sexta-feira, 3 de julho de 2020

Apocapse em Gotas Ep -8 - Na Rota das Igrejas – Parte 01

Seguindo nossa interpretação das Cartas às Sete Igrejas da Ásia nos capítulos 2 e 3 de Apocalipse, hoje avançamos com uma interpretação bem recorrente no meio cristão, as eras da Igreja, ou a interpretação histórica, sem deixar de lado, é claro, a aplicação disso na Igreja como um todo, e porque não, na nossa vida?
Hoje vamos juntos, verificar o que as sete Igrejas tinham de especial, para Jesus destinar cartas a elas, quando poderia ter escolhido tantas outras, assim como vamos colocar essas evidencias frente a frente com a história da Igreja.
Vamos começar?
A Igreja de Éfeso
Éfeso era a capital da Ásia Menor, atual Turquia, construída no século X a.C. Durante muitos anos, foi a segunda maior cidade do império romano e por consequência, a segunda maior do mundo antigo. Na época das cartas de João, contava com cerca de 250.000 habitantes.
Um ponto importante nessa cidade era o templo da deusa Artemis, ou Diana, para os romanos. Esse templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Além disso, contava com uma grande biblioteca e um anfiteatro para 25.000 pessoas. A Igreja de Éfeso provavelmente foi fundada por Áquila e Priscila, mas ganhou uma explosão de poder, quando Paulo leva dois ensinos no capítulo 19 de Atos a esses cristãos: 1 – O Batismo em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo, e 2 – Batismo no Espírito Santo, que é a experiência máxima com Deus por meio da vida do próprio Deus em nós.  
Não temos muito sobre o dia a dia daquela Igreja, embora haja uma carta de Paulo e mo relato de Atos 19, a Carta de Paulo a Timóteo (1Tm 1.3), falando do pastoreio que deveria desempenhar ali. Segundo a tradição da Igreja, confirmada por Inácio de Antioquia e Eusébio de Cesaréia, Bispos da Igreja naquela região no século II, a igreja era pastoreada por Timóteo, depois pelo próprio João no final do primeiro século.
Uma Igreja com uma tradição como essas, com líderes como esses, tem seu papel importantíssimo na cidade e também no império, ao ponto de figurar como liderança da Igreja oriental em toda a História, chegando à queda de Constantinopla, em 1453. 
Interessante pensar que Jesus diz a essa Igreja: “Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores.” (v.2)
Éfeso se fortalece na fé e impede a proliferação de heresias, e no versículo 6 vemos que eles odiavam as práticas dos nicolaítas. Segundo a tradição dos pais da Igreja, os nicolaítas eram crentes que, seduzidos por Nicolau (At 6.5), cederam a práticas idólatras e imorais, pois conforme a tradição, os nicolaítas comiam comidas oferecidas a deuses pagãos e se entregavam a devassidão.
A Igreja do século I era uma igreja que ardia no fogo do Espírito Santo, mas à medida que crescia, também era bombardeada por todo tipo de ensinamento falso, por isso, os Apóstolos incentivavam tanto o cuidado com os falsos profetas. Por consequência, houve um certo esfriamento na fé, por causa da dureza da doutrina, eles deixaram de se render ao que o Espírito diz às Igrejas. No ano 100 da era Cristã, a Igreja já não era a mesma dos anos 30, pois deixara de seguir no poder do Espírito, mesmo que permanecesse firme na são doutrina. Por isso, da repreensão quanto ao abandono do primeiro amor e das primeiras obras.
A Igreja Cristã passa ciclicamente por episódios assim na história, com aquecimento e resfriamento, e sempre que há esfriamento, o que mais se fortalece é o conhecimento nas Escrituras, mas em detrimento da busca pelo Poder do Espírito Santo. Claro que isso não se repete nos períodos da Idade média e nos nossos dias, em que ambos os abandonos são evidentes, tanto das Escrituras, quanto da vida espiritual.
Em nossos dias, infelizmente temos representantes dessa Igreja que abandonou seu primeiro amor, deixou a pregação com entusiasmo e a operação no Poder do Espírito, mas mesmo assim, permanece firme em sua fé.
