quarta-feira, 8 de julho de 2020

Apocalipse em Gotas #09 – Na Rota das Igrejas – Parte 02


Hoje vamos terminar a interpretação das cartas às Igrejas da Ásia menor, com Sardes, Filadélfia e Laodiceia.  

Igreja de Sardes
                A cidade de Sardes tem uma história muito rica, contando como capital de um reino, na antiguidade, o de Lídia, depois foi a sede da província de Lídia quando o império romano indexou aquele território. A cidade contava com o quarto maior templo da deusa Diana dos romanos. Flávio Josefo, historiados do século I, escreve sobre os judeus que viviam em Sardes desde o ano 300 antes de Cristo.
                A Igreja em Sardes tem pouca referência histórica, embora um Pai da Igreja, chamado de Milito de Sardes, datado do ano 170, aproximadamente, tenha escrito alguns livros e segundo outros pais da Igreja, até teria uma biblioteca com o que se diz ser o primeiro canon da Bíblia.
                O recado de Jesus a igreja de Sardes inclui uma descrição: Tem o nome de quem está vivo, mas está morto, ou é conhecido como vivo, porém está morto.
                Como não temos elementos que falem sobre a Igreja de Sardes do ano 100, vamos partir direto para a interpretação histórica. A era de Sardes representa a igreja do ano de 1453 a 1730. Digo 1453, embora alguns digam que é 1517 por causa da reforma protestante, mas com a queda do império romano do oriente que a Igreja Católica oriental e ocidental perderam sua supremacia sobre vários aspectos da humanidade, em especial, o crescente movimento do Iluminismo, que varreu a Europa com uma onda gigantesca de desenvolvimento em várias áreas do conhecimento humano. As ciências, artes e outras floresceram nesse período.
                A Igreja que dominava, deixou de dominar, tanto que, alguns Papas foram subjulgados pelo império Franco, por exemplo, além dos bispos, que antes dominavam, a partir desse momento passaram a ser marionetes do poderio estatal.
                Aquilo que foi um trunfo para a igreja que não era mais igreja de Jesus, agora é a sua própria derrocada, pois o Estado jamais se deixará controlar por qualquer poder, senão o dos nobres. A Igreja, por sua vez, passa por maus lençóis. Os Bispos mais proeminentes, não são os mais espirituais, muito pelo contrário, a igreja dessa época é fortemente bombardeada por escândalos e mais escândalos. Bispos são flagrados com mulheres e muitas concubinas, filhos bastardos, além de muita corrupção. O nascimento da “Santa Inquisição”, cobrança de indulgências e supremacia geral dos concílios e Papa, fazem da igreja um grande abismo na história da humanidade.
                Nos anos de 1500, aparecem vários reformadores na Igreja, como Lutero, Zwinglio, Calvino, e outros ainda mais. Nesse tempo, surgem os grupos que foram conhecidos como protestantes, porque protestavam contra as doutrinas da igreja católica, como principalmente a venda de indulgências, veneração de imagens, sacralização de líderes e outras questões.
                Além dos grupos mais conhecidos, como os luteranos e calvinistas, surgiram outros grupos que começaram a buscar pela separação completa entre Igreja e Estado e uma vida de maior busca pela Palavra e também pela vida com Deus e comunidade, como por exemplo os anabatistas.
Lutero e Calvino são pintados na história, como  salvadores da Igreja, mas o que nem todos sabem é que eles também tinham práticas repugnantes, como a perseguição a grupos que não pensavam como eles. Não se sabe ao certo se isso era coisa duma atmosfera daquela época, ou se eles não eram tão santos como alguns pensam, mas o fato é que não podemos jamais elevar homens a posições que eles não devem ocupar, pois somos todos pecadores.
Não quero dizer que o movimento reformador da igreja seja um movimento totalmente impuro, mas quero alertar que não existe movimento envolvendo humanos que seja 100% perfeito. Por isso, segue o alerta, não devote sua confiança em homens que podem mudar de ideia a qualquer momento, mas creia num único Salvador da Igreja, Jesus Cristo.
De fato, a Igreja jamais foi a mesma a partir da reforma protestante, mas muitas mudanças precisavam acontecer, que somente apareceram séculos mais tarde, mas como cremos que o Senhor é o Deus da história, e que nada passa desapercebido do seu olhar de fogo, sabemos que tudo quanto aconteceu, foi por sua permissão.
