristãos, o início do movimento pentecostal. Em muitas Igrejas foram surgindo movimentos de oração e clamor, em que se via manifestações extraordinárias, como falar em línguas, visões e muitos outros. Esse movimento varreu os Estados Unidos e chegou no mundo todo, desde o Brasil à Coreia e China.
Se o movimento de reforma da Igreja levou a mensagem do Evangelho a muitos lugares jamais alcançados, o Pentecostalismo levou a Igreja e sua mensagem aos confins da Terra.
A partir de então, muitas igrejas começaram a nascer. Na velocidade em que se precisava de obreiros, a Igreja não dava conta de preparar em seminários, ao que a maioria dos movimentos também era contrário ao estudo sistemático da Teologia, então muitos pastores leigos começaram a surgir.
Como nem tudo são rosas, a partir do movimento pentecostal, muitas distorções também surgiram, ao ponto que, heresias, como jamais vistas chegaram aos nossos dias. Denominações foram surgindo, e a partir daí, aquilo que chamam de terceira onda do pentecostalismo, aparece no mundo todo a partir dos anos 50 e no Brasil nos anos 70 e 80.
Alguns homens viram na comoção que a experiência pentecostal gerava nas massas a oportunidade de enganar, então, esses falsos profetas começaram a apelar para termos como cura, prosperidade e vitória sobre os dilemas da vida. Aquilo que foi conhecido como Teologia da prosperidade, não foi uma invenção tupiniquim, mas algo que ganhou espaço em muitos lugares do mundo.
Aqui cabe uma ressalva, a Bíblia fala, não de um falso profeta, mas dos falsos profetas no plural absoluto dessa expressão e tem, mais, nos manda nos acautelar (1Jo 4).
O pior do movimento neopentecostal estava por vir. O sincretismo com o espiritismo e religiões de matrizes africanas, colocou em evidencia, por exemplo, o exorcismo como parte do culto, algo que jamais foi visto na história da Igreja. É claro que a expulsão de demônios é uma vocação da própria igreja, se trata de uma ordem expressa de Jesus (Mt 10.8). Agora, colocar o diabo no centro do culto, aí não dá, né?
Mas ainda não acabou, para resistir a influência do movimento neopentecostal e algumas distorções do movimento pentecostal, a Igreja criou uma estrutura fechada na teologia, que tornou os crentes tão duros e rabugentos, a ponto da espiritualidade de muitas denominações se tornar fria e mórbida.
O resultado dentre os mortos e feridos da guerra da Igreja ao longo dos séculos: Os “desigrejados”.
Um novo movimento crescente na atualidade é o dos chamados “desigrejados”. Pessoas que se machucaram com o protestantismo frio das igrejas históricas e se queimaram com o fogo desconhecido do emocionalismo promovido pelas igrejas pentecostais, acabaram se tornando dois principais públicos entre os cristãos desigrejados: a) evangélicos não praticantes; b) crentes que odeiam a igreja.
Assustador quando se vai ouvir pessoas que deixaram a Igreja evangélica nas redes sociais. Profetas, como é o caso de ex pastores que se entristeceram com a igreja e hoje dizem: Cultue a Deus individualmente e com a sua família, pois você não precisa da igreja.
Sabe qual é o resultado de toda a história dessa igreja cheia de dores? Uma ineficácia promovida pelo espírito do anticristo. Vamos falar em um ou mais episódios exclusivamente sobre a figura do anticristo, mas aqui já fica uma pequena introdução: O anticristo é fruto de um mover das trevas, ao que o Apostolo João vai nos dizer que há um espírito de anticristo sobre a Terra, que se manifestará através de um homem, mas desde a primeira vinda de Jesus, este inimigo já atua contra a Igreja (1Jo 4.3).
A Palavra nos diz que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja, e isso é a mais pura verdade. Nesse contexto, precisamos estudar um pouco mais sobre essa história, então, vamos para o Livro de Apocalipse e o que ele nos revela sobre a atuação da Igreja no mundo, que aliás, é a concentração inicial desse livro.
Só tem um problema, vai ter que ser num outro episódio, porque hoje não vai mais dar tempo!
No próximo episódio de Apocalipse em gotas, vamos interpretar juntos o primeiro capítulo de Apocalipse. E na sequência, vamos revisitar a Igreja de Cristo ao longo da História, olhando justamente para a revelação do livro de Apocalipse. Agora a coisa começa a esquentar! Não perca!!!




