Hoje vamos terminar a interpretação das cartas às Igrejas da Ásia menor, com Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
Igreja de Sardes
A
cidade de Sardes tem uma história muito rica, contando como capital de um
reino, na antiguidade, o de Lídia, depois foi a sede da província de Lídia
quando o império romano indexou aquele território. A cidade contava com o
quarto maior templo da deusa Diana dos romanos. Flávio Josefo, historiados do
século I, escreve sobre os judeus que viviam em Sardes desde o ano 300 antes de
Cristo.
A
Igreja em Sardes tem pouca referência histórica, embora um Pai da Igreja, chamado
de Milito de Sardes, datado do ano 170, aproximadamente, tenha escrito alguns
livros e segundo outros pais da Igreja, até teria uma biblioteca com o que se
diz ser o primeiro canon da Bíblia.
O
recado de Jesus a igreja de Sardes inclui uma descrição: Tem o nome de quem
está vivo, mas está morto, ou é conhecido como vivo, porém está morto.
Como
não temos elementos que falem sobre a Igreja de Sardes do ano 100, vamos partir
direto para a interpretação histórica. A era de Sardes representa a igreja do
ano de 1453 a 1730. Digo 1453, embora alguns digam que é 1517 por causa da
reforma protestante, mas com a queda do império romano do oriente que a Igreja
Católica oriental e ocidental perderam sua supremacia sobre vários aspectos da
humanidade, em especial, o crescente movimento do Iluminismo, que varreu a
Europa com uma onda gigantesca de desenvolvimento em várias áreas do
conhecimento humano. As ciências, artes e outras floresceram nesse período.
A
Igreja que dominava, deixou de dominar, tanto que, alguns Papas foram
subjulgados pelo império Franco, por exemplo, além dos bispos, que antes
dominavam, a partir desse momento passaram a ser marionetes do poderio estatal.
Aquilo
que foi um trunfo para a igreja que não era mais igreja de Jesus, agora é a sua
própria derrocada, pois o Estado jamais se deixará controlar por qualquer
poder, senão o dos nobres. A Igreja, por sua vez, passa por maus lençóis. Os
Bispos mais proeminentes, não são os mais espirituais, muito pelo contrário, a
igreja dessa época é fortemente bombardeada por escândalos e mais escândalos.
Bispos são flagrados com mulheres e muitas concubinas, filhos bastardos, além
de muita corrupção. O nascimento da “Santa Inquisição”, cobrança de
indulgências e supremacia geral dos concílios e Papa, fazem da igreja um grande
abismo na história da humanidade.
Nos
anos de 1500, aparecem vários reformadores na Igreja, como Lutero, Zwinglio,
Calvino, e outros ainda mais. Nesse tempo, surgem os grupos que foram
conhecidos como protestantes, porque protestavam contra as doutrinas da igreja
católica, como principalmente a venda de indulgências, veneração de imagens,
sacralização de líderes e outras questões.
Além
dos grupos mais conhecidos, como os luteranos e calvinistas, surgiram outros
grupos que começaram a buscar pela separação completa entre Igreja e Estado e
uma vida de maior busca pela Palavra e também pela vida com Deus e comunidade,
como por exemplo os anabatistas.
Lutero e Calvino são pintados na
história, como salvadores da Igreja, mas
o que nem todos sabem é que eles também tinham práticas repugnantes, como a
perseguição a grupos que não pensavam como eles. Não se sabe ao certo se isso
era coisa duma atmosfera daquela época, ou se eles não eram tão santos como
alguns pensam, mas o fato é que não podemos jamais elevar homens a posições que
eles não devem ocupar, pois somos todos pecadores.
Não quero dizer que o movimento
reformador da igreja seja um movimento totalmente impuro, mas quero alertar que
não existe movimento envolvendo humanos que seja 100% perfeito. Por isso, segue
o alerta, não devote sua confiança em homens que podem mudar de ideia a qualquer
momento, mas creia num único Salvador da Igreja, Jesus Cristo.
De fato, a Igreja jamais foi a
mesma a partir da reforma protestante, mas muitas mudanças precisavam
acontecer, que somente apareceram séculos mais tarde, mas como cremos que o
Senhor é o Deus da história, e que nada passa desapercebido do seu olhar de
fogo, sabemos que tudo quanto aconteceu, foi por sua permissão.
A
Igreja que tinha fama de estar viva, na verdade, continuava morta em sua
religiosidade que não mudou, mas apenas foi enfeitada. Jesus diz a essa Igreja
para se espertar e não deixar que o que ainda restava vivo, também morresse e
de fato, foi isso o que aconteceu, no meio da religiosidade protestante,
nasceram movimentos que chegam aos nossos dias trazendo consigo a Palavra de
Deus e a manifestação do Espírito de Jesus.