Igreja de Esmirna
A cidade de Esmirna era muito antiga, com tradições que vieram dos hititas, um povo que o Senhor se irritou e dizimou em Canaã pela espada dos judeus, depois foi dominada pelos gregos e por fim, 2 séculos antes de Cristo, pelos romanos. Nesse termo, a tradição desse povo era extremamente idólatra e esotérica. Esmirna era muito proeminente naquela região, e seu nome deriva da mesma origem da palavra mirra, uma planta que servia para produzir perfume, e nesse ponto você deve se lembrar que mirra foi um dos presentes que o Senhor Jesus recebeu por ocasião do seu nascimento (Mt2.11). Esmirna também era uma cidade que contava com templos, teatros e inclusive, pela altitude, 300 m do nível do mar, contava com um aqueduto que abastecia a região.
A Igreja de Esmirna, contou com uma carta de Inácio, bispo de Antioquia, no começo do século 2, falando sobre a organização da igreja, a celebração dos cultos e também quanto a ministração de ceia e batismo. O medo, ao que parece, era da proliferação das heresias que rondavam a igreja do primeiro e segundo século. Por causa do medo da infiltração de heresias na Igreja, os primeiros Pais da igreja formularam mecanismos que mais tarde deu vasão a problemas mais graves, como o sacerdócio privado no clero da Igreja, ou seja, apenas os bispos poderiam ministrar, e daí em diante, foi criada a separação entre clero e leigos.
Precisamos lembrar que os imperadores romanos dos anos de 70 a 313 da nossa era, perseguiam os cristãos para eliminá-los do planeta, mas por mais que as arenas cheias de feras devorassem, as espadas dos soldados ferissem e matassem, os cristãos não diminuíam, pelo contrário, a igreja permanecia em crescimento contratante.
Além das aflições externas da Igreja desse período, tinham também as heresias que floresciam, ao que o texto diz: “aqueles que se dizem judeus, mas não são, mas são sinagoga de satanás”. Sinagoga é o centro de reunião, culto e proliferação da cultura judaica. Judaísmo era não apenas um estilo de vida, mas uma religião que dava origem ao cristianismo, ou seja, até nesse tempo, o cristianismo era mais uma “seita” judaica, segundo a ótica das pessoas de fora, ou seja, aos olhos dos romanos.
A Igreja de Esmirna, Jesus diz que alguns deles iam ser lançados na prisão por dez dias, e se pensarmos que número 10 significa potenciação, elevação, então, eles seriam muito perseguidos, por um, longo período. Foi o que ocorreu nos anos que essa igreja representa. Uma igreja extremamente pobre, no sentido de posses e situação cultural, social e etc. Mas era uma igreja riquíssima no quesito espiritual. Veja, foi a Igreja que incomodou tanto o império romano, que promoveu a sua pseudo conversão.
A Igreja desse período se reunia estritamente escondida, e chegavam a terem reuniões nas catacumbas, isso pode ser verificado, por exemplo, no livro Catacumbas de Roma. Essa foi a Igreja mais perseguida da história, pois não era uma parte ou outra da igreja que sofria, mas ela como um todo, onde quer que andassem ou se estabelecessem.
                Ao longo de toda a história da igreja, os verdadeiros cristãos foram perseguidos, nesse sentido, como  temos falado em história cíclica da Igreja, devemos entender que a igreja que sofre, que se dedica ao Evangelho, é uma Igreja que vive o que Jesus diz sobre a riqueza que Esmirna tinha.
                Hoje temos uma igreja sofredora, uma que, luta dia a dia com a escassez, inclusive de Bíblias e pastores. Essa Igreja pobre, é uma igreja extremamente abastada da presença do Espírito Santo, veja o exemplo da Igreja na China, Coreia do Norte e países Árabes, por exemplo. O que podemos aprender com essa igreja?
Igreja de Pérgamo
Pérgamo era mais uma cidade rica da Ásia Menor, com uma história que remonta a 400 anos antes de Cristo. Pérgamo era uma grande produtora de couros, ao que deu origem a palavra pergaminho, um pedaço de couro malhado, preparado para receber escrita.