quarta-feira, 3 de junho de 2020

O INÍCIO DO FIM




O mundo pergunta: Quem foi Jesus de Nazaré?
Nós, que somos discípulos afirmamos: Jesus É!
Parece um jogo de semântica, mas não é. Jesus não foi um profeta, Jesus não foi um líder que fundou uma religião. Jesus é Deus que, embora o sendo, não achou que ser Deus era alguma coisa em si, mas deixou o trono de sua glória, se fez homem e sendo 100% homem e 100% Deus, venceu o pecado, venceu a morte e por fim, hoje se assenta no trono de toda a criação, composta pelo universo visível e o mundo espiritual que não vemos.
Quando esteve na terra em sua primeira vinda, Jesus foi um judeu comum do primeiro século, isso até seu batismo, quando chegou à fase adulta. A Bíblia não fala muito da sua infância, por ser ele um menino comum da palestina. Quando cresceu, Jesus foi cumprir o que os profetas proclamaram e era, de fato, o plano de Deus: Curar os enfermos, expulsar demônios e iniciar um movimento de mudança do mundo (Mt 8.14-22).
Interessante que a partir dos primeiros discípulos, Jesus vai varrendo Israel com seus ensinamentos, que nada mais traz, do aplicação prática do que disseram os profetas antes dele, ao começar por Moisés. Cada Palavra de Jesus é baseada nas Escrituras, nenhuma só palavra sua é nova, mas ensino do que a Bíblia hebraica dizia, mas parece diferente, apenas por se tratar de nova linguagem e aplicação prática.
Os primeiros discípulos eram em torno de 120, com um público que o seguia com número bem variável, mas essa grande massa, o seguia apenas para ver onde ia dar, ou simplesmente pelas curas que Ele realizava. Essa multidão, somavam cerca de 5 mil pessoas. Dentre os 120, Jesus separou 12. Veja, falei no episódio anterior que era um número importante. Se os patriarcas de Israel eram 12, agora os representantes da nova aliança também são.
Aqui cabe uma explicação um pouco melhor, embora vamos falar em um episódio apenas sobre símbolos e números. 12 é o número da representatividade, como era um número bem conhecido dos judeus, Jesus selecionou 12 representantes, Apóstolos. Apóstolo na língua grega, quer dizer enviado, comissionado por alguém, ou delegado, no sentido que recebeu uma delegação de autoridade. Os 12 representavam Jesus em suas ações. Como podemos ver em Mateus 17.16, Jesus delegava poder aos apóstolos, mas nem sempre eles corresponderam, porque ainda não tinham algo marcado neles, ou seja, a presença de Jesus o tempo todo.
Quando Jesus morre, fica evidente que eles não tinham entendido nada a respeito de Jesus, porque criam que a qualquer momento Ele ia assumir o controle político de Israel, algo que não aconteceu, muito pelo contrário, assim como todos os pseudo profetas e pseudo Cristos, Jesus também morre pela cruz romana.
A Cruz era o instrumento de tortura e propaganda do império romano. Era pela cruz que as revoltas se encerravam, hora pela morte de revoltos, hora pela cena grotesca pelas estradas de roma, que serviam de alerta aos levantes. Só para você ter uma ideia, a maior crucificação romana que a história conta, foi de um grupo de escravos revoltos, no ano de 71 a.C, pelo general Pompeu, isso resultou em 6.000 crucificados ao longo de 200 km numa estrada romana chamada de Via Ápia, uma das mais importantes do império.
Mas porque Jesus subiu a Jerusalém, se não era para controlar Israel? Era de lá que os antigos reis governavam e era lá que os profetas disseram que ia governar o Messias, no trono de Davi.
A resposta é simples: Jesus precisava morrer à vista de todos, judeus e gentios e todo o mundo olhava para Jerusalém, não é de hoje que os noticiários tem em todas as suas manchetes.