Sardes
tinha entre eles, os que se mantinham fiéis, poucos, conforme vemos nas
palavras de Jesus, mas haviam.
Jesus dá um recado claro a essa
Igreja: Vique alerta, pois posso vir a você como um ladrão na noite. Nesse ponto,
vemos aqui também uma alerta a Igreja de Sardes dos nossos dias: Se esperte,
porque ninguém sabe o dia nem a hora que vem o seu Senhor!
O período da Igreja de Sardes tem
fim com um movimento de avivamento na vida da Igreja, que agora começa a deixar
de ser institucional e voltar à vida, com manifestação do Espírito de Jesus em
toda a sua extensão. Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as
Igrejas: Fique esperto ou esperta!
Igreja da Filadélfia
Assim como as demais cidades da
Ásia, Filadélfia era uma cidade com uma história bastante interessante, datando
de 189 a.C. Seu nome é homenagem ao irmão do Rei de Pérgamo e quer dizer
literalmente amor de irmão, ou amor fraternal.
A Igreja de Filadélfia era
sofredora, mas recebe uma porta aberta por parte de Jesus. A perseguição era
promovida provavelmente pelos judeus, mas não se tem documentos claros sobre o
assunto. A grande notícia por parte de Jesus é que haveria uma reviravolta, e
de fato, a cidade se tornou 100% cristão antes do século 6.
A Igreja de Filadélfia representa
na história, a Igreja do período de 1739 a 1900. Segundo a interpretação
histórica, essa foi a fase em que a Igreja viu uma porta aberta para as
campanhas missionárias e o mundo viu o surgimento de homens poderosos no
Senhor, como é o caso de Jonathans Edwards, John Wesley, Geroge Whitefield,
Charles Finney, Charles Spurgeon, Dwight Mood, entre outros. Há relatos, por
exemplo, de pregações a céu aberto por esses homens que reunia milhões de
pessoas, isso, sem o uso de microfones e outras tecnologias. Outro fato muito
comentado, é um retorno a santidade da Igreja nesse período, e uma reforma
dentro do protestantismo europeu, com revisão da liturgia e outras doutrinas.
Foi um período de grande movimento de conversão, dentro e fora da Igreja. Os
escritos a respeito dessa era da Igreja são muitos, e um que sempre me
emociona, é que há relatos de cultos em que os pregadores confrontavam o pecado
da igreja de tal forma, que as pessoas seguravam na parte inferior dos bancos e
literalmente deixavam ali as suas unhas com sangue, tamanho o arrependimento
dos pecados e conversão que acontecia.
A Igreja de Filadélfia, na
interpretação histórica, foi a Igreja da expansão para a América do norte e a
consequente expansão para os lugares mais remotos da terra. A perseguição da
Igreja oficial inglesa e romana fez apenas que os movimentos verdadeiramente
cristãos desse período ganhassem ainda mais força. E nesse ponto, não tem como
não associar o que Jesus diz a Igreja de Filadélfia em Apocalipse 3.9:
“...Farei com que se prostrem aos seus pés e reconheçam que eu o amei”. Olha
que interessante, a revisão na liturgia nos cultos e alívio no clericalismo nos
movimentos promovidos pela renovação desse período, fez com que movimentos
reformadores da Igreja, que estavam inertes há dois séculos, se revitalizassem
também, e isso afetou inclusive a Igreja Anglicana, conhecida também como Anglo
Católicos.
A Igreja não pode ser inerte, nos
momentos mais difíceis da história, foi aí que a Igreja de Jesus mais agiu e
mais cresceu, isso em todos os sentidos. A Igreja de Filadélfia aproveitou a
porta aberta e não deixou que roubassem a sua coroa, mas entregou à próxima
geração, mais materiais escritos e tradições como jamais em toda a história,
Veja, é desse período que vem a famosa EBD e o nascimento das agências missionárias
espalhadas pelo mundo.
Mas e a Igreja de Filadélfia dos
nossos dias? Bem, essa quase está imperceptível, mais apagada do que nunca,
embora existam sim, pessoas sendo enviadas, movimentos de busca por
conhecimento e pregadores que alertam o pecado do povo, ainda que, esse último
é bem raro. Pois é, o mundo não está preparado para receber a Igreja, mas se
pensarmos bem, jamais esteve, então porque nos preocupamos tanto com o que as
pessoas vão pensar, e porque tornar o Evangelho mais atrativo do que ele originalmente
é?