A Igreja de Pérgamo não tem muitos registros históricos, quanto em outras cidades, embora a história da própria cidade seja muito rica. Falando em riqueza, a cidade figurava como uma das mais ricas do império romano. A religião nessa cidade era muito forte, até porque, os romanos eram extremamente religiosos, ao ponto de erigirem nessa cidade um culto ao imperador.
Agora, em se tratando do período histórico que essa igreja representa, há muito o que falar, pois foi um momento de reviravolta na fé cristã. No ano de 313 o imperador romano Constantino faz um movimento político em direção a igreja, completamente ao contrário dos seus predecessores. Constantino vê no forte crescimento da fé cristã até seus dias, como uma oportunidade de reverter a queda do seu império muito enfraquecido, como jamais antes na história romana.
Constantino alega ter tido um encontro com Jesus, mas infelizmente, não se encontra uma única evidência desse encontro, pois Jesus sempre transforma a vida das pessoas. Constantino dá várias ordens no sentido de centralizar as decisões na Igreja, e por fim, torna a Igreja como parte do estado, algo que se arrastará por muitos séculos, semeando a maior barbaridade da história da Igreja.
Vejamos o que mudou nas práticas da Igreja e o que se plica na profecia de Apocalipse:
1 – A Igreja até aquele momento, não se reunia em templos, a partir desse momento, os templos pagãos foram convertidos em templos cristãos;
2 – Os líderes da Igreja eram escolhidos pela própria comunidade dentre os mais antigos e firmes na fé, como no princípio da Igreja. A partir de Constantino, o episcopado passa a ser definido politicamente, com os membros mais influentes da nobreza romana, assim como era no paganismo, sem contar que em muitos casos, era herdado o título de Bispo de geração em geração, até que a igreja romana percebeu que estava empobrecendo por conta disso.
3 – A iconografia (reprodução e veneração de ícones religiosos) não era mencionada até esta época, mas a partir desse tempo, em especial por Helena, a mãe de Constantino, que era extremamente idólatra, é introduzido no culto a transformação dos ídolos pagãos em santos da igreja.
4 – O culto passa a ser dirigido apenas pelos sacerdotes, inclusive pontos fortes do cotidiano, como a ceia, passa a ser um ato apenas do clero.
5 – O clero na igreja não existia até esse momento, foi influência do paganismo;
6 – As roupas cerimoniais, como a mitra (espécie de chapéu que os bispos usam) eram elementos do sacerdócio pagão;
7 – Culto dos mortos não tem correspondência nem nos testos bíblicos, nem no judaísmo, mas no romanismo, isso passa a ser celebrado;
8 – A teologia foi totalmente adulterada, a ponto da maioria dessas mudanças não serem aceitas pelos cristãos orientais;
9 – A liderança da Igreja passa a ser centralizada em Roma, com o seu Bispo na primazia sobre todos os outros, ao que os orientais também não aceitam, pois tudo até o momento era realizado em consulta com todos os bispos, mas a partir daí, o Papa seria o detentor do trono eclesiástico e apenas isso já seria uma aberração, tendo em vista que Jesus disse que deveria acontecer exatamente o contrário, veja Mateus 23.8-11: “Quanto a vós, não permitais quie vos chamem Rabi, pois um só é o vosso Mestre e todos vós sois irmãos. A ninguém na terra chameis Pais, pois só tendes o Pai celeste. Nem permitais que vos chamem guias, pois um só é vosso guia, Cristo. Antes, o maior dentre vós será aquele que vos serve.”
Será que só aqui já dá para entender o que Jesus diz em Apocalipse 2.14,15? Acompanhe comigo: “No entanto, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas, induzindo-os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual. De igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaítas”.