Como um tiro no galinheiro, a crucificação de Jesus põe todo mundo pra correr. Quando a esperança já havia morrido, os discípulos se trancam de medo, preparam a retirada de Jerusalém e de repente, mulheres aparecem anunciado o improvável. Improvável para quem não cria, de fato nas profecias e no próprio mestre, que anunciou várias vezes que ressuscitaria (Mt 20.17-19), além disso, os profetas avisaram (Gn 3.15, Is 53, Dn 9.26; Sl 16.8-10, Is 25.8; Sl 68.18; Dn 7.13-14; 1 Sm 2.10; Sl 16.1; Is 52.13; 53.12).
Jesus ressuscitou ao terceiro dia, ficou entre os seus discípulos durante 40 dias e ao fim, deu suas últimas orientações aos discípulos e o principal, soprou seu Espírito sobre eles.

Em João 20.22, Jesus sopra seu Espírito sobre os Discípulos, em Atops 1.8, diz que eles seriam revestidos de poder para aumentar ainda mais seu reino. Jesus sobe aos céus e 10 dias depois, em Atos 2, acontece a manifestação do Espírito Santo de Deus.
Um evento apocalíptico muito interessante acontece em Atos 2, que gera muita discussão em seus efeitos, mas a Palavra é muito clara do texto base do sermão de Pedro naquela ocasião, veja Atos 2.16-21:
Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.
Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça.
O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

Em Joel 2.28-32 é a profecia sobre o derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus, mas é muito mais profundo a atuação desse espírito, porque o Reino de Israel espiritual, se expande mais aos limites que o Senhor tinha prometido a Abrão. apenas em Atos 2, o Evangelho foi anunciado em pelo menos 13 línguas pelo poder do Espírito Santo, alcançando um território de aproximadamente 1.600 km a partir do epicentro de Jerusalém.
A partir daí, a expansão do Reino de Jesus chega até os confins da terra, conforme previsto pelo profeta Joel, ao ponto desse Evangelho chegar até nós e ser pregado no mundo inteiro hoje, sendo que, nesse aspecto, se cumpre também a profecia de Habacuque 2.14: Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.
Note que agora entramos com tudo nos eventos apocalípticos, mas nem saímos da era apostólica. Viu?
Na teologia estudamos o Reino do já e ainda não. O reino de Jesus já está entre nós plenamente executado do ponto de vista espiritual, isso desde sua inauguração com o próprio Senhor Jesus por ocasião do início do seu ministério (Mt 4.14). Mas chegará o tempo em que será executado o Reino de Deus com todo o Seu poder, esse tempo ainda não chegou, mas está bem próximo de se cumprir e quanto a isso, vemos em Apocalipse que haverá novos céus e nova terra, e é nesse momento, em que Jesus governará para Sempre como Rei entronizado de forma plena.
É Nesse contexto que nasce a Igreja, a aplicação do Reino de Deus. Os Cristãos chegam a números estratosféricos após a Ascenção de Jesus, ao ponto de começar a incomodar os Romanos.
O cristianismo passou a ser um grande problema para os romanos, porque além de mudar a mente das pessoas, dizendo que elas não precisavam mais serem escravas, por exemplo – se  ver bem que não era bem isso que o Evangelho dizia – além de pregar a vinda de Jesus como rei que subjugaria todo o mundo.
Pressionados por isso, o império persegui, matou, censurou, proibiu e incriminou os cristãos durante pelo menos 3 séculos.
Os textos apocalípticos do Novo testamento tem início no ano de 65 antes de Cristo, 5 anos antes da diáspora.
No ano de 70 depois de Cristo, o império dá ordem para arrasar Jerusalém e expulsar os Judeus e cristãos de lá. Profeticamente, aí se cumpre muito das profecias do Antigo Testamento, ao que vamos dedicar um episódio apenas a isso.
O que falar da expansão do Evangelho por Paulo e os demais apóstolos? Pois é, o Reino de Deus se estabeleceu com eles e a partir da sua morte, veio um período na igreja conhecido como patrístico, ou seja, tempo dos pais da Igreja. Esse termo é adotado porque foi aí que começo a tradição escrita e o estudo sistematizado da Teologia e dos textos bíblicos. Paulo e os demais discipularam líderes que formaram outros e assim por diante, até que esses homens começaram a produzir textos interpretando as Escrituras na ótica dos cristãos, porque até então, apenas os rabinos judeus faziam isso.
No ano de 313, o imperador Constantino diz ter uma epifania e se convertido ao cristianismo, ao que muitos historiadores  discutem essa conversão por ocasião da eminência da queda do império. Constantino precisava de apoio de amigos e inimigos.