                A Igreja que tinha fama de estar viva, na verdade, continuava morta em sua religiosidade que não mudou, mas apenas foi enfeitada. Jesus diz a essa Igreja para se espertar e não deixar que o que ainda restava vivo, também morresse e de fato, foi isso o que aconteceu, no meio da religiosidade protestante, nasceram movimentos que chegam aos nossos dias trazendo consigo a Palavra de Deus e a manifestação do Espírito de Jesus.
                Sardes tinha entre eles, os que se mantinham fiéis, poucos, conforme vemos nas palavras de Jesus, mas haviam.
Jesus dá um recado claro a essa Igreja: Vique alerta, pois posso vir a você como um ladrão na noite. Nesse ponto, vemos aqui também uma alerta a Igreja de Sardes dos nossos dias: Se esperte, porque ninguém sabe o dia nem a hora que vem o seu Senhor!
O período da Igreja de Sardes tem fim com um movimento de avivamento na vida da Igreja, que agora começa a deixar de ser institucional e voltar à vida, com manifestação do Espírito de Jesus em toda a sua extensão. Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as Igrejas: Fique esperto ou esperta!
Igreja da Filadélfia
Assim como as demais cidades da Ásia, Filadélfia era uma cidade com uma história bastante interessante, datando de 189 a.C. Seu nome é homenagem ao irmão do Rei de Pérgamo e quer dizer literalmente amor de irmão, ou amor fraternal.
A Igreja de Filadélfia era sofredora, mas recebe uma porta aberta por parte de Jesus. A perseguição era promovida provavelmente pelos judeus, mas não se tem documentos claros sobre o assunto. A grande notícia por parte de Jesus é que haveria uma reviravolta, e de fato, a cidade se tornou 100% cristão antes do século 6.
A Igreja de Filadélfia representa na história, a Igreja do período de 1739 a 1900. Segundo a interpretação histórica, essa foi a fase em que a Igreja viu uma porta aberta para as campanhas missionárias e o mundo viu o surgimento de homens poderosos no Senhor, como é o caso de Jonathans Edwards, John Wesley, Geroge Whitefield, Charles Finney, Charles Spurgeon, Dwight Mood, entre outros. Há relatos, por exemplo, de pregações a céu aberto por esses homens que reunia milhões de pessoas, isso, sem o uso de microfones e outras tecnologias. Outro fato muito comentado, é um retorno a santidade da Igreja nesse período, e uma reforma dentro do protestantismo europeu, com revisão da liturgia e outras doutrinas. Foi um período de grande movimento de conversão, dentro e fora da Igreja. Os escritos a respeito dessa era da Igreja são muitos, e um que sempre me emociona, é que há relatos de cultos em que os pregadores confrontavam o pecado da igreja de tal forma, que as pessoas seguravam na parte inferior dos bancos e literalmente deixavam ali as suas unhas com sangue, tamanho o arrependimento dos pecados e conversão que acontecia.
A Igreja de Filadélfia, na interpretação histórica, foi a Igreja da expansão para a América do norte e a consequente expansão para os lugares mais remotos da terra. A perseguição da Igreja oficial inglesa e romana fez apenas que os movimentos verdadeiramente cristãos desse período ganhassem ainda mais força. E nesse ponto, não tem como não associar o que Jesus diz a Igreja de Filadélfia em Apocalipse 3.9: “...Farei com que se prostrem aos seus pés e reconheçam que eu o amei”. Olha que interessante, a revisão na liturgia nos cultos e alívio no clericalismo nos movimentos promovidos pela renovação desse período, fez com que movimentos reformadores da Igreja, que estavam inertes há dois séculos, se revitalizassem também, e isso afetou inclusive a Igreja Anglicana, conhecida também como Anglo Católicos.
A Igreja não pode ser inerte, nos momentos mais difíceis da história, foi aí que a Igreja de Jesus mais agiu e mais cresceu, isso em todos os sentidos. A Igreja de Filadélfia aproveitou a porta aberta e não deixou que roubassem a sua coroa, mas entregou à próxima geração, mais materiais escritos e tradições como jamais em toda a história, Veja, é desse período que vem a famosa EBD e o nascimento das agências missionárias espalhadas pelo mundo.
Mas e a Igreja de Filadélfia dos nossos dias? Bem, essa quase está imperceptível, mais apagada do que nunca, embora existam sim, pessoas sendo enviadas, movimentos de busca por conhecimento e pregadores que alertam o pecado do povo, ainda que, esse último é bem raro. Pois é, o mundo não está preparado para receber a Igreja, mas se pensarmos bem, jamais esteve, então porque nos preocupamos tanto com o que as pessoas vão pensar, e porque tornar o Evangelho mais atrativo do que ele originalmente é?