Para entender isso aqui, precisamos ler a Bíblia, lembre-se, ainda que não conheçamos a história, se apenas lermos a Bíblia, conseguimos interpretá-la por completo. O episódio envolvendo Balaão, Balaque e a sedução do povo de Israel se encontra entre Números capítulo 22 e 25. Balaão, era um profeta pagão no tempo de Moisés, que foi contratado por Balaque, rei de Moabe, para amaldiçoar os Israelitas, mas não deu muito certo, pois o Senhor protegeu seu povo, mas mais tarde, como satanás é muito ardil, lembrou que a melhor forma de derrubar o povo de Deus é seduzindo pelas beiradas, assim como a serpente fez com Adão e Eva. Por fim, as mulheres israelitas são convidadas para participar de cultos e vão parar lá no altar pagão, servindo outros deuses e ensinando as suas casas a fazer o mesmo.
Foi justamente a mesma coisa que aconteceu com a Igreja, e como sempre repito e vou falar até o fim, a história é cíclica, se repete da mesma forma até hoje. A Igreja nos idos de 313, passa a gostar do prestígio oferecido pelo imperador romano e acaba se seduzindo com os elementos pagãos, a ponto de jamais se limpar completamente dessas práticas, até os nossos dias, com uma religiosidade de aparências, com elementos estranhos ao que a Bíblia diz. Nesse ponto não me refiro apenas ao romanismo, mas a toda a igreja, que tem seus líderes seduzidos pelo poder, pelo controle de tudo e principalmente, por doutrinas que a Bíblia não ensina, pelo contrário, algo que as outras religiões e povos praticam.
Aqui poderíamos falar de centenas de exemplos, mas creio que você compreendeu o que a Palavra diz nesse momento.
Por fim, a era de Pérgamo da Igreja vai se arrastando até os nossos dias com esses elementos, embora essa ciranda satânica nesse quesito, se encerra em 589, com um concílio que prevê a religião cristã como a religião oficial dos visigodos e hispânicos, inimigos dos romanos que herdam, de certa forma, o império. Esse é mais um fato apocalíptico muito importante, a queda do império romano no ocidente, pois durante o período da igreja de Pérgamo, no ano de 476, cai o último imperador romano do ocidente, e o trono é dividido em 10 partes, algo que vamos estudar mais a frente, mas fica aqui o gostinho... O império Romano foi dividido no ano de 589 por conta de revoltas e guerras com os bárbaros, mas como de bobos a nobreza romana não tinha nada, tratou de transferir a capital do império para Constantinopla, muito antes da queda completa, o que fortaleceu a nobreza e distanciou dos inimigos por 2 séculos.
Jesus prometeu que se a igreja não se arrependesse, eles seriam visitados pela espada que sai da boca dele, ao que de fato, não sabemos com detalhes se aconteceu, mas que a igreja do oriente lutou muito contra essa igreja, isso nós sabemos. Hoje a Espada continua correndo solta e apenas aqueles que tem ouvido, tem se arrependido das doutrinas de Balaão, seja no catolicismo romano, igreja ortodoxa ou no meio evangélico. Portanto, cuidado e ouça o que o Espírito diz às Igrejas.    
Igreja de Tiatira
                A cidade de Tiatira é quase que uma ilustre desconhecida na história, porque embora fosse um centro comercial importante naquela época, era uma cidade apenas de passagem. Se formos observar a maioria dos mapas da Rota da seda, Tiatira fica na porção em que as viagens eram por terra. Algo que faz muito sentido, se olharmos o texto bíblico em que vemos uma mulher se convertendo em Filipos, chamada Lídia no capítulo 16, versículo 14 de Atos. O que comprova essa tese é que Lídia vendia tecido púrpura e era natural de Tiatira. Púrpura era a cor da nobreza, tanto no império romano, quanto na idade média. Tiatira era uma cidade especializada nesse tingimento, ao que abastecia todo o império com tecidos dessa cor.
                Quanto a Igreja nessa cidade, não sabemos de nada, embora alguns especulem que Lídia pudesse ter voltado para lá e pregado para o povo daquela região. Não podemos afirmar nada com certeza, nem lendo a Bíblia, nem conferindo na história, mas uma coisa é certa, Jesus se dirige àquela Igreja em especial e sabemos que a mensagem contida em Apocalipse 2.18-29 era em primeira mão àquela igreja, mas certamente podemos tirar lições dela e aplicar à história da Igreja também.