Precisamos sim, aproveitar as
portas que se abrem, mas jamais nos esquecer da nossa natureza, que é ser o
Corpo de Cristo, e onde esse corpo passa, deve causar transformação, e de certa
forma, se não é perseguido, alguma coisa está errada. Você tem ouvido? Então ouça
o que o Espírito diz às Igrejas!
Igreja de Laodiceia
Agora chegamos na temida
Laodiceia!
A cidade de Laodiceia ganhou esse
nome em homenagem a Laódice, esposa do Rei Antíoco II. Agora, vamos falar daquilo
que Jesus usa das características da cidade para gerar um trocadilho:
Contava com uma fonte de águas
termais que nasciam em Hierápololis, nas montanhas e chegavam em Laodiceia
mornas, daí que Jesus fala sobre a mornidão daquela igreja, e vamos combinar,
né? Tomar água morna dá vontade de vomitar mesmo.
A cidade era a mais rica daquela
região, ao que Jesus diz: compre de mim ouro refinado pelo fogo. Aquele povo
tinha bancos muito ricos que guardavam boa parte do ouro do império, inclusive.
Laodiceia contava com um centro
muito proeminente de medicina, com avanços muito importantes, inclusive,
segundo alguns autores, tinham um unguento que atraia gente de todo o império
para tratar de cegueira e outras moléstias oftalmológicas, daí Jesus diz a
Igreja de Laodiceia: compre colírio de mim.
Além de tudo isso, Laodiceia
contava com uma forte indústria têxtil, mesmo que primitiva, guardadas as
devidas proporções, é claro, levava essas vestes para o mundo romano inteiro. Muitos
tecidos, inclusive de cor púrpura eram produzidos nesta cidade, mas mesmo
assim, Jesus fala para eles comprarem roupas brancas.
Interessante, né? A Igreja de
Laodiceia recebe um recado de Jesus com comparação com sua riqueza monetária
mas pobreza espiritual, presença de médicos e remédios para os olhos, mas
cegueira espiritual, e produzia roupas caras e finas, mas era nua
espiritualmente.
Qual era essa igreja representa?
Qual a era mais rica de toda história humana? Qual produz mais remédios? Qual
era tem a maior sofisticação em todos os sentidos?
Pois é, a Igreja da atualidade é
rica, tem os melhores e mais atrativos prédios, A Igreja atual expõe sua
finesse em todas as mídias, a Igreja atual diz que tem cura para tudo e a
Igreja atual se vangloria de sua história, mas sua atualização constante.
A interpretação histórica das
Igrejas da Ásia prevê que a Igreja atual, desde 1900 é a de Laodiceia.
Ouro refinado pelo fogo, colírio
para ungir os olhos, roupas brancas para esconder a sua vergonhosa nudez. Se você
está acompanhando semanalmente o apocalipse em gotas, vc já sabe o que esses símbolos
querem dizer, então vamos nos concentrar na aplicação. Já falei bastante dessa
igreja e de nossos dias, além disso, certamente você já deve ter entendido do
que Jesus fala, mas precisamos entender o que fazer diante dessas coisas.
Jesus nos convida a rever nossa
postura, não apenas quando fala de Laodiceia, mas das outras seis também. Se
pensarmos que cada uma das qualidades de cada uma das igrejas da Ásia, assim
como suas dádivas e méritos, devem ser revistos constantemente, caso contrário,
nos tornamos obsoletos, como as sete igrejas.
Veja, isso é muito importante,
nenhuma das sete igrejas da Ásia está de pé hoje, embora existam sim templos
suntuosos ainda hoje, mas o Corpo de Cristo ali, infelizmente não mais. O que
Jesus quer dizer para a Igreja de hoje? Qual o teor da carta para nossos dias?
Simples e objetiva essa resposta: vai de Genesis a Apocalipse.
O importante é entendermos que a
evolução da Igreja, assim como a forma como reagimos em meio a história da
humanidade, é em si um evento apocalíptico.
Eu e você precisamos hoje mesmo
ouvir o chamado de Jesus: “Eis que estou à porta e bato”. Precisamos de uma vez
por todas, abrir a porta de nossa Igreja para Jesus, pois Ele garante que
aqueles que abrirem, não apenas participarão do banquete, mas também se
assentarão com Ele nos céus.
Precisamos urgentemente rever
nossos conceitos, pois ele está às portas!
Ouça o que o Espírito diz às
Igrejas, veja bem, “às Igrejas”, no plural, não a uma Igreja local, mas à
universal, por isso, a intepretação mais importante é que seja como você
preferir olhar para o Apocalipse, tire dali as informações para sua própria
vida e para a sua igreja!
A semana que vem nos encontramos
novamente para continuar o estudo no livro de apocalipse, dessa vez, um
panorama geral dos eventos apocalípticos.

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