Precisamos sim, aproveitar as portas que se abrem, mas jamais nos esquecer da nossa natureza, que é ser o Corpo de Cristo, e onde esse corpo passa, deve causar transformação, e de certa forma, se não é perseguido, alguma coisa está errada. Você tem ouvido? Então ouça o que o Espírito diz às Igrejas!
Igreja de Laodiceia
Agora chegamos na temida Laodiceia!
A cidade de Laodiceia ganhou esse nome em homenagem a Laódice, esposa do Rei Antíoco II. Agora, vamos falar daquilo que Jesus usa das características da cidade para gerar um trocadilho:
Contava com uma fonte de águas termais que nasciam em Hierápololis, nas montanhas e chegavam em Laodiceia mornas, daí que Jesus fala sobre a mornidão daquela igreja, e vamos combinar, né? Tomar água morna dá vontade de vomitar mesmo.
A cidade era a mais rica daquela região, ao que Jesus diz: compre de mim ouro refinado pelo fogo. Aquele povo tinha bancos muito ricos que guardavam boa parte do ouro do império, inclusive.
Laodiceia contava com um centro muito proeminente de medicina, com avanços muito importantes, inclusive, segundo alguns autores, tinham um unguento que atraia gente de todo o império para tratar de cegueira e outras moléstias oftalmológicas, daí Jesus diz a Igreja de Laodiceia: compre colírio de mim.
Além de tudo isso, Laodiceia contava com uma forte indústria têxtil, mesmo que primitiva, guardadas as devidas proporções, é claro, levava essas vestes para o mundo romano inteiro. Muitos tecidos, inclusive de cor púrpura eram produzidos nesta cidade, mas mesmo assim, Jesus fala para eles comprarem roupas brancas.
Interessante, né? A Igreja de Laodiceia recebe um recado de Jesus com comparação com sua riqueza monetária mas pobreza espiritual, presença de médicos e remédios para os olhos, mas cegueira espiritual, e produzia roupas caras e finas, mas era nua espiritualmente.
Qual era essa igreja representa? Qual a era mais rica de toda história humana? Qual produz mais remédios? Qual era tem a maior sofisticação em todos os sentidos?
Pois é, a Igreja da atualidade é rica, tem os melhores e mais atrativos prédios, A Igreja atual expõe sua finesse em todas as mídias, a Igreja atual diz que tem cura para tudo e a Igreja atual se vangloria de sua história, mas sua atualização constante.
A interpretação histórica das Igrejas da Ásia prevê que a Igreja atual, desde 1900 é a de Laodiceia.
Ouro refinado pelo fogo, colírio para ungir os olhos, roupas brancas para esconder a sua vergonhosa nudez. Se você está acompanhando semanalmente o apocalipse em gotas, vc já sabe o que esses símbolos querem dizer, então vamos nos concentrar na aplicação. Já falei bastante dessa igreja e de nossos dias, além disso, certamente você já deve ter entendido do que Jesus fala, mas precisamos entender o que fazer diante dessas coisas.
Jesus nos convida a rever nossa postura, não apenas quando fala de Laodiceia, mas das outras seis também. Se pensarmos que cada uma das qualidades de cada uma das igrejas da Ásia, assim como suas dádivas e méritos, devem ser revistos constantemente, caso contrário, nos tornamos obsoletos, como as sete igrejas.
Veja, isso é muito importante, nenhuma das sete igrejas da Ásia está de pé hoje, embora existam sim templos suntuosos ainda hoje, mas o Corpo de Cristo ali, infelizmente não mais. O que Jesus quer dizer para a Igreja de hoje? Qual o teor da carta para nossos dias? Simples e objetiva essa resposta: vai de Genesis a Apocalipse.
O importante é entendermos que a evolução da Igreja, assim como a forma como reagimos em meio a história da humanidade, é em si um evento apocalíptico.
Eu e você precisamos hoje mesmo ouvir o chamado de Jesus: “Eis que estou à porta e bato”. Precisamos de uma vez por todas, abrir a porta de nossa Igreja para Jesus, pois Ele garante que aqueles que abrirem, não apenas participarão do banquete, mas também se assentarão com Ele nos céus.
Precisamos urgentemente rever nossos conceitos, pois ele está às portas!
Ouça o que o Espírito diz às Igrejas, veja bem, “às Igrejas”, no plural, não a uma Igreja local, mas à universal, por isso, a intepretação mais importante é que seja como você preferir olhar para o Apocalipse, tire dali as informações para sua própria vida e para a sua igreja!
A semana que vem nos encontramos novamente para continuar o estudo no livro de apocalipse, dessa vez, um panorama geral dos eventos apocalípticos. 

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