                O período histórico que essa igreja representa é entre os anos de 590 e 1517, segundo alguns autores, embora eu particularmente creia que é de 590 a 1453, por conta da queda de Constantinopla, algo que já vimos aqui, mas vale a pena lembrar. Se na era de Pérgamo, o império romano transformou a igreja de Jesus num completo covil de políticos sujos e falsos profetas, agora na era de Tiatira, as aberrações só cresceram.
                Aquilo que na história foi conhecido como idade das trevas, na igreja não foi diferente, aliás, entre os historiadores, esse período foi conhecido assim justamente por causa da igreja romana. Sim, a Igreja passou de perseguida a perseguidora. No período da Idade média, que se retrata as palavras dessa profecia, a cúpula da igreja estava dominada por homens maus e repugnantes. A teologia foi completamente desfigurada e apenas o alto clero poderia interpretar a Bíblia nesse ponto as Escrituras passaram a perder força à medida que a tradição da igreja foi se fortalecendo. Até hoje, Na Igreja Católica, a tradição da igreja romana é superior às Escrituras, pois conforme decidido em concílios anteriores, apenas o Papa pode definir o que as Escrituras dizem ou não, pois é o substituto de Jesus, uma doutrina que não tem nenhum amparo bíblico, pois Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, conforme vemos em 1 Tm 2.5.
                Note que essas questões se assemelham em muito ao que Jesus disse a Igreja de Tiatira em Apocalipse 2.20: “No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos”. Precisamos novamente voltar às Escrituras para verificar quem é essa tal de Jezabel.
                Jezabel era a esposa do rei de Israel chamado Acaz, isso estamos voltando no ano de 889 a.C. no livro de 1Reis capítulo 16. Veja em especial o que diz 1 Reis 16.30.32: “Acabe, filho de Onri, fez o que o Senhor reprova, mais do que qualquer outro antes dele. Ele não apenas achou que não tinha importância cometer os pecados de Jeroboão, filho de Nebate, mas também se casou com Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e passou a prestar culto a Baal e a adorá-lo. No templo de Baal, que ele mesmo tinha construído em Samaria, Acabe ergueu um altar para Baal. Fez também um poste sagrado. Ele provocou a ira do Senhor, o Deus de Israel, mais do que todos os reis de Israel antes dele”. 
                Jezabel trouxe junto consigo não apenas a fé do seu povo, e adoração ao deus baal, mas também trouxe profetas e espalhou o seu culto em todo o reino de Israel. Não satisfeito em descumprir o que Deus havia dito a Moisés para que os filhos de Israel não se casassem com povos estrangeiros, Acabe traz o culto pagão para dentro dos arraiais do povo de Deus. A responsável por isso foi Jezabel. Quando estamos falando nessa mulher, aqui em Apocalipse, estamos falando de um símbolo, embora alguns interpretem que poderia haver naquela igreja em Tiatira uma mulher com esse nome, mas nesse caso, só teoria mesmo.
                Por outro lado, Tiatira, como outras cidades romanas, tinha abatedouros de animais para oferecerem aos ídolos e por fim, o povo poder consumir a carne, e isso era bem recorrente naquela época. Nesse ponto, pode ser que o que os apóstolos deram de instrução em não comer carne sacrificada em Atos 15, seja uma interpretação possível também, ou seja, alguns cristãos invocavam os dois demônios mais terríveis da cristandade: o Nada a ver e o Tanto faz... sim, aqueles dois demônios que dizem: Nada a ver comer carne sacrificada a ídolos, o que importa é consagra-los aos Senhor e mandar pra dentro... Tanto faz o que come. Jesus disse que o que torna o homem impuro é o que sai da boca, não o que entra...
                Isso é um dos maiores problemas do cristianismo, o sincretismo e adaptação daquilo que é doutrina em detrimento da própria Palavra de Deus. Foi justamente isso o que ocorreu na Igreja na Idade média, os crentes acabaram sendo influenciados de tal forma com as doutrinas equivocadas da igreja de Roma, que toda a igreja daquela época foi confundida e seduzida pela imoralidade, pois quando vemos essa palavra nas Escrituras, podem ser relacionadas, sim, com envolvimento sexual fora do casamento, como com envolvimento com outros deuses, ao que aparece em algumas traduções a palavra adultério, embora o conceito no grego, original da Bíblia, seja mais amplo. A palavra Pornéia, significa envolvimento sexual ilícito.