Constantino não apenas libera o culto, mas passa a controlar a igreja romana, mas veja, as demais igrejas espalhadas sobre a terra, como a egípcia, grega, bizantina e etc., não aceitam o controle de Roma ao que aproximadamente 750 anos mais tarde, vai culminar na separação entre igreja romana e ortodoxa. 
A partir de Constantino, a igreja passa a ser estatal, com aberrações e heresias que jamais foram retiradas da igreja oficial, ao que alguns interpretam como a grande aberração de Daniel (Dn 11), outros como a instauração da Grande Babilônia e a grande prostituta (Ap 17). Algo que faz muito sentido, mas vamos falar mais a frente sobre isso também, quando formos falar dos simbolismos de apocalipse e Daniel. Veja, por isso é tão importante saber da história.
A mudança de Constantino não impediu a queda do império em 476 d.C., e aí começa a Idade Média, também conhecida como a idade das trevas. Nesse momento da história, A igreja oficial do estado passa a ser a mais perversa e abominável estrutura, dando início a perseguição de judeus, incriminação de todos os que não eram batizados e não se diziam cristãos.
Poderíamos falar muito das coisas que aconteceram na idade média, mas além de ser muito triste, nada de tão especial e diferente aconteceu no período de 479 a 1453, a não ser pela bizarrice eclesiástica em todos os sentidos e por pouco a igreja verdadeira não acaba. Heresias foram ratificadas pela igreja Católica, sendo algumas apagadas da história, outras que, infelizmente perduram até hoje.
O marco final da Idade média é 1453, com a invasão de Cosntantinopla pelos Turcos Otomanos, que era a capital do império Bizantino, atual Istambul, capital da Turquia. Esse marco não apenas foi o ponto alto da ruína do controle totalitário da Igreja nos Estados europeus, como a entrada dos Árabes na Europa.
A partir daí, o mundo passou por mudanças geopolíticas, militares e de controle descentralizado. Além disso, a cultura geral cresceu, as ciências avançaram e a religião também foi afetada, surgindo os pré-reformadores da igreja, por exemplo. Os pré reformadores foram homens que bateram de frente com os ensinos da igreja deturpados durante séculos e naturalmente foram mortos por isso.
Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero tem suas 95 teses publicadas e diante da proteção do império alemão, trava uma verdadeira batalha contra a Igreja de Roma para reformar a teologia. Ao que A Igreja romana, prontamente lança uma contra reforma, acrescentando livros à Bíblia e reforçando conceitos como a venda de indulgências, ou seja, perdão pelos pecados, terrenos no céu, além de relíquias, que as vezes eram até pedaços da cruz de Cristo, a isso, Calvino, outro reformador da Igreja disse em 1543: “Se quiséssemos recolher tudo o que já foi encontrado da cruz de Cristo, daria para lotar um navio. O Evangelho conta que a cruz podia ser levada por um homem. Encher a Terra com tamanha quantidade de fragmentos de madeira que nem 300 homens aguentariam levar é uma desfaçatez”,
Ainda bem que esse tempo acabou e ninguém mais vende nada em nome da fé, né?
Por isso precisamos revisitar a história com frequência, como diz o profeta Jeremias no capítulo 6.16-19:
16Assim diz o Senhor:
“Ponham-se à beira dos caminhos
e olhem;
perguntem pelas veredas antigas,
qual é o bom caminho;
andem por ele e vocês acharão
descanso para a sua alma.
Mas eles dizem:
‘Não andaremos nele.’
17Também pus atalaias
sobre vocês, dizendo:
‘Fiquem atentos
ao som da trombeta.’
Mas eles dizem: ‘Não escutaremos.’
18Portanto, escutem, ó nações,
e saiba, ó congregação,
o que vai acontecer com eles!
19Ouça, ó terra!
Eis que eu trarei
mal sobre este povo,
o próprio fruto
dos seus pensamentos,
porque não estão atentos
às minhas palavras
e rejeitam a minha lei.

Bem, o papo tá bom, mas vamos ter que continuar na próxima semana contando o fim da história da Igreja, dessa vez, até os nossos dias e quem sabe, dar uma olhada na janela para ver o que temos pela frente.