                Jezabel é a ala da Igreja que, sendo filha do diabo, envolve de tal forma a Igreja, que introduziu no culto da idade média a idolatria com a veneração de imagens e culto aos mortos, sem contar da venda de indulgências e muitos outros pecados que não acabam.
                Jesus diz àqueles crentes que se arrependessem, caso contrário, ficariam doentes e os filhos dessa mulher adúltera seriam mortos. Foi o que aconteceu. Na idade média o caos reinava, sendo que não apenas a igreja sofreu, mas todo o mundo com pragas, fome, guerras e morte espiritual. A Igreja dessa época fez uma aliança terrível com o estado, e por muitas vezes chegou a dominá-lo, ao ponto do próprio Papa tomar as rédeas do mundo daquela época, coroando e destronando reis. Uma coisa que a Igreja Católica Apostólica Romana fala através de seus líderes até hoje, é que a inquisição, as mortes e fogueiras, eram reponsabilidade dos governos, mas o que esses mesmos homens esquecem é que o julgamento era da igreja, ou seja, tentam se eximir da responsabilidade das mortes porque não eram os executores, mas apenas os juízes.
                A Igreja que deveria acolher, julgava. A Igreja que deveria oferecer de graça, vendia. A Igreja que deveria curar, deixava as pessoas doentes. A Igreja que deveria libertar, trouxe o próprio diabo para ser entronizado em seus cultos.
Sei que alguns podem ficar brabos comigo falando dessa forma, mas a história nos conta essas atrocidades, e não é nada fantasioso, tanto, que no ano de 2000, o então Papa João Paulo II pede perdão publica e explicitamente pelas atrocidades cometidas pela igreja. A Inquisição, que falamos aqui, teve início formal em 1233 pela bula Papal de Gregório, ordenando a Igreja julgar e condenar os infiéis.
Interessante, que dentre os infiéis, foram mortos homens e mulheres de Deus que inclusive pregaram, o que hoje a Santa Sé aceita como doutrina, além dos pré-reformadores, que começaram a trazer á tona a volta aos princípios das Escrituras Sagradas. Dentre eles John Wyclif, John Huss, que no século XIV foram presos diversas vezes e mortos pela inquisição.
A Igreja que mata pela fé, não deveria ser chamada igreja, pois de fato, não é. A Igreja de Jesus foi colocada nesse mundo como a porta de entrada para os céus, a extensão dos braços de Jesus.
Hoje temos muitos crentes e igrejas que se deixam seduzir por Jezabel, se envolvendo tanto com o ocultismo, religiões diversas e principalmente, atraindo os demônios da indiferença para dentro do seio da fé. Sejamos como a Igreja que Jesus chama de dentro da igreja de Tiatira: “Aos demais que estão em Tiatira, a vocês que não seguem a doutrina dela e não aprenderam, como eles dizem, os profundos segredos de Satanás, digo: Não porei outra carga sobre vocês; tão somente apeguem-se com firmeza ao que vocês têm, até que eu venha. (Ap 2.24,25).
Chegamos ao fim do tempo que temos para conversar, mas não no fim das sete Igrejas da Ásia.
Falamos hoje sobre quatro das sete igrejas, interpretando as palavras de Jesus para elas, seja no contexto da igreja local daquela época, na história da Igreja de Jesus na Terra, ou na forma singular que Jesus nos mostra sua verdade hoje.
Espero que tenha entendido que as palavras a cada uma das igrejas até o momento, são também para nós hoje.
                A semana que vem continuamos a falar das sete igrejas, poque o assunto é bastante extenso e terminaremos esse assunto com a Igreja atual, a de Laodiceia. Leia a Bíblia com toda a sua concentração e deixe o Espírito Santo falara com você, porque: “aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”. 

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